Dia de Folga » Opinião com gelo e laranja.

Panquecas Americanas

Publicado em 17/12/2009, em comes e bebes, lanches.

Não são aquelas panquecas com recheio de carne e cobertas de molho de tomate, mas aquelas das torres que a gente vê em filme americano e fica babando, sabe? Pois pare de babar e faça as suas. A receita é muito simples.

Ingredientes

  • 1 xícara (chá) de leite
  • 1 xícara (chá) de farinha de trigo
  • 2 ovos
  • 2 colheres (sopa) de açúcar
  • 1/2 colher (chá) de fermento químico em pó
  • manteiga para untar

Você também precisará de

Preparo

Bata todos os ingredientes no liquidificador ou no mixer até obter uma mistura homogênea.

Leve a frigideira ao fogo baixo, untada. Você só precisará untá-la para a primeira panqueca.

Quando a frigideira estiver quente, derrame um pouco da massa. Há quem meça  com concha, mas aconselho o olhômetro: faça uma, se achar muito espessa é só colocar menos massa na seguinte. Só não coloque pouquíssima massa: você está fazendo panquecas fofinhas, não crepes.

A massa cozinha da borda para o centro e quando ele ainda estiver líquido já é hora de virar a panqueca, com a ajuda de uma espátula e alguma paciência. Vai derramar, vai quebrar, não se preocupe: a prática leva à perfeição.

Panquecas Americanas

Cozida na borda, crua no centro: hora de virar.

Panquecas Americanas

Olha como o outro lado já estava pronto.

Em mais um minuto, a panqueca estará pronta – é só o tempo de secar aquele meio que ainda estava líquido.

Passe para um prato, comece tudo novamente e vá montando sua torre.

Dicas e Complementos

Panquecas Americanas

Torre de Panquecas

A panqueca fica mais fofinha se a massa descansar uns 15 minutos antes de ir ao fogo, mas isso não é fundamental – a diferença não é assim tão grande.

A massa líquida pode ser guardada na geladeira de um dia para o outro.

Cada panqueca leva uns 3 minutos pra ficar pronta. Cuidado pra não deixar queimar.

A primeira panqueca é um desastre visual. Com o tempo, você pega prática, acredite.

Sirva com manteiga, mel, glucose de milho (karo), xarope de maple, geléia ou o que preferir.

Se sobrar panqueca, guarde na geladeira dentro de um recipiente tampado e leve ao microondas por uns 30 segundos quando quiser comer.

  • Tempo de preparo: 30 minutos
  • Grau de dificuldade: fácil
  • Rendimento: de 6 a 8 panquecas, dependendo do tamanho da frigideira e da espessura

Homem no Escuro

Publicado em 15/12/2009, em livros e artes.

Escrito originalmente para a Revista Paradoxo, em 06/01/2009.

Duas histórias em um só livro. Assim se constitui o último livro do consagrado escritor norte-americano Paul Auster, que já havia utilizado o mesmo recurso em fases anteriores da carreira e agora o retoma em Homem no Escuro. Não se trata, no entanto, de histórias desvinculadas ou independentes. Elas são interligadas e permeadas por outras pequenas tramas, fragmentos do passado das personagens afetados por guerras, amores, redenção e morte.

O narrador é August Brill, crítico literário de 72 anos, recentemente inválido após um acidente de carro. Brill mora com sua filha Miriam, sua neta Katya e vive um presente estável, embora profundamente melancólico. No entanto, o passado guarda fortes dores – tanto para Brill quanto para a filha e a neta – ocasionadas principalmente pela guerra no Iraque e pelo câncer. A vida não foi doce para Brill ou sua família.

E para fugir das lembranças, o crítico compõe, mentalmente, um romance – a segunda história do livro.

Owen Brick vive uma existência pacata, entretendo crianças em festinhas como mágico medíocre e morando com a esposa, até acordar dentro de um buraco e notar-se em uma realidade paralela (impossível não lembrar de Alice no País das Maravilhas). Nesse novo mundo, os Estados Unidos estão em plena guerra civil. Nada é como deveria ser e o desconcerto de Brick, repentinamente transformado em soldado, rende alguns momentos cômicos.

Enquanto tenta voltar para seu mundo, Brick descobre que tem papel importantíssimo na guerra e que dele depende a resolução do conflito. Descobre, ainda, que sua vida está em risco. O que realmente acontece com Brick? Esse é o grande suspense que movimenta a obra.

É no terceiro terço do livro que Brill dá-se, realmente, a conhecer e o leitor pode penetrar nas misérias, nos prazeres, nos erros, nas conquistas e nas perdas de sua vida e de sua família. Não há acontecimentos grandiosos na vida de Brill. Alguns acasos e um punhado de escolhas constituem a narrativa de sua vida, como seria na da maioria das pessoas.

Apesar dessa banalidade, Paul Auster consegue envolver o leitor em um texto vívido, sem apelar para a descrição enfadonha. Se não chega a arrebatar, certamente não entedia. Como bônus, Homem no Escuro traz discussões instigantes sobre cinema que lhe conferem um atrativo extra e agradam até mesmo o leitor não familiarizado com as referências.

Ficha

  • Título: Man in the Dark
  • Autor: Paul Auster
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 165
  • Cotação: 4 estrelas
  • Pesquise o preço de Homem no Escuro.

Descomplicadas

Publicado em 14/12/2009, em blogs, internet.

Uns meses atrás, fui convidada a participar de uma pequena rede de blogs escritos por mulheres, sob o título Elas Blogam.

O projeto decolou há algumas semanas e está bem bacana. A rede é parte de um portal, o Descomplicadas, que vem cheio de conteúdo, como calendário de menstruação e informações sobre saúde feminina. O site também se preocupa em ensinar netiqueta (e diz não ao miguxês, viva!) e dá dicas para um blog bacana (minha preferida: "NUNCA copie textos de outras pessoas"). A iniciativa é da Intimus.

Presentinhos da Intimus

Kit da Intimus

Claro que nada é perfeito: o portal é lindo, mas tem flash, flash e mais flash. Se a sua conexão é lenta, você vai sofrer. Ei, galera, não era pra descomplicar? Além da demora, existe o problema googlístico: São Google não lida bem com conteúdo em flash.

Enfim, deixemos de lado minha mortal implicância com o flash…

Não pude ir ao encontro das moças que compõem o Elas Blogam, mas ainda assim recebi em casa, semana passada, uma caixa linda com produtos Intimus. Agora, o mais bacana mesmo é o que está dentro dessa caixinha escrita "Nosso site é todo seu":

Presentinhos da Intimus

Carimbo personalizado!

Carimbos! Achei um barato o "Hoje estou", mas ca-la-ro que morri de amores mesmo pelo "Dia de Folga". Estou pensando seriamente em comprar uma almofadinha laranja e começar a carimbar as cartinhas que envio por aí acrescentando um .com ao lado (e, acredite, envio muitas cartas – qualquer hora explico a razão).

Obrigada às meninas que cuidam do projeto pelo convite e por esse mimo. ;)

Macarronada Primavera

Publicado em 11/12/2009, em comes e bebes, massas, pratos únicos.

Receitinha inventada com o que havia na geladeira na hora do aperto. Fique à vontade para mudar os ingredientes. O nome foi inspirado no colorido final.

Ingredientes

Macarronada Primavera

Ingredientes principais.

  • azeite
  • 1 cebola média picadinha
  • 6 dentes de alho pequenos amassados
  • sal
  • 6 tomates grandes bem maduros sem pele e sem sementes
  • meio pimentão verde cortado em tiras
  • meio pimentão amarelo cortado em tiras
  • umas 12 ou 15 azeitonas pretas sem caroço
  • 1 vidrinho de cogumelos em conserva picados ao meio
  • pimenta-do-reino
  • manjericão ou salsinha (opcionais)
  • 400 gramas de macarrão de boa qualidade
  • 1 colher (de sopa) cheia de manteiga (opcional)

Você também precisará de

Preparo

Comece despelando os tomates e tirando as sementes. Pique-os em pedaços pequenos e reserve.

Na panela em que você vai preparar o molho, coloque o azeite, o alho amassado, a cebola picadinha e uma boa pitada de sal. Em fogo baixo, frite até a cebola ficar transparente.

Acrescente os tomates picados e, mexendo de vez em quando, espere que derretam um pouco. Se preciso, acrescente água, mas o ideal é que os tomates estejam tão maduros que não seja necessário.

Junte os pimentões e as azeitonas. A partir de agora, haja fogo para transformar o tomate em molho. Confesso que não tenho paciência para obter um molho lisinho – o meu sempre fica pedaçudo. Mesmo assim, gasto uns 40 minutos só no molho.

Aproveite para ajustar o sal e temperar com pimenta-do-reino, manjericão, salsinha e o que desejar ou tiver em casa.

Uns 15 minutos antes do molho ficar pronto, leve uma panela alta ao fogo com uns quatro litros d'água e um punhado de sal. Quando ferver, acrescente o macarrão de boa qualidade. Confira a embalagem para verificar o tempo de cozimento e lembre-se: o macarrão deve ficar al dente (oferencendo leve resistência ao ser mordido) – nada de deixá-lo derreter.

Macarronada Primavera

É ou não é colorida?

Escorra o macarrão na vasilha apropriada e dê uma passada pelo jato d'água fria da torneira para interromper o cozimento. Isso evita que ele grude. Despeje-o na travessa de servir e, se desejar, misture a manteiga até que ela derreta. Tudo fica melhor com manteiga.

Ah, sim: faltaram os cogumelos. Eu prefiro jogá-los na panela instantes antes de tirar o molho do fogo, só para que esquentem.

Gosto de deixar macarrão e molho em vasilhas separadas, para que cada um se sirva como preferir.

Dicas e Complementos

Queijo ralado de qualidade e um bom vinho sempre acompanham bem uma macarronada.

Se não der pra sincronizar o preparo do molho com o do macarrão, deixe o do molho por último. Jogado fresco e quente por cima da massa, ninguém vai perceber se ela já estava pronta há 10 ou 15 minutos.

  • Tempo de preparo: umas duas horas (despelar tomate e picar tudo leva algum tempo)
  • Grau de dificuldade: moderado
  • Rendimento: para 2 pessoas

Tom e Vinícius – O Musical

Publicado em 10/12/2009, em música e teatro.

Fui, vi, gostei. Mas, confesso, esperava mais.

Conseguir ingresso em cima da hora (comprei apenas um dia antes da peça) foi um pequeno  milagre. Apenas quarenta reais – de graça para os padrões do Teatro Nacional de Brasília – e com ator famoso (eu nunca tinha ouvido falar dele, mas não sou noveleira, então não posso ser levada em conta), essa é a combinação perfeita para entradas esgotarem-se antes que você saiba que o espetáculo existe. Certo, fiquei na fila Z, mas quem se importa?

O lugar era central, diga-se de passagem, e, justamente pela distância do palco, propiciava uma boa visão de toda a cena – e aí começa o problema. Cadê cenário? Um projetor sem contraste, trazia uma imagem ou outra do Rio, do Carnegie Hall etc. e tal. No tablado, poucos elementos além dos (também poucos) atores. Um piano, eventualmente uma mesa e algumas cadeiras. Tom e Vinícius poderia manter muito bem esse clima no teatro pequeno e seria um espetáculo intimista. Na sala principal do Teatro Nacional, com capacidade pra mais de mil pessoas, a sensação é de que falta algo.

Marcelo Serrado interpreta Tom Jobim e contracena com o Vinícius de Moraes de Thelmo Fernandes. Serrado convence mais. Fernandes está ótimo, mas exagera um tanto nos trejeitos do poetinha. Nenhum dos dois enche o peito para cantar, sendo salvos por seis excelentes cantores. A pequena banda também é de primeira. Mas, pra quem se acostumou com musicais e cortinas líricas compostas por dezenas de artistas, a produção pareceu pobre, insuficiente para a grandeza dos homenageados.

Outro ponto fraco é o tom professoral de algumas passagens, como se houvesse muito a contar em pouco tempo e a única saída fosse declamar lições didáticas.

Nem tudo é defeito, claro – afinal, eu disse lá em cima que gostei do musical. Os cantores são ótimos e seus figurinos de época caem muito bem. A escolha das músicas marca eventos importantes nas carreiras de Tom e Vinícius. O corte que os autores fizeram para contar as suas vidas é preciso, pinçando ótimos momentos. O musical faz rir quando perde o tom didático e chega a emocionar. Sem contar que recordar Tom e Vinícius é recordar um Rio de Janeiro leve e poético como já não se vê.

Não é imperdível mas, se por acaso voltar aos palcos (segundo Serrado, a apresentação de domingo passado em Brasília encerrou a turnê nacional) e se você for fã da dupla que consagrou a bossa nova, vale conferir.

Ficha

  • Texto: Daniela Pereira de Carvalho e Eucanaã Ferraz
  • Direção: Daniel Herz
  • Direção Musical: Josimar Carneiro
  • Figurino: Marcelo Pies
  • Elenco: Marcelo Serrado, Thelmo Fernandes, Guilhermina Guinle, Ricardo Conti, Lilian Valeska, Marcelo Rezende, Luiz Araújo, Pedro Lima, Luiz Nicolau, Ana Ferraz, Carol Bezerra, Julia Gorman, Luciana Bollina, Marilice Cosenza.

Sem Sangue

Publicado em 09/12/2009, em livros e artes.

Escrito originalmente para a Revista Paradoxo, em 04/11/2008.

É apenas para efeito didático que se marca data para começo e fim de uma guerra. As sementes da Segunda Guerra Mundial começaram a germinar muito antes da invasão da Polônia por Hitler em setembro de 1939 – há quem a defina como mais um capítulo da guerra iniciada em 1916. Da mesma maneira, não se imagina que quando o último soldado norte-americano se retirar do Iraque a guerra terá, de fato, chegado ao fim para os sobreviventes. Na vida que se desenrola além dos livros de História, não existem linhas pontilhadas marcando pontualmente o início e o fim de uma guerra para aqueles que sofrem seus efeitos devastadores. Sejam eles classificados formalmente como vitoriosos ou vencidos.

O término oficial de uma guerra é o ponto de partida para o romance Sem Sangue, do italiano Alessandro Baricco. O escritor faz questão de deixar claro que o texto é ficcional e não fornece informações geográficas ou temporais que permitam ao leitor situar a história. Todas as guerras são, afinal, iguais na dor, nas feridas e nos traumas que causam.

No livro, alguns homens vão à caça de um médico. O ronco do Mercedes anuncia a aproximação e o doutor trata de esconder sua filha num buraco, sob a casa de fazenda isolada. Entrega a ela uma arma, conservando outra para si, e prepara-se para o embate. A primeira impressão é a de que os tais homens no carro são os inimigos, os implacáveis vilões – até que se descobre o envolvimento do médico nos horrores da guerra da qual saiu derrotado.

Décadas depois do confronto na casa isolada, ainda há sobreviventes. A guerra, para eles, não havia acabado no dia determinado pelas autoridades passadas; não acabara na casa de fazenda; e não tem fim até o dia em que se encontram. O curto romance apresenta uma história de morte e vingança em que não é possível tomar partido.

Baricco não se apega a descrições, mas suas frases precisas constroem imagens vívidas e mergulham o leitor numa trama que surpreende e atordoa. É livro com cara de filme, de roteiro pronto para pular para as telas. Enquanto Seda (esse sim, transformado em filme em 2007) conquista pelo lirismo, Sem Sangue impressiona pela dureza. Uma dureza poética.

Trechos

Por mais que a gente se esforce para viver uma única vida, os outros verão outras mil dentro dela, e é por essa razão que não conseguimos evitar de nos machucarmos.

Já não se podia voltar atrás, quando as pessoas começam a se matar não se volta mais atrás. Não queríamos chegar àquele ponto, os outros começaram, depois não houve mais nada a fazer.

Ficha

  • Título: Senza Sangue
  • Autor: Alessandro Baricco
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 81
  • Cotação: 5 estrelas
  • Pesquise o preço de Sem Sangue.

AvatarA autora mora em Brasília e atende por Lu (de Luciana). Ou Lu Monte, já que há um monte de Lus. Mais?

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