Cidade do México (CDMX)

A Cidade do México (CDMX) é uma megalópole com cerca de 25 milhões de pessoas (São Paulo, pra você ter uma ideia, tem cerca de 15 milhões) e todas elas usarão o metrô na mesma hora que você. Vale a pena passar alguns dias na cidade, mas não muitos.

Veja todos os posts sobre a viagem ao México.

Hospedagem: fiquei na Zona Rosa e recomendo o lugar. Escolha uma hospedagem próxima de uma estação de metrô (linha 1 – rosa). Eu estava próxima à estação Sevilha. Também estava perto (cerca de 600 metros) do Bosque de Chapultepec, o que foi ótimo. A hospedagem em si era bem ruim, por isso não vou mencioná-la.

Onde comer: a Zona Rosa é famosa pelos restaurantes, mas pouco aproveitei. Comi duas vezes na Maison Kayser, especializada em cozinha francesa – e lá provei o muito mexicano pan de muerto, uma delícia que só é feita na época do Día de Muertos – e jantei uma vez no restaurante El Bajio, dentro de um shopping (Paseo de la Reforma, 222), que proporcionou o melhor atendimento da CDMX e um chicharrón (pururuca) de lamber os beiços, além de finalmente ter provado mezcal, destilado de agave que se serve com laranja e sal de gusano (gusano é aquele verme que você vê dentro de algumas garrafas de tequila e eu só descobri isso depois, felizmente).

Pan de Muerto com recheio de nata. Tacos, chincharón, guacamole e michelada.

Meios de transporte: o trânsito é caótico, travado, um inferno. As cores dos semáforos são meras sugestões, ignoradas pela maioria. A forma mais rápida de locomoção é via metrô – que é sujo, lotado e vai te fazer caminhar um tanto entre a estação e onde quer que você queira ir. O lado bom é que é barato – o bilhete custa 5 pesos, ou 1 real. Dizem que os taxistas são picaretas, recusam-se a ligar o taxímetro e, quando ligam, fazem o pior caminho possível (what else is new?). O uber é legalizado na CDMX e usei umas três ou quatro vezes. Easy Taxi também funciona, mas não usei. O único táxi que tomei foi do aeroporto à hospedagem, que é pré-pago (225 pesos, para a Zona Rosa).

Quanto tempo ficar: três dias são suficientes. Eu fiquei quatro (cheguei na tarde do dia 28/10 e fui embora na manhã de 01/11) e foi tempo demais. Adorei os passeios que fiz, mas não gostei do caos da cidade e não via a hora de ir embora.

Passeios imperdíveis:

  • Estación México: pulqueria/luta livre (500 pesos), free walking tours e visita a Teutihuacán (400 pesos) – recomendo todos os passeios.
  • Museo Nacional de Antropología
  • Teutihuacán: já falei no primeiro item, mas não quero que você passe batido; tente ir numa segunda-feira, dia em que todos os museus da CDMX estarão fechados e você não terá o que fazer na cidade.

Se tiver um dia a mais:

O que faltou: queria ter conhecido o Palacio de Bellas Artes por dentro e queria ter visto uma apresentação do Ballet Folklórico de México que, aliás, ocorre exatamente no Palácio de Belas Artes.

Quanto gastei:

  • hospedagem: 3.933 pesos
  • transporte: 455 pesos
  • alimentação: 1.866 pesos
  • passeios: 1.155 pesos

Se você quiser ler os detalhes dos quatro dias pela CDMX, acomode-se e vá em frente.

Dia 1

Cheguei no começo da tarde, cochilei por uma hora e fui ao Bosque de Chapultepec. Recomendo que essa seja a sua primeira parada na CDMX. Primeiro, porque o bosque é lindo. Segundo, porque é nele que fica o Museu Nacional de Antropologia e, se você quer saber um pouco sobre as civilizações pré-hispânicas, esse museu é parada obrigatória. O famoso “calendário maia” (que não é um calendário e tampouco é maia) está lá e impressiona ao vivo. Há várias ruínas e templos reconstruídos e repintados para simular como teriam sido na época das grandes civilizações que viviam no México antes da chegada dos espanhóis.

Pedra do Sol (conhecida como "calendário asteca").
Pedra do Sol (conhecida como “calendário asteca”).

O Museu de Antropologia é enorme, eu estava cansada da viagem e depois de umas duas horas já não tinha muita paciência. Se tivesse, ficaria umas quatro horas por lá. Calcule no mínimo duas horas  para esse museu. A entrada custa 65 pesos.

À noite, fiz um passeio guiado para conhecer uma pulqueria e assistir a uma apresentação de luta livre. Esse foi o passeio mais divertido na CDMX.

O pulque é uma bebida fermentada feita de agave, a mesma planta que dá origem ao mezcal e à tequila (ambos destilados). É altamente perecível, por isso você não encontrará em nenhum outro lugar além das pulquerias, bares que fabricam e vendem seus pulques diariamente. Puro, é uma bebida branca, um pouco viscosa e ligeiramente azeda, com um cheiro que me lembrou vagamente a jaca (mas mais fraco). Ninguém o bebe puro, mas sim misturado, ganhando o nome de pulque curado. As misturas são as mais diversas possíveis e variam a cada dia. Quando fui, as opções eram frutas vermelhas, morango com leite (igualzinho a um iogurte) e, pasme, aipo, que ficou ligeiramente salgado e muito gostoso – era como beber salada (eu sei, soa esquisito, mas juro que estava gostoso).

Pulqueria.

O teor alcoólico do pulque é de uns 5%, fraquinho. As bebidas são substanciosas e com dois copos eu estava satisfeita a ponto de nem pensar em jantar. Os mexicanos dizem que um copo de pulque equivale a um bife em valor proteico, razão pela qual a bebida é servida inclusive a crianças, com alguma diluição (mas na pulqueria não entra menos de dezoito anos, e todos do grupo tiveram os passaportes conferidos). Na época das civilizações pré-hispânicas, o pulque era uma bebida da elite e tomado apenas em cerimônias religiosas.

De lá, fomos à luta livre. Acho que é de conhecimento geral que as lutas são armadas, são verdadeiros espetáculos coreografados. O que eu não sabia é que são um enorme evento no México! Fomos à Arena México, que comporta quinze mil pessoas (ou vinte mil – agora não tenho certeza) e estava lotada, em sua maioria por mexicanos (não é uma coisa armada para turistas). A guia nos explicou que até os anos 70 os lutadores eram os verdadeiros super-heróis das crianças mexicanas – nada de Capitão América, Super Homem ou Flash. Entram no ringue os Bons (que jogam limpo) e os Maus (que trapaceiam), cada grupo sempre no mesmo corner. As acrobacias são caprichadas e a vibração do público é tanta que você começa a torcer junto e se indigna quando o juiz dá a vitória aos Maus. Mas no fim os Bons sempre ganham (eu acho).

Luta Livre, Arena México.

Há lutadoras também, coisa que eu não sabia. E há uns rapidíssimos números de dança folclórica mexicana entre uma luta e outra. Sim, são várias lutas na mesma noite. O espetáculo começa às nove da noite e vai se desenvolvendo até chegar à luta principal, pouco antes das onze horas.

Não teria tanta graça ir à luta livre sozinha, e certamente eu não teria me metido só em uma pulqueria (sequer saberia da sua existência). Então, recomendo fortemente o passeio guiado que fiz, com a Estación Mexico e comprei o tour ainda no Brasil. Todos os outros passeios que fiz na CDMX foram com a mesma equipe.

Dia 2

Foi o dia de conhecer o metrô de CDMX – e de ficar um tanto traumatizada -, de andar pelo centro – mais traumático ainda – e de fazer dois free walking tours com a Estación México.

Sempre achei que a melhor forma de conhecer uma cidade é caminhando por ela. Meu primeiro free walking tour foi em Santiago do Chile (post em breve, espero) e desde então sempre busco esse tipo de passeio quando viajo. Gente do local traça um roteiro a pé a ser percorrido com os turistas, revelando um pouco da história e da cultura da cidade, em troca de gorjetas. Às vezes um valor é sugerido (no Chile, sugeriram 5 dólares), às vezes não (eu dei 50 pesos em CDMX e, pelo que reparei, as gorjetas variaram entre 50 e 100 pesos). Você pode não dar nada, mas acho sacanagem. Pra que ser tão muquirana?

tour pelo centro (ou zócalo) foi feito num sábado de manhã. O metrô e as ruas não estavam tão lotados, mas isso mudaria ao longo do dia. A guia disse que o nome “zócalo” significa “base” e a praça localizada no centro da cidade (oficialmente chamada de Plaza de la Constitución) ganhou esse apelido porque em 1843 o presidente Antonio López de Santa Anna lançou as bases para um monumento nunca concluído. A wikipédia confirma essa história, mas o lance é que toda praça central de cidade mexicana é conhecida como zócalo.

Antes dos espanhóis, a região do zócalo fazia parte da capital do império asteca. Inúmeras ruínas foram encontradas por lá, como também por toda a CDMX. No princípio do século XX, estabeleceu-se que toda terra em que se encontrasse uma ruína ou um artefato pré-hispânico passaria a ser propriedade do governo mexicano. Por isso, especula-se que muitos achados jamais foram entregues às autoridades, por medo das pessoas de perderem suas terras.

Outra curiosidade sobre o zócalo da CDMX é que originalmente a região era alagada. Aos poucos, as águas foram direcionadas a canais e, com o tempo, eles foram aterrados. Acontece que, devido às águas subterrâneas, a região está sujeita a forte movimentação, com efeito direto sobre as construções. O prédio da Sears em frente ao Palácio de Belas Artes deixa isso bem nítido – observe a fenda entre ele e o prédio vizinho.

A instabilidade do terreno afastou os prédios.
A instabilidade do terreno afastou os prédios.

Durante o passeio, a guia falou sobre Josefa Ortiz de Domingues, uma das raras personagens femininas da história do México. Trata-se de figura importante na conspiração que culminou na independência do México, conhecida por passar informações estratégicas dos espanhóis aos insurgentes.

A universidade mais importante do México está junto ao zócalo e tradicionalmente cada curso apresenta uma arte/oferenda, em forma de pirâmide, para celebrar o Día de Muertos. Também são feitos tapetes com serragem colorida, ao estilo dos que se fazem no Brasil em Corpus Christi.

Pirâmide/oferenda feita para celebrar o Día de Muertos.

No caminho, passamos pelo antigo Real Hospital del Divino Salvador para Mujeres Dementes. No fim das contas, nenhum tratamento médico era dado às mulheres confinadas – todas as perturbações eram atribuídas a demônios.

O prédio mais bonito do trajeto, por dentro, é o Palácio Postal, construído em 1901. Por fora, o edifício mais impressionante é o Palácio de Belas Artes – tome distância para ver também a sua abóbada dourada. Dizem que é lindo por dentro, mas acabei não conhecendo (há obras de Diego Rivera e de outros artistas expostas do Palácio).

Palácio Postal Palácio de Belas Artes

Junto ao Palácio de Belas Artes fica a Torre Latinoamericana, que possui um mirante (entrada paga) com uma bela vista da cidade – isso disse a guia, eu não subi porque os dias em que tive a oportunidade estavam nublados.

O passeio passa também pelo Convento de São Francisco, o maior de toda a América, posteriormente desmembrado em vários prédios. Na frente dele fica a Casa de los Azulejos, construída no estilo barroco mexicano. É na frente dessa casa que se encerra o passeio, depois de cerca de duas horas e meia.

Palácio dos Azulejos
Palácio dos Azulejos

Eu estava inscrita também para o free walking tour da tarde, que começava às três horas em Coyoacán, um bairro um tanto distante do centro. Assim, não tinha muito tempo para comer. Parei no Salón Corona e, vencida minha repugnância inicial, pedi um taco al pastor (que é feito de carne de porco e lembra bastante o famoso churrasco grego, comum no centro do Rio de Janeiro e origem da minha repulsa), acompanhado de uma michelada – cerveja com limão e sal (alguns lugares acrescentam molho inglês e pimenta – fica gostosa, juro). O taco estava bom, mas era pequeno; pedi uma quesadilla dorada para complementar (feita com a mesma tortilla do taco, mas tostada, ou “dourada”). Até tinha a intenção de comer mais, mas o lugar começou a encher, o atendimento ficou horrível e tive que ir embora praticamente correndo para Coyoacán.

…E o inferno estava do lado de fora.

Você viu o filme novo do James Bond? Eu não, mas sei que há uma cena que se passa durante um desfile pelo Día de Muertos na CDMX. Pois bem, esse desfile não existia, mas a Secretaría de Turismo do México percebeu a oportunidade para atrair turistas e em 2016 organizou, pela primeira vez, um desfile nos moldes do filme. A vida imita a arte, veja só.

Tudo muito bem, tudo muito bom, só que a CDMX em peso resolveu ir ao centro ver o tal desfile. Parece que foi mesmo um acontecimento. Pra mim, foi um suplício. Enquanto a multidão afluía ao centro, uma ou duas horas antes do desfile, eu tinha que ir na direção contrária até a estação de metrô mais próxima (obs.: as estações de metrô na CDMX nunca são próximas o bastante) em direção a Coyoacán. Se eu fosse o James Bond, teria sido fácil. Como não sou, foi uma luta.

Cheguei ao metrô não sei bem como. Milagrosamente, estava vazio no sentido que eu queria. Ah, que ilusão… depois que baldeei para a outra linha, o metrô entupiu de gente. Vale dizer que os mexicanos não entram no metrô, eles se jogam, passando por cima de quem já está dentro – inclusive de crianças. É uma coisa horrorosa.

Foi por um triz que não perdi o tour em Coyoacán – e que bom que não perdi, porque o bairro é lindo! Coyoacán é um dos bairros mais antigos da cidade. Já foi o bairro boêmio, onde se reuniam os artistas – a casa-museu de Frida Khalo fica lá – e ainda conserva algumas partes boêmias, mas boa parte do bairro se tornou cara, com seus casarões (com pátios enormes, da época em que havia estrabarias dentro das casas) sendo ocupados por políticos, juízes e outras figuras da elite. Coyoacán deixou de ser o bairro mais chique da CDMX nos anos 90, perdendo o posto para Santa Fé.

Coyoacán foi fundado pelos tepanecas, pré-hispânicos que chegaram à região depois que os espanhóis já tinham destruído a capital asteca (no centro histórico, lembra? eu disse que os bairros não são próximos – uns 40 minutos no metrô – e essa distância era muito mais significativa no século XVI). Os tepanecas tinham seus próprios problemas com os astecas, que lhes cobravam altos tributos; assim, aliaram-se aos espanhóis na guerra contra os astecas. Apenas em meados do século XIX a região foi incorporada à capital do México.

O bairro tem início no Rio Magdalena, considerado o último rio vivo da cidade (muito poluído e de cheiro desagradável, diga-se, mas assim que você entra no bairro ele fica pra trás). Coyoacán, como o centro, era cortado por rios, que aos poucos foram canalizados ou secaram.

Na região surgiu uma profissão nova, ainda na época colonial, a de “sereno”. O sereno passava pelas ruas tocando uma campainha e carregando uma vela, de modo a tornar a a área mais segura.

As casas de Coyoacán não tinham números, mas nomes: Casa do Sol, Casa León Rojo (onde morava o presidente da República em 1986) etc. As ruas guardam muita história, inclusive em seus nomes. A Calle Salvador Novo, por exemplo, foi nomeada em homenagem a importante cronista dos anos 20. À parte sua contribuição para o registro histórico do período em que viveu, Salvador Novo declarou-se gay uma época em que ninguém o fazia, chocando a sociedade.

Entramos numa casa típica do bairro, onde hoje funciona a Fonoteca. Dizem que Pedro de Alvarado morou nela. Alvarado é considerado o primeiro genocida da história do México: ao ver os astecas realizando sacrifícios humanos por ocasião da festa dos mortos, pensou “se eles se matam entre si, vão nos matar também”  e atacou a civilização, promovendo larga matança.

Arquitetura típica de Coyoacán, casa com pátio enorme (Fonoteca).

Octavio Paz (Nobel de Literatura em 1990) certamente viveu na casa hoje ocupada pela Fonoteca. Paz dedicou-se a descobrir o que faz do mexicano mexicano, buscando contexto histórico para os hábitos e o comportamento do povo. Cunhou o termo “malinchista” para definir o mexicano que prefere outra cultura. Malinche foi uma indígena famosa por aprender idiomas rapidamente. Foi peça-chave na conquista do México pelos espanhóis, aliando-se a eles e tornando-se amante de Hernán Cortés, com quem teve filhos (Cortés só não se casou com ela porque não seria de bom tom casar-se com uma nativa). Assim, Malinche escolheu os espanhóis em detrimento de seu próprio povo.

Coyoacán tem alguns bonitos exemplos do muralismo (ou grafite, como costumamos chamar).

Arte urbana em Coyoacán.

Na Plaza de Santa Catarina, há uma igreja com uma só torre. Os espanhóis costumavam construir igrejas de uma torre para santos, e de duas torres para virgens. Santa Catarina era virgem e, originalmente, a igreja tinha duas torres; acontece que uma caiu e nunca foi reconstruída. Chama a atenção o enorme pátio na frente da igreja – era grande para comportar os negros e índios que, devidamente catequizados, tinham a obrigação de frequentar a missa, mas não podiam entrar nas igrejas.

Ainda sobre religião: originalmente, as famosas piñatas eram instrumentos de evangelização. Os espanhóis faziam uma estrela de sete pontas, representando os sete pecados capitais. As pessoas eram vendadas como um símbolo de fé e deviam destruir a piñata – os pecados – sendo, então, recompensadas com doces. Eram usadas somente durante Las Posadas – os nove dias que antecedem o Natal.

Curiosidade final: em espanhol, diz-se “ojo” (olho) com o sentido de “tome cuidado”. Em Coyoacán, é comum que se diga “águas”. Isso vem da época em que, sem esgoto encanado, as pessoas jogavam dos balcões de suas residências a água suja, gritando “águas” para alertar os transeuntes. Pela mesma razão, desenvolveu-se a tradição de a mulher andar pelo lado de dentro da calçada – mais próxima às casas – e o homem pelo lado de fora – mais próximo à rua. Assim, a água descartada menos provavelmente atingiria a mulher.

E aqui acaba – finalmente! – o tour pelas ruas da CDMX!

Dia 3

O domingo foi um dia livre, no fim das contas. Era o dia em que talvez fosse a Xochimilco (desisti depois de ler os comentários no Trip Advisor – não é meu tipo de programa) e aos museus de Frida Khalo e Diego Rivera (no museu da Frida Khalo não há obras dela, é uma casa-museu – e cara – o que me fez desistir; e não valia a pena ir tão longe só pelo museu de Rivera). Devia ter ido ao Palácio de Belas Artes, mas deixei para o dia seguinte e me dei mal, já que o prédio não abre às segundas-feiras.

Aproveitei para passear novamente pelo Bosque de Chapultepec, muito perto de onde estava hospedada, e visitei o Castillo, que abriga o Museu Nacional de História (a entrada custa 65 pesos). O castelo foi construído para ser a residência de verão do vice-rei da Nova Espanha. Foi abandonado depois da independência do México e em 1833 passou a abrigar o Colégio Militar. Durante a guerra contra os Estados Unidos, seis cadetes, entre 14 e 20 anos de idade, morreram defendendo o castelo – são os Niños Heroes, homenageados em monumentos, estação de metrô etc.

Bosque de Chapultepec (vista do Castelo).
Bosque de Chapultepec visto do Castelo.

Quando o México foi conquistado pelos franceses (1863), o Castelo se tornou a residência oficial do Imperador Maximiliano de Habsburgo e de sua esposa, a Imperatriz Carlota.

Durante o mandato de Porfírio Díaz (presidente/ditador que ficou no poder por trinta anos), o Castelo foi remodelado e tornou-se sua residência oficial. O que se vê nele, hoje, é principalmente o reflexo dessa época: aposentos pessoais de Diaz, aposentos oficiais e objetos que pertenceram a essa figura histórica. Os jardins são muito bonitos, bem como a vista que se tem do bosque. É um bom passeio, mas não é imperdível.

Jardim do Castillo de Chapultepec.
Jardim do Castillo de Chapultepec.

Em seguida, fui ao Museo Soumaya, em Polanco (uma das vezes em que recorri ao uber). O museu impressiona desde o lado de fora. Por dentro, tem seis andares e muitas exposições temporárias. A principal delas, quando fui, era de obras de Rodin e seus discípulos. Também havia uma exposição de impressionistas (em que não encontrei um único quadro de Monet, para meu espanto), uma de arte religiosa, uma de fotografia (que não me interessou muito), outra de arte contemporânea (que raramente me interessa) e uma de arte chinesa e japonesa de inspiração antiga, mas me pareceu que todos os objetos expostos eram do século XX (passei rápido por essa parte). O museu é privado, pertence à Fundação Carlos Slim que, por sua vez, é dono da companhia telefônica TelMex, da Claro e de várias outras mundo afora. A entrada é franca.

Dia 4

O dia mais aguardado dessa etapa da viagem enfim chegou: dia de conhecer as Pirâmides de Teotihuacán!

Visitei alguns sítios arqueológicos no México e esse foi o que mais me impressionou (sim, mais que Chichen Itza). A zona arqueológica é enorme, bem como as pirâmides – e você pode subir ao cume da pirâmide do sol, uma experiência um pouco cansativa, mas recompensadora.

Fiz o passeio com a Estación México e paguei 400 pesos. Esse valor incluiu as passagens de ida e volta em transporte público (na ida, ônibus urbano + ônibus intermunicipal; na volta, ônibus intermunicipal + metrô), a entrada para a zona arqueológica (65 pesos) e o passeio guiado pelas ruínas (você pode contratar um guia na hora por preços que variam entre 200 e 400 pesos). Você não precisa pagar por um passeio guiado, mas as ruínas serão menos interessantes sem as explicações.

Saímos do Palácio de Belas Artes por volta das 8h30 e chegamos na zona arqueológica às 11h. A primeira pirâmide não impressiona tanto mas, antes que eu pudesse ficar decepcionada, começamos a caminhar e fiquei encantada com o tamanho da área de ruínas. Você caminha pelas antigas ruas do que era o centro da cidade de Teutihuacán, passa pelos vestígios de diversos prédios e começa a imaginar como teria sido a vida desse povo há 1.500 anos, quando ela estava sem seu apogeu. A verdade é que ainda há muito por descobrir – quase tudo que se sabe é especulativo e cada nova descoberta muda as teorias que já eram tidas como certas. Nesse exato momento, há arqueólogos trabalhando nas ruínas e descobrindo novos artefatos, novos painéis coloridos, novas esculturas.

É mais fácil começar pelo que não se sabe: não se sabe qual era a civilização que ocupava Teutihuacán (não, nada de astecas ou maias, Teutihuacán é mais antiga que esses povos), não se sabe se tinham escrita (prefiro a teoria que diz que eles tinham escrita, mas ainda não foi encontrado algo como a pedra de roseta para decifrá-la) e não se sabe o que levou ao declínio da civilização. Não se conhece o significado exato de vários símbolos e adornos.

O que se sabe (mais ou menos): as pirâmides não guardam sarcófagos e tesouros, diferentemente das egípcias (e isso vale pras demais pirâmides no México). São praticamente maciças, com uns poucos túneis e salas. Provavelmente, eram erguidas como representação dos deuses. Em áreas já montanhosas, os pré-hispânicos escolhiam a montanha mais alta para simbolizar o deus principal e nela construíam um templo; em regiões planas, faziam pirâmides. É possível que alguns montes na mesoamérica que parecem acidentes geográficos naturais sejam, na verdade, pirâmides cobertas de terra e vegetação pelo tempo. A cidade provavelmente teve início 1.000 anos antes da era cristã e pode ter abrigado entre 20.000 e 40.000 pessoas em seu auge. Alguns dos deuses adorados pelo povo que viveu em Teutiuhacán também eram conhecidos de outros povos pré-hispânicos. Os teutihuacanos faziam sacrifícios humanos e auto-sacrifícios, especialmente em épocas de seca prolongada. As paredes externas e as próprias pirâmides não eram cinzentas, mas multicoloridas, com destaque para a cor vermelha. Teutihuacán se relacionava e influenciava outras cidades e povos da mesoamérica.

A Pirâmide do Sol é a maior construção da cidade, e a segunda maior das civilizações pré-hispânicas (a pirâmide de Cholula ganha, mas não impacta tanto). A base tem 225 metros de lado; a altura é de 63 metros. O mais bacana é que você pode subir até o cume. Não precisa estar em boa forma (porque você pode parar no caminho pra descansar), mas precisa ter bastante disposição. A vista compensa o esforço.

Pirâmide do Sol
Pirâmide do Sol

A Pirâmide da Lua tem 45 metros de base e 45 metros de altura e não se sobe até o topo. Dela, tem-se ideia da grandeza que essa civilização deve ter tido. Fica no fim de uma avenida chamada Calzada de los Muertos (porque foram encontradas dezenas de ossadas na área, provavelmente de pessoas sacrificadas para a consagração da cidade), ao longo da qual se dispõem as ruínas dos edifícios da cidade. Você vê essas ruínas e a Pirâmide do Sol ao fundo.

Calzada de los Muertos, com a Pirâmide do Sol ao fundo. Foto tirada da Pirâmide da Lua.

Algumas coisas que vemos no sítio arqueológico foram reconstruídas no século XX, depois que o presidente/ditador Porfírio Díaz dinamitou parte da cidade por entender que assim seria mais rápido fazer a exploração arqueológica (haja ignorância). De fato, cerca de 60% da cidade foi restaurado ou reconstruído. As Pirâmides do Sol e da Lua não passaram por reconstrução, mas a Pirâmide do Sol sofreu um processo de restauração. Há alguns murais pela cidade em que ainda se vêem as cores originais. Um desses painéis foi aberto à visitação pública há menos de seis meses. Daqui a alguns anos, certamente haverá várias outras novidades na cidade.

Pintura mural em um dos edifícios de Teutihuacán.

Teutihuacán foi declarado patrimônio da humanidade pela UNESCO em 1987.

O passeio dura quase um dia inteiro se você quiser andar pelas ruínas com calma e subir as pirâmides. Quando cheguei ao centro da Cidade do México, eram umas 16h. Procure agendar sua visita para uma segunda-feira, dia em que todos os museus da cidade estão fechados.

No dia seguinte, eu estava quebrada do esforço de subir as pirâmides (os degraus são altos e forçaram bastante minhas pernas). Aproveitei para acordar mais tarde, fiz check-out e peguei o ônibus do meio-dia para Puebla, que será assunto do próximo texto.

México – Ciudad de México, Puebla e Playa del Carmen

Sem dúvida, essa foi a melhor viagem do ano e uma das melhores ever. Em parte porque há coisas incríveis pra ver no México, em parte porque, aparentemente, estou aprendendo a planejar melhor minhas viagens, embora ainda cometa alguns erros.

Dicas Gerais

O México é um país enorme e tão variado quanto o Brasil. A menos que você passe no mínimo um mês lá, conforme-se com o fato de que não conseguirá ver todas as coisas interessantes que nossos hermanos da América do Norte têm a mostrar.

As distâncias costumam ser grandes. Quando são pequenas, vale a pena usar os ônibus da ADO, que são muito confortáveis e baratos.

Aliás, de modo geral, o México é um país barato. A exceção fica por conta de Cancun e adjacências, onde tudo é cotado em dólares.

Que moeda levar para o México? Dólares. Onde fazer câmbio? No aeroporto da Cidade do México, por incrença que parível. Aeroportos costumam ter péssimas cotações – o da Cidade do México é a exceção à regra.

Circula pela internet a dica de fazer câmbio no banco IXE do aeroporto. Pois bem, rodei tudo, não achei, ninguém conhecia e, por fim, um garçom me disse que tinha sido comprado pelo Banorte e que não havia mais loja no aeroporto, apenas um caixa eletrônico. Troquei meus dólares no Ci Bank, a 18,25 pesos mexicanos por dólar. Na Cidade do México (vamos abreviá-la para CDMX, ok?, eles usam assim por lá) e em Puebla, a cotação girava em torno de 18. Em Playa del Carmen, caía para 17,50.

Em novembro de 2016, 1 real valia mais ou menos 5 pesos.

Trump foi eleito presidente três dias antes de eu sair do México e o peso mexicano desvalorizou bastante nesse período. Vi o dólar por 18,20 pesos no meu último dia em Playa del Carmen, e por 18,40 no aeroporto de CDMX. Parece um bom momento para programar sua viagem pra lá.

Quando ir? Fui em baixa temporada e na época em que há mais risco de furacões (outubro/novembro), mas trata-se de um risco pequeno, na verdade. Escolhi essa época para pagar menos, pegar menos calor e pouca chuva em Playa del Carmen. Durante o verão, o calor é de matar e há mais chuvas. Na CDMX e em Puebla, o clima é mais constante durante todo o ano, fresco (em razão da altitude) e com poucas chuvas – quase nenhuma na CDMX. A alta temporada em Cancun e Playa del Carmen começa em dezembro e vai até março (inverno no hemisfério norte e invasão de norte-americanos e europeus). Eu recomendo a época em que fui, mas você deve dar uma pesquisada no climatempo e sites análogos antes de decidir.

Fato é que escolhi a época da minha viagem em função do Día de Muertos (que coincide com nosso dia de finados, 2 de novembro), que é celebrado de maneira ímpar no México.

Quanto tempo ficar no México? Depende do viajante e do itinerário. Eu elegi três cidades: CDMX, Puebla e Playa del Carmen. Cheguei na CDMX no dia 28 de outubro, fui para Puebla em 1º de novembro e segui para Playa del Carmen em 7 de novembro, onde fiquei até o dia 11. Recomendo um roteiro ligeiramente diferente: 3 dias inteiros em CDMX, 5 dias em Puebla e 5 dias em Playa del Carmen.

Emiti a passagem São Paulo – CDMX – São Paulo. A volta foi complicada, porque tive de ir de Playa a Cancun (uma hora e dez minutos de ônibus), de Cancun a CDMX (duas horas e meia de vôo) e da CDMX a SP (nove horas de vôo). Somando as esperas no aeroporto e o fuso horário de quatro horas, isso significou sair do hotel de Playa às nove da manhã de sexta e chegar em casa às sete e meia da manhã de sábado. É, foi puxado. Valem lembrar que, se você só quer aproveitar o caribe mexicano, há vôos diretos do Brasil a Cancun (mas o México é muito mais que suas praias).

A propósito, o avião da TAM era uma lata de sardinha e mal era possível encaixar a mala de bordo no bagageiro. De Puebla a Cancun, voei Aero México, vôo dividido em dois trechos, ambos num jatinho minúsculo da Embraer (50 pessoas!, sem espaço pra mala de bordo!, o nariz do avião é mais baixo que eu!), mas o espaço entre poltronas era ótimo. De Cancun a CDMX, também pela Aero México, peguei um dos melhores aviões da vida, com ótimo espaço entre poltronas e para bagagem de bordo. Ou seja, Aero México vareia.

Internet: no México, não é muito comum encontrar wifi, mesmo em restaurantes. Comprei um chip da Telcel (a empresa mais fácil de encontrar). Gastei 79 pesos no chip, 100 pesos no plano de internet e 1 hora na loja (nem tinha fila, mas a funcionária não sabia fazer nada, o sistema estava lento etc. – senti-me em casa). O pacote escolhido foi o de 23 dias (por que diabos não 22 ou 24?), com 600 MB de dados para o período (whatsapp e facebook à vontade). Mais que suficiente. A conexão é mais ou menos (melhor que nada). Funciona em todo o país. A Claro pertence ao mesmo grupo – se você tiver o chip da Claro, acho que vale a pena levar pra ver se consegue habilitar a Telcel sem pagar novo chip.

Falando em telefone, lá vai uma curiosidade: os mexicanos atendem o telefone falando “Bueno. Soa bastante rude, como quem diz “Bom, e aí, tá ligando por quê?”, mas há uma explicação: quando as linhas telefônicas começaram a ser instaladas, o sinal costumava ser muito ruim, prejudicando a qualidade da ligação. Quando o sinal estava bom, o interlocutor comunicava o fato dizendo “bueno”, indicando que a linha funcionava e a conversa podia ter seguimento. Vem daí o “bueno”, portanto não o considere uma ofensa.

Da mesma forma, é bom saber que em espanhol usa-se muito o verbo no imperativo e isso não é considerado ríspido (diferentemente do que acontece em português). Quando você chegar ao hotel, é provável que o recepcionista fale “Passa, passa”. Uma colega do curso de espanhol comentou que na primeira vez em que ouviu isso pensou “ora, eu não sou cachorro pra esse fulano me mandar passar”, mas a expressão quer dizer apenas “Entre” e é cortês, acredite.

Quanto gastei? O trecho São Paulo – CDMX – São Paulo custou 40.000 pontos multiplos, mais 364 reais de taxas de embarque. Os demais gastos serão apontados nos textos sobre cada cidade.

O que fazer no México? Senta que lá vem a história…

A viagem toda, em três capítulos:

  • Cidade do México: lições de história pré-hispânica.
  • Puebla: gastronomia em destaque. (em breve)
  • Playa del Carmen: belezas naturais. (em breve)

Feminista, eu?

Tenho dificuldades com rótulos, formas, encaixes. Parece que sempre algo fica sobrando ou faltando, como aquela roupa “tamanho único” da loja de departamentos que, no fim das contas, não fica realmente boa em ninguém.

E tem esse rótulo do feminismo, de ser feminista.

Eu não sou sufragista.
Eu não sou sufragista.

Durante a maior parte da minha vida, não tomei conhecimento do que fosse feminismo. Dito isso, meu sonho aos doze anos era fazer jornalismo na USP, morar num flat e ser uma profissional bem-sucedida, solteira e sem filhos – mas o que isso tem a ver com feminismo, não é mesmo?

Eu acreditava mesmo que o movimento feminista não tinha qualquer influência na minha vida.

Exceto pela simples razão de que, se não fosse pelo feminismo, eu sequer teria feito Direito. Talvez tivesse alguma profissão, mas jamais atuaria num reduto predominantemente masculino – não teria autorização para chegar perto dele. Eu teria a obrigação de ter filhos e marido e, se escolhesse outro caminho, seria taxada de “leviana” ou de “amargurada” – no mínimo. Não que esses reducionismos ofensivos não ocorram hoje; é só que não fazem a menor diferença na minha vida. Eu passo por cima e sigo minha vida normalmente – o que não seria possível sem o feminismo e sem as milhões de mulheres que adotam a mesma postura, certas de que não valem “menos” por adotarem comportamentos que fogem dos estereótipos.

Mas ainda tem a coisa dos rótulos. As mulheres que se declaravam feministas e que conheci nos primeiros anos da vida adulta, ou que tinham esse rótulo pregado nelas, não tinham nada a ver comigo. Eu simplesmente não as entendia, nem me identificava com elas. Não engolia o radicalismo, não compreendia as bandeiras, não achava racional que implicassem com outras mulheres só por gostarem de esmalte, maquiagem, saia.

Demorou pra eu descobrir que o feminismos, como qualquer outra coisa, é feito por pessoas e que cada uma traz seus conceitos, valores e opiniões – mas que eles não precisam ser gravados em pedra, tampouco são universais. Há uma única exceção, uma única verdade essencial, que merece ser gravada em pedra, sintetizada em uma frase que, por mais clichê que seja, representa o núcleo essencial do feminismo: a ideia de que a mulher, da mesma forma que o homem, pode ser e fazer o que quiser.

Sou uma sufragista no fim das contas.
Sou uma sufragista no fim das contas.

Sim, porque, deixadas todas as bandeiras de lado, todas as nuances, todas as alas, os partidos, as polêmicas, feminismo é “apenas isso”. A ideia de que mulheres têm tantos direitos quanto os homens. De que deveriam ser tão livres e tão respeitadas quanto eles. De que apenas a elas cabe escolher seus caminhos.

Estamos em cada lar. Somos metade da raça humana. Vocês não podem parar todas nós.
Estamos em cada lar. Somos metade da raça humana. Vocês não podem parar todas nós.

Faz poucos anos que entendi isso. Que ser feminista é, fundamentalmente, defender que mulheres podem ocupar os mesmos espaços que homens. É, também, reclamar de (e tentar mudar) comentários misóginos, cantadas grosseiras, preconceitos enraizados há gerações, piadinhas ofensivas, tratamentos degradantes, diferenças salariais.

Ser feminista não é abandonar maquiagens, saias, esmaltes, depilação – a menos que você queira e, se você quiser, tem o direito de fazê-lo. Porque, em essência, ser feminista é ter o direito de fazer o que se quer. É o direito de não ter filhos, ou de ter dois e trabalhar exclusivamente em casa, ou ter quatro e ainda trabalhar fora. É o direito de escolher qualquer carreira ou carreira nenhuma. É o direito de usar batom vermelho sem ouvir “parece puta” ou de assumir os cabelos grisalhos sem que pensem que você é “desleixada”. É o direito de não ser compelida a usar meia-calça no ambiente de trabalho, e de não ser assediada por trabalhar de saia e salto alto. É o direito de usar biquíni sim, independentemente do corpo. É o direito de beber e ficar bêbada, ou de ser abstêmia, ou de adorar sexo, ou de ficar virgem até o casamento.

Bem sei que “o meu tipo” de feminismo não agrada linhas radicais de feministas. Foram elas que, por muitos anos, convenceram-me de que eu não era feminista “de verdade”. Lamento que pensem assim, e reservo-me o direito de afirmar que estão erradas.

Afinal, estamos todas do mesmo lado. Do lado da igualdade.

Já sou mulher faz algum tempo. Seria estupidez não estar do meu lado. (Maya Angelou)

Imagens: o filme Suffragette (as três primeiras) e algum post no FB.

E as promessas de ano novo, como vão?

Sempre digo que não vou fazer promessas de ano novo… e sempre faço. Em regra, costumam ser tentativas de criar novos hábito. Algumas são bem-sucedidas, outras nem tanto.

Esse ano, a coisa foi bem mal em janeiro. Aí, resolvi procurar algum app pra ajudar a acompanhar as tais resoluções de ano novo – e claro que achei vários. Para Android, os mais populares são o Goal Tracker (mais direto) e o Rewire (mais bonitinho). Só que ambos têm o mesmo defeito: os hábitos a acompanhar devem ser diários. Eu queria estabelecer também algumas rotinas semanais.

Pesquisei um pouco mais e encontrei o Pledge. É bonitinho, amigável e permite agendar hábitos em outra periodicidade que não a diária. Além disso, dá pra programar lembretes, pra não acontecer de você só se lembrar o que deixou de fazer ao longo do dia quando já se prepara pra dormir.

Até agora, tem funcionado bem. Não vou dizer que sempre me lembro das minhas resoluções, mas pelo menos sempre sou lembrada delas. Isso ajuda a cumpri-las.

pledge - exercícios

Ou a desistir delas (meditação, estou olhando pra você).

listinha de promessas

P.S. se você tiver sugestões de apps semelhantes pra iphone, compartilhe nos comentários.

P.P.S. sim, todos os apps são em inglês, mas são bem fáceis de usar, bem visuais – e você cria as “promessas” no idioma que preferir.