Dia de Folga » Opinião com gelo e açúcar.

500 Anos de Sabor

Publicado em 02/06/2009, em livros.

No colégio, História era minha matéria favorita. No dia-a-dia, o interesse por comida (e por comer, obviamente) é constante. Claro que um livro juntando essas duas delícias chamaria minha atenção. Apesar disso, Brasil 1500/2000: 500 Anos de Sabor mofou na minha estante por anos (talvez desde 2000, de fato). Eu não sabia o que estava perdendo.

O livro é um verdadeiro passeio pela história gastronômica do Brasil. Da Colônia até os dias atuais, passando pelas contribuições dos índios, dos negros e das várias correntes migratórias, 500 Anos de Sabor é uma leitura fascinante, nada diet e capaz de agradar até quem não curte esquentar a barriga no fogão ou ler sobre batalhas, datas e figuras históricas. Afinal, todo mundo gosta de uma boa mesa (aliás, eis aí um bom jeito de motivar o estudo da História).

Conta-se, por exemplo, que a onipresente mandioca veio dos índios (ao passo que sua bebida preferida, o cauim, não caiu nas graças dos europeus - felizmente); que a mesa portuguesa só ganhou sabor de verdade com os temperos trazidos pelos negros em honra aos seus orixás; que entradas e bandeiras enriqueceram a culinária nacional com pratos rápidos e de fácil conservação, como a paçoca de carne-seca; que as Grandes Guerras, assolando a Europa, fizeram os olhos e o paladar brasileiros voltarem-se para os vizinhos norte-americanos.

A discussão sobre a origem da feijoada também está presente, claro:

Feijoada

Quem resiste?

Como toda paixão, a feijoada costuma gerar acaloradas polêmicas. Teria mesmo nascido na senzala? Não teria muito mais a ver com receitas portuguesas mesmo, das regiões da Estremadura, do Alto Douro e Trás-os-Montes, que misturam feijão de vários tipos, menos o feijão preto, a linguiças, orelhas e pés de porco, e que se recomenda comer com arroz, especialmente na terça-feira de carnaval? Não seria uma receita muito mais moderna, surgida ali pelo final do século passado [XIX], a partir de informações culinárias de outros países, já então mais frequentes no Brasil, inspiradas por outros cozidos, como o cassoulet francês, que também leva feijão - branco - no seu preparo?

(…)

O que se pode fazer com segurança, para chegar mais perto da verdade, é relembrar um pouco os hábitos alimentares da senzala brasileira, nos dois primeiros séculos de colonização. (…)

Quando a escassez de comida não era tanta, suas refeições básicas juntavam a onipresente farinha de mandioca à carne ou peixe, além dos vegetais que estivessem à mão. E quando podiam, os escravos procuravam manter sua alimentação de origem, que não prescindia do feijão preto, trazido por eles da África, mais muita pimenta-malagueta como tempero. Dos senhores de engenho recebiam às vezes restos de carnes, mais a permissão para entrar nos pomares, servindo-se das frutas disponíveis, entre elas a laranja. E a aguardente costumava ser distribuída até com fartura, menos por generosidade e mais para estimular a alegria, aumentando assim, quem sabe, o empenho na lida dos canaviais.

Feijão preto, restos de carnes, farinha de mandioca, pimenta, laranja, até a bebida - não é difícil reconhecer na união desses elementos um parentesco bem próximo com a nossa feijoada contemporânea. (…) Não deve ser mera coincidência.

Às margens do texto, poesia, prosa, ditos populares e canções ilustram a fusão entre culinária e cultura.

500 Anos de Sabor foi patrocinado pelo Pão de Açúcar em 2000 e não é mais vendido; quase nem escrevo sobre ele.  O Neto Cury (que me lembrou dos sebos), a Cynthia Semíramis (que falou sobre a preservação da memória do livro) e a Júlia Reis (que nem sabia que o livro tinha a ver com a praia dela) disseram que isso não é razão suficiente pra não falar dele. Estão certos. O texto é bacana, as receitas (mais de duzentas) vão da maniçoba à charlotte russe e, veja só, dá pra comprá-lo na Estante Virtual, meu sebo favorito.

Ficha Técnica

  • Título: 500 Anos de Sabor - Brasil 1500-2000
  • Autora: Eda Romio
  • Ano de edição: 2000
  • Editora: ER comunicações
  • Páginas: 248
  • Encontre na Estante Virtual.

Geninho, Turma da Mônica e Beatles

Publicado em 29/05/2009, em internet.

Volta e meia, lembro-me do Geninho, aquele bichinho esquisito do desenho da She-Ra que aparecia no fim de cada desenho e perguntava "Oi, amiguinhos, descobriram onde eu estava escondido hoje"?

Associação aleatória, essa; eu queria mesmo falar é de uma historinha muito bacana da Turma da Mônica que a Vi me mostrou dia desses: Paul is Dead.

Clique no desenho para ler a historinha completa.

Clique no desenho para ler a historinha completa.

Por que isso me fez lembrar do Geninho? Porque, ao chegar ao fim da história, você descobre que tem um "pequena" lista para caçar pelas páginas. Não vou dar detalhes, mas adianto que, dos 28 itens, encontrei 20 (com esforço!) e que a coisa é ainda mais bacana para fãs dos Beatles.

Independentemente dessa "caçada", a leitura da historinha vale por si mesma - é diversão garantida! Se você resolver participar da brincadeira, volte aqui e conte-me como se saiu. ;)

Roupa Nova!

Publicado em 25/05/2009, em egotrip.

Fazia tempo que eu pensava num visual mais moderno e profissional para o Dia de Folga. Todos os temas até hoje foram feitos por mim e, embora tenha havido uma sensível melhoria desde o meu primeiro layout, essa não é a minha praia.

Vai daí que, twittando a respeito, recebo a proposta do Rodrigo Ghedin: "eu e um amigo estamos pensando em trabalhar com isso, quer ser nossa cobaia?"

Nem pensei duas vezes. Conheço o Rodrigo desde os meus primeiros passos no WordPress. Sei do seu conhecimento sobre a plataforma, além de sempre ter achado muito bacanas os temas que já passaram pelo blog pessoal dele. Por outro lado, o Rodrigo também acompanha o Dia de Folga há um tempão. Eu tinha certeza de que um tema feito por ele, além de bem feito e bonito, seria a cara do DF.

Não deu outra: amei o tema desde a prévia. O Rodrigo e o Nasc realmente capricharam, fizeram um código limpo e um design maravilhoso. No mês em que completo 4 anos de WordPress, tenho orgulho em dizer que o DF finalmente tem um layout profissional e exclusivo.

Rodrigo P. Ghedin e Thiago "Nasc"Nascimento: muito obrigada!

E você, o que achou da cara nova do Dia de Folga?

Não estamos mortos…

Publicado em 21/05/2009, em egotrip.

…nem brincando de pirata, diferentemente do Tucori.

Mil e um afazeres e o blog foi ficando de lado, de lado, de lado. Agora, está tão no cantinho que já nem sei como retomá-lo.

Minhas atualizações na rede não pararam, porém. No Cadê, até que tenho escrito. O Flickr tem novidades toda semana. O twitter, todo dia.

Ah, o twitter.

Jamais pensei que diria isso, mas o twitter é o novo blog. Facilidade, rapidez, retorno imediato. Instantaneidade. O que mais posso querer?

Textos mais longos, talvez. Maior profundidade. Perenidade.

Por outro lado, cadê o tempo pra tudo isso?

Como pode o Dia de Folga competir com a vida offline e com as novas formas de vida online?

Isso aqui não é um pedido de desculpas. Muito menos uma despedida.

Isso aqui é uma tentativa de recomeço.

(Em breve, com novo - e lindo - visual. Aguarde!)

A Conversa Chegou à Cozinha de quem?

Publicado em 01/04/2009, em livros.

Já está passando da hora de dizer quem ganhou os livros A Conversa Chegou à Cozinha e O Mundo É O Que Você Come. Afinal, a promoção encerrou-se no dia 20 de março.

Foram poucas, mas belas participações. Renderam-me viagens no tempo e água na boca.

Agora, sem mais delongas…

A Conversa Chegou À Cozinha da Gabi Bianco!

O texto da Gabi foi o mais inspirador pra mim. Não só porque sou uma descendente de italianos apaixonada por massas, mas porque macarrão ao molho de tomate é um dos pratos favoritos da minha mãe.

A todos os participantes, muito obrigada! Espero que tenham gostado de fazer os textos como gostei de os ler.

Gabi, o pessoal da editora vai entrar em contato contigo e mandar os livros para a sua casa logo, logo. :)

Confusão no Feed

Publicado em 31/03/2009, em egotrip.

Quem acompanha o Dia de Folga via feed percebeu algo estranho hoje: o agregador apresentava 10 novos posts, mas que não tinham nada a ver com os assuntos habituais do DF.

Ocorre que, nesta madrugada, o blog foi transferido de servidor. Por alguma conjunção astral não-identificada, o FeedBurner achou por bem exibir os artigos da Porto Fácil, que hospeda o DdF, como se fossem textos daqui.

Possivelmente, a partir da publicação deste texto a situação deve se normalizar.

Aliás, foi também em função da migração que o Dia de Folga e o Cadê o Atum? ficaram inacessíveis durante uma parte da tarde.

Peço desculpas aos leitores, especialmente aos mais fiéis, que se preocupam em assinar e acompanhar o feed do DF.

Voltamos à nossa programação normal - agora em novo servidor, mas sempre aos cuidados da Porto Fácil.

AvatarA autora mora em Brasília e atende por Lu (de Luciana). Ou Lu Monte, já que há um monte de Lus. Mais?

O Dia de Folga, no ar desde 2003, é seu espaço para conversar sobre entretenimento de qualidade. Também aproveita para refletir sobre o que vai pelo mundo.

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