Coisas Boas de Dezembro

A melhor coisa de dezembro foi que 2020 terminou – tudo bem que parece que estamos vivendo o segundo tempo de 2020, mas vamos em frente.

Livro favorito: foi um mês de ótimas leituras e fiz algumas resenhas no instagram. Dos livros 5 estrelas, destaco 2001 – Uma Odisseia no Espaço porque é espantosamente melhor que o filme! Do filme eu só curto mesmo o HAL. O livro de Clarke não é pretensioso como a direção de Kubrick, tem uma boa base científica, fornece explicações e faz tudo isso sem ser tedioso.

Filme favorito: vou ficar com O Discurso do Rei pela excelente atuação de Colin Firfh e pelo panorama histórico.

Série favorita: estou adorando o retorno de Grey’s Anatomy.

Bônus: 2020 acabou, quer bônus melhor que esse? Eu e as pessoas que amo estamos saudáveis, não tive perda de renda como tantas outras pessoas, tenho conseguido driblar o stress e a ansiedade de forma satisfatória. Tenho do que reclamar, claro (quem não tem, está morando debaixo de uma pedra), mas podia ser pior, tem sido pior pra inúmeras famílias, e por não ser esse o caso por aqui já fico contente.

Agora começa a contagem regressiva para a vacina…

Coisas Boas de Novembro

Pelos meus cálculos, novembro durou uns 82 dias, mais ou menos.

Livro favorito: passei boa parte do mês lendo o segundo e o terceiro volumes da trilogia A Terra Partida, da N. K. Jemisin, e amei. Jemisin é uma escritora de fantasia que foge de todos os clichês do gênero, então recomendo fortemente a leitura mesmo que você torça o nariz para os ditos clássicos de fantasia. Aqui não tem ambientação medieval, nem capa-e-espada, nem duelos de varinhas, nem bardos, elfos e anões. O que tem: personagens complexos e multifacetados, mulheres fortes e protagonistas, enredo com camadas e camadas de discussões sobre preconceito (racial também, mas não só), meio-ambiente e política, relações interpessoais belíssimas e uma construção de mundo (worldbuilding) de cair o queixo.

Filme favorito: vi muitos nos primeiros dias do mês (e nada no restante) e destaco Let the right one in, filme sueco que atualiza o mito dos vampiros (tem um remake  de Hollywood que não vi ainda). Menção honrosa para Por um punhado de dólares, porque sou aquela pessoa que sempre disse que odeia bang-bang, e de repente me peguei gostando muito de um filme que é justamente um clássico do faroeste.

Série favorita: em novembro, o grande acontecimento seriadístico  foi o encerramento de Supernatural, e depois de quinze anos acompanhando a série estou me sentindo como o Sam adolescente – perdida no mundo. E sim, gostei do final. Gostei muito. Apesar dos altos e baixos – especialmente dos fossos das últimas temporadas -, Supernatural se consolidou como uma das minhas séries favoritas da vida.

Hum, agora que notei: em livro, filme e série, o mês foi voltado para a fantasia. Nada mais justo em um ano em que a realidade tem sido muito dura.

Bônus: fiz um curso bem bacana sobre história do cinema no Museu da Imagem e do Som (MIS). Um viva para os cursos online, porque jamais teria disposição de ir ao MIS três vezes por semana, à noite, durante um mês e meio. Vale a pena olhar de vez em quando a página de Cursos do MIS – a programação é bem interessante e variada.

Coisas Boas de Outubro

Um mês que tem dias de férias nunca é um mês ruim. Ainda que a pandemia do coronga tenha impedido o turismo, consegui descansar e recarregar as baterias.

Livro favorito: Com Sangue, do mestre Stephen King, foi o único no mês a levar 5 estrelas. O livro traz quatro contos excelentes. Publiquei uma resenha no instagram.

Filme favorito: Luzes da Cidade, do Chaplin, foi o filme do mês. Ainda na era do cinema mudo, Chaplin é um vagabundo que se apaixona por uma florista cega; ao mesmo tempo, conhece um milionário que o considera seu melhor amigo, mas apenas durante as bebedeiras. O filme tem muito da comédia física característica do gênio Charles Chaplin e dei boas risadas, mas também me emocionei.

Série favorita: continuo revendo Gilmore Girls. Ando sem pique para encarar séries novas.

Bônus: comprei uma sorveteira! É uma Fun Kitchen doméstica, modesta, parece um brinquedo, mas funciona direitinho. Fazer e ler sobre sorvetes, balanceamento de fórmulas e criação de sabores foi o passatempo do mês. Até agora testei oito sabores, com diferentes graus de sucesso. Ainda dá pra melhorar – e a sorveteirinha não faz milagres, não dá pra competir com sorvetes artesanais bacanas – mas todos os sabores variaram entre o “bom” e o “excelente”, então estou bem satisfeita com a brincadeira. Tem fotos no instagram (que desde  meados de outubro já não permite o uso dos posts dentro do wordpress, blargh).

E seguimos para o nível 11 de Jumanji.

Pumpkin Spice Latte feito em casa

Em 2003, a Starbucks inventou um bebida sazonal chamada pumpkin spice latte, depois copiada por outras cafeterias. Na Starbucks, é vendida durante o outono do hemisfério norte, aproveitando a estação das abóboras por lá, consagrada em enfeites de Halloween.

O engraçado é que originalmente nem ia abóbora na bebida: o nome vem de uma mistura de especiarias (canela, gengibre, noz-moscada e cravo – algumas variações incluem cardamomo e pimenta-da-jamaica) usada para fazer torta de abóbora e por isso conhecida como pumpkin pie spice mix.  Só a partir de 2015 a Starbucks começou a adicionar purê de abóbora na receita para substituir os corantes artificiais.

Nas lojas do Brasil, a bebida chegou apenas em 2019 e achei mais doce que a original. Não sei se mudaram a fórmula, se o atendente exagerou na quantidade de calda ou se a falta do frio e das árvores avermelhadas afetou meu paladar. Mesmo assim gostei, e repetiria a dose esse ano, não fosse pela pandemia.

Vai daí que comecei a pesquisar receitas na internet, testei algumas, modifiquei todas e cheguei a uma receita pela qual estou apaixonada. Se você quer matar a saudade da bebida ou se quer matar a curiosidade, essa é sua chance.

Ingredientes

  • 120 gramas de purê de abóbora (veja abaixo)
  • 240 gramas de água
  • 200 gramas de açúcar ou xilitol (usei xilitol)
  • 10 gramas de pumpkin pie spice mix (veja abaixo)

Preparo

O purê de abóbora

Asse uma abóbora em forno médio por uma hora (não precisa pré-aquecer o forno). Ao cortar, a abóbora estará bem cozida, quase desmanchando – se você apertar um pouquinho, vira purê. Pronto, esse é o seu purê de abóbora para essa receita:  separe 120 gramas (sem casca e sem sementes, claro).

Você pode usar o restante para fazer doce de abóbora, ou purê salgado de abóbora. As sementes podem ser lavadas e, depois que secarem um pouco, torrdas com sal e páprica – viram um petisco delicioso.

Se você não quiser assar a abóbora inteira, corte o pedaço que deseja preparar e embrulhe em papel alumínio antes de levar ao forno.

Testei com abóbora cabotiá e de pescoço, mas tenho certeza de que fica boa com moranga também.

O pumpkin pie spice mix

Se quiser comprar pronto, a Bombay tem e é bom. Comprei pronto da primeira vez, depois fiz o meu assim:

  • 1 colher das de sopa de canela em pó
  • 1 colher das de chá de gengibre em pó
  • 1 colher das de chá de cravo-da-Índia em pó
  • 1/2 colher das de chá de noz-moscada em pó

Ou: uma parte de noz-moscada, duas partes de cravo, duas partes de gengibre, oito partes de canela.

O da Bombay leva canela, gengibre, noz-moscada, cravo-da-Índia e pimenta-da-Jamaica. Várias receitas norte-americanas também incluem a pimenta-da-Jamaica (que chamam de allspice por lá). Apesar do nome, essa especiaria não é ardida, mas adocicada, lembrando uma mistura de cravo, canela e noz-moscada. Como esses três ingredientes compõem o pumpkin spice mix, a pimenta-da-Jamaica acaba sendo redundante.

Minha mistura fica um pouco mais picante que a da Bombay, provavelmente uso mais gengibre que eles.

As medidas

Se você não tiver uma balança, pode fazer a calda guiando-se pelo volume: uma parte de purê de abóbora, duas partes de água, duas partes de açúcar/xilitol, 1 colher (sopa) de pumpkin pie spice mix.

Apesar das instruções do parágrafo anterior, você deve ter notado que não usei o mesmo peso para água e para xilitol – usei da primeira vez e, como achei muito doce, preferi diminuir ligeiramente o xilitol e aconselho que você faça o mesmo – depois de medir o açúcar/xilitol, devolva ao pacote umas duas colheres das de sopa.

Como fazer

Bata todos os ingredientes com a ajuda de um mixer (você também pode usar liquidificador, o importante é que o líquido fique homogêneo). Leve ao fogo baixo em uma leiteira ou panela pequena, mexendo de vez em quando, até ferver. Espere ferver mesmo, não apenas abrir fervura – otempo extra de fogo ajudará a apurar os sabores.

Depois que ferver, desligue o fogo e deixe esfriar totalmente. Se tiver uma peneira fina, coe para eliminar o pó das especiarias, e aproveite para descartar qualquer depósito de pó que estiver no fundo da panela. Se não tiver peneira fina, relaxe: o pó depositará no fundo do seu latte e não incomodará.

Guarde na geladeira em um pote de vidro, uma garrafa ou uma bisnaga dessas de ketchup para facilitar o uso. Sacuda/mexa antes de usar.

View this post on Instagram

A calda caseira pro pumpkin spice latte. ?

A post shared by Lu Monte ??????? (@cadernodalu) on

Como usar

pumpkin spice latte da Starbucks leva calda, café espresso e leite vaporizado, e é finalizado com chantilly e pumpkin pie spice mix polvilhado. As proporções ficam ao seu critério – como ficam também na Starbucks, já que você sempre pode pedir mais café e mais calda.

O que eu faço leva de duas a três colheres (sopa) cheias de calda, a depender da vontade de doce no dia (cerca de 35 gramas a 50 gramas), uns 70 ml. de café espresso e uns 100 ml. de leite, que dobra de volume ao ser vaporizado (você pode conseguir efeito semelhante com um mini-mixer ou uma cremeira).

Montagem: calda no fundo da caneca, espresso por cima e depois o leite vaporizado, sem espuma em excesso. Finalizo com chantilly e pumpkin pie spice mix. Na foto, alterei a ordem da montagem para formar camadas e ficar mais fotogênico, mas os sabores misturam melhor se você como eu disse acima.

As proporções são totalmente adequáveis ao seu gosto. Você pode, por exemplo,  fazer o latte com menos calda se usar café coado, que geralmente é mais leve que o espresso; ou pode aumentar a quantidade de leite, e inclusive dispensar o café preto totalmente, preparando uma versão aconchegante para a hora de dormir. Pode fazer uma bebida gelada – a Starbucks serve o pumpkin spice latte também na versão frappuccino – e pode usar a calda em sorvetes ou bolos. A criatividade é o limite.

  • Tempo de preparo: 1 hora de forno pra cozinhar a abóbora e uns 20 minutos de fogo pra apurar a calda
  • Grau de dificuldade: fácil
  • Rendimento: cerca de 490 gramas ou quase meio litro.