Adeus, Coisas.

Não, não vou me mudar para uma quitinete de 12 metros quadrados, com um futon, uma mala e nada mais. O título do post é o nome do livro de Fumio Sasaki sobre minimalismo, Goodbye, Things – On Minimalist Living, ainda sem tradução em português (mas já traduzido para o espanhol).

Nos últimos anos, tem aumentado a quantidade de livros sobre minimalismo e vida simples. “Antigamente” (leia-se, em 2010, quando comecei a me interessar pelo tema), não havia livros a respeito – no máximo, alguns sobre organização, mas organização e minimalismo são duas coisas bem diferentes, embora uma se beneficie da outra. De lá pra cá, surgiram vários, a maioria derivada de blogs. Uma exceção é o livro da Marie Kondo, A Mágica da Arrumação. Outra é, justamente, Goodbye, Things, que se tornou meu favorito.

Pra início de conversa, não se trata de um “guia prático” ou um manual para destralhar a casa. Ao contrário do livro da Marie Kondo, Sasaki foca no aspecto íntimo, quase filosófico, do processo que o levou a adotar o minimalismo como estilo de vida. Como costuma acontecer com os “convertidos”, um dia ele olhou à sua volta e viu um apartamento atulhado de tranqueiras, coleções e objetos que, supostamente, foram acumulados para fazê-lo feliz, mas na prática representavam um peso. Sasaki relata que era um sujeito inseguro, estressado e, no fim das contas, infeliz. Enfim, chegou à conclusão de que as coisas que o cercavam eram parte do problema, não da solução. No fim do processo, era outra pessoa, mais saudável e satisfeito com sua própria vida.

O livro traz, sim, dicas e listas úteis para quem quer diminuir a quantidade de coisas – ou a bagunça – ao seu redor. O ponto principal, contudo, é a abordagem que o autor faz sobre os passos que o levaram, inicialmente, ao acúmulo, e depois ao minimalismo. Há reflexões interessantes sobre consumismo, felicidade, dinheiro e aparências. Por outro lado, fica claro que ninguém precisa estar disposto a viver praticamente sem móveis. O caminho escolhido por Sasaki levou-o ao outro extremo, mas ele mesmo reconhece que isso não é necessário:

Reduzir o número de coisas que você tem não é um objetivo em si mesmo. Vejo o minimalismo como um método para que cada indivíduo descubra as coisas que são genuinamente importantes para ele. É um prólogo para criar sua própria história.

Goodbye, Things inspira mesmo quem não está interessado no minimalismo, mas gostaria de refletir sobre seus próprios padrões de consumo e suas expectativas sobre a própria vida. A junção da pegada filosófica com as dicas práticas de destralhamento fazem de Goodbye, Things o livro mais completo sobre minimalismo. Se você lê em inglês (ou espanhol) e tem interesse no tema, é a leitura que recomendo. A tradução para o inglês é recente, de 2017, então ainda é possível acreditar que será traduzido para o português num futuro próximo.

Bolo de Caneca Low Carb

Essa receitinha mata a vontade de doces e você não corre o risco de exagerar, já que a porção é individual.

Ingredientes

  • 1 colher (sopa) de farinha de amêndoas
  • 1 colher (sopa) de manteiga ou creme de leite
  • 1 colher (sopa) de cacau em pó ou de whey protein
  • 1 ovo
  • 1 pitada de fermento
  • adoçante

Preparo

Misture todos os ingredientes em uma caneca e leve ao microondas por um minuto e meio em potência alta (ajuste o tempo segundo o seu microondas).

Dicas e Complementos

Se a manteiga estiver gelada, derrata-a no microondas antes de acrescentar os outros ingredientes.

Bolo de Caneca Low Carb
Bolo de Caneca Low Carb

Você pode colocar um ou dois tabletes de chocolate amargo por cima, antes de levar ao microondas. No final do preparo, terão ido para o fundo. Aí, é só desenformar pra ficar bonitinho como na foto ao lado.

(Os “buracos” no topo foram causado exatamente pelos tabletes de chocolate; exagerei no tamanho.)

  • Tempo de preparo: 5 minutos
  • Grau de dificuldade: fácil
  • Rendimento: 1 bolinho

A Vinum Brasilis não é mais a mesma.

Há sete edições frequento a Vinum Brasilis, um evento de degustação de vinhos brasileiros que acontece anualmente em Brasília. Já falei sobre a Vinum Brasilis aqui no blog. Este ano, estive por lá no segundo dia de evento, 17 de agosto, e… a Vinum Brasilis não é mais a mesma.

Nesta 11ª edição, a organização do evento foi transferida para outra empresa e o resultado deixou a desejar. Pra início de conversa, a VB costumava acontecer num espaço próximo a uma das poucas estações de metrô da cidade (no campus do IESB da asa sul, pra quem conhece Brasília). Dessa vez, foi transferido para o Lago Norte – um lugar distante, sem serviço decente de transporte púbico e para onde a corrida de táxi sai bem salgada. Não dá pra entender que um evento focado em bebidas ocorra em um lugar que privilegia o uso do carro. Pra piorar, o serviço de transporte gratuito das edições anteriores simplesmente não existiu em 2018, justamente quando seria mais necessário.

Infelizmente, esse não foi o único problema do evento. Senão, vejamos:

  • Banheiros químicos. Odeio banheiros químicos (quem gosta?) e, no caso, eram completamente desnecessários. A VB ocorreu no estacionamento de um shopping, bastava que na entrada fosse colocada uma daquelas pulseirinhas de papel para permitir a saída, o uso de banheiro do shopping e o retorno. Ou, quem sabe, podiam ter escolhido um local com banheiros de verdade (como era no IESB ou, antes disso, no Centro de Convenções).
  • Local semiaberto. Se tivesse chovido, o evento estaria arruinado. “Ah, mas não chove em Brasília em agosto”. Pois no dia seguinte, 18 de agosto, caiu um verdadeiro temporal em Brasília. Deram sopa pro azar.
  • Pouca comida. Tradicionalmente, há mesas de pães e frios. Dessa vez, uma única mesa, acanhada e mal abastecida. As escassas bandejas de frios não duravam 3 minutos. Vale notar que o evento teve início às 18 horas – todo mundo vai direto do trabalho, sem tempo pra jantar. Ah, e como bem lembrou o Roan nos comentários, sequer havia palitos para os embutidos. Guardanapos também eram um luxo: esperava-se que os convidados limpassem as mãos engorduradas – pela falta de palitos – na própria roupa.
  • Buffet pago. A organização divulgou que haveria um serviço de buffet da Sweet Cake. Em outras edições, esse serviço foi gratuito. Dessa vez, pagava-se de 20 a 25 reais por um pratinho de isopor de massa ou risoto, com talheres de plástico.
  • Poucos expositores, em comparação a edições passadas.
  • Espaço pequeno. Os expositores e os frequentadores ficavam amontoados. Pra piorar, havia palcos, tablados e outras coisas absolutamente dispensáveis ocupando o já apertado espaço.

Vale dizer que não se trata de um evento gratuito. O preço do ingresso é de oitenta reais.

Bem, então não valeu a pena ter ido?

Valeu, sim. Porque, felizmente, a Vinum Brasilis não é mais a mesma também no que diz respeito à qualidade dos vinhos expostos, que só aumenta ano a ano.

Mesmo os vinhos tintos, que são um conhecido ponto fraco dos brasileiros (muito doces, muito aguados, muito sem graça), evoluíram nitidamente nos últimos anos e não fizeram feio. O grande problema, continua sendo o preço: é muito difícil encontrar uma boa garrafa de tinto nacional por menos de 60 reais, e com esse valor compra-se uma ótima garrafa de vinho espanhol ou sulamericano. E isso apesar do altíssimo imposto de importação.

As estrelas do evento continuam a ser os espumantes. O produto nacional é excelente e o preço é competitivo.

Dentre as ótimas vinícolas, destaco Don Giovanni, Maximo Boschi, Rio Sol (que voltou a cuidar da qualidade dos seus tintos e surpreendeu), Lidio Carraro, Valmarino (especialmente pelos espumantes), Dom Cândido e, a maior surpresa da noite, Pireneus, cujas vinhas ficam em Goiás, a pouco mais de cem quilômetros de Brasília.

Vou de novo à Vinum Brasilis no próximo ano? Sem dúvida. Mas, cá entre nós, estou torcendo para que a organização mude novamente de mãos.

A primeira Bienal, a gente nunca esquece.

Quando eu tinha 11 anos, visitei uma feira do livro pela primeira vez. Lembro do meu encantamento com a imensidão do espaço, o número de expositores e, claro, a quantidade de livros! Nunca tinha visto tantos num só lugar. A escala era impressionante, nada comparável às livrarias ou bibliotecas que eu conhecia.

Logo depois, descobri que existia um negócio chamado Bienal do Livro em São Paulo, e já nasceu o sonho de um dia conhecer a tal Bienal.

Vai daí que vim morar em São Paulo em 2015 e, ora, obviamente aproveitei pra conhecer a Bienal em 2016, né? Não, não mesmo. Tenho cada vez menos tolerância com multidões, odeio filas e confesso que a visita à CCXP (Comic Con Experience) em 2015 (e de novo em 2016, por quê?!) me deixou um tanto traumatizada com relação a qualquer evento de grande porte em São Paulo (aliás, São Paulo em si é um evento de grande porte que não deu certo).

Bienal do Livro em São Paulo 2018
No stand da Amazon dava para experimentar o kindle.

Mas a vontade continuou… e este ano tomei coragem. Dei uma olhada na programação, escolhi um dia de semana com palestras que me interessavam (nem olhei o roteiro dos fins-de-semana, eles foram descartados de cara) e… não é que adorei?

Cheguei na Bienal na terça-feira (07/08), umas onze da manhã. O transporte foi fácil: metrô até a estação Portuguesa-Tietê, depois um trajeto de 5 minutos feito com ônibus gratuito oferecido pela organização da Bienal. Problema: a sinalização de onde pegar o transporte gratuito é pífia. Pergunte e torça para que passem a informação correta. Até o motorista do ônibus resolveu sacanear quem estava esperando no lugar errado, dizendo que pararia no começo da rua seguinte, quando na verdade o “ponto” é no fim da tal rua. O lugar, aliás, é bem degradado e sujo, e não há proteção contra chuva. Na chegada à Bienal, o ônibus pára bem depois da entrada (se estiver chovendo, você se dá mal), em local também sem sinalização. Com tudo isso, ainda acho a combinação metrô+ônibus grátis a melhor forma de chegar à Bienal. Uma boa alternativa é pegar um táxi/uber na saída da estação de metrô – a corrida custará menos de 10 reais. Qualquer coisa é melhor que pagar incríveis 40 reais pelo estacionamento.

Na entrada, mostrei na catraca o ingresso comprado pelo celular (não precisa imprimir) e não peguei fila nenhuma. Maravilha!

Fui direto para o último corredor (são organizados de A a O) e visitei a exposição “de trás pra frente”. Há vários banheiros (nas laterais do centro de exposições) e não tinham fila. A limpeza era precária, não pela falta de gente limpando, mas pela porquice dos usuários mesmo (ouvi as faxineiras comentando que duas crianças fizeram “número 2” no chão). Há bebedouros junto aos banheiros. Levar uma garrafinha de água ajuda bastante. A comida é cara como dizem? Em regra, é. Por outro lado, há guloseimas variadas e acessíveis, como sorvetes e brigadeiros. Também vi um restaurante no mezanino por 32 reais (não lembro se por pessoa ou por quilo) que pode ser uma boa opção pra quem não conseguiu se planejar e quer uma comida saudável. Eu preferi levar polenguinho e castanhas (mas sucumbi a um brigadeiro de ovomaltine, que nem estava tão bom assim).

A melhor decisão foi escolher o dia da visita com base na programação. Descobri que a melhor parte da Bienal não são os livros, mas os eventos que acontecem no meio deles.

Bienal do Livro em São Paulo 2018
Stand da Microsoft – o futuro das salas de aula é a realidade virtual.

Assisti ao debate “O feminismo e a literatura”, com as escritoras Martha Batalha, Carola Saavedra, Aryane Cararo e Duda Porto. Saí de lá cheia de coisas pra pensar e de recomendações de livros pra ler (talvez role um texto só pra ele em breve). Também vi uma entrevista com a dubladora Carol Crespo, voz oficial de Emilia Clarke no Brasil (Como eu era antes de você; a Daenerys de Game of Thrones). Esses eventos foram, sem dúvida, minha parte favorita da Bienal.

Bienal do Livro em São Paulo 2018
Muro do stand da Cia. das Letras. Muita vontade de ler “Mulheres Extraordinárias”!

Além disso, havia muitas montagens bacanas para tirar fotos (quase sem filas, por ser dia de semana) e vários expositores com livros baratos. Havia uma infinidade de livros infanto-juvenis por 10 reais ou menos. Minha meta era não comprar livro algum (porque prefiro ler no kindle e porque já fui muito consumista com livros e prefiro evitar a tentação), mas acabei comprando uns infanto-juvenis para presentear – os três custaram 20 reais no total. Rolou também comprinha nerd – uma placa por 20 reais e um bottom por 5.

Bienal do Livro em São Paulo 2018
Comprinhas.

Falando em crianças, o segundo maior desafio na Bienal é desviar dos bandos de adolescentes e dos grupos de escola (o primeiro é não comprar livros mesmo). Não dá pra criticar, né? Precisamos mesmo cultivar gerações de leitores.

Bienal do Livro em São Paulo 2018

Saí da Bienal no fim da tarde, cansada e muito feliz por ter ido.

Em 2020 tem mais!