O que vai acontecer quando você morrer?

Apesar do título, não vou divagar sobre a morte, o além, a vida, o universo e tudo o mais. Morte e impostos são as únicas certezas nessa vida, já diz o ditado. Este post é só pra compartilhar uma iniciativa que o algoritmo do instagram resolveu me mostrar e que achei maravilhosa: Pra Quando Eu Morrer. 

O autor do projeto, Tom Almeida, explica seu propósito de modo bem direto: “No dia em que eu morrer, quero que a minha família tenha o menor número possível de preocupações” – para isso, ele inicia uma jornada de organização da burocracia, dos desejos e das questões práticas que envolverão a própria morte, de modo a facilitar tanto quanto possível o processo para os que sobreviverem a ele. E o pulo do gato é que ele resolveu compartilhar essa rotina com quem quiser acompanhá-lo.

Esse compartilhamento será feito por meio de um podcast e de material de apoio pra gente conseguir pensar na própria morte em etapas – oito no total. O primeiro episódio saiu dia 12 de maio (está no spotify também). Depois de ouvir, baixei o material de apoio e em menos de uma hora completei (quase) todas as propostas. Imprimi e organizei tudo em uma pasta-fichário que já tinha. Não, não foi nada deprimente. Foi um momento de reflexões práticas, seguido uma sensação muito agradável de dever cumprido. Ainda pretendo decorar a pasta e os papéis, usar washi tapes e adesivos pra deixar tudo mais leve e, por que não?, bonitinho.

Se você também gostou da ideia, comece por aqui: Pra quando eu morrer. E espalhe essa ideia!

Livro: Belo mundo, onde você está

Livro da vez: Belo mundo, onde você está, de Sally Rooney.

Eileen e Alice estão perto dos 30 anos, idade em que imaginaram que teriam vidas bem resolvidas, mas cada uma enfrenta conflitos internos e externos que provam que não, aos 30 não é possível ter tudo resolvido, longe disso.

O romance segue a linha de Pessoas Normais, mas me pareceu mais interessante. Primeiro porque as personagens são mais velhas, o que leva a conflitos mais densos; segundo, porque parte da narrativa é epistolar, permitindo longas digressões sobre temas que as interessam e que não têm tanto a ver com a história principal, mas mostram facetas interessantes das protagonistas. Como em Pessoas Normais, há desentendimentos, falhas de comunicação, crises familiares e pessoais. Ache bem realista.

Mais para o fim, tive a impressão de que a autora ficou com preguiça e recorreu a uma escrita mais burocrática e descritiva que tirou o ritmo da história e reduziu meu interesse. Mesmo assim, curti o livro de modo geral e aguardo outro com protagonistas na casa dos quarenta.

Recomendo para quem gostou de Pessoas Normais e para quem curte um slow burn. 4 estrelas

Como planejo minhas viagens

A forma como organizo minhas viagens tem mudado ao longo do tempo, e pretendo que mude ainda mais, porque quero fazer viagens mais espontâneas, aproveitando promoções de passagens pelo Brasil e pelos países vizinhos.

Por outro lado, quando a viagem é para um destino caro (como a Europa), meu planejamento é detalhado e vai continuar assim, para que a viagem caiba no orçamento e para aproveitar o destino ao máximo.

Para rascunhar destinos

Dou uma busca no google, mas sempre acabo voltando a esses blogs para ler sobre viagens sonhadas ou em etapa de planejamento:

Desde 2020, uso o notion para salvar posts interessantes; até 2022, usei também o evernote, que abandonei por várias razões, mas tem uma curva de aprendizado mais simples que o notion.

Tem muito material em português (em texto e vídeo) ensinando a usar o evernote e o notion. No caso do notion, o melhor sem dúvida é começar com um template e ir modificando conforme a necessidade. Há templates (gratuitos e pagos) para quase tudo que você imaginar, inclusive planejamento de viagens.

Em 2024, comecei a usar um template sensacional: WanderNote: Ultimate Travel Planner. O template é bem detalhado e há tópicos que não uso (e apago pra não ocuparem minha atenção à toa). Tenho várias viagens em diferentes estágios de planejamento (algumas têm só o nome do destino, nada mais).

Uma coisa muito legal de usar o notion é que dá pra publicar o template na web (em uma página não acessível pelo google e não editável por terceiros), de modo que você pode compartilhar todas as suas atividades, os endereços de hospedagem, os dados de transporte etc., com alguém que não esteja viajando, para uso em caso de emergência.

Outro serviço que não dispenso é o Google Calendar (Agenda). Quando a viagem é mais longa (mais de uma semana), crio uma agenda só para ela e vou lançando tudo que tem data fixa conforme vou reservando – hospedagens, passagens, ingressos de teatro etc. Na descrição de cada evento, coloco o link do evento, ou endereço, ou detalhes do vôo/passeio etc. Ter tudo na agenda facilita o planejamento para evitar choques de horários e facilita quando já estou no destino, para recuperar rapidamente as informações mais importantes.

Quando tenho tempo, crio um mapa o Google Maps. Nos meses que antecedem a viagem, vou jogando tudo que quero ver, lugares bacanas para comer e por aí afora; durante a viagem, posso consultar na hora e aproveitar que já estou perto de um lugar para visitar outro, por exemplo.

Passagens aéreas

Para pesquisar preços:

  • Google Flights: crio alertas para os períodos pretendidos (ou apenas para o local pretendido, quando não tenho datas rígidas)
  • Melhores Destinos: tenho o app no celular e recebo a newsletter no email
  • Passageiro de Primeira: grupo grátis de whatsapp e newsletter

Acho bacana acompanhar o MD e o PP para ter uma ideia das promoções possíveis e das melhores janelas de compras. Para viagens internacionais, tenho notado que comprar passagens com uma antecedência de 6 meses é uma boa política; para viagens nacionais, a melhor janela está entre 1 e 3 meses.

Para comprar passagens: compro direto no site da companhia aérea, mesmo que seja mais caro que usar um intermediário.

Hospedagem

Para fazer uma pesquisa de preços de hotéis, Trivago. é uma boa, mas não confio em alguns intermediários que ele indica.

Como uso o Booking.com (que é confiável)  há muitos anos, tenho descontos pelo programa de fidelidade e dificilmente outro intermediário é vantajoso para mim. Dá pra ganhar cashback acessando o Booking via Meliuz (mas verifique se o preço da hospedagem se mantém, às vezes fica mais caro pelo link do Meliuz; isso vale para qualquer programa externo de cashback); em algumas ações promocionais, o Booking oferece cashback dentro do próprio site, para uso nos próximos meses.

Antes de reservar via Booking, vale a pena conferir se o hotel tem site e sistema de reservas próprio. Em alguns casos, reservar direto no site sai mais barato e/ou gera algum agrado, como café da manhã incluído.

Sempre vale a pena dar uma olhada no AirBnB para reservar apartamentos/flats, especialmente se você está planejando uma viagem com muita antecedência: é possível encontrar lugares excelentes por um preço muito bom. Como há cobrança de taxa de limpeza, o AirBnB costuma não valer a pena para hospedagens muito curtas, mas acima de 5 noites começa a ficar interessante. O Booking também oferece apartamentos/flats, mas geralmente há poucas opções e poucas avaliações de usuários.

Quando planejo uma viagem para algum lugar muito turístico gosto de reservar o mais cedo possível e, desde a pandemia, escolho hospedagens que permitem cancelamento grátis até alguns dias (ou semanas) antes da data reservada. No caso da viagem à Itália (setembro de 2025), comecei a fazer as reservas em dezembro, bem antes de comprar as passagens aéreas. Escrevo esse post em maio, 4 meses antes da viagem e, agora que tenho as passagens, estou revendo as hospedagens: precisei alternar a ordem de visitação de duas cidades (cancelei as reservas e fiz outras, em ambas consegui preços menores) e encontrei hospedagem mais barata em outra (sem cancelamento grátis, mas a essa altura do campeonato achei que valia a pena arriscar).

Passeios

Para descobrir o que fazer em um destino ou para saber mais detalhes sobre os passeios, inclusive com avaliações de viajantes, o TripAdvisor é excelente. Também uso bastante o TripAdvisor durante a viagem para descobrir onde comer.

Para reservar passeios com guia, o TripAdvisor e o Viator são ótimos. Ambos cobram comissão do prestador de serviço, portanto vale a mesma dica que dei ao falar do Booking verifique se a agência de turismo tem site próprio e faz venda direta, o preço pode ser mais em conta.

Em alguns casos, o passeio anunciado no TripAdvisor ou no Viator exige pelo menos 2 pessoas para a reserva. Se você está viajando só, pode tentar entrar em contato diretamente a agência para pedir um encaixe (às vezes funciona).

O TripAdvisor dá cashback via Meliuz e o Viator tem um programa próprio de cashback.

Já tive problema com um transporte aeroporto-hotel que contratei pelo Viator, e ele me reembolsou.

O Civitatis é outro intermediário, mas nunca usei para passeios pagos, apenas para free walking tours: passeios a pé com um guia por rotas turísticas pré-estabelecidas, com duração entre uma e três horas; o pagamento é feito ao final, dando-se uma “gorjeta” ao guia (o valor sugerido varia entre 5 e 20 dólares).

Ao contratar um passeio por meio de um intermediário, verifique as avaliações dos viajantes e certifique-se (tanto quanto possível) da qualidade e confiabilidade do prestador de serviço.

Esse é um panorama geral sobre como organizo minhas viagens. Dá trabalho? Depende do ponto de vista: para mim, seria muito estressante deixar tudo para cima da hora. Prefiro fazer aos poucos, com tempo. Assim, já começo a viajar meses antes de chegar ao destino.

Como você planeja suas viagens? Tem outras dicas?

No meu tempo…

Antigamente dizia-se que o Brasil tinha [número de habitantes aqui] de técnicos de futebol porque todo mundo se achava no direito de dar pitaco em toda escalação, lance, competição etc.

Hoje são 200 milhões de juristas, 200 milhões de pedagogos, 200 milhões de cientistas políticos… semana passada, tínhamos 200 milhões de papologistas:15 minutos depois de anunciado o novo papa já havia quem cravasse que o papa é de direita, ou de esquerda, ou de centro, ou progressista, ou conservador, ou defensor do MAGA, ou fã da teologia da libertação, ou comunista, ou vendido ao capitalismo…

A internet amplifica e cristaliza os pitacos como a mesa de bar nunca foi capaz de fazer. No boteco, pelo menos ouvíamos as opiniões contrárias dos amigos; na internet, ficamos trancados nas bolhas das redes sociais. Tenho a impressão que a polarização política piorou esse fenômeno, mas também pode ser que as bolhas tenham piorado a polarização política. Tostines é fresquinho porque vende mais, ou vende mais porque é fresquinho? Faz alguma diferença?

A era de ouro dos blogs era mais parecida com a proverbial mesa de bar do que com a conformação atual das redes sociais. Sem algoritmos, as afinidades surgiam de forma orgânica e as bolhas eram de sabão, não de blindex. Os trolls eram poucos e devidamente ignorados. Os textos eram mais leves, as opiniões não pareciam gravadas nas tábuas das salvação.

“No meu tempo é que era bom”. Ah, o saudosismo. Já cheguei nessa fase da vida. Volta e meia tento ressuscitar o Dia de Folga, mas a certeza de que “nada será como antes” somada à impressão de que ninguém mais lê um texto construído em parágrafos me fazem sempre desistir.

Aí apareceu o substack e alguns blogueiros das antigas migraram para lá. Na falta do google feeds ou do feedburner (eles sim é que eram bons… ops), o email funciona como um substituto decente para ler textos bacanas que lembram os posts da saudosa (ops, fiz de novo) blogosfera raiz.

Tudo isso pra dizer que criei um substack.

A ideia é postar textos que eu publicaria no Dia de Folga em seus tempos áureos, ou no instagram/twitter/facebook/bluesky/insira-aqui-sua-rede-social quando eu ainda achava que valia a pena postar neles. A vantagem, pra você, é receber os textos na comodidade do seu email para ler quando (se) quiser; para mim, é poder me iludir pensando que alguém está, de fato, lendo o que escrevo, sem a barreira dos algoritmos ou a frustração das rolagens infinitas.

Não vou definir metas de periodicidade ou de conteúdo. Quando eu atingir a meta, dobrarei a meta.

Como o substack pode desaparecer a qualquer momento, os textos também serão publicados no Dia de Folga, em uma espécie de backup.

Bora ver se funciona? Bora.