O que vai acontecer quando você morrer?

Apesar do título, não vou divagar sobre a morte, o além, a vida, o universo e tudo o mais. Morte e impostos são as únicas certezas nessa vida, já diz o ditado. Este post é só pra compartilhar uma iniciativa que o algoritmo do instagram resolveu me mostrar e que achei maravilhosa: Pra Quando Eu Morrer. 

O autor do projeto, Tom Almeida, explica seu propósito de modo bem direto: “No dia em que eu morrer, quero que a minha família tenha o menor número possível de preocupações” – para isso, ele inicia uma jornada de organização da burocracia, dos desejos e das questões práticas que envolverão a própria morte, de modo a facilitar tanto quanto possível o processo para os que sobreviverem a ele. E o pulo do gato é que ele resolveu compartilhar essa rotina com quem quiser acompanhá-lo.

Esse compartilhamento será feito por meio de um podcast e de material de apoio pra gente conseguir pensar na própria morte em etapas – oito no total. O primeiro episódio saiu dia 12 de maio (está no spotify também). Depois de ouvir, baixei o material de apoio e em menos de uma hora completei (quase) todas as propostas. Imprimi e organizei tudo em uma pasta-fichário que já tinha. Não, não foi nada deprimente. Foi um momento de reflexões práticas, seguido uma sensação muito agradável de dever cumprido. Ainda pretendo decorar a pasta e os papéis, usar washi tapes e adesivos pra deixar tudo mais leve e, por que não?, bonitinho.

Se você também gostou da ideia, comece por aqui: Pra quando eu morrer. E espalhe essa ideia!

Resoluções de Ano Velho

Esse ano me dei conta de que minhas grandes resoluções nunca são tomadas no início do ano, sequer na época do Natal, quando o tema começa a surgir em todas as conversas. Não, minhas resoluções – aquelas que consegui manter e incorporar à vida diária – sempre surgem no começo do segundo semestre, em agosto, setembro, no máximo em outubro.

Minha teoria é de que é por essa época que paro pra avaliar o andamento do ano e, consequentemente, da vida, e dessa avaliação surgem meus novos objetivos. Foi assim em todas as vezes que resolvi estudar para concurso, quando decidi fazer atividade física a sério, quando comecei a seguir o estilo low carb de alimentação… e em 2018 não foi diferente.

A Motivação

Nos últimos anos, andei tão concentrada no trabalho que acabei me exaurindo diversas vezes. Gosto do meu trabalho, mas não gosto da ideia de fazer dele o centro da minha vida. Não acho que seja saudável – pra mim, certamente não é.

Posso trabalhar de casa quase todos os dias, o que eu amo; na prática, porém, o que estava acontecendo é que eu começava a trabalhar antes das oito da manhã e não tinha hora pra parar, o que é péssimo. Depois de alguns meses nessa rotina, sem atividades físicas, comendo qualquer coisa e dormindo mal, começaram a aparecer alguns problemas de saúde – particularmente, minha antiga dor nas costas voltou com tudo. Foi o sinal de que eu precisava mesmo me reorganizar.

Decidi que, quando voltasse de férias (marcadas para outubro), iria organizar meu horário de trabalho. Essa foi a primeira resolução de ano velho.

Mais Resoluções

Em setembro, antes mesmo das férias, dei um empurrãozinho nas resoluções e comecei um novo treinamento de musculação, num estilo que eu nunca tinha feito. Estou gostando muito e o responsável é o Felipe Piacesi, cujo trabalho recomendo.

Outra resolução foi levar a sério o curso de desenho comprado um ano antes e abandonado há vários meses. Por fim, resolvi voltar a aprender e praticar lettering, se não todo dia, pelo menos com alguma regularidade.

A Regra dos Dois

Também em setembro, li um post bem interessante no The Minimalists: The Rule of Two. O autor aborda a dificuldade enorme que temos em encaixar todas as atividades que queremos ou devemos fazer em cada dia e dá uma saída interessante: que tal buscarmos realizar cada uma dessas atividade duas vezes na semana? Certamente parece mais viável, a pressão diminui e é mais fácil encontrar duas horas por semana para, por exemplo, aprender um novo hobby que tentar encaixá-lo em meia hora por dia (sem contar que meia hora muitas vezes é pouco tempo para realmente começar a render na tarefa, seja ela qual for).

A regra dos dois foi o ingrediente que faltava para delinear as resoluções de ano velho, com a ajuda de um bloco de planejamento semanal que acabei comprando nas férias só porque estava bonito e barato, mas sem ter a certeza de que iria usar. Bom, estou usando e tem sido muito útil.

A Listinha

No fim das contas, a lista de resoluções de ano velho ficou assim:

Todos os dias:

  • alongamento (toma cinco minutos e mantém minha dor nas costas longe)
  • meditação (dez minutos atualmente, pretendo aumentar o tempo aos poucos)
  • leitura (porque adoro)

Duas vezes por semana:

  • musculação – membros inferiores
  • musculação – membros superiores (ambas com a planilha do Felipe e já é o suficiente pra semana toda)
  • informativos do STJ e STF (para manter-me atualizada)
  • yoga/pilates (vídeos no youtube)
  • desenho (curso online ABRA)
  • lettering (cursos online Udemy)
  • aquarela (cursos online Udemy e outros tutoriais)

No planejamento, ainda entrou um tempinho por semana para:

  • planejar as refeições e as compras da semana seguinte (sempre resisti a essa ideia, resolvi finalmente incorporá-la e tem sido excelente)
  • limpar a casa (40 minutos duas vezes por semana, e uma ajeitada de alguns minutos no domingo)
  • planejar a semana seguinte, vendo o que deu certo e levando em conta as demandas de trabalho, compromissos com hora marcada e outros interesses (por exemplo, no planejamento da semana passada incluí um tempinho para escrever este post)

Colo o planejamento no armário do escritório e todo dia dou uma olhada.

Os Resultados

O primeiro efeito desse sistema foi uma imediata tranquilidade quanto ao que fazer a cada dia. Não preciso mais me preocupar assim que acordo, porque já defini tudo com antecedência – basta olhar a folhinha e seguir o plano.

O segundo efeito tem a ver com a minha saúde de modo geral e com o bom impacto dela no meu trabalho. Como estou mais organizada, mais equilibrada e mais saudável, consigo trabalhar com maior produtividade e, como consequência, sobra tempo para fazer o que me mantém organizada, equilibrada e saudável. Um círculo virtuoso.

Minhas habilidades, digamos, “artísticas”, ainda têm muito que evoluir, mas tenho dado mais atenção ao processo que ao resultado final. O efeito colateral inesperado é que estou menos ansiosa e menos controladora. Quem diria?

Prioridades

Tudo funciona redondinho todas as semanas? Não, porque é claro que a vida acontece no meio dos planos.

A semana passada foi particularmente intensa no trabalho e tive que deixar de lado outras atividades. Mas sei que foi algo eventual e, principalmente, que tenho um caminho para onde retornar esta semana.

O que não pode falhar é justamente o que me ajuda a voltar ao centro: o planejamento das refeições e da semana (toma meia hora), a meditação, o alongamento e a musculação. No resto, a gente dá um jeito.

As coisas não precisam ser perfeitas, o planejamento não precisa ser cumprido à risca. Tudo precisa, apenas, ser bom o bastante para que se construa o equilíbrio.

Você já está pensando nas suas resoluções de ano novo? Já pensou? Ou nem pensar?

O método da Marie Kondo é bacana?

De vez em quando, alguém que sabe do meu interesse por minimalismo me pergunta se li A Mágica da Arrumação, de Marie Kondo. Bom, eu li logo depois do lançamento, anos atrás, e até cheguei a escrever um post pro blog, mas o rascunho se perdeu e acabei deixando pra lá.

A Mágica da Arrumação foi um baita sucesso e introduziu o método konmarie, um trocadilho com o nome da autora. Na prática, o método konmarie consiste em destralhar a casa inteira no menor tempo possível, descartando tudo que não é usado ou não traz alegria (a pergunta a fazer diante de cada objeto tornou-se famosa em inglês: does it spark joy?).

Outro ponto central do método é organizar as coisas por categoria e não por cômodos. Quer dizer, você não deveria deixar uma tesoura na cozinha e outra no escritório, parte da maquiagem no quarto e parte no banheiro etc., mas reunir em um só espaço os objetos que pertencem à mesma categoria, para evitar excessos e duplicatas desnecessárias.

O livro dá outras dicas menores, como arrumar a bolsa com frequência e dobrar as camisas de forma que todas possam ser vistas ao mesmo tempo quando se abre a gaveta.

E o que eu acho disso tudo?

Todo método é bom se ajuda você a se organizar, a destralhar, a viver uma vida mais simples e tranquila. Então, se você quiser testar o método konmarie, compre o livro e ponha em prática (o livro é fininho e você consegue ler em uma tarde).

Dito isso, eu não costumo recomendar as ideias da Marie Kondo, não, por vários motivos.

O que mais me desagrada é a rapidez com que a autora espera que alguém destralhe toda a casa. Isso pode gerar um efeito rebote, uma sensação de vazio que pode levar a um ataque de compras compulsivo. Isso é sério. Muita gente não suporta ver espaços vazios em casa, por isso junta tantos enfeitinhos, caixinhas, livros, cabides etc. Imagina uma pessoa assim aderindo ao método konmarie e destralhando a casa toda de uma vez: a probabilidade de que essa pessoa se sinta agoniada e torne a preencher os espaços vazios logo que possível é muito grande. Pode ser, também, que ela não torne a preencher os vazios (pelo menos não tão rápido), mas guarde uma sensação de perda e de arrependimento por anos, afetando futuras decisões de consumo, de organização e de destralhamento.

Não me agrada essa abordagem radical, de verdade. Acho que ela funciona bem em programas de tv (que nunca mostram como está a casa da pessoa cinco ou dez anos depois), mas o minimalismo não é, ou não deveria ser, uma “dieta da moda”, e sim uma mudança de estilo de vida. E toda mudança de estilo de vida leva tempo para se consolidar.

Outra coisa que me cai mal é o lema “isso me traz alegria?” para decidir o que deve ser descartado e o que deve ficar. Esse método pode levar a pessoa a um beco sem saída, em que tudo, ou quase tudo, “traz alegria” e, por isso, nada é destralhado. É curioso como a Marie Kondo inicia seu método com uma abordagem super prática (“jogue tudo fora”, ou quase isso) para depois sucumbir a uma reação emocional sobre as coisas.

Coisas devem nos servir, não o contrário. É altamente improdutivo desenvolver conexões emocionais com objetos e é justamente esse tipo de comportamento que leva à acumulação (patológica em alguns casos). Não tenho que pensar se um objeto me traz alegria, e sim se ele me é útil, se combina com meu estilo de vida e se me proporciona ganhos superiores a eventuais frustrações (como a obrigação de manter o objeto limpo/funcionando e de gastar um espaço da minha casa com ele).

“Mas e os objetos com valor sentimental?” Ora, é super normal ter um punhado de objetos com valor sentimental e poucas pessoas conseguem se livrar totalmente deles. Aí, o segredo é separar um pequeno espaço (uma gaveta, uma caixa, algo assim) para guardá-los, fazendo uma curadoria para realmente só manter o que traz boas e fortes lembranças. O resto pode ser fotografado antes de ser descartado, ou pode simplesmente ir pro lixo quando a gente percebe que o que importa são as memórias, não as coisas.

Se você entende inglês, recomendo a leitura do post Does it spark joy? para mais reflexões sobre esse ponto.

Por fim, a dica de manter todas as coisas da mesma categoria no mesmo lugar é perfeita quando se está no meio do processo de destralhamento e organização, mas pode ser bem improdutiva no dia-a-dia. Durante a fase de destralhe, serve para evitar duplicatas e redundâncias inúteis. No dia-a-dia, porém, pode ser interessante manter uma caneta e um bloco na mesa de cabeceira e outro kit desses no escritório (caso você use ambos em diferentes momentos do dia), pode ser prático deixar o batom de uso mais frequente no banheiro e não no quarto (lembrando que maquiagem em geral deve ser guardada em local seco, o banheiro é úmido demais e ela acaba estragando mais rápido). O minimalismo serve, antes de mais nada, para simplificar a vida e eventuais “regras” devem ser adequadas à realidade de cada pessoa.

Acho bacana que A Mágica da Arrumação tenha se tornado um best seller em 2014 e colocado em evidência temas como organização e minimalismo numa época em que apenas um punhado de blogs falava do assunto (hoje o tema anda na moda). O livro é fininho, de leitura fácil e pode ser um bom começo para quem está pensando em livrar-se dos excessos consumistas. Mas é importante saber que o método konmarie não é o único, não é o ideal pra todo mundo e não é completo.

Chega de hobbies!

De vez em quando acontece a tal da sincronicidade: você tem uma ideia, cria um plano e aí, logo em seguida, alguém te fala praticamente a mesma coisa ou você lê em algum lugar exatamente a mesma ideia. Assim que começou o ano, fiz uma resolução: nada mais de hobbies! Um ou dois dias depois, o Leo Babauta fez um post traduzindo meus pensamentos.

Não pretendo largar todo e qualquer hobby, de jeito nenhum! Simplesmente, não vou inventar novos. A ideia é aprofundar os principais – o que nunca foi uma tarefa muito fácil pra mim. Sou useira e viseira em ir atrás de novos interesses. Alguns duram por anos, outros por apenas algumas semanas. Enjoo logo das “modas” que eu mesma invento.

O resultado? Pouca profundidade em um monte de assuntos – o que, pra ser honesta, não me incomoda – e gastos supérfluos aos montes. Porque, claro, cada novo passatempo vem acompanhado das suas necessidades, gerando “investimentos” em cursos, equipamentos, materiais diversos, espaço em casa… isso não é nada minimalista.

(Nem vou falar da “perda de tempo” porque isso também não me incomoda: tempo usado para adquirir novos conhecimentos ou habilidades é tempo bem usado, sempre.)

No fim das contas, pouquíssimos interesses me acompanham ao longo dos anos. Basicamente, livros, filmes e seriados. Viajar? Não considero que seja um hobby. É uma coisa que adoro fazer – como adoro tomar sorvete – mas não chega a ser um passatempo, não.

Minha resolução de ano novo, então, é não inventar novos hobbies; em vez disso, vou dedicar meu tempo livre em 2018 a aprofundar os passatempos que cultivo há anos. O plano é ler bastante (pelo menos dois livros por mês, de preferência quatro), ver muitos filmes (um por semana) e curtir seriados (sem metas nesse caso – quando eu atingir a meta, eu dobro a meta).

O Leo Babauta – ou melhor, outro blogueiro de quem ele pegou a ideia – chamou isso de “Depth Year“, ou “Ano em Profundidade“. A ideia é “ir mais fundo, não mais vasto” (“go deeper, not wider”).

Pra mim, isso quer dizer não investir tempo nem gastar dinheiro com passatempos novos em 2018. Nada de despesas com equipamentos e cursos, nada de horas e horas pesquisando novos assuntos, nada de ir atrás de novos interesses. O post do Leo Babauta, na verdade, abrange outros aspectos, não apenas hobbies. Além disso, ele também está determinado a não comprar livros em 2018, promessa que nem me arrisco a fazer. No meu caso, quero só um pouco de foco e profundidade nas minhas horas livres.

Gostaria de dizer que essa é uma resolução permanente, que nunca mais vou me aventurar em passatempos novos, que vou me dedicar apenas às coisas que desde a infância consistentemente me interessam, mas duvido muito que consiga manter essa pegada pra sempre. Então, um ano de cada vez. Ano que vem eu vejo como a coisa rolou e como vai ficar.

(A pegadinha é que, no fim de 2017, enveredei por duas novas atividades: tentar aprender a desenha algo além de casinha com chaminé e ressuscitar meu francês, em coma há uns quinze anos. Estou contando isso como aprendizado, não como hobby. E, pra ser franca, em janeiro ainda não consegui retomar esses estudos.)