Fuuuuuurminator!

Rasqueadeira.
Exemplo de rasqueadeira.

Logo que adotei minha primeira gata, fiz uma compra monstruosa de enxoval – e absolutamente inútil. Tanto que, na semana seguinte, devolvi vários itens que foram rigorosamente desprezadas pela Mel.

Uma das coisas que comprei e nunca usei foi uma rasqueadeira como a da foto ao lado – uma espécie de pente ou escova para gatos. A Mel simplesmente odiava aquele treco e, tudo bem, ela quase não tinha pelos mesmo, então eu nem insistia.

Aí, veio a Cacau. Gata de pelo curto também, mas com uma quantidade absurda de subpelo – que a deixa linda, macia e fofinha, e deixa minha casa e minhas roupas parecendo uma continuidade dela. Tentei usar a rasqueadeira, mas ela parecia odiá-la com ainda mais vigor que a Mel. Também, olha a aparência do negócio… imagina um monte de agulhas fininhas raspando a sua pele. Não deve ser muito bacana.

Furminator
A minha furminator.

Passa o tempo e acho um vídeo no youtube de um negócio que prometia maravilhas, um tal de furminator, o “exterminador de pelos”. Produto importado, caro (veja, uma rasqueadeira comum custa uns 15 reais; o tal do furminator metido a besta custava quase cem realezas em 2009) e “sabe-se lá se funciona”, mas era tanto o pelo da Cacau que resolvi pagar pra ver.

E não é que o treco é bom?!

Não sei exatamente qual é a mágica. Provavelmente, são as cerdas metálicas bem juntinhas que agarram o pelo melhor que aqueles pentes largos; além disso, como são curtas e não são tão finas, não devem arranhar a pele dos gatos. Fato é que a Cacau adora ser escovada com o tal do furminator (a Mel tinha as suas fases). Basta pegá-lo e dar umas batidinhas na cama que ela vem correndo, se deita de lado, depois vira para o outro lado pra eu completar o trabalho… num dia inspirado, isso pode durar quase meia hora. Às vezes ela não está com tanto saco assim, e aí dou só uma escovadela básica de minuto e meio – já é o suficiente para tirar muito pelo.

A furminator em ação aqui em casa.
A furminator em ação.

Não forço, não seguro a Cacau e, claro, tomo cuidado pra não machucá-la. Sempre sou gentil. Ela está sem paciência? Ok, eu tento de novo outro dia. Procuro transformar a escovação num momento de carinho e mesmo assim consigo tirar pelo suficiente para estufar um bicho de pelúcia.

Dá pra encontrar a furminator no Mercado Livre e você pode ver um vídeo comparando a furminator a uma escova comum no youtube. Para gatos de pelo longo, suponho que a delicadeza na escovação deva ser ainda maior, por causa dos eventuais nós, mas os benefícios também serão maiores.

Cabe lembrar que a furminator só tira os pelos que já cairiam naturalmente. Ao contrário do que alguns dizem por aí, ela não é uma tosquiadeira. As cerdas não têm corte. Vale dizer, também, que os benefícios não são somente estéticos, mas também dizem respeito à saúde do felino, já que a escovação constante evita a formação de bolas de pelo e facilita a higiene regular do gato.

Usando com cuidado, a furminator ajuda a manter o gato e a casa bonitos e livres de bolas de pelo… e ainda fortalece os laços entre humanos e bichanos. Recomendo!

(Em tempo: aquele nome que você vê pela metade no cabo da minha furminator é o do importador, que costumava comprar, reembalar e distribuir em petshops; faz séculos que não vejo com essa marca.)

McDonalds, Bolívia e o isso tem a ver com a gente.

Em dezembro passado, uma das notícias mais comentadas na minha timeline do twitter foi o fechamento do McDonald’s na Bolívia. Pra início de conversa, dois esclarecimentos:

  • O McDonald’s não fechou no fim de 2011. Na verdade, foi em 2002. Acontece que foi lançando em dezembro passado um documentário analisando o fechamento (falo dele logo mais) e os desavisados acharam que tudo era absoluta novidade. Pesquisa, oi?
  • Os comunistas de plantão (eles ainda existem, por incrença que parível) apressaram-se a dizer que isso era uma vitória em cima do capitalismo feio-bobo-e-chato blá blá blá. Parece que não acompanham a História. Regimes políticos são incapazes de modificar gostos, hábitos ou padrões culturais. Conseguem, no máximo, sufocá-los, reprimi-los. Um dia a barragem racha, como aconteceu, na ex-União Soviética e em toda a cortina de ferro.

O que aconteceu na Bolívia não foi uma questão política, mas predominantemente cultural, e ligeiramente econômica.

Ligeiramente econômica porque uma refeição na franquia custava o triplo de um almoço tipicamente boliviano, segundo o documentário. Baita diferença, não? Só que aqui no Brasil o McDonald’s também é bastante caro, e as lojas só se multiplicam. Você pode argumentar que as classes média e alta bolivianas são menores que as nossas, mas a rede de lanchonetes lá era bem pequena: oito lojas espalhadas pelas três maiores cidades do país. Não acredito, portanto, que a insuficiência de público devia-se ao preço.

Cheddar McMelt
Uma das minhas refeições nada saudáveis.

E não era mesmo essa a razão. A explicação para, em cinco anos (de 1997 a 2002), o McDonald’s não ter decolado na Bolívia é que o povo boliviano é profundamente ligado à sua culinária local. Valoriza-a, preserva-a, tem orgulho dos seus pratos. Fast food não é pra eles: por lá, comer é um ato demorado, que se inicia pelo preparo lento da comida.

É isso o que explica o documentário Por que quebro McDonald’s?. Como esclarece o cineasta Fernando Martínez, o filme é principalmente sobre a cozinha boliviana, e a cozinha boliviana está profundamente arraigada à cultura do país. Segundo ele, “o documentário é um pretexto para falar da cultura boliviana”.

Isso lembra o movimento slow food, iniciado na Itália em 1986 para defender uma maior qualidade na escolha e preparo dos alimentos, desde o uso de produtos regionais até a volta aos hábitos alimentares pré-fast-food. Lembra também a Carta de São Paulo, movimento iniciado por chefs que buscam a valorização dos produtores locais e o respeito na elaboração da comida e no ato de comer.

Só que na Bolívia não foi preciso a criação de um movimento para revalorizar a cozinha local, simplesmente porque ela nunca foi depreciada.

A antiga dieta do brasileiro, baseada em salada, arroz, feijão e bife, é saudável e equilibrada. Acontece que cada vez mais nos rendemos às comidas congeladas, aos pacotes de supermercado e, claro, ao fast food, tudo em nome da praticidade. Não é à toa que os índices de obesidade têm crescido, especialmente entre crianças (que, claro, aprendem a comer errado com os pais). Ah, mas a gente não pode desacelerar, não pode parar pra comer melhor, não dá, não há tempo, vamos nos atrasar… Se continuarmos com essa síndrome de coelho da Alice, logo mais teremos de diminuir o ritmo não por opção, mas por inúmero problemas de saúde causados por maus hábitos alimentares.

Não é melhor tirar um tempinho a cada dia para comer decentemente?

Em tempo: este texto não é uma campanha anti-McDonald’s. Adoro Cheddar McMelt e saí de Super Size Me morrendo de vontade de comer fast food. Só que não faço disso um hábito – uma vez por mês já é demais.

Referências

Café ajuda a curar a ressaca… será?

Ai, essa ressaca bandida...
Ai, essa ressaca bandida…

Bem, o que realmente sei que cura ressaca é:

  • manter-se bêbado;
  • tomar muita, muita água (bem mais saudável que a primeira alternativa).

Mas há quem diga que a combinação de café e aspirina é um modo eficiente de curar a ressaca. Um estudo feito com ratos de laboratório mostrou que a mistura aliviou as dores de cabeça que os bichinhos tiveram após ingerirem etanol.

Se você tentar essa receitinha após as comemorações do reveillon, avise-me. 😉

Até o ano que vem!

Imagem: nkzs, royalty free.

Outubro Rosa – informação e prevenção salvam vidas!

Fita Rosa - símbolo do combate ao câncer de mama.
O símbolo do combate ao câncer de mama.

No mês do combate ao câncer de mama, que tal dar uma olhada no que já escrevi sobre o tema?

Nos textos, você encontra links importantes sobre o assunto.

Aproveite para conhecer o Mamografia é Vida, site que estreou este ano repleto de depoimentos e informações (e que também tem twitter).

Se você é mulher, cuide-se! Informe-se, faça os exames de rotina. Não tenha medo de um possível diagnóstico. Lembre-se que, nos estágios iniciais, o câncer de mama tem cura!

Se você é homem, compartilhe as informações com as mulheres que ama. Estimule a prevenção, o acompanhamento ginecológico e a realização periódica da mamografia, que é a única forma de detectar o tumor ainda no início, quando as chances de cura chegam a 95%.