5 lições aprendidas com a televisão

 

O bem vence o mal...

As necessidades de um superam as necessidades de muitos. (James T. Kirk)

Mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda. (Michael Corleone)

Carpe diem. Aproveitem o dia, garotos. Tornem suas vidas extraordinárias. (John Keating)

Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda, amanhã velho será, velho será, velho será. (A turma do Chaves)

O bem vence o mal, espanta o temporal. (Gorpo)

Bônus: Não há lugar como o nosso lar. (Dorothy)

(Top 5 inspirado no lindo texto A maior lição da tv é que o mundo não é preto-e-branco.)

Wall-E

Ficha Técnica

  • Título original: Wall-E
  • País de origem: EUA
  • Ano: 2008
  • Gênero: Animação
  • Duração: 97 minutos
  • Direção: Andrew Stanton
  • Roteiro: Andrew Stanton
  • Elenco: Ben Burtt (Wall-E / M-O), Elissa Knight (Eva), Jeff Garlin (Capitão), Sigourney Weaver (Auto). Em português: Claudio Galvan (Wall-E), Sylvia Salustti (Eva), Reginaldo Primo (Capitão), Manolo Rey (M-O), Guilherme Briggs (Auto). Direção de Manolo Rey.
  • Sinopse: Wall-E, um solitário robô que ficou na Terra para limpar a sujeira deixada pra trás pelos seres humanos, conhece Eva, robô recém-chegado com a missão vasculhar o planeta em busca de vida.

Comentários

Wall-E Fofo. Essa é uma ótima palavra para definir Wall-E. Fofo, mas não besta. Afinal, é um filme da Pixar, responsável por jóias como Procurando Nemo (também dirigido e roteirizado por Andrew Stanton) e Toy Story, e faz jus à tradição do estúdio.

Só que as semelhanças páram por aí. O filme é muito diferente de qualquer outra animação que você já viu. Dá quase pra imaginar que é feito exclusivamente para adultos. O fato de crianças gostarem seria um bônus, um efeito colateral.

A primeira meia hora do filme é, praticamente, uma experiência de cinema mudo. Uma bela trilha sonora acompanha o robozinho Wall-E em sua tarefa de compactar montanhas de lixo deixadas sobre a Terra pelos humanos. De quebra, ele vai juntando tranqueiras que nem sabe para que servem, mas que minimizam sua solidão e viram brinquedos. Que criança não teve a fase de encher os bolsos de bugigangas? Wall-E é assim, uma criança. Não entende o mundo em que vive, mas gosta dele. É curioso e ingênuo. Faz o dever de casa e, no tempo livre, brinca com sua coleção e com sua melhor amiga, uma barata.

(Aliás, parafraseando Indiana Jones… Barata. Por que tinha que ser uma barata? Odeio baratas. Sério. Eu ficava tensa toda vez que aquela criatura nojenta aparecia e, putz, como torci pra que ela fosse esmagada/fulminada.)

O mundo de Wall-E vira do avesso quando conhece Eva, uma robô muito mais moderna e muito menos… humana. O robozinho terá papel fundamental na transformação da metódica Eva, que também modificará para sempre a vida de Wall-E.

O que mais encanta no filme é a habilidade dos animadores em atribuir tanta vida e emoção a uma sucata ambulante (com todo o respeito) é surpreendente. Eles se superaram, decididamente. Não dá pra pensar em Wall-E como um ser inanimado, não com aqueles olhos incrivelmente expressivos.

O enredo é politicamente/ecologicamente correto. As principais críticas são ao consumismo, à economia da moda e do descartável, com os conseqüentes danos ao meio ambiente e, claro, ao próprio homem. Não se preocupe: não há discurso ou pregação escancarada, embora, na verdade, essa crítica seja a base para todo o roteiro. Por fim, a camada das referências. A mais óbvia e constante é ao clássico 2001 – Uma Odisséia no Espaço, mas também há pinceladas de Star Trek e Admirável Mundo Novo. Na versão original, Sigourney Weaver, mais conhecida como Tenente Ripley, faz a voz do piloto automático (no Brasil, a voz coube a Guilherme Briggs, dublador do Worf, de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração). O cubo mágico e o joguinho Pong provocam suspiros nostálgicos. Quem assistir aos créditos finais ainda será premiado com figurinhas saídas dos jogos do Atari.

Os mac-maníacos encontram várias referências à Apple (Steve Jobs, fundador da empresa, foi CEO da Pixar até sua compra pela Disney, em 2005) que me passaram completamente despercebidas (ok, depois que soube, até achei evidente a semelhança entre Eve e um iMac).

Wall-E é completo. É um primor de técnica, tem um personagem muito carismático e um enredo cativante. Será uma injustiça se não levar o Oscar 2009 como melhor longa de animação.

Cotação: 4,5 estrelas (se não houvesse a barata…)

Curiosidades

O curta de animação que antecede o filme (hábito da Pixar) é Presto e mostra um mágico entrando em apuros por causa do seu coelho. Bacaninha, mas, de tanto ouvir maravilhas sobre ele, esperava mais.

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As dublagens brasileiras de animações costumam ser excelentes, e Wall-E não foge à regra. Nem dá pra acreditar que os mesmos profissionais fazem trabalhos sofríveis como os vistos no canal Fox. Bem, provavelmente não são os mesmos. O Blog do Bonequinho publicou uma ótima entrevista com Manolo Rey, o diretor da dublagem de Wall-E . Quando perguntado sobre as dublagens para tv a cabo, Manolo disse:

Atualmente, dirijo na Delart, e há empresas que cobram um terço do que é cobrado lá. Como conseguem? Simples, diretores, tradutores e dubladores aceitaram trabalhar por menos, e em condições contrárias às estabelecidas por nós. Acredito que a dublagem só vai crescer quando houver maior cobrança quanto à qualidade. O público tem que reclamar do que é ruim e elogiar o que gostou.

É a velha história: tem os melhores profissionais quem paga o preço justo.

(Confesso: uma das inúmeras profissões que quis seguir na adolescência foi a de dubladora.)

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O site oficial de Wall-E não tem grande coisa, mas vale a visita para uma partidinha de pinball (ninguém mais usa o termo “fliperama”?) em companhia do robozinho mais fofo do universo.

Serviço

Mude-se para Springfield!

Mas, primeiro, simpsonize-se!

Algum filme já investiu tanto em publicidade quanto Os Simpsons? Lojas de conveniência transformadas em Kwik-E-Mart, aviões decorados, propaganda por todo lado. Não podia faltar um site divertido, interativo e com um recurso que te transforma num personagem de Matt Groening:

Eu, simpsonizada

Já o Carlos Carvalho preferiu usar o Simpsonize Me, oferecido pelo Burger King, para brincar com alguns blogosféricos:

Em outra versão, mais bronzeada.

Devo admitir que a versão do Carlos foi muito mais fiel ao meu penteado. Por outro lado, nem com férias prolongadíssimas no Caribe e quilos de beterraba a figurinha aqui conseguiria esse bronzeado.

E sim, eu fui ver o filme. Acabei de chegar em casa. Ainda não consegui parar de rir. 😛

Shrek Terceiro

Ficha Técnica

Shrek The Third. EUA, 2007. Animação. 93 minutos. Direção: Chris Miller. Com as vozes de Mike Meyers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, Julie Andrews, John Cleese, Rupert Everett, Eric Idle e Justin Timberlake.

O rei Harold (John Cleese), pai de Fiona (Cameron Diaz), morre repentinamente. Com isto Shrek (Mike Myers) precisa ser coroado rei, algo que ele jamais pensou em ser. Juntamente com o Burro (Eddie Murphy) e o Gato de Botas (Antonio Banderas), ele precisa encontrar alguém que possa substituí-lo no cargo de soberano do Reino de Tão, Tão Distante. O principal candidato é Artie (Justin Timberlake), um jovem desprezado por todos em sua escola, que é primo de Fiona.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

3 estrelas

Shrek Terceiro Parece que a Dreamworks perdeu a mão nesta edição da franquia Shrek. Não que o terceiro filme seja ruim – não é. Mas também não chega aos pés dos dois primeiros.

O primeiro episódio da vida do ogro contou com o elemento-surpresa. Para começar, um monstro é o herói. Os personagens de conto-de-fadas são tirados de seu habitat, tira-se um sarro com cantoria típica da Disney, as tradiçõessobre histórias encantadas são ignoradas. De quebra, Eddie Murphy encarna um Burro Falante – com as feições do ator, além da sua voz – pra lá de engraçado. Shrek faz o bem, mesmo agindo por motivos inicialmente egoístas. A moral da história, “quem vê cara não vê coração” contraria os estereótipos da Disney, que valoriza o belo (ninguém nunca se perguntou sobre o caráter da Branca de Neve).

Em Shrek 2, o Gato de Botas rouba a cena. Antonio Banderas empresta sua voz latina ao felino malandro e cativante – quem nunca se derreteu ao ver seu olhar carente, atire a primeira pedra, ou a primeira bola de pêlo. O Burro está de volta, mais falante (e irritante) que nunca. O trio de inusitado precisa lutar contra o Príncipe Encantado e a Fada Madrinha, tradicionais heróis nos contos-de-fadas. Novamente, a desconstrução dessas tradições é bem feita. Recheado de referências a outros filmes, como Missão Impossível, o segundo filme da franquia conseguiu ser mais divertido que o primeiro e criou expectativas em relação ao próximo episódio.

Finalmente, chega Shrek Terceiro. O Burro e o Gato estão lá. O dragão do primeiro filme, também. Shrek, Fiona, Fada Madrinha, Príncipe Encantado, um bando enorme de vilões, as princesas-dondocas, todos os elementos e outros mais estão presentes. Mesmo assim, falta algo.

Há cenas engraçadíssimas, sim, especialmente no início da película. O rei que vira sapo ao se aproximar da morte é uma grande sacada. As referências à cultura norte-americana também são divertidas. O grau de realismo do filme é impressionante, superando largamente seus antecessores. Na primeira cena, vemos um galopante Príncipe Encantado tão caprichado que parece de carne e osso. O detalhismo é marcante em várias cenas e nas curiosidades de produção: movimentos de líderes de torcida foram exaustivamente estudados para dar realismo às mocinhas do colegial; desfiles de roupas de época ajudaram a compor o figurino da animação.

O que falta, então?

Roteiro.

A impressão que Shrek Terceiro passa é que tudo foi muito bem pensado e executado, menos o argumento. A história simplesmente não cativa, mal conseguindo prender a atenção do público. Algumas cenas são tediosamente longas. As boas tiradas dos primeiros filmes não são tão constantes aqui. A ironia cede espaço para a tentação de contar uma história muito explicadinha.

Se para os adultos o filme carece de ritmo, para crianças pequenas o desinteresse deve ser ainda maior. Nós ainda achamos graça no sapo moribundo, lembrando dos sapos que viram príncipes; rimos com as dondoquinhas Cinderela, Bela Adormecida, Rapunzel e Branca de Neve e divertimo-nos com o movimento feminista puxado pela Rainha; recordamos a adolescência vendo as cenas na escola de Artie . As crianças não aproveitam esses momentos e não são agraciadas com um filme ágil.

Ainda tive o azar de assistir à versão dublada – em Brasília, não estava sendo exibida a legendada. Fazem muita falta as vozes de Eddie Murphy e Antonio Banderas. A dublagem do ogro, que era a melhor de todas, também se ressentiu da ausência de Bussunda, falecido em 2006 e substituído pelo dublador profissional Mauro Ramos – excelente, mas não tão carismático quando o Casseta.

Apesar dos defeitos, Shrek Terceiro é sucesso de bilheteria, garantindo a execução de Shrek 4 (provavelmente em 2010) e Shrek 5. Não posso deixar de duvidar da qualidade destas seqüências. Caça-níqueis também tem limites.

O ponto alto, além da riqueza de detalhes da animação, é a trilha sonora recheada de rock, tão boa quanto as dos dois primeiros episódios.

Além da Tela

De todos os brinquedos baseados em filmes , o Gato de Botas de pelúcia é, disparado, o mais fofo. Siga o link e lamente o preço.

Falando no Gato… Em maio a Revista Época publicou matéria em que questionava a desconstrução dos contos-de-fadas feita por Shrek e apresentada a um público mirim que ainda nem teve a chance de conhecer as versões “normais” dos tais contos. A matéria era bem interessante e concluía perguntando: será que alguma criança ainda lê a história original do Gato de Botas?O Gato de Botas, por Gustava Doré

Bem, eu li quando criança uma bela adaptação do conto de Charles Perrault sobre o esperto gatinho do Marquês de Carabás. Recomendo. Há algumas versões na web. A do site Projeto Contos de Fadas é curta e simples; uma versão um pouco mais elaborada da história é recomendada para crianças mais adiantadas na leitura. A leitura do conto confirma que nada se cria, tudo se copia: o Gato de Botas malandro de Shrek está bem presente nele.

A ilustração ao lado foi feita por Gustave Doré (1832-1886); encontrei-a na Wikipédia que, aliás, traz um verbete sobre Charles Perrault, autor de outros contos famosos, como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho.