O Retorno do Capitão Kirk

O Retorno do Capitão Kirk - capaFrancamente, não sou a pessoa mais indicada pra resenhar esse livro. Acho o William Shatner fantástico, pra mim tudo que ele faz é incrível, assistia Boston Legal por causa dele e sou órfã do $h*! My dad says. Por outro lado, tenho que admitir que, embora a Série Clássica seja melhor que a Nova Geração, o Picard é melhor que o Kirk. Mas veja só a época: Kirk era um desbravador, um aventureiro, praticamente um pioneiro. Quando Picard comandou, os tempos eram outros – mais burocráticos, mais tranquilos, com menos planetas inexplorados repletos de mocinhas carentes e parcamente vestidas…

Mas divago.

O que gosto no Shatner é justamente o que apontam como seu defeito: seu jeito canastrão. E O Retorno do Capitão Kirk é canastrão desde o título original: Star Trek – The Return. Porque, afinal de contas, o que seria de todo o universo criado por Gene Roddenberry sem seu personagem principal, não é mesmo? Ele retorna, a série inteira retorna junto.

Não que a história não seja boa: ela é muito bem escrita e foi feita pra agradar em cheio aos trekkers. Mas veja, o livro só existe porque Bill Shatner ficou revoltado demais com a morte do seu personagem no filme Generations (e quem não ficou?) e é egocêntrico o suficiente pra tentar mudar o curso das coisas, nem que seja só no mundo dos livros de Star Trek (que não são considerados parte da mitologia da série). Não é um golpe digno do Capitão Kirk? Bill trapaceou dentro do jogo dos roteiristas, diretores e da Paramount. Kobayashi Maru!

Claro que ele contou com uma ajudinha… embora a capa do livro diga “Escrito por William Shatner”, na folha de rosto a gente descobre um “com Judith e Garfield Reeves-Stevens”. Esse casal é famoso pelos seus ótimos livros baseados em Jornada nas Estrelas e por seu intenso envolvimento com a franquia. Fiquei pensando qual foi a real contribuição do Shatner para o livro (além de dizer “Olha, escrevam sobre a volta do Capitão Kirk!”).

Mas tergiverso..

Kirk não morreu! - cena de Generations
Kirk não morreu!

Voltemos ao livro. Estão lá todos os elementos para uma boa história de Star Trek: membros da Série Clássica, a honrada tripulação da Nova Geração, tem até um passeio pela Estação Espacial 9… e os vilões, claro, os vilões! Romulanos e borgs, juntos e ao vivo! Basicamente, os dois melhores grupos de vilões de toda o universo trekker. Kirk, dado por morto e enterrado, é ressuscitado por eles para servir a fins escusos que podem ser resumidos no objetivo geral dos vilões de  Jornada: conquistar 24 territ- ops, quero dizer, destruir a Frota Estelar e a Federação.

No processo, o leitor se emociona (como não?), diverte-se e experimenta bons momentos de suspense. Em alguns pontos aparece um certo tédio e alguma irritação pelos constantes “cortes de cena” (algumas delas são bem desinteressantes). No geral, porém, a história não decepciona. Digo mais: um trekker vai não apenas curtir o livro, mas vai se deliciar com o desfecho pra lá de surpreendente! E aí fico pensando: como raios isso não pode ser canônico??? É bom demais pra ficar restrito a um livro.

Desculpe, eu sei que este artigo só faz sentido pra quem é muito fã de Jornada nas Estrelas, mas assim também é o livro. O Retorno do Capitão Kirk é praticamente um trabalho de arqueologia pelo longo universo de Star Trek, que hoje, 8 de setembro de 2011, completa gloriosos 45 anos, audaciosamente indo aonde nenhuma série jamais esteve. E este texto está mais pra cartão de aniversário que pra resenha literária.

Parabéns a todos os envolvidos! 🙂

Ficha

  • Título original: Star Trek – The Return
  • Autores: William Shatner, com Judith e Garfield Reeves-Stevens
  • Editora: Meia Sete
  • Páginas: 415
  • Cotação: 5 estrelas
  • Encontre O Retorno do Capitão Kirk.

Imagens: capa do livro e cena de Star Trek: Generations (divulgação).

House a a Filosofia – todo mundo mente

House e a Filosofia - todo mundo mente.
E nunca é lúpus.

Para quem curte cultura pop e filosofia, a coleção organizada por William Irwin é um achado. Li alguns volumes (os mais antigos), tenho outros na lista de espera e este ano, embora não devesse comprar livro algum antes de esgotar a pilha monstruosa que habita meu armário, não resisti e encomendei House e a Filosofia.

Como os outros volumes da coleção, este é uma coletânea de ensaios. Cada texto aborda um tema diferente do seriado House por uma perspectiva filosófica. Alguns artigos cuidam de episódios específicos, outros dão uma visão geral; uns enxergam aspectos utilitaristas, outros kantianos, alguns discutem temas como o amor e por aí afora. Tem até ensaísta que conseguiu enxergar, imagine só, filosofia zen em House. É, também fiquei surpresa.

A maioria dos ensaios é bem interessante. O que trata de filosofia zen pareceu-me forçação de barra e não me agradou – mas, quando isso acontece, resta o consolo de que os textos são curtos. Por outro, o artigo House e Sartre: “O Inferno são os outros” é tão bacana que me interessaria ler um livro inteiro sobre o tema (possivelmente porque sempre gostei do existencialismo e o ensaio analisa meu episódio favorito, One Day, One Room).

É, sem dúvida, livro para fãs do seriado.  Gostar de filosofia ajuda, mas essa coleção tem o mérito de contextualizar os filósofos e usar linguagem acessível, sendo um ótimo primeiro contato para quem acha que a filosofia é abstrata demais ou difícil demais.

Trechos

Toda espécie de amor envolve uma capacidade de confiar, uma abertura para se magoar e uma vulnerabilidade em relação a outra pessoa. É por isso que House tem dificuldade não só para amar uma mulher, mas também para ter amigos. Mesmo com Wilson, seu único amigo, ele está sempre na defensiva. A amizade dos dois baseia-se apenas na habilidade de Wilson em mantê-la vida, em sua capacidade para perdoar House e ser paciente. Sem dúvida, House afeiçoa-se a Wilson, mas faz tudo para dominá-lo. Isso pode funcionar em um relacionamento entre amigos, que é menos rígido e exclusivo que um relacionamento romântico. Mas sua luta para controlar tudo não pode dar certo no contexto de eros, para o qual uma espécie peculiar de intimidade confiável é fundamental. (p. 169)

House nos fascina, em parte, porque ele é bom demais em seu trabalho e muito ruim em todo o resto, e esses dois fatos parecem relacionados. Queremos que House seja uma pessoa melhor? Não, se estivermos sofrendo de alguma doença misteriosa. Nesse caso, não nos importaríamos de tolerar sua rudeza, desonestidade e propensão a burlar a lei. (p. 190)

Ficha

  • Título original: Dewey – the small-town librery cat who touched the world
  • Coordenação de William Irwin
  • Editora: Madras
  • Páginas: 208
  • Cotação: 4 estrelas
  • Encontre House e a Filosofia: todo mundo mente.

Folgando na Rede # 24

Rede arco-írisE o vencedor foi… o Papel? – Pesquisa sobre o aplicativo favorito para criar listas de tarefas, feita entre uma galera ligada em tecnologia, surpreende. Eu admito: recorro ao papel às vezes, e não abandono meu quadro branco de jeito nenhum.

Mulherões na Glamour – Belo texto sobre a capa da Revista Glamour, que convidou sete gordinhas para posarem na edição de novembro de 2009.

Aprenda algo novo todo dia – Curiosidades em forma de charge. Em inglês. Dica da Nospheratt.

Pedra-papel-tesoura-lagarto-Spock – Pra quem curte The Big Bang Theory e sempre quis aprender a variação de Sheldon para o tradicional pedra-papel-tesoura. O site é anterior ao seriado. Em inglês.

Toon Series – Dezenas de personagens de seriados desenhados como cartoons. O blog dá mais atenção a séries atuais, mas é possível encontrar personagens mais antigos, como Kevin Arnold e Winnie Cooper e o Sr. Spock (embora tenha me doído ler “vulcaniana” na descrição).

Isabel Allende conta histórias de paixão – Linda minipalestra (os vídeos do TED têm sempre 18 minutos) da escritora, sobre a condição da mulher no mundo, especialmente nos países mais pobres. Isabel Allende fala com paixão e sobre paixão. Arranca risadas, emociona e provoca a reflexão. Em inglês, legendado em português. Dica da Francisca Vargas.

Agora, uma no cravo e outra na ferradura:

Campanha do posterous e bom comportamento do WordPress – Elegância é importante em qualquer lugar, a qualquer tempo, inclusive com a concorrência. Não é à toa que o WordPress conta com legiões de usuários e de colaboradores.

WordPress desrespeita seus usuários – Matt, criador do wordpress, comporta-se como uma criança mimada e ultrapassa os limites da ética ao inserir “feature” no wordpress que “corrige” grafia. Além de ser uma atitude insolente, essa brincadeirinha pode causar transtornos a usuários. Veja como resolver o problema no link indicado.

5 lições aprendidas com a televisão

 

O bem vence o mal...

As necessidades de um superam as necessidades de muitos. (James T. Kirk)

Mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda. (Michael Corleone)

Carpe diem. Aproveitem o dia, garotos. Tornem suas vidas extraordinárias. (John Keating)

Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda, amanhã velho será, velho será, velho será. (A turma do Chaves)

O bem vence o mal, espanta o temporal. (Gorpo)

Bônus: Não há lugar como o nosso lar. (Dorothy)

(Top 5 inspirado no lindo texto A maior lição da tv é que o mundo não é preto-e-branco.)