Coisas Boas de Maio

Livro favorito: a duologia Dreamblood, da deusa N. K. Jemisin (infelizmente sem tradução para o português). Dica da @soterradaporlivros. Fiz resenha no instagram.

Filme favorito: Coringa (sim, só vi agora). Atuação primorosa de Joaquin Phoenix,. Edição excelente, conferindo ao filme um ritmo que permite absorver a trama forte, por vezes perturbadora.

Séries favoritasFleabag Modern Love, ambas disponíveis no Prime VideoFleabag é uma comédia inglesa cheia de ironia e sarcasmo, com a participação especialíssima de Andrew Scott na segunda temporada (provando que o Moriarty fica fantástico mesmo sem coroa). Modern Love adapta histórias românticas publicadas no The New York Times e tem a Big Apple como personagem coadjuvante – além de também contar com Andrew Scott (estou começando a perceber um padrão).

Descoberta: Notion, apresentado pela @fabineves e que se tornou minha obsessão no último terço do mês. Criei um planner fantástico nele, muito melhor que qualquer um que eu tivesse comprado (e de graça, né, Fabi?). Além do benefício direto de ter um planner personalizável e online, colhi o benefício indireto de aprender algo novo, e aprender é uma das minhas coisas favoritas na vida.

Outra descoberta: o canal National Theatre, com a apresentação de uma peça por semana no youtube, na íntegra. Ver Frankenstein nas duas versões (Benedict Cumberbatch e Jonny Lee Miller alternando-se no papel de criador e criatura) foi um privilégio. Tem legendas em inglês.

Bônus: o desenvolvimento de uma ótima rotina de exercícios em casa. Sei não se volto pra academia (se voltar, não será para a que eu frequentava antes, já que não financio fake news).

Chega de hobbies!

De vez em quando acontece a tal da sincronicidade: você tem uma ideia, cria um plano e aí, logo em seguida, alguém te fala praticamente a mesma coisa ou você lê em algum lugar exatamente a mesma ideia. Assim que começou o ano, fiz uma resolução: nada mais de hobbies! Um ou dois dias depois, o Leo Babauta fez um post traduzindo meus pensamentos.

Não pretendo largar todo e qualquer hobby, de jeito nenhum! Simplesmente, não vou inventar novos. A ideia é aprofundar os principais – o que nunca foi uma tarefa muito fácil pra mim. Sou useira e viseira em ir atrás de novos interesses. Alguns duram por anos, outros por apenas algumas semanas. Enjoo logo das “modas” que eu mesma invento.

O resultado? Pouca profundidade em um monte de assuntos – o que, pra ser honesta, não me incomoda – e gastos supérfluos aos montes. Porque, claro, cada novo passatempo vem acompanhado das suas necessidades, gerando “investimentos” em cursos, equipamentos, materiais diversos, espaço em casa… isso não é nada minimalista.

(Nem vou falar da “perda de tempo” porque isso também não me incomoda: tempo usado para adquirir novos conhecimentos ou habilidades é tempo bem usado, sempre.)

No fim das contas, pouquíssimos interesses me acompanham ao longo dos anos. Basicamente, livros, filmes e seriados. Viajar? Não considero que seja um hobby. É uma coisa que adoro fazer – como adoro tomar sorvete – mas não chega a ser um passatempo, não.

Minha resolução de ano novo, então, é não inventar novos hobbies; em vez disso, vou dedicar meu tempo livre em 2018 a aprofundar os passatempos que cultivo há anos. O plano é ler bastante (pelo menos dois livros por mês, de preferência quatro), ver muitos filmes (um por semana) e curtir seriados (sem metas nesse caso – quando eu atingir a meta, eu dobro a meta).

O Leo Babauta – ou melhor, outro blogueiro de quem ele pegou a ideia – chamou isso de “Depth Year“, ou “Ano em Profundidade“. A ideia é “ir mais fundo, não mais vasto” (“go deeper, not wider”).

Pra mim, isso quer dizer não investir tempo nem gastar dinheiro com passatempos novos em 2018. Nada de despesas com equipamentos e cursos, nada de horas e horas pesquisando novos assuntos, nada de ir atrás de novos interesses. O post do Leo Babauta, na verdade, abrange outros aspectos, não apenas hobbies. Além disso, ele também está determinado a não comprar livros em 2018, promessa que nem me arrisco a fazer. No meu caso, quero só um pouco de foco e profundidade nas minhas horas livres.

Gostaria de dizer que essa é uma resolução permanente, que nunca mais vou me aventurar em passatempos novos, que vou me dedicar apenas às coisas que desde a infância consistentemente me interessam, mas duvido muito que consiga manter essa pegada pra sempre. Então, um ano de cada vez. Ano que vem eu vejo como a coisa rolou e como vai ficar.

(A pegadinha é que, no fim de 2017, enveredei por duas novas atividades: tentar aprender a desenha algo além de casinha com chaminé e ressuscitar meu francês, em coma há uns quinze anos. Estou contando isso como aprendizado, não como hobby. E, pra ser franca, em janeiro ainda não consegui retomar esses estudos.)

Sense8

Sense8 talvez não te fisgue no primeiro episódio, nem no segundo. Insista mesmo assim, porque valerá a pena.

Comecei a ver Sense8, nova série da Netflix, depois de ler comentários que me deixaram curiosa. Seria, afinal de contas, uma série inovadora e cativante, ou chata e estereotipada? Eu tinha que conferir por mim mesma.

Os dois primeiros episódios de Sense8 são um tanto confusos. Logo você descobre que há oito protagonistas. Isso, por si só, já parece excessivo. Como desenvolver oito histórias? Bom Friends tinha seis protagonistas e conseguiu, E.R.Grey’s Anatomy tiveram/têm trocentos personagens importantes em cada temporada, mas a diferença é que todos eles pertencem sempre ao mesmo núcleo. No caso de Sense8, cada protagonista não só tem seu próprio núcleo, mas também seu próprio ambiente. Seu próprio país. Estão espalhados pelos quatro cantos do mundo. Costurar tudo isso parece uma missão impossível.

Mas não é. A série prova que é possível, e o faz com maestria. Apenas dê o devido tempo. Não a julgue pelos dois primeiros episódios (embora eu deva admitir que já estava fisgada antes do primeiro episódio acabar, apesar das minhas dúvidas sobre se aquilo tudo daria certo).

O pulo do gato é que, no fim das contas, embora os oito protagonistas estejam espalhados pelo planeta e tenham vidas completamente independentes, eles formam, sim, um núcleo – e num nível muito mais intenso do que já visto em outros seriados. Eles são sensates (pegou?, pegou?), seres humanos especiais, conectados empática e telepaticamente. Isso lhes permite compartilhar sensações, experiências e conhecimento. É como se cada um deles, do alto dos seus 25 anos, tivesse as vivências e o aprendizado acumulado de oito vidas. Imagine multiplicar seu tempo na Terra por oito. Imagine tudo que você poderia estudar, aprender, conhecer e viver. Isso é muito melhor que o vira-tempo da Hermione.

Claro que nem tudo são flores. Há inimigos (o Whispers, com certeza; a Yrsa, talvez; e em alguns momentos desconfiei do Jonas) que tornam a trama mais interessante. A temporada, assim, se desenvolve em três planos interligados: as vidas pessoais de cada um deles; a descoberta de que eles estão conectados, com toda a confusão, as surpresas e as vantagens que isso traz; e a luta pela sobrevivência, já que logo fica claro que estão sendo caçados.

Há grandes cenas de ação, uma certa pirotecnia, mas no fundo Sense8 é uma série sobre pessoas, como também disse a Simone – e são as séries sobre pessoas que mais me atraem, a ponto até de eu passar por cima de histórias fracas (oi, Scorpion, estou olhando pra você).

As histórias de Sense8, porém, estão longe de serem fracas (e as inconsistências são poucas e superáveis). Cada protagonista traz um cenário e uma vida muito particulares e cada um deles é confrontado com escolhas difíceis nessa temporada, escolhas decisivas para suas próprias vidas e para as vidas das pessoas que amam. Conversando com fãs da série e lendo resenhas, dá pra ver que é difícil apontar um favorito absoluto. A gente acaba gostando de todos eles (se bem que demorei meia temporada pra gostar da Sun, e nada menos que 10 episódios pra simpatizar com o Wolfgang), mas sempre tem dois ou três que exercem maior atração sobre cada fã.  Se você juntar três fãs, provavelmente cobrirá os oito personagens. Os meus favoritos? A Riley, desde os primeiros segundos, com sua mistura de força e fragilidade – provavelmente é a personagem com menos habilidades, mas ela tem uma energia vibrante e une todos os demais; e o Lito, o ator latino canastrão e adorável, responsável pelas maiores risadas da série (uma delas, inclusive, num dos momentos mais tensos da temporada) e por um dos diálogos mais sensíveis.

Sense8 não é uma série mainstream. Felizmente está na Netflix, que não tem medo de apostar em histórias pouco convencionais. Num canal de tv normal, eu temeria pela continuidade da série.

Por outro lado, o ruim de estar na Netflix é que só daqui a um ano teremos a segunda temporada…

Para encerrar a resenha, roubo a ideia da Simone e deixo aqui uma cena do quarto episódio que traduz bem essa temporada. A essa altura, eu já estava apaixonada pelo seriado e até agora fico arrepiada quando vejo o vídeo:

As melhores trilhas sonoras de séries

Já ouvi gente (que alegadamente “entende de cinema”) dizer que trilha sonora boa é aquela que passa despercebida. Suponho que essas pessoas são as mesmas que odeiam musicais.

Uma boa trilha sonora não é necessariamente a que passa despercebida (embora isso possa fazer sentido em filmes de ação, por exemplo), mas a que compõe com o filme, com o enredo, com o cenário. Uma trilha sonora realmente bem feita ajuda a contar a história. Em alguns casos, torna-se até um personagem da própria história.

Embora desde sempre eu repare em trilhas de filmes, só mais recentemente comecei a me ligar em trilhas de seriados – e meu, algumas são absolutamente maravilhosas. Estava pensando em fazer uma lista das melhores trilhas de séries, mas alguém já fez antes, e muito bem: As 10 melhores séries por suas trilhas sonoras. Eu acrescentaria, ou melhor, faria uma menção honrosa a E.R. (Plantão Médico), que fez um excelente uso de Chasing Cars numa das últimas temporadas e que narrou a morte do querido Dr. Greene, na oitava temporada, numa sequência que me emociona até hoje.

Se eu tivesse que fazer um Top 3, as melhores trilhas sonoras de seriados seriam:

3. The O.C.: muito rock, muito pop e músicas que marcaram cenas decisivas, como a morte de MarissaOriginalmente, nem considero Hallelujah uma música tão triste, mas depois desse episódio… bem, ela entraria facilmente num Top 5 de músicas mais melancólicas da história.

2. House: you can’t always get what you want deixou de ser “apenas” um trecho de letra para tornar-se uma das frases marcantes do personagem-título. As boas escolhas começaram na música de abertura e não pararam mais. É a série com trilha mais eclética, indo do clássico ao techno, com direito a solos de piano do multi-instrumentista Hugh Laurie.

Supernatural - Sexta Temporada

1. Supernatural: minha trilha favorita no momento. Os irmãos Winchester percorrem infindáveis quilômetros na caçada a monstros e demônios, e é claro que música é fundamental na estrada. Dean Winchester dá o tom – quem manda no som do seu Impala é ele, claro – e o rock impera. Carry On My Wayward Son é umas das mais perfeitas escolhas de todos os tempos em termos de trilha sonora.

Você costuma reparar nas trilhas sonoras dos seriados que acompanha? Quais as suas favoritas?