11.11.11

Aninhada na hora de dormir.
Aninhada na hora de dormir, depois de amassar bastante minha barriga.

Há quase três anos, passei por uma feirinha de adoção de gatos. Antes que percebesse, tinha uma gatinha magricela agarrada ao meu ombro, praticamente um papagaio de pirata. Chamei-a primeiro de Lilith, mas logo ela virou Mel, pra ver se o nome adoçava seu comportamento peralta.

É incrível o tanto que um bichinho pode ensinar. Travessa, hiperativa e com um defeito de fábrica que a impedia de entender pra que servia a caixa de areia nos primeiros meses, Mel revolucionou a minha vida.  Deixei de limpar a casa metodicamente, porque um gato solta pelos e você tem de se acostumar com isso, ou vai passar todas as horas da sua vida limpando. Desapeguei-me de muita coisa – a começar pela minha cama box, sonho de consumo por anos e que foi destruída em questão de meses. Jogos de cama bonitos? Até podia ter, mas sem neuroses, porque a Mel adorava roer um edredom, uma almofada, uma fronha. Era como se dissesse “ei, mãe, você já tem a coisa mais linda do mundo bem na sua frente, porque fica se preocupando com esses pedaços de pano”?

Aprendi a deixar de lado minhas horas de sono, minha rotina, algumas das minhas viagens, certos gastos. Afinal, passara a ter um serzinho que dependia integralmente de mim.

As marcas dos dentinhos nos mais recentes brinquedos favoritos.
As marcas dos dentinhos nos últimos brinquedos favoritos.

Em troca, a branquela me deu amor incondicional. Quando não a compreendi nos primeiros meses, ela ficou quietinha num canto até a raiva passar – a minha, não a dela. Quando voltava pra casa, era recebida por ela na porta. À noite, ela subia na minha barriga, amassava pão até cansar e se aninhava para um cochilo. Seu olhar terno era um presente.

Mel me deu, também, outro presente: a Cacau, minha loira, uma fofura de gato com cara de bicho de pelúcia. Se a Mel era minha gata, a Cacau era a gata da Mel. Vê-las brincando juntas e dormindo grudadas (geralmente com a Cacau fazendo a Mel de travesseiro) sempre me encheu de felicidade.

No último 11 de novembro, a branquela decidiu que já tinha me dado tudo o que eu precisava e partiu. Se ela me perguntasse, eu discordaria. Eu tinha tanto ainda a aprender! Tanto a melhorar! Tanto a entender!

A Mel foi embora tão cedo…

A casa, agora, parece enorme. Ela preenchia todos os espaços. Continua preenchendo meu coração. Tenho certeza de que também preenche o da Cacau.

Branquela, magrela, Omo Progress, branquinha, diabo-da-tasmânia em forma de gato, Melzinha, minha mistura de pipoca com carrapato… Espero que você esteja rodeada de bolinhas no Céu dos Gatinhos, Mel. Tomara que você esteja se divertindo muito e que haja muitas almofadas e travesseiros macios e gostosos. Ah, e caixas, muitas caixas para brincar de esconder e destruir.

Obrigada por tudo que você fez por mim. Eu amo você.

17 thoughts on “11.11.11

  1. Com certeza ela foi uma gatinha que viveu feliz, bem cuidada e cheia de carinho!
    Às vezes, as amizades são encerradas assim mesmo, sem que a gente possa fazer muita coisa.
    Abç.

  2. Ela foi lá brincar com minha Malagueta. Já se vão 2 anos e eu ainda sinto saudades enormes. A primeira marca a gente porque nos mostra esse mundo de pelos tão lindo de se viver.

  3. Estou em estado de choque.
    Que tristeza.
    Eu perdi um gatinho depois de dois meses e convívio e sofri horrores.
    Lu, espero que você esteja bem, ou melhorando.
    Beijocas.
    Vanessa

  4. Tchau Mel :(… tb fico triste de saber que a Cacau e a Lu não terão mais a sua companhia. Eu tb choro pela sua ausência.

  5. Chorando pela Mel. Porque eu sei por experiência própria o tamanho do buraco que os peludos deixam em nossos corações.
    E a primeira imagem que me veio, foi a Mel e a Charolte brincando e se enrolando, daquele jeito que só os gatos sabem fazer. Formando um Tao universal, recheado de amor.
    Luz e paz para você e para a Cacau, Lu.

  6. Lu, sinto muito… Nessa hora não tem muito o que dizer, a dor é tão grande né? Espero que você fique bem. Ela com certeza está bem e sabia o quanto você a amava.

  7. Olá Luciana, sou do ES e acompanho o seu blog há algum tempo. Também sou uma mãe gato e fiquei muito triste com esse seu post, afinal não acho justo que essas bolas de pelo tão fofas vivam tão pouco… Não dá pra mensurar a dor. Espero que você e a Cacau fiquem bem…

  8. Lu, seu post me levou às lágrimas.Tenho dois peludos aqui em casa e só imagino a dor que você e a Cacau devem estar sentindo nesse momento. Mas um consolo possível é pensar que ela foi muito amada e que soube retribuir todo o carinho que recebeu enquanto estava por aqui. Guarde sempre a memória de sua peludinha com muito carinho. Sinto muito a tua perda. Muitos beijos pra você!

  9. Lu,
    Só hoje li a notícia, e meu coração se encheu de tristeza, assim como meus olhos de lágrimas. Foi como se um dos meus bichinhos tivesse partido…
    Sei do amor que você tem nas suas molecas e não consigo, e nem quero por enquanto!, imaginar a dor que você está sentindo.
    Lá no céu dos gatinhos, a Mel deve estar distribuindo o amor incondicional dela para outros que necessitam disso em suas vidas…
    Beijo enorme, minha amiga! E muita força…
    Cris

  10. Oi Lu,

    Conheci você no Bazar Animal Chique no último sábado, dia 03 de dezembro, e agora pude ver a história que me contou. Eu lamento muito por sua perda, mas tenho certeza de que sua gatinha foi muito amada, querida, cuidada, e foi muito feliz enquanto viveu com você. Que bonito coração você tem.

    Quando esta feridinha estiver mais sob controle, e se você quiser, com certeza haverá mais gatinhos para você amar. Sua Mel nunca será substituída, nenhum bichinho ou nenhuma pessoa é, mas de repente outro bichin poderá disfrutar de sua generosidade e dedicação.

    Um grande abraço, estarei por aqui.

    Juju

  11. Ai, Lu, que triste… eu não sei se eu chorava ou se eu ria (depois com o vídeo, ela destruindo a caixa – heheheh).
    Como eu sou grata por vc ter encontrado a sosia da Mel, a Maiz, pq ela tb é um diabinho da Tasmânia, branquela, mas tb dá muuuuuita alegria pra nossa casinha, para nossa vidinha! Bj

  12. @Cris, lembrei muito da Mel depois de ver aquela foto da Maiz no varal. Certamente, a Mel teria feito parecido se eu tivesse um varal desses em casa. 🙂

  13. Poxa que triste..mas fiquei com medo dessa gata comendo a caixa! hahaha devia ser uma arteira profissional!

  14. Poxa Lu, conheci seu blog faz uns dois dias mas ja gosto de ti!! xD
    VC gosta tanto de suas gatinhas…. Sei como é passar por isso; ja faz um pouco mais de 3 anos que perdi meu Sonic, ele foi um gato que esteve comigo em um momento muito difícil de minha vida e se não fosse por ele ao meu lado não sei como teria sido!!!
    Acredite vc vai melhorar, vc ira lembrar dela mas com boas lembranças, a saudade vai bater mas vc estará mais calma e ira lembrar de seus ronsrons com muito amor. Ela é inesquecível assim como o meu Sonic é pra mim… ainda choro por ele, mas sempre me sinto melhor em saber que alguém tão especial passou em minha vida.
    BEIJOS E FORÇA

  15. @Alexandra, obrigada pela visita e pelo comentário. Hoje, sempre que lembro da Mel, é com um sorriso no rosto e uma lagriminha que insiste em querer rolar.

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