7 Considerações

No começo da semana, uma amiga se queixou: “pô, você nunca fala de você no blog!”. É que a proposta do Dia de Folga não é a de blog-diário, sabe?

Só que outro dia, revendo meus rascunhos, achei um convite para meme recebido há meses (há mais de ano, na verdade… vergonha, vergonha). Juntando a fome com a vontade de comer, faço sete considerações casuais sobre mim:

1. Meus cds são arrumados em ordem alfabética e a regra é a mesma das bibliotecas: “Favor não recolocá-los nas estantes”. Meus amigos podem bancar os DJs, mas só eu rearrumo os cds.

2. Tenho cerca de quarenta livros não lidos. Compro e ganho livros numa velocidade maior do que consigo consumi-los.

3. Não tenho a paixão por sapatos que a maioria das mulheres tem, possivelmente porque todo par me machuca em um canto ou outro. Em compensação, tenho casacos suficientes para uma vida inteira.

4. Posso ficar sem televisão, sem sair de casa, sem falar ao telefone, mas não dou conta de ficar sem internet.

5. Vivo de dieta. Consequentemente, vivo quebrando a dieta.

6. Adoro Brasília, mas preciso viajar pelo menos uma vez por ano e passar alguns dias numa cidade de verdade, seja ela qual for.

7. Tenho horror ao comunismo. Não suporto o que Fidel Castro, Che Guevara e afins representam.

Deixo o meme aberto – quem quiser, está convidado a segui-lo.

Folgando na Rede # 16

Rede arco-íris Começando pelo Flickr: Armando Vernaglia, fotógrafo bastante atuante na lista de discussão Megapixels, aderiu ao serviço – ainda há poucas fotos por lá, mas todas lindas. Fã que sou de composições que usam e abusam de linhas e simetria (Brasília favorece, eu sei), adorei a coleção de imagens da Avenida Paulista, que usa belamente esses elementos.

Se alguém quiser me dar um presentinho, é só seguir a dica da Srta. Bia e comprar um boneco do Kirk ou do Spock, criados pela Matel especialmente para o novo filme de Star Trek, que estréia em maio (dizem). Cada um custa 45 dólares e as vendas começam em abril. Lindos mesmo eram os bonecos criados para homenagear os 30 anos da Série Clássica (via Emerson), pena que estão esgotados.

Ouvi inúmeras críticas à Campus Party 2009 – parece consenso que foi pior que a do ano passado (que já teve problemas). Além de todas as questões de infraestrutura (ou falta dela), o episódio da coelhinha da Playboy descaradamente bolinada por uma criatura abjeta marcou tristemente essa edição.  Ainda houve quem tivesse a audácia de justificar o comportamento do mau caráter (veja os comentários a esta foto no Flickr), mas, felizmente, a maioria repudiou o sujeito. Felizmente, também, nem todos os homens são canalhas e esse texto sensível do Alessandro Martins comprova isso.

Falando em Campus Party, a Nospheratt avisa que as palestras  que rolaram no Campus Blog estão na web.

Projeto bacaníssimo criado pelo jornalista Milton Jung: Adote um Vereador. Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, pensei em como seria interessante fazer um blog coletivo que acompanhasse os passos dos políticos. A idéia do Jung é muito melhor, mais simples e completa. Vale divulgar e participar.

Concurso Cultural Ibeu
Concurso Cultural Ibeu

Minha xará informa: o Ibeu (ai, ai, só lembro da música da Blitz quando ouço falar desse curso) está promovendo um concurso cultural com prêmios bacanas que incluem um Nintendo Wii e um iPhone. É só dizer (e mostrar) o que faz você se sentir bem. Clicar na imagem ao lado leva você direto ao site.

A descontinuação do Google Notebook pegou de surpresa os fãs do serviço, mas a galera do Evernote dá uma ótima solução, criando um passo-a-passo para importar as anotações do Google Notebook para o Evernote. Diga-se de passagem que o segundo é muito mais completo e eficiente do que o produto do Google jamais foi.

Os Blogs no Conflito de Gaza

Sexta-feira passada, o Emerson sugeriu meu nome para uma matéria sobre blogs feita pela TV Brasil. O foco da reportagem era a cobertura do recente conflito em Gaza por blogueiros: jovens, donas de casa, jornalistas, moradores do local que vivem o drama de ter mísseis passando sobre suas cabeças a todo o tempo, que acompanham a guerra porque não têm escolha e contam ao mundo o que acontece, ainda que parte dele se recuse a acreditar.

Aqui no Brasil não temos guerra, mas temos blogueiros que escrevem sobre o que querem e não dependem da aprovação ou do espaço dos grandes veículos de comunicação para serem lidos – e foi aí que entrou minha participação.

O bacana mesmo é que eu apareci na tv é que a matéria evitou o clichê “blogs são diários virtuais”, ressaltando que há blogs sobre os mais diversos assuntos e, inclusive, já têm lugar nos grandes portais e jornais online. Assista e confira:


Blogs na TV Brasil (via youtube)

Democracia É Isso

Justamente no sábado de lançamento da Feed-se Especial – Democracia, recebi por email um comunicado urgente escrito pelo fundador da rádio online Pandora: Traduzo:

Após um ano de negociações, Pandora, artistas e gravadoras finalmente estão otimistas sobre conseguirem um acordo de direitos autorais que salvaria Pandora e a rádio online. Mas logo quando estamos tão perto, grandes radiodifusoras tradicionais iniciaram uma campanha lobista para sabotar nosso progresso.

Ontem, o congressista Jay Inslee e diversos co-patrocinadores introduziram uma legislação para dar-nos o tempo extra que precisamos, mas a Associação Nacional de Difusores (AND), que representa os difusores de rádios como Clear Channel, iniciou intensa pressão sobre os legisladores para que matem a proposta. Temos apenas um dia ou dois para impedir seu colapso.

Trata-se de uma tentativa ostensiva das grandes companhias de radio para sufocar a indústria de transmissão via web que apenas começa a oferecer uma alternativa ao seu monopólio.

Por favor, telefone para seu representante no Congresso agora mesmo e peça-lhe que apóie a proposta (…) e que não se renda à pressão da AND. O Congresso está fazendo hora-extra, então até os telefonemas feitos à noite e durante o fim-de-semana devem ser atendidos.

(…)

Se o telefone estiver ocupado, por favor insista até conseguir. Essas ligações realmente fazem a diferença.

Esta é uma encruzilhada. Apenas a oposição massiva nos manterá a salvo de outros 50 anos dominados por 40 rádios. É hora de tomar posição e dar um basta nas amarras da radiodifusão.

Sessão conjunta do Congresso norte-americano. A Pandora é bem parecida com o Last.fm, só que melhor. É bloqueada no Brasil há tempos, por problemas de direitos autorais, mas quem teve a chance de usar esse excelente site não se esquece dele. Esses mesmos problemas de direitos autorais[bb] quase liquidaram de vez o serviço, que sobrevive graças a um intenso trabalho junto aos detentores dos direitos das obras reproduzidas.

O que me chamou a atenção nesse episódio de 27 de setembro foi a convocação à abordagem direta dos congressistas norte-americanos, a fim proteger a rádio online. “Essas ligações realmente fazem a diferença”. Aliás, a Pandora é só uma de várias organizações que já vi recorrem a ações como esta.

Aqui no Brasil, como a coisa seria?

Primeiro, você nem saberia para quem ligar, porque provavelmente não se lembra em quem votou. Ah, lembra? Más notícias: é bem possível que seu voto tenha eleito outro parlamentar. Culpa do nosso sistema eleitoral torto.

Segundo, você não sentiria motivação para ligar: “ah, esses caras não ouvem a gente, mesmo”. É difícil pensar o contrário. Há um ano, quando os parlamentares queriam dobrar seus próprios salários, a mídia incentivou os cidadãos a reclamarem ligando para o Congresso e enviando emails. Em pouco tempo os telefones da Casa dos supostos representantes do povo foram desligados e os emails começaram a ser devolvidos.

Na remota possibilidade de seu protesto chegar a um congressista, você ainda corre o risco de receber uma resposta mal-educada que insinua sua má-fé.

Bem sei que os Estados Unidos não são a última coca-cola[bb] do deserto. A democracia canhoneira que aplicam no Iraque neste exato momento e a forma como lidam com estrangeiros, especialmente desde o 11 de setembro, não deixam margem a fantasias. É inegável, porém, que seus cidadãos usufruem de uma democracia muito mais concreta e participativa que a existente na República Federativa do Brasil.

Resta continuar tentando por aqui, fazendo o possível para escolher bem nossos representantes (você já sabe em quem vai votar dia 05 de outubro?) e botando a boca no mundo quando necessário.

Ah, sim: mesmo com o forte caos provocado pela crise de crédito exatamente no fim-de-semana passado, o clamor do fundador da Pandora surtiu efeito:

É com emoção que informamos que o projeto foi aprovado! Graças ao seu incrível apoio, conseguimos driblar os esforços da AND para arruinar-nos. Telefonemas inundaram os gabinetes dos congressistas nas últimas 36 horas. Simplesmente fantástico.

O pedido e os agradecimentos estão na íntegra no blog da Pandora.

(Quanto às velhas mídias[bb], como as rádios estabelecidas e estagnadas há tempos, aprendam: evoluam ou vão sucumbir. Simples assim.)

Imagem: Wikipedia, domínio público.