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Budapeste

Publicado em 22/12/2009, em cinema, drama. Tags: , , , ,

Única, intacta, intraduzível.
(Frase eternamente repetida por um dos personagens do filme.)

Ficha Técnica

  • Título: Budapeste
  • País: Brasil/Hungria/Portugal
  • Ano: 2009
  • Gênero: Drama
  • Duração: 1 hora e 53 minutos
  • Direção: Walter Carvalho
  • Roteiro: Rita Buzzar, baseado em livro de Chico Buarque
  • Elenco: Leonardo Medeiros, Giovanna Antonelli, Gabriella Hámori, Paola Oliveira, Débora Nascimento, Antonie Kamerling, Ivo Canellas.
  • Sinopse: José Costa é um ghost writer carioca bem-sucedido. Ao conhecer Budapeste, apaixona-se pelo idioma local. No Rio, sua vida torna-se cada vez mais infeliz. Costa passa a escrever autobiografias, na esperança de que a vida de outras pessoas o salve do tédio. Sua esposa acaba se apaixonando por um dos biografados sem saber que o marido é o verdadeiro autor das histórias. Costa divide-se entre o Rio e Budapeste, onde parece ser mais feliz.

Comentários

Budapeste

Certas histórias simplesmente não funcionam no cinema. É o caso de Budapeste, excelente livro de Chico Buarque que perdeu grande parte de sua força ao ser filmada.

O longa mal consegue traduzir a angústia de Costa, o ghost writer que sofre e, ao mesmo tempo, regozija-se no anonimato. Costa não tem nada que o torne memorável ou lhe dê orgulho,  sequer o filho. Por isso mesmo, Budapeste, um lugar completamente estranho, torna-se-lhe tão viável. Budapeste, para ele, é quase um portal para outra dimensão, uma chance de ser feliz.

O filme mastiga tudo isso, mas falha em envolver o espectador na angústia de Costa. Não consegue transmitir sua ambiguidade, a sensação de não pertencimento a lugar algum. A interpretação de Leonardo Medeiros, excessivamente comedida, dilui qualquer empatia que o público pudesse ter com o protagonista.

O roteiro toma rumos equivocados, como a inserção de cenas de sexo que nada acrescentam à trama. Por outro lado, pouca atenção é dada a uma situação tão marcante no livro de Chico: a perda do domínio do próprio idioma por Costa, que se embrenha tanto no húngaro ("a única língua que o diabo respeita", segundo sua anfitriã e professora Kriska) que lentamente abandona o português. O livro é impregnado de uma vertigem que o filme não é capaz de transmitir.

Budapeste tem o mérito de uma fotografia belíssima com cenas marcantes, como a estátua de Lênin descendo o Rio Danúbio. Também traz um desfecho interessante (com um detalhe a mais que o livro). Infelizmente, porém, o fim demora demais a chegar.

Cotação: 2 estrelas

Serviço

Imagem: divulgação.


5 comentários para “Budapeste”

  1. Roan disse:

    Interessante, depois que li seu post descobri que gostei do filme porque tinha lido o livro, talvez aquele realmente não funcionasse sem este. "Pra variar" sua ótica é perfeita. Mais uma vez, parabéns!

  2. Srta. Bia disse:

    E você ainda deu 2 estrelas para esse filme medonho? Você é uma santa, Lu. Olha taí um filme que nunca mais vou querer passar o olho por cima. Achei horroroso, não sei como o Chico teve coragem de fazer ponta no final.
    E para estatística, eu não li o livro.

  3. @lekapmc disse:

    concordo plenamente! O livro é maravilhoso! O filme… bem ruinzinho…

  4. Sergio disse:

    Não acho o filme ruim. Na verdade é um bom filme, dirigido por um dos melhores, senão o melhor fotógrafo de cinema no Brasil, Walter Carvalho. E não é só a fotografia que é boa no filme, fato reconhecido pela Lu, mas há também boas atuações, principalmente a do Leonardo Medeiros, um ótimo ator. Dizer que o filme é "horroroso" e "ruinzinho" é equivocado e reforça o preconceito contra o cinema brasileiro.

  5. Lu Monte disse:

    @Sergio, se você se dispuser a ler outras resenhas minhas, verá que já elogiei vários filmes brasileiros, da mesma forma que já critiquei negativamente produções de diversos países.

    Claro que você pode achar que Budapeste é um filme excelente. É a sua opinião. Se eu honestamente acho que o filme é ruim, não vou falar que é bom só porque é brasileiro. Condescendência não é a minha praia.

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Lu MonteA autora mora em Brasília e atende por Lu (de Luciana). Ou Lu Monte, já que há um monte de Lus. Mais?

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