Blogs estão mortos? Só se for para o seu coração ingrato.

No começo do mês voltamos a 2007, com a reedição do velho debate sobre a morte dos blogs. A Simone resumiu a discussão e concordo integralmente com as opiniões dela (no texto e nos comentários).

Novos tempos, novas mídias.

A tv não matou o rádio, o videocassete não matou o cinema e a internet não matou os jornais – bem, mais ou menos. Talvez essa seja a exceção que confirma a regra. Enfim. Meios convivem, prestam-se a diferentes fins, transformam-se, cedem espaço, mas não morrem. Os vídeos e as redes sociais não mataram – e não matarão – os blogs.

Dia de Folga, obviamente, não é exemplo do que estou dizendo. O estado semicomatoso dos meus blogs é uma vergonha, eu sei. Felizmente, tem muita gente boa que bloga com frequência, opina, informa e diverte. Quer exemplos? Seguem dez, selecionados diretamente do meu Feedly (sim, eu ainda uso agregador de feeds; sim, ainda xingo os blogs que não se dão ao trabalho de ter feeds – sério, gente, cuidem dos feeds dos seus blogs). A escolha foi baseada na frequência de atualizações, na diversidade dos temas e, obviamente, na qualidade.

Resumindo: blogs estão vivíssimos e tem blog pra todo gosto. Basta passear um pouquinho pela web.

Imagem: Michael Dales, cc.

Falta menos de um mês para o terror, digo, para o NaNoWriMo.

Eu gosto de projetos. Já deu pra perceber, né? Gosto de listas, desafios, prazos. Mas olha, dessa vez não estou tão confiante em conseguir completar a próxima missão que me coloquei.

NaNoWriMoÉ que, depois de dois anos ensaiando, resolvi participar do NaNoWriMo, ou National Novel Writing Month. Trata-se de uma maluquice inventada por um grupo de uns vinte doidos há 14 anos e que hoje conta com centenas de milhares de participantes ao redor do mundo. Em resumo, é o seguinte: novembro é o mês de escrever um romance (“novel) de pelo menos 50.000 palavras. Ou seja, quase 1.700 palavras por dia.

Todo mundo que já tentou escrever sabe que esse número é insano, mas essa é mesmo a ideia da coisa. Com uma meta tão ambiciosa, você se força a desligar o censor interno. Não pode editar enquanto escreve. Não tem tempo pra buscar a frase ideal. Por não se render ao perfeccionismo, as chances de conseguir concluir o romance são maiores.

“Ah, mas e a qualidade?”. Ela não é o foco do NaNo. O foco é escrever como se não houvesse amanhã, e chegar em dezembro com o primeiro rascunho do seu romance. Já dizia Hemingway: “o primeiro rascunho de qualquer coisa é uma merda”. Sempre. Mas é a peça mais importante para, enfim, produzir algo que valha a pena. Sem o primeiro rascunho de merda, você nunca terá um bom livro.

As regras para participar do NaNo são poucas. Em resumo:

  1. Você deve começar a escrever a história do zero em primeiro de novembro (mas pode fazer um planejamento antes).
  2. O texto deve ser um romance, ou seja, uma prosa ficcional.
  3. Para ser considerado vencedor, precisa copiar e colar o romance no contador de palavras do NaNo até 30 de novembro, e conseguir validar 50.000 palavras (para isso, você precisa se cadastrar no site).
  4. Ninguém vai ler seu texto. Você não precisa ficar com vergonha.
  5. Você pode escrever em qualquer idioma (mas o site do NaNo é todo em inglês, com exceção dos foruns regionais – o Brasil está lá).

No site do NaNo você encontra as respostas a todas as suas dúvidas e toda a história e os números do desafio. No blog Nem Um Pouco Épico há alguns textos sobre o NaNo, inclusive um FAQ bem-humorado. Existe também um twitter oficial e uma comunidade de brasileiros participantes no facebook.

Então, vai encarar? Quanto mais gente entrar no surto na brincadeira, mais divertida a coisa fica!

Além da Escuridão – Star Trek

Ficha Técnica

  • Título original: Star Trek: Into Darkness
  • País: Estados Unidos
  • Ano: 2013
  • Gênero: Ficção Científica
  • Duração: 2 horas e 12 minutos
  • Direção: J. J. Abrams
  • Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman e Damon Lindelof
  • Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Karl Urban, Simon Pegg, John Cho, Benedict Cumberbatch, Anton Yelchin, Bruce Greenwood, Peter Weller, Alice Eve.
  • Sinopse: Depois que a tripulação da Enterprise descobre uma força terrorista dentro da sua própria organização, Capitão Kirk lidera uma caçada humana dentro de uma zona de guerra para capturar uma arma de destruição em massa.

[ALERTA DE SPOILER]

Não gosto de fazer resenhas que contem partes importantes do filme ou livro em questão e já deixei de escrever algumas justamente para não dar spoilers. Só que, no caso de Star Trek: Into Darkness, é inevitável revelar partes da trama ao escrever sobre o filme. Então, se você não gosta de spoilers, pare de ler daqui a pouco. Em resumo, ST:ID é um bom filme, especialmente para quem não é trekker. Para os fãs de carteirinha, fica devendo muito. O reboot de 2009 é muito melhor. E Benedict Cumberbatch é, sem dúvida, a melhor coisa de ST:DI.
Pronto, pare de ler agora.

Comentários

Eu tinha as mais altas expectativas para Star Trek: Into Darkness (de quem foi a péssima ideia de traduzir para Além da Escuridão, e a ideia pior ainda de inverter a ordem do título e do subtítulo?). Amei o que J. J. Abrams fez em 2009, com o reboot da franquia. Sou fã incondicional de Benedict Cumberbatch, escalado para ser o vilão deste segundo filme de Abrams. Obviamente, o filme seria fantástico, não?

Er. Bem. Não.

Por onde começo?

O vilão. A parte mais incrível e mais problemática do filme.

Incrível porque Benedict Cumberbatch interpreta à maestria e protagoniza as melhores cenas da trama, numa mistura de frieza exterior e emoção prestes a explodir que vêm muito a calhar. Problemática, pela escolha do personagem.

Fiquei em negação até não ser mais possível. Até ouvir John Harrison dizendo que, na verdade, era Khan. Sim, eu mantive o espírito de negação mesmo depois que abriram a primeira câmara criogênica. Simplesmente não podia acreditar que J. J. Abrams faria uma escolha tão equivocada e pobre. Não entenda mal: Khan é um vilão fantástico, um dos melhores que toda a franquia já teve. É o tipo de vilão que a gente ama odiar porque tem uma ótima história, não é simplesmente um monstro malvado, bobo, feio e chato.

Exatamente por isso a escolha de trazê-lo para ST:ID foi pobre. Porque foi fácil. Muito mais fácil do que construir uma boa premissa, um vilão tão interessante quanto, uma ameaça tão instigante quanto. Ficou parecendo preguiça: “ah, vamos pegar o Khan mesmo, que já funcionou em um episódio e em um filme, e pronto”.

Sim, a interpretação do Benedict foi maravilhosa, mas Khan já tinha uma face (e Ricardo Montalbán foi absolutamente perfeito no seu tempo). E, ainda mais importante, já tinha toda uma história. Entendo o conceito do reboot e gosto dele, mas será que é preciso reescrever tudo que já foi feito? De novo: solução pobre. Sem criatividade. Fácil demais. E mal executada.

Se em Star Trek (2009) os fãs foram presenteados com dezenas de pequenas referências para saborear, em ST:ID o que vimos foi uma paródia de Jornada nas Estrelas: A Ira de Khan. Cenas inteiras foram reaproveitadas. Pequenas referências são bacanas, claro, mas minutos inteiros chupados de outro filme? Aí é exagero. A coisa ficou tão forçada que, num momento que deveria traduzir fúria, sofrimento, desejo de vingança (“Khaaaaaannnnnnnnn”), eu ri. Aquele riso nervoso de “pelamor, o que que é isso?”.

Sério, por que simplesmente não deixaram que John Harrison fosse John Harrison? Ele podia ser um dos tripulantes da nave de Khan. Não o próprio Khan. E pronto, tudo correria às maravilhas (ou quase).

O vilão é o maior dos problemas, mas não é o único. Vejamos:

  • Uma enorme sequência de abertura que, embora seja divertida, poderia ser mais curta. E mais verossímil, por favor.
  • DRs constantes entre Spock e Kirk, Spock e Uhura, Spock e sei-lá-quem. Parece que resolveram pegar Spock pra Cristo. Sim, ele é um personagem muito interessante, mas fica chato se você começa a dissecar tanto assim, como se estivesse escrevendo para uma criança de seis anos.
  • Falta de coerência interna. Kirk e Spock brigam o tempo todo, mas são melhores amigos? Como assim, Bial? E não, não adianta comparar com a relação de Spock e McCoy na série clássica. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa completamente diferente. Sempre foi. Esse é um dos pontos-chave dos personagens. A briguinha tinha ficado lá no filme de 2009, não tinha?
  • Falta de fidelidade aos personagens. Um dos exemplos está justamente nas discussões permanentes entre Kirk e Spock. Outro, na discussão entre Uhura e Spock na frente de Kirk e durante uma missão. Não, eles não teriam uma DR ali. Outro exemplo, ainda: Scotty ameaçando abandonar a nave – e cumprindo a ameaça. Eu sei, havia um propósito para ele estar fora da nave, mas o argumento não poderia ser mais forçado. Tão forçado quanto enviarem um médico pra desarmar uma bomba.
  • O argumento. Esse é o grande problema do filme.

São trocentos buracos, somados a trocentos e oito clichês, tudo amarrado com diálogos tão esticados e mastigadinhos que cansam (de novo: o filme parece escrito para uma criança de seis anos). Fica muito difícil fazer a necessária suspensão da realidade para apreciar o filme (e olha que adoro musicais, sou boa em fazer a tal suspensão da realidade). Eu poderia tentar detalhar os problemas de argumento, mas alguém já fez isso muito melhor do que eu conseguiria.

Há coisas boas, claro. O fato de Star Trek estar na mídia mainstream me agrada. Ver a tripulação da Enterprise reunida é sempre bom. A inclusão da Carol Marcus foi um dos raros momentos inspirados dos roteiristas. A (ligeira)  referência a Christine Chapel foi bacana. Ficou provado que o Capitão Pike se ferra em qualquer universo, coitado. E, claro, temos Benedict Cumberbatch.

No geral, Star Trek: Into Darkness é um filme medíocre. Diverte, tem boas cenas, lindos efeitos, mas peca no mais importante: a história. Star Trek sempre teve excelentes histórias e essa é a razão da sua longevidade. ST:ID não tem. Se você, trekker, achava que o argumento de Jornada nas Estrelas V: A Fronteira Final era fraco, está na hora de rever seus conceitos. O poço ficou um pouco mais fundo.

Nunca consegui resenhar Star Trek (2009) porque, embora tenha visto até perder a conta, sempre tenho aquele olhar embevecido diante do filme. Qualquer resenha seria apenas uma sucessão infindável de elogios. Quisera que com ST:ID acontecesse o mesmo. Infelizmente, ele não fez jus à tradição dos filmes pares da franquia.

ST:ID não acrescenta nada à franquia, e esse é seu maior defeito.

E o pior é que o J. J. Abrams dirigirá mais um filme da série. Que o Grande Pássaro da Galáxia ilumine os roteiristas.

Cotação: 3 estrelas

Serviço

 

Projetos, projetos…

2013 começou devagar. Estamos em meados de janeiro e ainda não me caiu a ficha de que é um novo ano.

Mas começou bem, com duas viagens planejadas, já: a primeira para Aracaju, única capital nordestina praiana que ainda não conheço (bem, tem São Luís, mas é quase Norte e vou deixar passar); a segunda, para Nova Iorque, depois de 12 anos de tentativas frustradas. Parece que agora a coisa vai.

Estou fazendo o Project333 novamente. Mais três meses, novas roupas. Selecioná-las dentre as que escondi quando comecei o projeto em outubro foi como fazer compras, com o bônus de não gastar um centavo, não enfrentar filas, não me frustrar no provador… É, na verdade, foi bem melhor que fazer compras. Logo faço um post sobre essa segunda etapa (e conto como foi a primeira experiência).

Os blogs estão em pausa. Andei doente, depois a vida tomou conta e meus dias estão completamente lotados. Aos poucos vou retomando as atividades, pelo menos aqui e no Mania de Organizar.

Por outro lado, o blog da Nospheratt está com a corda toda, com o projeto #52Posts que, por sua vez, baseia-se no projeto #365Posts do Janio.

Eu já tinha feito uma resolução pessoal (projeto?) de ler 52 livros e ver 52 filmes, pelo menos, em 2013. Um livro por semana, um filme por semana. Por outro lado, não tenho tido paciência de resenhar filmes ou livros (e tenho a forte impressão de que ninguém tem interesse nesse tipo de conteúdo). Então, trata-se apenas de um projeto pessoal, sem repercussão no DdF. Só que a Nosphie sugeriu que eu publicasse, pelo menos, duas listas com os títulos e achei uma boa ideia.

O lado ruim é que você pode se decepcionar com o tipo de literatura e cinema que me atraem. Mas aí, o problema não é meu. 😛

Então, se quiser acompanhar, é só seguir os links: #52Livros 2013 e #52Filmes 2013.