Tomates Recheados

Quer uma receitinha fácil para incrementar o almoço do fim-de-semana? Que tal fazer tomates recheados? São uma ótima entrada e combinam com quase tudo.

Ingredientes

  • 6 tomates maduros (mas não molengas) grandes
  • 300 gramas de presunto magro fatiado
  • 1 lata de ervilhas
  • seis fatias pequenas de queijo mozarela
  • sal, pimenta e demais temperos a gosto

Você também precisará de

  • assadeira média

Preparo

Tomate Recheado
Tomate Recheado

Lave os tomates. Corte uma tampa em cada um e, com uma colher, retire as sementes. Jogue água dentro deles para tirá-las bem.

Pique o presunto fatiado em quadradinhos.

Escorra e lave as ervilhas.

Misture o presunto, as ervilhas e o tempero. Recheie os tomates com essa mistura. Cubra cada um com um pedaço de queijo e leve-os ao forno baixo (pré-aquecido) por meia hora.

Sirva-os quentes, para abrir a refeição no lugar da salada.

Dicas e Complementos

Você pode variar o recheio de inúmeras formas. Experimente substituir o presunto por peito de peru, ou por atum. O queijo em fatias pode ser substituído por parmesão ralado.

O tempero também fica ao gosto do freguês: mais ou menos apimentado, com orégano para dar um toque italiano ou com uma pitada de noz-moscada para um sabor exótico. Exercite a criatividade!

  • Tempo de preparo: 40 minutos (por causa do tempo de forno)
  • Grau de dificuldade: fácil
  • Rendimento: 6 porções

50 desapegos

Aposto que você tem um monte de coisa que não usa. Ou de que não precisa. Ou de que não gosta mais (talvez nunca tenha gostado). Aposto mesmo.

Dou uma limpa nos meus armários duas vezes por ano e, mesmo assim, sempre acho coisas encostadas. Imagino o que aconteceria se passasse cinco ou dez anos sem dar essa geral… não, melhor nem imaginar.

Claro, sempre tem aquela gaveta que a gente não quer encarar, a roupa que tem valor afetivo (mesmo que você nunca tenha usado) ou o sapato que machuca o pé, mas foi tão caro que a gente não consegue se desfazer. Adianta mantê-lo guardado? Não, claro que não. Só que exercitar o desapego não é tão fácil assim.

A revista Vida Simples de fevereiro trouxe justamente uma ótima matéria sobre desapego. Infelizmente, não está na íntegra no site, mas você pode ter uma boa noção aqui: Desapego na raça.

O ponto de partida da reportagem é o livro Jogue fora 50 coisas, de Gail Blanke. A autora não se refere apenas a coisas materiais, mas propõe o desapego também de hábitos ou memórias inúteis. Sugere o prazo de duas semanas para o processo. E inclui uma pegadinha: itens da mesma família contam como uma coisa só. Ou seja: 10 livros contam como uma única coisa; 5 cds, uma coisa; 20 peças de roupa, uma coisa.

Casacos - 50 desapegos
Desapegando-me de alguns casacos.

Dei-me um prazo maior: um mês. O mês de março. Dois meses antes do meu aniversário. Dois meses antes do fim do meu projeto “menos é mais”. Alguns meses antes da mudança para novo endereço (porque quero me mudar mais leve).

Comecei timidamente. Depois, com a ajuda de outros olhos, consegui atacar o armário de casacos e vestidos. Impressionante o tanto de coisas que não servem mais, que eu nem lembrava que ainda tinha, que não são bacanas, que não precisam ficar guardadas. Recomendo que você também arraste para a empreitada alguém isenta e sincera, que não tenha envolvimento emocional com as suas coisas. Facilita o processo.

Para inspirar o seu desapego, estou fotografando o meu e subindo para o Flickr, sob a tag 50desapegos. Na foto ao lado, os casacos que vão passear por outros armários. Casacos são (ou eram – espero estar curada!) minha compulsão. Ao contrário da maioria das mulheres, não ligo tanto para sapatos ou bolsas. Casacos são meu ponto fraco – ah, xales, cachecóis e lenços também.

Minha ideia não é comprar coisas novas, porque não preciso de nada. É renovar ares, ganhar espaços vazios e simplificar o dia-a-dia.

Não estou trabalhando a parte intangível da coisa, o desapego aos hábitos inúteis. Talvez, depois de ler o livro, volte a esse ponto – mas só posso comprar outro livro depois de ler as dezenas que ainda me esperam no armário…

O Aviador – a vida secreta de Howard Hughes

O Aviador - capaDe todos os gêneros literários, o último de que me aproximei foi a biografia. Foi já adulta que li minha primeira. Meu preconceito fazia-me imaginar biografias como um desfile sem fim de nomes e datas que pouco ou nada me dizem, muito entediam e não divertem.

Essa é uma visão simplista do gênero. Nos últimos anos, li biografias bem interessantes, divertidas e inspiradoras. Adorei Quase Tudo (de e sobre Danuza Leão) e recomendo. Tinha algumas aguardando no fundo do armário e, para o Desafio Literário de fevereiro, escolhi O Aviador. Comprei há anos, atraída pelo sucesso do filme ao qual deu origem (e que ainda não vi).

Pois bem. Agradeço aos deuses da leitura por não ter sido esta a primeira biografia que li na vida porque, se fosse, também seria a última. “Chato” descreve.

O biografado é Howard Hughes, um dos homens mais ricos do século XX. O lastro da sua riqueza foi herdado: no início do século passado, seu pai inventou uma broca perfuradora de poços de petróleo que rendeu fortunas. Foi o começo da Hughes Tools, carro-chefe do seu império, de onde vinha a maior parte do dinheiro que financiava suas aventuras.

Ainda novo, Hughes interessou-se pela aviação. Desse interesse nasceu a Hughes Aircraft, que rendeu algumas aeronaves pioneiras bem-sucedidas (e vôos históricos), mas consumiu uma quantidade de recursos absurda, tanto do próprio Hughes quanto dos cidadãos norte-americanos, por meio de parcerias fracasssadas com o governo dos Estados Unidos.

Mais ruinosa ainda foi a sua incursão pelo mundo do cinema. Hughes não tinha verdadeiro amor pela sétima arte, senão pela possibilidade que os filmes lhe davam de exercer fantasias, taras e obsessões. Ele, aliás, dormiu (ou tentou dormir) com quase toda Hollywood. Entre suas conquistas estão Audrey Hepburn, Rita Hayworth e Cary Grant. Elizabeth Taylor foi das poucas estrelas que não caíram nas suas garras. John Wayne foi outro famoso que, embora tenha atuado na produtora de filmes de Huges, a RKO, não dormiu com o biografado.  Era “convictamente heterossexual”, diz o biógrafo.

Ainda na indústria do entretenimento, decidiu estender sua riqueza por Las Vegas e foi dono de diversos hotéis e cassinos na cidade.

Hughes envolveu-se com vários dos principais fatos históricos do século XX: participou da corrida espacial, fornecendo foguetes (de má qualidade) para a NASA; fabricou armamentos para a Guerra do Vietnã; forneceu armas durante a Guerra Fria; articulou invasões mal-sucedidas a Cuba; teve ligações com o ditador Somoza, da Nicarágua; estava implicado no  escândalo Watergate.

Tinha fobia de germes, horror a negros e ódio do comunismo. Era um amante inepto, um parente relapso e um ser humano intragável, autocentrado, egoísta, idiossincrático e socialmente desajustado. Tinha certeza de que poderia comprar quem quisesse, e muitas vezes isso foi verdade.

Portador de uma surdez hereditária e progressiva que contribuía para isolá-lo e, nas últimas décadas de vida, lidando com vários problemas de saúde (alguns, derivados de um sério acidente aéreo; outros, indicativos de um quadro clínico parecido com o da aids), Hughes terminou a vida recluso e cercado por poucos empregados.  Não faltaram testamentos falsos elaborados por gente interesada em se aproveitar do seu império financeiro (que, apesar de todos os desmandos, sobreviveu ao tempo).

Parece uma história interessante? Sim, e é. O problema é que, depois da primeira metade do livro, o autor envereda por uma infinidade de nomes desconhecidos e intrigas enfadonhas, numa monótona sucessão – o tal desfile tedioso que eu imaginava ser toda biografia antes de ler as primeiras. A não ser que você tenha enorme interesse em detalhes da política norte-americana, encontrará pouco com o que se entreter desse ponto em diante.

Uma boa biografia, pra mim, presume um personagem carismático. Talvez por isso O Aviador seja um livro fraco. Embora Hughes exercesse um certo fascínio sobre muita gente, sua personalidade doentia está longe, muito longe de ser carismática.

Ficha

Este texto faz parte do Desafio Literário 2011, cujo tema em fevereiro é biografia ou memórias. Conheça o Desafio Literário.

Cisne Negro

Ficha Técnica

  • Título: Black Swan
  • País: Estados Unidos
  • Ano: 2010
  • Gênero: Drama
  • Duração: 1 hora e 48 minutos
  • Direção: Darren Aronofsky
  • Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Winona Ryder, Vincent Cassel.
  • Sinopse: Beth MacIntyre (Winona Ryder), a primeira bailarina de uma companhia, está prestes a se aposentar. O posto fica com Nina (Natalie Portman), mas ela possui sérios conflitos interiores, especialmente com sua mãe (Barbara Hershey). Pressionada por Thomas Leroy (Vincent Cassel), um exigente diretor artístico, ela passa a enxergar uma concorrência desleal vindo de suas colegas, em especial Lilly (Mila Kunis).

Comentários

Cisne NegroSe eu soubesse que Cisne Negro é do mesmo diretor de Réquiem para um Sonho, não teria ido ao cinema. Felizmente, não sabia. Se por um lado Cisne Negro tem a mesma tratativa psicológica de Réquiem, a coisa vertiginosa de entrar na mente da protagonista, por outro é um filme menos angustiante que seu antecessor, e nada depressivo.

Provavelmente o que torna Cisne Negro mais ameno que Réquiem é sua obviedade. O tema central é clichê (como é clichê o próprio Lago dos Cisnes): a dicotomia em várias formas, bem/mal, claro/escuro,  infantilidade/amadurecimento. O diretor recheia o filme de metáforas, mas faz questão de explicá-las todas; com isso, não chega a entediar (aliás, o filme não entedia em momento algum), mas subestima o expectador. Se bem que, ainda assim, vi gente sair do cinema dizendo que não tinha entendido o filme.

Essa tendência a explicar tudo nos míííínimos detalhes dá uma folga quando o assunto é o mundo interior de Nina, a protagonista. Os conflitos diários da moça acabam se convertendo em violentas alucinações e, em alguns momentos, fica difícil para a platéia distinguir delírio de realidade, como é difícil para a própria Nina. Ainda agora, pergunto-me se algumas cenas (e até personagens) realmente existiram (dentro do universo do filme, é claro) ou se não passaram da imaginação de Nina.

Sim, há cenas de sexo e masturbação no filme, como já foi comentado ad nauseam pela imprensa. Todas, contudo, servem a um propósito. Nada está deslocado, nada é “nojento” ou “sujo”, como li em uma crítica tão virulenta que me faz pensar que o tal crítico tem sérios problemas para lidar com a sexualidade feminina.

Um dos grandes méritos do filme é a edição envolvente, com um movimento das câmeras que faz um excelente trabalho em capturar as sensações da dança. Boa parte do ambiente tenso, perturbador mesmo, é criada pela excelente montagem. Outro ponto forte são as interpretações, todas ótimas – a de Natalie Portman, irretocável (ou “perfeita”, como diria sua personagem). Talvez, ainda assim, não seja filme para Oscar. A uma, pelas obviedades já mencionadas. A duas (e, de certa forma, numa crítica correlacionada), pelo mau uso de computação gráfica em diversos momentos, chegando a “quebrar o clima” do filme e desviar a atenção do trabalho magistral de Natalie Portman.

Aliás, se pode haver dúvidas quanto ao merecimento do Oscar de melhor filme, tem-se a certeza absoluta de que Natalie Portman merece o Oscar de melhor atriz principal. A moça faz um papel excepcional após o outro desde os onze anos, já foi indicada por Closer e dessa vez excede qualquer expectativa. Se não levar a estatueta, será pura injustiça.

Cotação: 4 estrelas

Curiosidades

  • Natalie Portman, que sempre foi mignon, emagreceu dez quilos para o papel. Em alguns ângulos a magreza é tão intensa que chega a dar agonia. Diz-se que, a certa altura da filmagem, o diretor implorava que ela comesse alguma coisa.
  • A atriz fez balé clássico dos 4 aos 12 anos. Para interpretar o papel, submeteu-se a um treinamento de quase um ano, com direito a dores intensas. Durante as filmagens, deslocou uma costela (e continuou gravando). Ainda assim, foi usada uma dublê (a bailarina profissional Sarah Lane) para as acrobacias mais complexas e os close-ups abaixo da cintura.
  • Mila Kunis (Lilly) também emagreceu cerca de dez quilos para o papel, chegando a absurdos 43 quilos. Treinou intensamente por quatro meses, sofreu várias lesões e deu declarações dizendo que nunca mais quer dançar. Também foi usada uma dublê para as cenas mais elaboradas.
  • O orçamento do filme foi de míseros 13 milhões de dólares – tão baixo que, quando Natalie Portman deslocou a costela e precisou de tratamento médico, teve de abrir mão do seu trailer para obtê-lo.

Serviço

Imagem: divulgação.