Risoto de Lingüiça

O risoto é um dos pratos mais práticos que existem. Se aquela visita que chegou ao meio-dia não dá sinal de ir embora, ou se você resolveu convidar uns amigos para uma reuniãozinha de última hora e quer servir um prato quente, ele é a salvação da lavoura – fica pronto em quarenta minutos e pode ser feito com o que estiver na geladeira.

Para garantir o sucesso, entretanto, é essencial usar um arroz próprio para o prato. O ponto alto do risoto é a sua cremosidade e ela é determinada pelo amido que o arroz libera durante o cozimento, o que depende da sua variedade. Além disso, não se pode arriscar que o arroz fique grudado, ou tão cozido que desmanche. Recomendam-se dois tipos: o arbóreo e o carnaroli. Se puder escolher, dê preferência ao último, que libera mais amido e tem uma aparência amendoada belíssima.

E, pelamordedeus, esqueça o hábito brasileiro e não lave o arroz.

A lingüiça, aqui, é mera sugestão. Meu pai havia preparado uma lingüiça deliciosa, cozida no vinho e posteriormente frita. Como sobrou bastante, resolvemos fazer o risoto. Você pode substitui-la por qualquer carne previamente preparada e picada (ou desfiada), por tomates secos, cogumelos ou qualquer outro ingrediente que estiver à disposição. Se usar queijo, acrescente-o (picadinho ou ralado) apenas ao final do cozimento.

Vamos à receita.

Ingredientes

  • Uma colher (sopa) cheia de azeite
  • Meia cebola média picadinha
  • 2 xícaras (chá) de lingüiça frita picada
  • 1 xícara (chá) de arroz arbóreo ou carnaroli
  • Meia xícara de vinho branco
  • 4 xícaras de água fria
  • Sal a gosto
  • Pimenta do reio a gosto

Você também precisará de

Preparo

Numa panela de fundo largo, leve ao fogo o azeite, o sal e a cebola, fritando-a até amolecer (não espere dourar).

Junte a lingüiça e frite ligeiramente (lembre-se, ela já está frita). Tempere com pimenta do reino. Acrescente o arroz e refogue.

Junte o vinho branco e mexa até que dois terços dele tenham evaporado. Derrame as quatro xícaras de água fria aos poucos, mexendo sempre com uma colher de pau.

Após a fervura, o cozimento levará cerca de 20 a 30 minutos. Durante este tempo, mexa freqüentemente para estimular a liberação do amido – é isso que dará cremosidade ao risoto. Aproveite para provar o tempero e ajustá-lo. Se necessário, acrescente mais água.

Atenção especial ao fim do cozimento, quando é importantíssimo mexer o arroz continuamente para que não grude e não queime.

Risoto de Lingüiça O risoto, por definição, não deve ficar seco, mas úmido e cremoso. Os grãos de arroz ficam soltinhos e al dente, ou seja, oferecem certa resistência à mordida, mas estão cozidos e macios por dentro.

Sirva imediatamente.

Dicas e Complementos

Risotos são de rápido preparo e devem ser feitos minutos antes de serem saboreados. Não ficam tão gostosos se forem requentados.

O vinho branco pode ser substituído pelo tinto sem prejuízo do sabor – claro que o risoto adquirirá uma cor escura. Também pode ser usado espumante, especialmente se os ingredientes tiverem sabor delicado.

No lugar da água, você pode usar caldo de legumes, de carne, de frango ou de qualquer outro sabor.

  • Tempo de preparo: 40 minutos
  • Grau de dificuldade: moderado
  • Rendimento: 2 porções bem servidas

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias

Ficha técnica

Brasil, 2006. Drama. 110 min. Direção: Cao Hamburger. Com Simone Spoladore, Eduardo Moreira, Paulo Autran, Daniela Piepszyk.

1970. Mauro (Michel Joelsas) é um garoto mineiro de 12 anos, que adora futebol e jogo de botão. Um dia sua vida muda completamente, já que seus pais saem de férias de forma inesperada e sem motivo aparente para ele. Na verdade os pais de Mauro foram obrigados a fugir por serem de esquerda e serem perseguidos pela ditadura, tendo que deixá-lo com o avô paterno (Paulo Autran). Porém o avô enfrenta problemas, o que faz com que Mauro tenha que ficar com Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade, que tem momentos de tristeza pela situação em que vive e também de alegria, ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo.

Mais informações: Adoro Cinema.

Cometários

3 estrelas

De um lado, um país dividido entre o peso do regime militar e as alegrias da primeira Copa do Mundo transmitida pela televisão via satélite. De outro, um menino dividido entre a saudade dos pais e a vontade de continuar a ser criança. Estes são os dilemas de O ano em que meus pais saíram de férias. Não é um filme sobre a ditadura. Não é um filme sobre política. É, sim, um drama sensível e bem contado.

Embora esteja longe de ser uma produção espetacular, vale a pena ser visto. O destaque fica por conta do pano de fundo histórico, que influencia as atitudes dos personagens, e da interpretação do pernambucano Germano Haiut, desconhecido do grande público, no papel do sisudo judeu Shlomo.

Um dos toques engraçados acontece no início da transmissão do jogo entre Tchecoslováquia e Brasil. Ítalo, um jovem universitário interpretado por Caio Blat, proclama: “Se o Brasil perder, será bom – será uma vitória do comunismo!”. Os amigos concordam e até tentam comemorar quando a Tchecoslováquia faz o primeiro gol da partida, mas soltam a voz de verdade, pulam e se emocionam nos gols do Brasil, o patriotismo falando mais alto que a a ideologia política, pouco importando, na prática, se Médici aproveitara a transmissão para fazer propaganda da ditadura.

Tarefas cumpridas

A gincana pessoal continua, com novos progressos:

20. Mais um conjunto de roupa de ginástica: não propriamente um conjunto, mas uma nova calça “legging” de lycra e algumas camisas estillo “baby-look” de algodão. Isso pra não mencionar as luvinhas (vermelhas, claro!) para ajudar na musculação. E já estou querendo comprar mais umas roupas.

25. Limpar minha caixa de emails: feito e refeito duas vezes, já. No fim das contas, é uma tarefa constante. O complicado foi fazer a primeira limpeza, agora está razoavelmente fácil manter a organização.

55. Trocar o protetor do colchão: transpiro muito enquanto durmo, especialmente porque insisto em usar o edredom, não importando a temperatura. O protetor é uma espécie de forro de algodão fresquinho e macio, que deixa o colchão ainda mais gostoso e protege contra a transpiração. Descobri que não precisava ser trocado, apenas bastava colocá-lo direito…

64. Resolver a infiltração no teto do banheiro: em julho, entrei em contato com a proprietária do meu lar, doce lar. No mesmo mês, falamos com a proprietária do apartamento de cima – afinal, cabia a ela arcar com os custos do conserto. Aí, começou a enrolação. No fundo, entendo perfeitamente a demora da vizinha de cima: o prédio é novo, ninguém espera que dê esse tipo de problema e nem sempre a gente tem dinheiro disponível para uma eventualidade dessas. Enfim, após meses de incômodos crescentes para mim, o conserto foi providenciado. Entre meados de outubro e meados de novembro, tudo voltou ao normal, o banheiro tornou a ser perfeitamente usável e eu acabei ganhando (de mim mesma, é verdade) um novo gabinete, já que o pedreiro fez o favor de quebrar o espelho do antigo (que era feio e baratinho, então achei até bom ter pretexto para trocá-lo).

86. Passar um mês sem comprar roupas, maquiagem ou acessórios de qualquer espécie: essa foi dificílima! Felizmente(?), a troca do carro e a subseqüente pindaíba serviram de reforço para que eu não comprasse nada entre 20 de setembro e 20 de outubro. Nem preciso dizer que corri pro shopping no dia 21, para combater a profunda crise de abstinência que tomou conta de mim.

Tem mais, tem mais… fica pra semana que vem.

Rolling Stone no Brasil

A novidade já nem é tão nova, mas mesmo assim vale divulgar: finalmente chega ao Brasil a revista Rolling Stone, uma das maiores (talvez a maior) revistas pop do planeta.

Se você nunca ouviu falar dela, saiba que, mais do que divulgar música, a Rolling Stone tem por hábito apontar (alguns diriam “ditar” ) tendências em comportamento e opinião, com textos diversificados e às vezes polêmicos sobre os mais diversos temas – de bandas underground a política, passando por moda e grandes nomes do cenário musical, a revista traz de tudo um pouco.

No início dos anos 70, alguns corajosos (com Mick Killingbeck e Luis Carlos Maciel encabeçando a lista) lançaram a RS no Brasil. No início, a Rolling Stone norte-americana mandava matérias e fotos, na esperança de receber os royalties. Após alguns números, cansada do calote dos editores brasileiros, a matriz parou de fornecer material. A saída? Copiar deslavadamente o conteúdo da revista, incluindo a palavra “Pirata” abaixo do logotipo de cada edição. Ainda assim, o sonho teve vida curta: 14 meses e 36 edições, a última datada de 5 de janeiro de 1973.

Já a edição norte-americana é longeva, completando quatro décadas no ano que vem. Há quem diga que, nesse tempo todo, ela mudou radicalmente de cara, rendendo-se ao grande mercado, ou mainstream, perdendo sua vocação de polemizar e divulgar a contracultura. Seja como for, continua a ser uma das revistas mais lidas do mundo.

A Rolling Stone Brasil chega ambiciosa: segundo o site UOL Música, a tiragem inicial é de 100.000 exemplares, enquanto a revista Bizz, sobre música, tem tiragem mensal de 30.000 exemplares. Mas a Rolling Stone não tem nada a ver com a Bizz, que há tempos anda sem graça e tem por tradição dedicar-se exclusivamente à música – e, basicamente, à música já consagrada, às bandas bem-sucedidas, ao tal do mainstream.

Mantendo a tradição das demais RS ao longo do mundo, metade do conteúdo da revista brasileira vem da matriz, a outra metade é produzida aqui mesmo. No primeiro número, a Rolling Stone Brasil publica uma matéria sobre sua passagem em terras brasileiras nos anos 70, escrita pelo jornalista Antônio do Amaral (de onde retirei os dados históricos, já que se trata de uma época que não me pertence) e um passeio por 16 capas da edição americana – Elvis Presley, E.T., Bill Clinton e Johnny Deep fazem parte desta galeria. A revista expõe o crime organizado do PCC e as mazelas dos congressistas eleitos no último primeiro de outubro. No quesito música, traz o diário de viagem do Cansei de Ser Sexy, uma entrevista com Bob Dylan, as novidades do rock nacional e o que rola pela internet. Ainda reserva espaço para as celebridades Gisele Bündchen (capa da primeira edição) e Jack Nicholson. Claro que há mais, muito mais nas 138 páginas em formato de tablóide.

Uma única ressalva: não houve qualquer menção a Renato Russo, um dos ícones do rock brasileiro, cujo aniversário de dez anos de morte deu-se justamente no mês de lançamento da revista. A Bizz fez uma matéria, com direito a capa. A RS Brasil não trouxe sequer uma notinha.

A edição número 1 da Rolling Stone Brasil ainda pode ser encontrada nas bancas. A segunda edição deve chegar no final desta semana. Tomara que venham muitos outros números e que a revista consiga vingar no complicado mercado editorial brasileiro. Tem tudo para conseguir.