Cláudio Santoro, parte integrante da história de Brasília

Teatro Nacional
Teatro Nacional Claudio Santoro

Quem mora em Brasília já ouviu o nome Claudio Santoro, ainda que nada saiba sobre ele. Afinal, é ele quem dá nome ao principal teatro da cidade.

Santoro nasceu em Manaus em 1919, começou a estudar violino e piano na infância, aperfeiçoou-se no Conservatório de Música do Distrito Federal (então no Rio de Janeiro) aos 14 anos e tornou-se professor assistente da instituição aos 18, tamanhos eram seu talento e dedicação.

Além de executar peças com perfeição, Santoro também foi compositor premiado e regente de destaque. Foi professor fundador do Departamento de Música da Universidade de Brasília, em 1962. Poucos anos depois, mudou-se para a Alemanha, onde foi professor titular de regência na Escola Estatal Superior de Música de Mannheim.

Em 1979, fundou a Orquestra do Teatro Nacional de Brasília. Um ano depois, sem esquecer da sua terra natal, compôs o hino oficial do estado do Amazonas.

Claudio Santoro
Claudio Santoro

Em 27 de março de 1989, após uma temporada de férias na Alemanha, Santoro morreu em Brasília. Em 1º de setembro do mesmo ano, o Teatro Nacional de Brasília passou a denominar-se Teatro Nacional Claudio Santoro.

No ano em que o compositor completaria 90 anos, o Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília presta-lhe homenagem com uma série de concertos apresentados pela orquestra Camerata Brasil, formada por músicos brasilienses (coincidência: 20 anos de morte de Santoro, 20 anos de nascimento do CCBB). O próximo concerto será dia 28 de outubro, com duas apresentações: 13 horas (entrada franca) e 21 horas (15 reais, inteira). Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do CCBB (das 9h às 21h, de terça a domingo).

No site dedicado a Claudio Santoro, você lê mais sobre ele e pode ouvir (e baixar em mp3) trechos de suas composições. Também há uma galeria de imagens, à qual pertence a foto ao lado.

Um Vietnã que surpreende

No que você pensa quando ouve falar do Vietnã?

Minhas primeiras ideias são cinzentas: colonização predatória, guerra e muita, muita pobreza, como a relatada no romance O Livro do Sal. A rápida exposição de fotografias no foyer do teatro do CCBB de Brasília, contudo, amplia, dá cor e embeleza a imagem que tradicionalmente se faz do país.

São 16 painéis que percorrem vários aspectos do Vietnã, dos costumes ao turismo, passando pela arquitetura que funde Oriente e Ocidente e pela gastronomia única. Cada painel traz uma fotografia destacada, outras menores sobre o mesmo tema e um breve texto explicativo.

Hanói
Hanói, capital milenar do Vietnã. Foto da foto que integra a mostra.

Não faltam curiosidades. Quem diria, por exemplo, que o esporte favorito por lá é o futebol? Ou que sua capital, Hanói, celebrará 1.000 anos em 2010? Ou, ainda, que o rio Mekong é palco de um mercado flutuante?

Rio Mekong
Mercado Flutuante, Rio Mekong. Foto da foto que integra a mostra.

A exposição integra a Semana do Vietnã, que já mencionei por aqui. Lembra que eu disse que é rápida? Isso vale tanto pelas suas dimensões (dá pra percorrê-la em poucos minutos) quanto pela duração – começou dia 20 deste mês e termina amanhã. Vá enquanto é tempo!

Porto de Galinhas: serviço

Falei que ia fazer um artigo só com detalhes técnicos dos passeios que fiz em Porto de Galinhas, não falei? Pois então, aqui está: endereços e outras dicas pra aproveitar bem sua estada em Porto.

Busquei informações no Guia Quatro Rodas Ipojuca e Porto de Galinhas, edição de 2009. O portal Visite Porto de Galinhas também é uma excelente fonte de pesquisa online e traz outras opções de passeios. Dê uma olhada no roteiro de sete dias sugerido pelo site e comece a preparar sua viagem.

Como chegar: do aeroporto de Recife a Porto de Galinhas são mais ou menos 60 quilômetros, percorridos em uma hora de carro. Você pode:

  • alugar um carro;
  • pegar um ônibus, com saída a cada meia hora, das 5h às 21h45m;
  • contratar um serviço de receptivo que te deixe dentro do hotel (previamente reservado, por favor!), como a Luck Viagens.

Verifique se o próprio hotel não fornece o transporte aeroporto-hotel-aeroporto.

Carcará: o ateliê do artista que criou a identidade visual de Porto de Galinhas recebe visitantes, mas confirme o horário de atendimento pelo telefone 81 9136 6688. Saia pelo km 7 da PE-009 (próximo ao Hotel Armação) e siga 3 quilômetros.

Jipe Safári: ótimo jeito de conhecer as cachoeiras nas proximidades de Porto. Reserve um dia inteiro para o passeio. Contato: VIC Safari Adventures, telefones 81 3562 1172,  81 8742 3540 e 81 9255 0370.

Nossa Senhora do Ó: a nove quilômetros de Porto de Galinhas, a vila tem como atrações a Praça do Baobá (Rua do Colégio, a 100 metros da Igreja de N. Sra. do Ó) e o Engenho Canoas (a 8 quilômetros a partir da PE-009. São passeios gratuitos, mas leve algum dinheiro para comprar artesanato na praça e cachaça (de 20 a 25 reais, o litro) e rapadura (2 reais, 200 gramas) no engenho. É possível incluir essas paradas no jipe safári.

Passeio de Bugue: é a melhor e mais divertida forma de conhecer as praias da região. Recomenda-se, por questões de segurança, só contratar bugueiros autorizados pela prefeitura, que têm placa vermelha. Contato via APC Buggy, na Rua da Esperança, no centro de Porto, das 8h às 15h30m, telefone 81 3552 1930. O preço varia entre 120 e 200 reais (para até quatro pessoas).

Passeio de Catamarã: o destino é a belíssima Praia dos Carneiros. Vale a pena ficar por lá o dia inteiro, comendo camarão, tomando água de coco, aproveitando o mar e a vista. O passeio é suspenso em junho; a melhor época para aproveitá-lo vai de outubro a abril. Contato: Catamarã Cavalo Marinho, telefones 81 3552 2180 e 81 8811 7393.

Piscinas naturais de Porto: compre o ingresso para o passeio de jangada na Associação dos Jangadeiros, em frente à praia, na Praça das Piscinas Naturais. Isso garante um jangadeiro treinado, com equipamento seguro e respeito ao meio ambiente. Os horários variam segundo a maré, recomendando-se passear na maré baixa. Os hotéis podem informar os melhores horários para cada dia. O passeio de jangada custa 10 reais por pessoa.

Pontal do Maracaípe: o melhor é chegar de bugue e, pra completar o passeio, procurar a Associação dos Jangadeiros do Pontal (das 7h às 17h) e contratar um passeio (10 reais por pessoa) pelo hipocampo para ver os cavalos-marinhos. Vá no fim da tarde e aprecie um pôr-do-sol espetacular.

Santeria Bar Latino: não conheci e me arrependi – disseram que a noite foi ótima. Funciona de quarta-feira a sábado. Na quarta, a programação é dedicada ao forró pé-de-serra. No sábado, tem banda de pop-rock ao vivo de qualidade. Da 1h às 3h, pista de dança comandada por DJ. A entrada custa 15 reais e o bar fica na Galeria Espaço Porto Convivência, telefone 81 3552 1505.

Leite Derramado

O escritor faz jus ao talento do compositor.
O escritor faz jus ao talento do compositor.

Os dois primeiros romances do Chico Buarque não me empolgaram*. Na verdade, foram decepcionantes, não exatamente por serem ruins, mas por não estarem à altura das belíssimas contribuições de Chico à música popular brasileira.

Estorvo (1991) é opressivo. O clima de devaneio da narrativa torna-se, de fato, um estorvo. O livro incomoda, mas não se trata daquele incômodo “bom”, questionador, que desafia a inteligência. Incomoda porque é fraco.

Benjamim (1995) não me pareceu muito melhor. Considero-o o mais insignificante dos romances de Chico, incapaz de despertar prazer ou desagrado – morno, mesmo. O filme é preferível ao livro.

Em Budapeste (2004), a coisa muda de figura. A sensação de deslocamento do protagonista, de figurar em dois mundos sem saber ao certo a qual deles deseja pertencer, é ricamente transmitida na prosa-quase-poesia do livro. Quem resolveu dar mais uma chance ao Chico escritor foi recompensado.

Esse ano, Leite Derramado é uma recompensa ainda maior.

O ponto de partida é singelo: o centenário Eulálio Assumpção recorda sua vida inteira enquanto está preso a um leito de hospital.

A história da ilustre família Assumpção – que confirma ao bordão “pai rico, filho nobre, neto pobre” – mescla-se à história do Brasil. O leitor passeia pelas riquezas do império e pelo senado republicano, pelo período escravocrata e pela miséria cotidiana. Críticas sociais e de costumes permeiam a narrativa, embora não seja esta a intenção de Eulálio, que chega à ingenuidade em certos momentos. É de arrancar risadas irônicas, por exemplo, seu comentário sobre o avô, “grande benfeitor da raça negra. Creiam que ele visitou a África em mil oitocentos e lá vai fumaça, sonhando fundar uma nova nação para os ancestrais  de vocês” (p. 51).

São tantas recordações entre gerações passadas e futuras da família Assumpção que os personagens se misturam e o leitor mais aplicado terá dificuldades em traçar sua árvore genealógica, assemelhando-se à confusão que Gabriel García Márquez cria em Cem Anos de Solidão.

O moribundo repete histórias, cria versões, perde-se em reminiscências sobre casas que já não existem, riquezas incertas, eventos confusos e pessoas misteriosas. Conta fatos para negá-los em seguida, imagina (ou admite?) traições. Eulálio divaga, conduzindo o leitor à divagação. O que será verdade, dentre todas as lembranças? Não importa. O que vale é deixar-se levar pela correnteza narrativa.

Em comum, os quatro romances de Chico Buarque têm o onirismo, a descontinuidade narrativa e a prosa bem-cuidada. Em Leite Derramado, Chico fez excelente uso desses três elementos e somou-os a uma história emocionante, sem esquecer-se do humor. Enfim, o romancista mostra-se tão talentoso quanto o compositor.

Em tempo: Leite Derramado inspira-se abertamente na canção O Velho Francisco.

Ficha Técnica

  • Título: Leite Derramado
  • Autor: Chico Buarque
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 195
  • Cotação: 5 estrelas
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* Chico Buarque tem outros três livros, anteriores à sua fase de romancista: A bordo do Ruy Barbosa (poesias), Fazenda Modelo (fábula política) e Chapeuzinho Amarelo (infantil).