Ficha Técnica
The Queen. Inglaterra/França/Itália, 2006. Drama. 97 minutos. Direção: Stephen Frears. Com Helen Mirren, Michael Sheen, James Cromwell, Sylvia Syms, Paul Barrett, Helen McCrory.
A notícia da morte da princesa Diana se espalha rapidamente pelo mundo. Incapaz de compreender a reação emocional do público britânico, a rainha Elizabeth II (Helen Mirren) se fecha com a família real no palácio Balmoral. Tony Blair (Michael Sheen), o recém-apontado primeiro-ministro britânico, percebe que os líderes do país precisam tomar medidas que os reaproximem da população e é com essa missão que ele procura rainha.
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Se você gosta da série The West Wing, não pode perder A Rainha: o filme é um verdadeiro The West Wing inglês, dando uma visão “de bastidores” dos dias subseqüentes à morte da princesa Diana.
A princesa de Gales sempre foi um fenômeno de popularidade ao redor do mundo, mas nunca foi bem compreendida pela família do seu ex-marido, o príncipe Charles. Sua morte prematura causou uma comoção sem precedentes no Reino Unido. Diana era um ícone por seu envolvimento em causas humanitárias, além de ser admirada pela beleza e elegância. Sua morte em 31 de agosto de 1997, aos 36 anos, transformou-a em mártir. A emocionalmente reprimida sociedade inglesa deu vazão a rios de lágrimas e intensas manifestações de afeto e luto dirigidas à princesa.
A Rainha Elizabeth II, ao invés de solidarizar-se com seu povo, isolou-se em seu castelo de verão. Não tendo especial apreço pela princesa Diana – considerada pela família real como espalhafatosa e indiscreta -, era incapaz de entender o motivo de tão desproporcional reação de seus súditos. O recém-eleito primeiro-ministro Tony Blair, por outro lado, tradicionalmente mais próximo das camadas populares, discursou pouco depois das notícias da morte de Diana, usando pela primeira vez a expressão “princesa do povo”. Nos bastidores, Blair tentava mostrar à Rainha a importância de romper o constrangedor silêncio e aproximar-se de seu povo, demostrando empatia por sua dor. É desses bastidores de que cuida o filme.
Helen Mirren está absolutamente convincente no papel de Rainha Elizabeth II. Graças à sua brilhante interpretação, o filme ganha um ar tremendamente verossímel, quase de documentário. Não é à toa que o Oscar de melhor atriz coube a ela. Sem dúvida alguma, é uma das interpretações mais críveis da história do cinema, levando o espectador a “comprar” a idéia de que aquela personagem é, de fato, a verdadeira rainha.
O diretor Stephen Frears, mais conhecido pelo excelente filme Alta Fidelidade, faz um ótimo trabalho ao mesclar ao filme imagens reais dos últimos momentos de Diana, da tristeza coletiva e do cortejo fúnebre, contribuindo para o clima de realismo do filme.
Sem defender a postura fria e insensível adotada pela família real diante da morte da princesa Diana, A Rainha explica o comportamento da monarquia inglesa ao retratar velhos hábitos reais e contar um pouco da biografia da Rainha Elizabeth II, criada em meio à Segunda Guerra Mundial, uma figura austera, acostumada a reprimir seus próprios sentimentos pelo bem do povo e que encontra enorme dificuldades em aceitar que esse mesmo povo expresse-se tão intensamente. É o choque de gerações, o conflito entre passado e presente, monarquia e súditos, governança e emoção.
A Rainha conta, ainda, com pitadas bem colocadas de humor típico inglês e com uma bonita fotografia. Sem dúvida alguma, porém, o carro-chefe é a brilhante interpretação de Helen Mirren, digna de entrar para a história da sétima arte.
