Sai de mim!

A sexta-feira treze resolveu passar por aqui com uma semana de atraso.

Primeiro, acordo passando mal até dizer chega. Princípio de desidratação, provavelmente. Você sabe o que acontece com as crianças quando começam a desidratar, não sabe? Pois é, eu tava igualzinha – só que sem mamãe por perto pra cuidar de mim.

Quando consigo melhorar e vou me arrumar pro trabalho, já pensando na saída da noite, descubro que “aquela” blusa preta que eu adoro mas, por obra do destino, ficou anos encalhada, já não tem mais nada a ver. Não a adoro mais. Coisas da vida, sabe como é.

Procuro uma segunda blusa. Linda, e ainda é a minha cara. Quase saindo, percebo que ela está descosturada. Ótimo.

Já atrasada, desço às pressas pra garagem. Entro no carro e ligo o som, como sempre. Só que não funciona. Legal, não falta acontecer mais nada. Não pode ficar pior.

Ah, pode. Sempre pode.

O som não funcionou porque deixei os faróis ligados ontem. Bateria descarregada.

E cá estou eu, atrasadíssima para o trabalho, esperando o atendimento 24 horas do seguro me socorrer.

Xô, urucubaca!

Atualização
– Esqueci de contar que perdi a hora do salão por causa da ziguizira. Unhas em estado lamentável.
– Tenta passar um endereço de Brasília para um suporte de São Paulo, que tem de retransmitir os dados para o suporte local. Tenta, e vê o telefone-sem-fio que vira.

Mudança de hábito

Meu novo cabelo implica readaptação em alguns aspectos.

O primeiro deles foi quanto ao batom. O rosa, não tem jeito, só fica legal mesmo em loiras. Ou em crianças. Como visualmente já não sou nem uma coisa nem outra, está vetado. Pena, porque tenho um liiiiindo, que ficará encalhado até ressecar.

O segundo quesito é meu terninho vermelho. Resolvi usá-lo ontem. Parecia um lápis-de-cor: o corpo vermelho, aquela partezinha da madeira descascada (meu rosto) branca e a ponta, novamente, vermelha. Terrível, mesmo.

Se é pra radicalizar…

Depois do assassinato de uma família no Espírito Santo, motivado por aposta entre jogadores de RPG (role playing game), deputados capixabas protocolaram projetos de leis que visam à proibição da venda de livros para o jogo. O mesmo rebu já tinha acontecido em 2001, quando a estudante Aline Silveira Soareso foi assassinada em meio a uma partida do jogo. Os vereadores de Vila Velha chegaram a aprovar projeto de lei proibindo a comercialização dos livros (não encontrei confirmação de que o projeto tenha sido sancionado pelo Executivo local).

É isso aí. Vamos proibir a venda de livros de RPG. Vamos marginalizar os seus jogadores e taxá-los de bandidos.

Aproveitemos para banir, também, a exibição de filmes violentos e os desenhos animados de combates e tiros. Proibamos, ainda, as facas de cozinha, instrumentos de tantos crimes, e as banheiras, que podem servir para o afogamento. Ah, não esqueçamos de condenar todo e qualquer jogo de cartas, fonte potencial de apostas macabras.

Pessoas desequilibradas existem em qualquer meio. De uma forma ou de outra, acabam por extravasar sua insanidade. Podem usar como válvula de escape um jogo, um romance, uma novela ou o raio que os parta.

O que não faz sentido é tomar alguns loucos e usá-los como padrão para condenar todo um passatempo que, para noventa e nove por cento dos seus usuários, é lúdico e recreativo.

Ignorância e preconceito motivaram, ao longo da História, infinitamente mais mortes que todas as atividades de lazer somadas.