Eu voltei…

Pois é, acho que nunca fiquei tanto tempo afastada do blog. Cinco dias úteis de folga, o que resultou em pouco acesso à web; milhares de coisas para pôr em dia; faxina nos armários e outras coisinhas assim mativeram-me longe. Mas estou voltando…

Últimas notícias:

– Junho continua sendo o melhor mês do ano, na minha modesta opinião.

– A vodca e eu continuamos tendo uma relação de amor e ódio.

– Acabei O exército perdido de Cambises e comecei O Príncipe – preciso aprender a ser maquiavélica.

– Retomei a mania de ler mil coisas ao mesmo tempo e demorar um século para acabar uma mera revista.

– Ainda estou sem cd-player, e quase enlouquecendo com isso.

– As seis temporadas de Sex and the City estão passando uns dias lá em casa – Ricardo, meu querido, eu te amo!

– Últimos cds: Rita Ribeiro, Vanessa da Mata (o primeiro), Los Hermanos (o Ventura – e isso vai render um texto próprio mais tarde), Pega Vida (do Kid Abelha).

– Últimos filmes: Closer (duas vezes), Brilho eterno de uma mente sem lembranças (também duas vezes), O diário de Bridget Jones (preciso dizer?!), Ata-me (fantástico!), Jogos, trapaças e dois canos fumegantes (surpreendentemente, adorei esse filme!), Clube da Luta (um clássico do gênero) e provavelmente mais alguns que não me ocorrem agora.

– No cinema: uma pobreza. Só um filme nas últimas semanas, A pequena Lili. Recomendo, um ótimo filme sobre a alma humana e seus podres.

– Meu estoque de sopas não está resistindo ao frio siberiano desta cidade.

– Novo hobby: scrapbook.

– Louca pra mudar a cara deste blog, mas morrendo de preguiça.

E, aos poucos, voltaremos à nossa programação normal.

Vida musicada

Às vezes, era pura música. Tudo que a prendia à realidade eram os sons. Parecia-lhe que se desvanecia junto com cada acorde, renascendo no próximo, num movimento constante.

Música a envolvia, música a seduzia, música era a única forma de se aproximar dela. Tudo o mais restava inútil. Seus sentidos todos concentrados nos sons e alheios ao resto do mundo. Uma espécie autismo, uma compreensão limitada e, por outro lado, tão mais abrangente que a das pessoas ao seu redor.

Nessas horas, ou dias, tinha a sensação de não precisar de nada nem de ninguém. Pouco se lhe dava se dormia ou não, se havia comido ou se o telefone tocava. Importava-lhe somente os instrumentos e vozes que lhe chegavam como única ligação com a realidade. Eles a inebriavam como conhaque. Neles navegava, boiava, mergulhava, como em águas tranqüilas e mornas.

Sua maior vontade, seu desejo íntimo e não revelado, nessas águas sonoras, era mergulhar até as profundezas, soltando todo o ar no trajeto, para jamais voltar à tona.

Fale com Ela

O amor é a coisa mais triste do mundo quando se acaba, dizia uma canção de Jobim.
(Marco, para Lydia)

Ficha técnica

Hable con Ella. Espanha, 2002. Drama. 116 minutos. Direção: Pedro Almodóvar. Com Javier Cámara, Darío Grandinetti, Rosario Flores, Leonor Watling, Geraldine Chaplin, Mariola Fuentes.
Uma tragédia em comum une dois homens desconhecidos até então, quando eles precisam cuidar de duas mulheres que estão em coma no hospital. Dirigido por Pedro Almodóvar (Tudo Sobre Minha Mãe) e com Geraldine Chaplin e Paz Vega no elenco. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

3,5 estrelas

Sem dúvida, Fale com ela é muito mais interessante que Mulheres à beira de um ataque de nervos, comentado aqui no dia 12. Se Mulheres… puxava para a comédia do absurdo, Fale com ela volta-se decididamente para o drama. O filme conta uma história de amor triste do início ao fim, com poucas cenas de alívio para a platéia, nas quais se pode respirar mais levemente e até externar alguns sorrisos. O desfecho é arrasador, impondo uma situação em que é difícil afirmar o que é certo ou errado, moral ou imoral, bom ou mau.

Uma das cenas mais bonitas do filme, a tourada logo no início, tem como trilha sonora a belíssima Por toda a minha vida, na voz da Elis Regina. É uma das maiores declarações de amor compostas por Tom Jobim e Vinícius. Vale mencionar, ainda, a participação de Caetano Veloso, que aparece no filme interpretando Cucurrucucu Paloma, de Tomás Mendez Sosa. Para concluir esse comentário que mais parece sobre música e não cinema: a música do Tom Jobim citada por Marco (veja o comecinho deste texto) é O amor em paz.