Contando, ninguém acredita

Ainda bem que dá pra mostrar.

Em 8 de janeiro, fiz uma encomenda à Loja do iPod, no Japão. Paguei mediante boleto bancário transferência entre contas correntes e a compensação só foi acusada em 10 de janeiro. O produto foi enviado dia 11 e chegou na minha casa no último dia 16. Tempo total de espera: 8 dias corridos (ou 6 dias úteis):

Compra no Japão

Em 3 de janeiro, comprei 3 livros e 2 dvds no Submarino. Pagamento com cartão, compensação no mesmo dia. O prazo para entrega era de 5 dias úteis.

Hoje é dia 23. Conta comigo: já se passaram 20 dias corridos, 14 dias úteis.

E ainda estou esperando.

Compra no Submarino

Clique para ampliar.

Claro que já entrei em contato com o atendimento deles. Fiz questão de dizer que esses atrasos estão se tornando comuns e têm gerado grande descontentamento entre os consumidores (eu mesma já tive problemas com a empresa antes). No primeiro contato, não informaram nada que se aproveitasse. Após o segundo email, no dia 18, pediram-me para esperar até o dia 25.

Cá estou, à espera.

Agora me explica: como uma encomenda do Japão chega muito mais rápido que uma de São Paulo?

Como confiar numa loja que demora tanto para atender ao pedido? E se fosse, por exemplo, um presente de aniversário para alguém?

O que acontece com o setor de logística do Submarino, que anda num caos crescente desde a fusão com as Americanas? Será que está fazendo água?

Outros blogueiros reclamando

Se você também também teve problemas com o Submarino e escreveu a respeito, mande o link.

Spam, Spam, SPAM!

Spam é uma mensagem eletrônica não-solicitada enviada em massa. Na sua forma mais popular, um spam consiste numa mensagem de correio eletrônico com fins publicitários. O termo spam, no entanto, pode ser aplicado a mensagens enviadas por outros meios e noutras situações até modestas. Geralmente os spams têm caráter apelativo e na grande maioria das vezes são incômodos e inconvenientes.Texto retirado da Wikipédia. Os grifos são meus.

SpamSpam é uma praga. Estima-se que mais de 90% dos emails sejam spams. Eles aumentam exponencialmente o tráfego de conteúdo inútil pela web, entopem caixas postais, provocam queda de produtividade, geram um alto gasto de tempo e, conseqüentemente, de dinheiro. Ainda por cima, lotam os comentários de blogs. Todos odeiam spammers, mas blogueiros têm uma aversão ainda maior a essa raça.

Claro, há um ou outro editor (de blog, site, informativo ou whatever) que acha muito legal enviar emails não-solicitados a cada texto que publica. É gente que imagina que um aviso “ei, vai ler o post que escrevi” realmente motivará o destinatário. Gente que acha que ninguém tem mais nada pra fazer da vida. Ou, na pior das hipóteses, gente mal-intencionada, mesmo.

Geralmente, limito-me a clicar “Report Spam”. Na segunda ou terceira vez, o Gmail já aprendeue apaga a mensagem.

De vez em quando, porém, resolvo confiar na humanidade. Eventualmente, acredito nas boas intenções do cidadão. Penso “ah, vai, ele não fez por mal. Ninguém deve ter dito a ele que isso é feio (e ele não foi esperto o suficiente para perceber por si mesmo)”.

Normalmente, uso o “Report Spam” assim mesmo.

Hoje, resolvi gastar 2 minutos do meu tempo e respondi o seguinte à figura que mandou um aviso de “novo texto”:

Já pensou se todos os blogueiros do país resolvessem mandar um email a cada vez que publicassem um post?
Isso é spam. Agradeceria se retirasse meu nome da sua lista.
Atenciosamente,
Luciana Monte

Levando-se em conta que era o primeiro spam que a figura me enviava e que a lista de destinatários nem era tão extensa (sim, ela deixou a lista aberta pra quem quisesse ver e copiar – BCC é outro conceito que desconhece), pensei “ah, vale a pena mostrar-lhe o erro dessa prática”. Antes de incluir o email da criatura na lista de spammers do Gmail, tentei fazer uma boa ação.

Como dizem por aí, nenhuma boa ação ficará sem punição.

A criatura, cheia de empáfia, respondeu, entre outras coisas, que:

  • o site em questão não era um blog (ó, então, isso muda tudo)
  • incluiu meu email porque não achava que eu fosse “jornalista, editora ou alguém que se considerasse mais importante do que qualquer um”
  • estava apenas compartilhando com os amigos (preciso dizer que não sou amiga da figura?)

É nisso que dá ser bem-intencionada e querer compartilhar regras de netiqueta e civilidade. Recebo uma resposta mal-educada de alguém que, sim, acha-se tão importante que todos querem ler seus textos (bolas, se eu quisesse, já assinaria o feed). É o que ganho por tentar dialogar com gente que se acha sabe-tudo e não tem humildade o suficiente para reconhecer um erro.

Meu tempo é importante para mim e não está sobrando para ser gasto com qualquer tranqueira.

Report Spam.

Globo de Ouro 2008

Nem deu gosto acompanhar a 65ª edição do Globo de Ouro. A greve dos roteiristas, que se arrasta por meses e prejudicou as temporadas de vários seriados (com efeitos sentidos, inclusive, no Brasil, apesar de sempre estarmos alguns episódios atrasados) impediu a realização da cerimônia com o tradicional jantar, a presença dos atores consagrados, a pompa e a circunstância. Esse ano, tudo não passou de uma coletiva à imprensa mixa, sem graça, com meia hora de duração.

Desejo e Reparação ganhou o Globo de Ouro de melhor filme dramático. Assisti ontem à produção (até o fim da semana, deve ter resenha por aqui) e posso dizer que o prêmio foi merecido. Desejo e Reparação também ganhou como melhor trilha sonora.

Conduta de Risco concorreu a quatro prêmio , mas morreu na praia.

Javier Bardem (um dos elementos que elevaram a qualidade de O Amor nos Tempos do Cólera) levou o prêmio de melhor ator coadjuvante por Onde os Fracos Não Têm Vez, ainda em cartaz no Brasil.

No universo dos seriados, meu amado-idolatrado-salve-salve Hugh Laurie perdeu o prêmio de melhor ator em série dramática para Jon Hamm, por Mad Men (que ganhou como melhor série dramática). A série, ainda inédita no Brasil, passa-se nos anos 60 e trata do universo de publicitários.

O curioso é que, das 3 temporadas completas de House M.D.[bb], a terceira, que levou à indicação de Hugh Laurie nesse ano, é a melhor. A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood deve ter pensado “nah, ele já ganhou duas vezes seguidas, vamos dar chance a coisas novas”.

David Duchovny, o eterno Agente Mulder, levou o Globo de Ouro como melhor ator em série cômica. Ele interpreta um escritor em Californication, ótima série, levada ao ar pela Warner Channel no Brasil.

A festa do Oscar 2008 está agendada para 24 de fevereiro. Será que os fãs de cinema terão de contentar-se com outra coletiva tediosa?

Serviço

O Amor nos Tempos do Cólera

Ficha Técnica

  • Título original: Love in the Time of Cholera
  • País de origem: EUA
  • Ano: 2007
  • Gênero: Drama
  • Duração: 141 minutos
  • Direção: Mike Newell
  • Roteiro: Ronald Harwood, baseado no livro homônimo de Gabriel García Márquez
  • Elenco: Javier Bardem, Giovanna Mezzogiorno, Benjamin Bratt, Fernanda Montenegro, Catalina Sandino Moreno.
  • Sinopse: um homem se apaixona perdidamente por uma mulher, que também o quer. Ela é afastada pelo pai e, quando retorna, não quer mais nada com ele, que passa a acompanhar sua vida, sonhando com o momento em que ficarão juntos.

Comentários

O Amor nos Tempos do CóleraQuem leu o Amor nos Tempos do Cólera (está na minha lista para 2008) diz que o filme fica muito a dever ao livro. Conhecendo a literatura de Gabriel García Márquez[bb], não poderia ser diferente. Sua prosa é riquíssima, detalhista, poética. Amor nos Tempos do Cólera, com suas 400 páginas, dificilmente seria transposto em toda a sua plenitude.

Essa provável infidelidade do filme ao original não me incomoda. Cinema e literatura são duas linguagens muito diferentes; quando vejo uma adaptação de um livro, importa-me mais o bom desempenho do filme, analisado em si mesmo, que compará-lo ao livro para checar sua correção.

Isto posto, cabe dizer que o filme O Amor nos Tempos do Cólera é uma boa história, com poesia da primeira à última linha de roteiro. Poderia, no entanto, ser muito melhor, se não fossem alguns sérios deslizes da produção.

Duas coisas se destacam positivamente: a bela fotografia (do brasileiro Affonso Beato, de Orfeu, Tudo sobre minha mãe, A Rainha e outros) e a caracterização do protagonista Javier Bardem (Florentino Ariza), rejuvenescido e envelhecido por um trabalho cuidadoso de maquiagem . O mesmo cuidado não foi dedicado a sua parceira de tela Giovanna Mezzogiorno, que interpreta Fermina Daza.

A sinergia entre os protagonistas contribui para o andamento da história. O elenco é bom. Fernanda Montenegro também faz boa figura como mãe de Ariza. Não tem jeito, no entanto: todos os atores parecem perdidos num inglês forçado. A interpretação de Fernanda Montenegro, por exemplo, carece de força e só posso atribuir isso ao idioma.

O pior erro do diretor foi, sem dúvida, usar o inglês como idioma do filme. A língua ficou deslocada de todos os outros elementos: do cenário, da música, dos atores. Destoa, incomoda e empobrece a narrativa. Retira-lhe a musicalidade, além de esvaziar-lhe o realismo, mormente porque o elenco é composto por latinos e o inglês sai carregado de sotaque. Se o problema era a conhecida resistência norte-americana a filmes legendados, que se filmasse em espanhol e fizesse uma dublagem posterior – o resultado seria muito mais agradável para todos.

Outro aspecto do filme que me incomodou foram as canções da colombiana Shakira. Praticamente toda a trilha sonora foi construída em cima de suas composições, tornando-se monótona e, em alguns momentos, inoportuna. Nada contra a cantora; só acredito que a trilha poderia ser mais rica, mais diversificada, menos pop.

Apesar das falhas, a história de amor que atravessa mais de meio século, respaldada pelos belos cenários do século XIX, é comovente o suficiente para valer o ingresso.

Cotação: 3 estrelas

Além da Tela

Gabriel García Márquez relutou por 20 anos em ceder os direitos de filmagem de seu livro, certo de que um filme jamais conseguiria captar a essência da obra. O escritor é famoso por recusar a maior parte dos pedidos de filmagem de seus livros.

As locações foram feitas em Cartagena de las Indias, na Colômbia.

O tempo da história é o século XIX, marcado por epidemias de cólera na Ásia, África e América do Sul, registrando-se casos também na Europa. No Brasil, o cólera foi considerado erradicado no fim do século XIX, reaparecendo nos anos 1990. Em alguns estados do Nordeste, ontinua sendo uma ameaça, dadas as precárias condições sanitárias da região.

O Cólera

O cólera é causado pela bactéria Vibrio cholerae, presente na água e em alimentos crus contaminados pelos dejetos dos doentes. Causa forte diarréia, levando a um quadro grave de desidratação. Se não for diagnosticada e tratada a tempo, a doença mata em poucas horas.

A prevenção dá-se pelo cozimento dos alimentos e pela fervura da água, visto que o vibrião não suporta temperaturas superiores a 80ºC. A desinfecção de verduras e da água por meio de uma solução diluída de hipoclorito de sódio ou água sanitária também é eficaz.

O ideal, claro, para a prevenção da doença, é o investimento governamental em redes sanitárias adequadas e disponíveis a todos. Em países desenvolvidos, em que toda a população tem acesso a um sistema decente de água e esgotos, a contaminação é rara.

Serviço