Tempo de Matar

Capa antiga de Tempo de Matar
Capa antiga.

Primeiro livro de John Grisham, publicado em 1988, Tempo de Matar é considerado por muitos críticos o melhor da sua carreira.

A história é semelhante à de vários dos seus livros: advogado recém-formado precisa construir reputação e ganhar dinheiro, portanto aceita um caso difícil, com alto risco de derrota; a vitória, ainda que improvável, significaria fama e fortuna.

A trama começa quando dois homens brancos drogados violentam Tonya, uma menina negra de dez anos em Clanton, cidadezinha do Mississipi (sul dos Estados Unidos). Inconformado e certo de que não haverá justiça para os estupradores de sua filha, Carl Lee Hailey mata os dois – e, claro, vai a julgamento. É aí que entra Jack Brigance, advogado em início de carreira que tentará defender Hailey contra as provas, a opinião pública e a Ku Klux Klan. Os motivos de Brigance não são os mais altruístas no início, mas pouco a pouco o advogado vê-se envolvido e comovido pela situação da família de Hailey.

O foco do livro é a questão racial norte-americana, em evidência até hoje e muito mais nos anos 80. Naquela sociedade, é aceitável que homens brancos estuprem uma garotinha negra? Para a maioria, talvez não; para alguns, certamente sim. O que parece intolerável, porém, é que seu pai resolva se vingar. Não pelo justiçamento, mas por ser negro – como um operário negro se acha no direito de matar dois jovens brancos?

Além da questão racial, Tempo de Matar destaca-se pela discussão em torno do sistema legal, da pena de morte, da sua eficácia e dos valores a serem defendidos pelo Direito. O tribunal do júri também é posto em debate.

A história é densa, provoca a reflexão e tem viradas emocionantes. Não acho que seja o melhor livro de Grisham, no entanto. Prefiro textos posteriores, conduzidos com mais agilidade e fluência pelo advogado-escritor. Na reta final do romance, Grisham parece ansioso por terminá-lo, justo quando seria bom enrolar um pouco. Talvez a crítica incense Tempo de Matar por trazer um tema tão sensível à sociedade norte-americana, não propriamente por seus méritos literários. De toda a forma, é um livro muito bom.

A história virou um ótimo filme em 1996, com Matthew McConaughey, Sandra Bullock e Samuel L. Jackson. O livro passou anos esgotado no Brasil (meu exemplar veio da Estante Virtual), mas foi relançado em 2008.

Leia Sobre

Ficha

  • Título original: A Time to Kill
  • Autor: John Grisham
  • Editora: Rocco
  • Páginas: 535
  • Cotação: 3 estrelas
  • Pesquise o preço de Tempo de Matar.

5 lições aprendidas com a televisão

 

O bem vence o mal...

As necessidades de um superam as necessidades de muitos. (James T. Kirk)

Mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda. (Michael Corleone)

Carpe diem. Aproveitem o dia, garotos. Tornem suas vidas extraordinárias. (John Keating)

Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda, amanhã velho será, velho será, velho será. (A turma do Chaves)

O bem vence o mal, espanta o temporal. (Gorpo)

Bônus: Não há lugar como o nosso lar. (Dorothy)

(Top 5 inspirado no lindo texto A maior lição da tv é que o mundo não é preto-e-branco.)

Conheça o Cabaré das Donzelas Inocentes

Estreou ontem no CCBB de Brasília o espetáculo Cabaré das Donzelas Inocentes.  Baseada no livro Conversas de Cafetinas, de Sérgio Maggio – que, por sua vez, escreveu-o a partir de depoimentos – e maravilhosamente interpretada, a peça é sensacional.

A plateia é surpreendida já ao chegar ao CCBB. Ao invés de dirigir-se ao teatro, é convidada por um luminoso para uma entradinha lateral que deságua num salão – o salão do cabaré. Procure chegar cedo (uns 20 minutos antes da hora marcada) e se acomode em um dos pufes. Sim, pufes. Garanto que são confortáveis. Enquanto o espetáculo não começa, observe o cenário – você estará praticamente dentro dele.

Então começa a história. China é a dona do puteiro decadente onde trabalham Minininha, Cabeluda e Saiana.  Você conhecerá suas histórias, dores, amores, decepções e convicções – aliás, Saiana é “a puta mais convicta que já passou por esse salão”, nos dizeres de China. A peça tem palavrões, sim, vários deles. Afinal, você está diante do cotidiano de quatro prostitutas que não fazem a menor questão de se comportarem como damas na sala.

As histórias dessas mulheres emocionam, provocam e fazem rir, ainda mais quando se sabe que simbolizam pessoas reais. A proximidade entre o público e as atrizes torna as cenas ainda mais impactantes. As atuações, aliás, são de uma intensidade e de uma entrega tremendas.

Num tempo de Genis de carne e osso, de violência dirigida a quem usa roupa curta, de abuso contra quem tem por emprego vestir-se de coelhinha da playboy, numa época em que as próprias mulheres cometem a infâmia de dizer “ela mereceu” e em que jovens acham natural bater numa mulher porque pensaram que era prostituta, Cabaré das Donzelas Inocentes vem lembrar que seres humanos são muito mais que uma profissão ou um traje. Ao fim e ao cabo, as prostitutas encenadas são simplesmente mulheres.

Sobre mulheres, seu valor intrínseco, o valor que a sociedade lhes dá e seu direito à liberdade de fazer o que lhes der na telha, sugiro a leitura de Damas do dia, damas da noite e Piriguete Pride, dois textos curtos e diretos. Quanto ao livro que inspirou a peça, já vou atrás dele, certa de que vale a leitura.

Ficha e Serviço

  • Direção: Murilo Grossi e William Ferreira
  • Roteiro: Sérgio Maggio
  • Elenco: Bidô Galvão, Catarina Accioly, Adriana Lodi e Carmem Moretzsohn
  • Ingresso: 15 reais (R$7,50 a meia entrada)
  • Classificação etária: 16 anos
  • Horário: de quinta a sábado às 21 horas; domingo às 20 horas. Até dia 6 de dezembro.

Em tempo: a sala (novo espaço do CCBB de Brasília, inaugurado com esta peça) tem capacidade para somente 100 pessoas , portanto convém garantir a entrada antecipadamente. Os ingressos começam a ser vendidos no domingo que antecede o espetáculo, na bilheteria do CCBB, das 9h às 21h (não abre às segundas-feiras).

LuluzinhaCamp em Brasília no próximo dia 21!

Mulheres do Distrito Federal, uni-vos!
Mulheres do Distrito Federal, uni-vos!

Dia 21 de novembro acontece mais um LuluzinhaCamp em Brasília! Eu e a Srta. Bia convidamos você, mulher interneteira que habita o Distrito Federal, a comparecer e participar de uma tarde muito bacana no Balaio Café (201 Norte, Bloco B, piso superior).

Dá só uma olhadinha no que vai rolar:

Ação Solidária: desta vez, destacaremos o Papai Noel dos Correios. A idéia é reunir pessoas para ratear os custos de algumas bicicletas (o número exato dependerá das doações).

Oficinas: sobre a Amazônia com a Aninha, de maquiagem com a Lúbina Letícia, representante Mary Kay e de malabares com a Susa.

Discussões: tem blogagem coletiva à vista, sobre violência contra a mulher – ótimo tema a ser discutido e, infelizmente, mais atual do que nunca. Como bom “camp”, a pauta do LuluzinhaCamp de Brasília é livre e sempre surgem vários assuntos durante o encontro.

Bazar de Trocas: traga bijouterias e acessórios em geral, cds, dvds ou livros para trocar com as outras moças! Você traz alguns badulaques que enjoou (até o limite de cinco) e volta pra casa com novidades.

Amiga Oculta: participa quem trouxer um presentinho de 10 a 15 reais. A gente sorteia os nomes entre as participantes no vapt-vupt.

Brindes: sabonefeeds da Srta. Bia (claro que não podem faltar), peças da Primosia, um kit da Natura oferecido pela Janaína e um da Mary Kay ofertado pela Lúbina Letícia. Além disso, outros brindes estão viajando agorinha pra Brasília. Veja a lista.

Lembramos que o principal, no LuluzinhaCamp, é a confraternização, a troca de ideias e o bate-papo entre interneteiras. Você participa da ação solidária, do bazar de trocas e da amiga oculta se quiser. O importante é comparecer!

Você encontra mais informações no blog oficial do LuluzinhaCamp.

Espero você lá, a partir do meio-dia!