Ironia

Veja só como são as coisas: deixei alguns artigos pré-agendados para serem publicados durante minha viagem, para que o Dia de Folga não ficasse às moscas. A viagem já acabou, os textos agendados também… e não consigo atualizar o DF – ao menos, não do modo como gostaria.

O caso é que meu computador decidiu prolongar as férias dele por conta própria, pifando de uma forma absurda e preocupante. Até conseguir uma solução – e, com um pouco de sorte, os GB de dados que estão presos lá – vou me virando como for possível.

Ah, sobre o Oscar. Pois é, ganhou Onde os Fracos Não Têm Vez. O filme tem pontos fortes e grandes qualidades, é verdade. Algumas das estatuetas foram merecidas. A de melhor filme, no entanto, continuo achando um exagero. Mas essa é a graça do Oscar: ver os indicados, assistir à cerimônia morrendo de sono e tédio, discordar dos premiados e esperar pela festa do ano que vem.

Pensando bem… é, dá pra entender por que tanta gente não vê graça no Oscar.

Serviço

Onde os Fracos Não Têm Vez

Ficha Técnica

  • Título original: No Country for Old Men
  • País de origem: EUA
  • Ano: 2007
  • Gênero: Suspense
  • Duração: 122 minutos
  • Direção: Ethan Coen e Joel Coen
  • Roteiro: Ethan Coen e Joel Coen, baseado em livro de Cormac McCarthy[bb].
  • Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald.
  • Sinopse: um caçador (Josh Brolin) pega uma valise cheia de dinheiro após encontrá-la com um traficante de drogas abandonado no deserto. Um assassino psicótico (Javier Bardem) parte em seu encalço e, por sua vez, é seguido pelo xerife local (Tommy Lee Jones).

Comentários

Onde os Fracos Não Têm Vez Sou a primeira a defender que filmes não precisam e não devem ser mastigadinhos e que pontos de interrogação tornam os roteiros mais interessantes, mas Onde os Fracos Não Têm Vez[bb] exagera. Você sai do cinema com a nítida sensação de que pegou o bonde andando, sentou na janelinha e foi jogado pra fora antes do ponto.

Pegar o bonde andando não foi nada, já que é fácil acompanhar o trajeto. Ruim mesmo foi, depois de 2 horas, olhar para a telona com cara de “acabou mesmo?”, como o restante do cinema. Embora a cena final não tivesse nada de engraçada, o corte foi tão abrupto que uma parte da platéia soltou risadinhas nervosas.

Inegavelmente, o filme é muito bem realizado. As locações, as interpretações e os diálogos passam perfeitamente o clima de tensão, perseguição e luta pela sobrevivência. A direção dos irmãos Coen é excelente. O encadeamento de cenas é ótimo e os diálogos enriquecem o filme. Mesmo assim, falta alguma coisa – algo como uns 20 minutos a mais.

Motociclistas (não confunda com motoqueiros ou motoboys) costumam dizer que o importante, numa viagem, não é a chegada, mas o trajeto. Onde os Fracos Não Têm Vez apóia-se nessa premissa, acreditando que o fundamental é a caçada. Só que quando você vai ao cinema, naturalmente espera um desfecho para 2 horas de projeção. Mesmo que seja um desfecho aberto (por contraditório que seja), daqueles que oferecem múltiplas interpretações e tornam o filme mais interessante justamente por isso. Onde os Fracos Não Têm Vez não se dá nem a esse trabalho – está mais para Você Decide que para Vanilla Sky[bb].

Onde os Fracos Não Tem Vez é o recordista de indicações ao Oscar 2008: concorre às estatuetas de melhor filme, melhor direção, melhor ator coadjuvante (Javier Bardem), melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor som, melhor edição de som e melhor edição. A fotografia e o som, realmente, são excelentes. A interpretação de Javier Bardem é impecável, muito superior ao que mostrou no recente O Amor nos Tempos do Cólera. Diga-se de passagem, aliás, que Tommy Lee Jones e Josh Brolin também estão excepcionais, completando magnificamente o trio que se reveza nos papéis de caça e caçador.

Agora, melhor filme de 2008? Vamos lá, Academia: não queira ser mais realista que o rei ou, em termos cinéfilos, mais cult que os cults.

P.S.: este texto foi agendado. Você, que está lendo agora, já assistiu ao Oscar e sabe se Onde os Fracos Não Têm Vez levou ou não. Aproveite e conte o que achou da premiação.

Cotação: 3 estrelas

Serviço

Carne de Sol na Moranga

Se você gostou da receita de Camarão na Moranga, mas prefere uma alternativa sem frutos-do-mar, ou quer variar o cardápio, siga essa receita de carne-de-sol na moranga, saborosíssima.

Ingredientes

Ingredientes para a Carne de Sol na Moranga

  • 1 quilo de carne-de-sol
  • 1 abóbora moranga média
  • azeite
  • 2 cebolas médias bem picadas
  • 2 tomates sem pele e sem sementes, picados
  • um punhado de salsinha picada
  • pimenta-do-reino a gosto
  • azeitonas (opcional)
  • pimenta de cheiro a gosto (opcional)
  • 1 pacote (400 gr.) de requeijão para uso culinário (“catupiry”)

Você também precisará de

Preparo

Encha uma panela com água, mergulhe a carne-de-sol e deixe cozinhar muito bem, para retirar o excesso de sal e deixá-la macia. Esse cozimento deve levar mais ou menos 1 hora.

Enquanto a carne cozinha, abra uma tampa no alto da abóbora e retire suas sementes e fibras com uma colher grande (não retire a polpa). Não jogue a tampa fora.

Desfie a carne cozida, retirando gorduras e nervos se houver.

Carne de Sol na Moranga Frite as cebolas no azeite. Acrescente os tomates, a salsinha, a pimenta-do-reino e os demais temperos que queira usar: azeitonas, pimenta de cheiro, louro… Refogue bem e acrescente a carne de sol desfiada, refogando por mais cinco minutos.

Forre o fundo da moranga com metade do catupiry e encha-a com a carne de sol temperada. Cubra com o catupiry restante.

Tampe a abóbora e, numa assadeira, leve-a ao forno médio por aproximadamente 1 hora, ou até que fique macia. Você testa o ponto enfiando um palito, que deve entrar facilmente.

Dicas e Complementos

Carne de Sol na Moranga Se a carne-de-sol estiver muito salgada, troque a água do cozimento umas 3 vezes para dessalgá-la. Isso nem sempre é necessário – depende da carne que você comprou.

Para desfiar a carne sem muito esforço, firme-a contra uma vasilha com um garfo e vá desfiando com outro.

Sirva com arroz branco e abra um bom vinho tinto para acompanhar.

  • Tempo de preparo: 3 horas
  • Grau de dificuldade: média
  • Rendimento: 4 porções generosas