Essa semana, duas novas adições às indicações de blogs: a Casa da Cris, e o Blog do Tas. A Cris me descobriu primeiro, passei por lá pra conferir e tornei-me leitora. O Tas falou do próprio blog no Saca-Rolha (programa que apresenta na Rede 21 e que mencionei aqui na semana passada).
Papo multimídia
– Adoro o som da Danni Carlos. Ontem, descobri que adoro só o som, mesmo. A entrevista dela no Jô Soares foi, no mínimo, decepcionante.
– Por outro lado, outro dos convidados de ontem foi o escritor e crítico literário Silviano Santigado. Entrevista interessante e inteligente, como há muito eu não via naquele programa.
– A propósito, sou só eu que acho, ou aquele terno de veludo cotelê verde do Jô é realmente medonho?
– E dois programas da tv aberta (não, não tenho tv a cabo, preciso contentar-me com Globo, SBT e afins) têm se mostrado, no mínimo, curiosos. O primeiro é o Saca-Rolha, apresentado por Marcelo Tas, Lobão e Mariana Weickert, na Rede 21, Às 22h30m. Meia hora de um talk show que, por menos útil que se mostre, consegue atrair a atenção pelo exotismo dos apresentadores. O outro programa, no ar há mais tempo, é o Fora do ar, veiculado pelo SBT todas as quartas-feiras às 23h e apresentado por Adriane Galisteu, Cacá Rosset, Hebe Camargo e Jorge Kajuru. Os quatro comentam fatos da semana em tom crítico, sem aliviar ninguém. As opiniões mostram-se, às vezes, um tanto polêmicas e até retrógradas – o que é um ótimo material para debate entre amigos no dia seguinte.
– Na última quarta-feira, por exemplo, Cacá citou uma frase do Clube da Luta como se fosse sua para criticar os publicitários. A frase: “A publicidade nos faz trabalhar em empregos de que não gostamos para comprar coisas das quais não precisamos.” O motivo da citação: criticar e condenar todos os publicitários, defendendo a idéia de que seria melhor se não existissem. Claro que o objetivo maior era polemizar.
Adorável Julia
Ficha técnica
Being Julia. Inglaterra, 2004. Comédia. 105 minutos. Direção: István Szabó. Com Annette Bening, Jeremy Irons, Bruce Greenwood, Miriam Margolyes.
Refilmagem de filme homônimo de 1962, baseado em peça teatral de W. Somerset Maugham. Julia Lambert (Annette Bening) é uma atriz que trabalha no teatro de Londres em 1938. Após ser humilhada por seu jovem amante e traída pelo marido, ela dá a volta por cima usando os palcos para tramar sua vingança. O filme rendeu a Annette Bening a indicação ao Oscar de melhor atriz.
Mais informações: Adoro Cinema.
Comentários

Comédia, sim. Só que inglesa, com aquele senso de humor refinado e cruel que os moradores daquele país cinzento fazem questão de desenvolver tão bem.
Sob certos aspectos, Adorável Julia poderia até ser classificado como drama. Na verdade, é uma farsa, um jogo – o que faz todo sentido com o tema do filme e a vida da protagonista, atriz de teatro. Entre idas e vindas, tem-se um casamento pouco convencional, especialmente para o padrão dos anos 30; um romance entre uma mulher de meia idade e um rapazola, com todos os clichês pertinentes ao caso; a velha e preconceituosa analogia entre atrizes e prostitutas, tão comum ao longo dos tempos.
O que poderia ser uma trama repleta de clichês e completamente previsível torna-se, ao contrário, tremendamente interessante, prendendo a atenção da platéia, levando-a ao riso facilmente e despertando a admiração do público tanto pelo trabalho de Annette Bening (mais que merecida a sua indicação ao Oscar) quanto pela personagem que interpreta, Julia Lambert. Julia encarna um pouco do que há de melhor e de pior na alma feminina: a o amor, a abnegação, a insegurança quanto à própria aparência, a vingança com requinte de crueldade, a perversidade feminina, a capacidade de dar a volta por cima. Nós, mulheres, rimos muito com o filme, mas é um riso ambíguo, misto de respeito e vergonha por entendermos tão bem as atitudes de Julia.
O conselheiro de Julia, interpretado por Bruce Greenwood e responsável por alguns dos melhores textos do filme, funciona como uma espécie de “grilo falante” e, ao mesmo tempo, de ponto de apoio.
Destaque para a beleza da atriz, que lembra muito a Nicole Kidman (mais velha, evidentemente).
De Olhos Bem Fechados
Não acha que um dos encantos do casamento é tornar
o fingimento uma necessidade para ambas as partes?
(Para Alice, no baile do início do filme.)
Ficha técnica
Eyes Wide Shut. EUA, 1999. Drama. 159 minutos. Direção: Stanley Kubrick. Com Tom Cruise, Nicole Kidman, Madison Eginton, Jackie Sawris, Sydney Pollack, Leslie Lowe.
Bill Harford (Tom Cruise) é casado com a curadora de arte Alice (Nicole Kidman). Ambos vivem o casamento perfeito até que, logo após uma festa, Alice confessa que sentiu atração por outro homem no passado e que seria capaz de largar Bill e sua filha por ele. A confissão desnorteia Bill, que sai pelas ruas de Nova York assombrado com a imagem da mulher nos braços de outro.
Mais informações: Adoro Cinema.
Comentários
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O que você vê é o que é real? O que é real é visto por você? São essas as perguntas que Kubrick faz ecoar durante toda a narrativa. Ao mesmo tempo, questiona-nos sobre se a sinceridade total e irrestrita é uma boa coisa. Talvez a omissão seja a melhor saída, em certos casos, para não ferir sentimentos. Ou não.
De olhos bem fechados é inquietante e perturbador, e isso não se deve às suas tão comentadas cenas de sexo. O filme prende pelo aspecto psicológico, mesmo. Kubrick criou uma trama densa, um enredo em que é impossível dar sequer um suspiro de alívio. São pontos determinantes para gerar toda essa tensão a trilha sonora (indicada ao Oscar), com um tema principal conduzindo todo o filme, e a iluminação, habilmente manejada.
Numa história que acontece muito mais dentro da imaginação dos personagens do que no ambiente exterior a eles, o espectador é levado a refletir sobre ciúmes, vingança, lealdade, desejo e confiança. Acima de tudo, depara-se com a velha máxima “nem tudo é o que parece ser”, num alerta sobre o perigo do julgamento precipitado.
O filme é baseado no romance Traumnovelle, de Arthur Schnitzler.