Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá!

Não existe nada mais sinistro que o Happy Tree Friends. Aquelas criaturinhas tão fofas, tão meigas, tão cute-cute sendo massacradas, esquartejadas, esfareladas. Bichinhos adoráveis esvaindo-se em sangue.

Um episódio por semana deve causar mais danos psico-emocionais que qualquer filme do Tarantino. Clube da Luta parece filminho infantil perto das animações do HTF.

O vídeo mais recente está bem levinho, é verdade. Quase ingênuo. Nem tem muitos miolos esparramados pelos quatro cantos.

Casas mal-assombradas

Antigamente, as histórias de terror contadas em noites escuras preocupavam-se em assustar usando o próprio imaginário do ouvinte, pouco importando-se em descrever monstros repugnantes e tripas ensangüentadas.

Contando com efeitos especiais cada vez melhores, o cinema encarregou-se de inverter as prioridades, dando mais destaque à imagem do que à ambientação psicológica. Nessa linha surgiram, nos anos 80, as duas séries de terror mais famosas de todos os tempos: Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, protagonizadas pelos horrendos Jason Voorheess e Freddy Krueger, respectivamente.

Nos últimos anos, os produtores de filmes de terror parecem ter percebido a saturação da fórmula monstro-assustador-ataca-novamente-e-mata-mocinha e voltaram a se preocupar com o suspense, o horror que nasce na cabeça do espectador, a tensão psicológica. Essa tática é muito mais eficiente em causar sustos do que a anterior. O cinema de terror japonês já sabe disso há tempos e a utiliza largamente – não é por acaso que Hollywood tem visitado a Terra do Sol Nascente para garimpar seus filmes e fazer remakes.

Três lançamentos seguem a linha o-perigo-está-na-sua-cabeça. Coincidentemente, vi os três trailers na seqüência, antes de Sin City. Mais coincidência ainda, todos trazem o lar-doce-lar como vilão.

Faz sentido. É possível evitar uma pessoa que pareça má e feia e, assim, escapar do perigo. É mais difícil quando ele está dentro do próprio lar, no recinto que deveria ser sinônimo de segurança e aconchego, entre as paredes que abrigam tudo que temos de mais querido, material e emocionalmente falando.

As três produções em questão são Água Negra, A Chave Mestra e Horror em Amityville.

Água Negra (Dark Water) é refilmagem do japonês Honogurai Mizu No Soko Kara (de Hideo Nakata, o mesmo diretor dos também japoneses O Chamado e O Chamado 2) e traz a inusitada direção do brasileiro Walter Salles. A tensão não se passa numa casa propriamente dita, mas em um apartamento. Dos três filmes, é o único que já está em cartaz. Tem recebido algumas críticas ruins. Provavelmente porque, acostumada ao susto fácil de caras feias, a platéia americanizada não está habituada a deixar-se envolver pela história dos personagens e, conseqüentemente, não tira proveito do suspense psicológico típico do horror japonês. Até pode ser que o remake seja mesmo uma grande porcaria, mas quero dar-lhe o benefício da dúvida.

A Chave Mestra se passa numa mansão e envolve magia negra. Com estréia prevista para 26 próximo, tem cara de clichê e foi o trailer que menos me chamou a atenção.

Horror em Amityville também é refilmagem. A produção original, A Cidade do Horror (de 1979), é norte-americana e rendeu quatro seqüências. A história inspira-se em fatos reais, ocorridos por volta de 1974: a casa foi palco do assassinato da família DeFeo e de eventos sobrenaturais que atormentaram seus moradores seguintes, a família Lutz. Os eventos macabros tornaram-se livro em 1977, pelas mãos de Jay Anson. Um dos produtores dessa nova versão Michael Bay, também co-produziu a refilmagem de 2003 do cult O Massacre da Serra Elétrica.

Três películas a conferir. Resta saber se terei coragem. Morro de medo de ver filme de terror. Sério.

Sin City – A Cidade do Pecado

Ficha técnica

Sin City. Estados Unidos, 2005. Aventura. 126 minutos. Direção: Frank Miller, Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. Com Bruce Willis, Mickey Rourke, Jessica Alba, Clive Owen, Nick Stahl, Powers Boothe, Rutger Hauer, Elijah Wood, Benicio Del Toro.

Sin City é uma cidade que seduz as pessoas. Nela vivem policiais trapaceiros, mulheres sedutoras e vigilantes desesperados, com alguns estando em busca de vingança e outros em busca de redenção. Um deles é Marv (Mickey Rourke), um lutador de rua durão que sempre levou sua vida a seu modo. Após levar para casa a bela Goldie (Jaime King), ela aparece morta em sua cama. Isto faz com que Marv decida percorrer a cidade em uma jornada pessoal, em busca de vingança. Além dele há Dwight (Clive Owen), um detetive particular que tenta a todo custo deixar seus problemas para trás. Após o assassinato de um policial, Dwight se apresenta para proteger suas amigas, as damas da noite. Há também John Hartigan (Bruce Willis), o último policial honesto da cidade, que restando apenas uma hora para se aposentar se envolve na tentativa de salvar uma jovem de 11 anos das mãos do filho de um senador.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

2,5 estrelas

Não conheço os quadrinhos que deram origem ao filme. Na hora de analisá-lo, esse desconhecimento é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom, porque posso apreciar o filme sem fazer comparações para pior ou melhor. Ruim, porque não sei até que ponto a versão cinematográfica é fiel aos quadrinhos de Frank Miller.

Sin City, indiscutivelmente, é uma produção que merece ser vista. De preferência, na telona. O filme perderá boa parte do impacto se assistido pela televisão. É preciso acompanhar o jogo de câmeras, as poucas colorizações, as tomadas alucinantes, o sangue branco, tudo isso no cinema, em grande estilo.

Embora algumas cenas lembrem bastante Matrix – o marco revolucionário quando se fala em filmes de ação – Sin City tem linguagem visual própria. Personagens que voam pelos ares, tiros que não matam e sangue esguichando fazem parte dela. Quase dá pra ver os “POW”, “BANG” e “CRASH” escritos na tela, como no seriado Batman dos anos 60. É o ritmo frenético que consegue manter o espectador ligado por mais de duas horas.

E é só isso, mesmo.

As histórias são superficiais e os personagens são rasos, sem qualquer densidade psicológica. Não por culpa dos atores, todos excelentes. É que, simplesmente, não há entrelinhas. Tudo está escancarado nas fortes imagens projetadas. Há algum suspense, é verdade, e umas reviravoltas, mas nada que seja intrigante ou profundo. A violência é o ponto de partida e de chegada, sem qualquer desvio, no melhor estilo Pulp Fiction.

Violência por violência, apesar de toda a tecnologia empregada em Sin City, ainda prefiro Clube da Luta.

Notinhas

  • Quem gosta de Calvin e Haroldo e conhece o detetive que habita as fantasias desse menino levado vai morrer de rir com a primeira cena do policial interpretado por Bruce Willis.
  • O discurso do Senador Roark, lá pelo fim do filme, deve ter sido baseado na postura do José Dirceu.