Posso?

Quando comecei o Dia de Folga, pelos idos de 2003, tive a idéia de fazer textos com dicas básicas para quem mora sozinho: o que comprar para a casa nova, como cuidar da roupa, a escolha da faxineira, como fazer a limpeza por conta própria, yada, yada, yada.

Desisti da idéia antes de dar início à série por achar que, no fim das contas, eu não tinha nada de novo a acrescentar. Desde que o mundo é mundo, algumas verdades são absolutas e conhecidas de todo o ser humano. Por exemplo: lençóis de cores fortes costumam ser uma péssima idéia – mancham roupas, têm que ser lavados separadamente, ficam com aspecto de velhos muito rapidamente.

Mas, afinal, todo mundo sabe disso.

Bem… quase todo mundo.

Depois dessa, estou pensando seriamente em escrever o tal guia de Pequenas Orientações para Solteiros Sozinhos. 😉

Quão viciado(a) em blog é você?

Todo mundo publicou seus resultados, eu também vou publicar:

75%How Addicted to Blogging Are You?

Nada como (quase) dois dias (quase) sem blog para me lembrar do meu vício e, conseqüentemente, do teste que circula pela blogosfera desde a semana passada.

Se você passou os últimos dias em Marte e ainda não ouviu falar desse teste, clique na imagem acima ou siga o link: How Addictedto Blogging Are You? (yep, o teste está em inglês).

5 livros marcantes

O Adão Braga já havia me convidado no mês passado, e esta semana o Norberto Kawakami também se lembrou de mim. Eles perguntam quais os 5 livros que mais me marcaram.

Vou aproveitar a mesma lista que fiz para o Top 5 proposto pelo Darren Rowse em maio:

Se você quiser saber por que escolhi esses livros, vá ao artigo original e leia meus comentários sobre cada um deles.

Para não ficar só no control+c-control+v, resolvi deixar mais cinco indicações para os leitores de plantão:

O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint Exupery[bb]: eu sei, parece coisa de “miss”, mas a verdade é que todo mundo deveria ler esse livro algumas vezes durante a vida. Cada leitura revela novas nuances.

Contato, de Carl Sagan: como seria o contato com seres extraterrestres? Carl Sagan criou um romance de ficção científica permeado por discussões éticas e confrontos entre ciência e religião.

O Nome da Rosa, de Umberto Eco: na Idade Média, época em que a Igreja ditava a verdade e detinha o saber, cabe ao frade Guilherme de Baskerville lançar lógica sobre as trevas e desvendar misteriosas mortes.

O Ponto de Mutação, de Fritjov Capra: livro de não-ficção, em que humanismo e ciência exata se encontram a fim de propiciar uma visão holística sobre o ser humano. Não é um livro místico, mas científico.

O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder: um passeio por diversas correntes filosóficas, desde os pré-socráticos até os existencialistas. Ao contrário de O Ponto de Mutação, sua leitura é leve e romanceada.

Enquanto fazia a lista, notei que os cinco livros têm muito em comum. Em todos, são abordadas mistérios inerentes à condição humana. De que somos feitos? O que acontece quando morremos? Estamos sozinhos no universo? Existe uma divindade a olhar por nós? Questões eternas, que já consumiram rios de tinta e sempre conduzem à resposta socrática: “só sei que nada sei”.

Para dar continuidade à tag, relacionando 5 livros marcantes, indico os blogueiros:

Shrek Terceiro

Ficha Técnica

Shrek The Third. EUA, 2007. Animação. 93 minutos. Direção: Chris Miller. Com as vozes de Mike Meyers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, Julie Andrews, John Cleese, Rupert Everett, Eric Idle e Justin Timberlake.

O rei Harold (John Cleese), pai de Fiona (Cameron Diaz), morre repentinamente. Com isto Shrek (Mike Myers) precisa ser coroado rei, algo que ele jamais pensou em ser. Juntamente com o Burro (Eddie Murphy) e o Gato de Botas (Antonio Banderas), ele precisa encontrar alguém que possa substituí-lo no cargo de soberano do Reino de Tão, Tão Distante. O principal candidato é Artie (Justin Timberlake), um jovem desprezado por todos em sua escola, que é primo de Fiona.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

3 estrelas

Shrek Terceiro Parece que a Dreamworks perdeu a mão nesta edição da franquia Shrek. Não que o terceiro filme seja ruim – não é. Mas também não chega aos pés dos dois primeiros.

O primeiro episódio da vida do ogro contou com o elemento-surpresa. Para começar, um monstro é o herói. Os personagens de conto-de-fadas são tirados de seu habitat, tira-se um sarro com cantoria típica da Disney, as tradiçõessobre histórias encantadas são ignoradas. De quebra, Eddie Murphy encarna um Burro Falante – com as feições do ator, além da sua voz – pra lá de engraçado. Shrek faz o bem, mesmo agindo por motivos inicialmente egoístas. A moral da história, “quem vê cara não vê coração” contraria os estereótipos da Disney, que valoriza o belo (ninguém nunca se perguntou sobre o caráter da Branca de Neve).

Em Shrek 2, o Gato de Botas rouba a cena. Antonio Banderas empresta sua voz latina ao felino malandro e cativante – quem nunca se derreteu ao ver seu olhar carente, atire a primeira pedra, ou a primeira bola de pêlo. O Burro está de volta, mais falante (e irritante) que nunca. O trio de inusitado precisa lutar contra o Príncipe Encantado e a Fada Madrinha, tradicionais heróis nos contos-de-fadas. Novamente, a desconstrução dessas tradições é bem feita. Recheado de referências a outros filmes, como Missão Impossível, o segundo filme da franquia conseguiu ser mais divertido que o primeiro e criou expectativas em relação ao próximo episódio.

Finalmente, chega Shrek Terceiro. O Burro e o Gato estão lá. O dragão do primeiro filme, também. Shrek, Fiona, Fada Madrinha, Príncipe Encantado, um bando enorme de vilões, as princesas-dondocas, todos os elementos e outros mais estão presentes. Mesmo assim, falta algo.

Há cenas engraçadíssimas, sim, especialmente no início da película. O rei que vira sapo ao se aproximar da morte é uma grande sacada. As referências à cultura norte-americana também são divertidas. O grau de realismo do filme é impressionante, superando largamente seus antecessores. Na primeira cena, vemos um galopante Príncipe Encantado tão caprichado que parece de carne e osso. O detalhismo é marcante em várias cenas e nas curiosidades de produção: movimentos de líderes de torcida foram exaustivamente estudados para dar realismo às mocinhas do colegial; desfiles de roupas de época ajudaram a compor o figurino da animação.

O que falta, então?

Roteiro.

A impressão que Shrek Terceiro passa é que tudo foi muito bem pensado e executado, menos o argumento. A história simplesmente não cativa, mal conseguindo prender a atenção do público. Algumas cenas são tediosamente longas. As boas tiradas dos primeiros filmes não são tão constantes aqui. A ironia cede espaço para a tentação de contar uma história muito explicadinha.

Se para os adultos o filme carece de ritmo, para crianças pequenas o desinteresse deve ser ainda maior. Nós ainda achamos graça no sapo moribundo, lembrando dos sapos que viram príncipes; rimos com as dondoquinhas Cinderela, Bela Adormecida, Rapunzel e Branca de Neve e divertimo-nos com o movimento feminista puxado pela Rainha; recordamos a adolescência vendo as cenas na escola de Artie . As crianças não aproveitam esses momentos e não são agraciadas com um filme ágil.

Ainda tive o azar de assistir à versão dublada – em Brasília, não estava sendo exibida a legendada. Fazem muita falta as vozes de Eddie Murphy e Antonio Banderas. A dublagem do ogro, que era a melhor de todas, também se ressentiu da ausência de Bussunda, falecido em 2006 e substituído pelo dublador profissional Mauro Ramos – excelente, mas não tão carismático quando o Casseta.

Apesar dos defeitos, Shrek Terceiro é sucesso de bilheteria, garantindo a execução de Shrek 4 (provavelmente em 2010) e Shrek 5. Não posso deixar de duvidar da qualidade destas seqüências. Caça-níqueis também tem limites.

O ponto alto, além da riqueza de detalhes da animação, é a trilha sonora recheada de rock, tão boa quanto as dos dois primeiros episódios.

Além da Tela

De todos os brinquedos baseados em filmes , o Gato de Botas de pelúcia é, disparado, o mais fofo. Siga o link e lamente o preço.

Falando no Gato… Em maio a Revista Época publicou matéria em que questionava a desconstrução dos contos-de-fadas feita por Shrek e apresentada a um público mirim que ainda nem teve a chance de conhecer as versões “normais” dos tais contos. A matéria era bem interessante e concluía perguntando: será que alguma criança ainda lê a história original do Gato de Botas?O Gato de Botas, por Gustava Doré

Bem, eu li quando criança uma bela adaptação do conto de Charles Perrault sobre o esperto gatinho do Marquês de Carabás. Recomendo. Há algumas versões na web. A do site Projeto Contos de Fadas é curta e simples; uma versão um pouco mais elaborada da história é recomendada para crianças mais adiantadas na leitura. A leitura do conto confirma que nada se cria, tudo se copia: o Gato de Botas malandro de Shrek está bem presente nele.

A ilustração ao lado foi feita por Gustave Doré (1832-1886); encontrei-a na Wikipédia que, aliás, traz um verbete sobre Charles Perrault, autor de outros contos famosos, como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho.