Dia de Folga em versão Super Trunfo

O Dia de Folga virou carta de Super TrunfoDando prosseguimento ao momento egotrip, informo que o Dia de Folga virou carta de Super Trunfo.

Um povo meio doido – e com tempo livre de sobra – acaba de lançar o clássico jogo de cartas dos anos 80 em versão blogosférica. O Super Trunfo Blogs é uma espécie de ranking altamente subjetivo, totalmente questionável e tremendamente criativo. O Dia de Folga está lá, na companhia de uma pá de blogs que conheço e de alguns dos quais nunca tinha ouvido falar, mas visitarei em breve.

A nota 5 para o layout mostra que é hora de criar vergonha na cara e começar a procurar alguém que dê um visual mais caprichado ao DF. Ei, mas 5 é média, dá pra passar de ano!

9 no quesito “textos” é que foi legal. Agora, 10 em “paranóia adsense”? Logo eu, que nem falo do que dá dinheiro?!

Tem blogueiro falando em imprimir o baralho e armar a jogatina para o próximo BlogCamp. Alguém duvida?

Twitter no Estadão

O twitter e eu - foto de Ed Ferreira para a reportagem do Estadão.Para quem, como a Bia, está se perguntando o que é esse tal de twitter, o Filipe Serrano fez uma matéria para o Caderno Link (O Estado de São Paulo) que dá um panorama do que é o serviço: uma “futilidade útil”, um bombril virtual, com 1001 utilidades.

Eu e o Cris Dias – um dos maiores incentivadores do twitter no Brasil, graças ao seu ranking da twittosfera – fomos convidados a dar pitacos. A reportagem também saiu na versão impressa.

Já que nem a edição em papel nem a online trouxeram os links, aqui vão: meu twitter e o do Cris Dias.

Um teatro a cada esquina

A farta vida cultural é uma das coisas que mais me encantam em São Paulo. No que tange a peças teatrais, então, a abundância é impressionante. Brasília tem poucos teatros, raramente é favorecida com grandes montagens e, quando isso acontece, o preço é exorbitante. Quando o valor é razoável, como no caso das apresentações no Centro Cultural Banco do Brasil, a temporada é curtíssima, a procura é enorme e você tem que passar longas horas na fila, dias antes do evento (e ainda contar com a sorte) para conseguir um ingresso.

Em São Paulo, você esbarra com montagens famosas e/ou interessantes a cada passo. Não conseguiu comprar antecipadamente? Não se preocupe, você encontra um ingresso em cima da hora (ainda que não seja no melhor lugar). As temporadas são longas, a oferta é vasta e, por maior que seja o público, sempre cabe mais um.

Dessa vez, assisti a três espetáculos.

Miss Saigon

5 estrelas

Miss Saigon Amo musicais, mas não estava empolgada para ver Miss Saigon. Não conhecia a história, nem as músicas. Uns amigos insistiram, e acabei me rendendo – ainda bem. Miss Saigon tem um elenco incrível, que interpreta músicas belíssimas, unidas de forma a construir uma história emocionante.

Um dos protagonistas, Victor Hugo Barreto (John), é bem conhecido dos brasilienses apreciadores de musicais, e faz bonito. Aliás, Brasília tem lançado grandes talentos do teatro musical. Outro deles também integra o elenco: Sandro Sabbas, no papel de um dos soldados.

O personagem masculino principal cabe a Nando Prado (Chris), o mesmo ator que fez o Raoul na montagem O Fantasma da Ópera – diga-se de passagem que o personagem de Miss Saigon é muito mais envolvente e dramático que o insosso Raoul.

Quem rouba a cena, no entanto, é o personagem Engenheiro, interpretado por Marcos Tumura. O Engenheiro alivia a carga de drama e tensão da história, propiciando boas risadas à platéia.

As montagens no Teatro Abril são sempre grandiosas, com cenários complexos e surpresas reservadas. Miss Saigon não decepciona. Há efeitos visuais de cair o queixo, aliados a efeitos sonoros que conferem realismo ao musical.

Comprei meu ingresso em Brasília mesmo, via Fnac, uma semana antes da viagem. Foi antecedência suficiente para garantir o melhor lugar do teatro. Ao contrário do que aconteceu com O Fantasma da Ópera, até se consegue comprar um ingresso na hora do espetáculo e ainda conseguir uma poltrona razoável.

Para os amantes do estilo, Miss Saigon é imperdível.

Serviço

Miss Saigon fala do amor nascido durante a Guerra do Vietnan entre um soldado norte-americano e uma vietnamita. Inspirado na ópera Madame Butterfly, a clássica história de amor impossível de Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg é uma produção de Cameron Mackintosh – responsável também por outros grandes êxitos, como: Cats, Les Misérables e O Fantasma da Ópera. O musical, um dos mais premiados da história, conta com 18 músicos e um elenco de 40 artistas. (Sinopse extraída do texto oficial.)

Recomendado para maiores de 12 anos.

  • Local: Teatro Abril – Rua Brigadeiro Luiz Antônio, 411, Bela Vista, São Paulo, SP.
  • Duração: aproximadamente 2 horas e 40 minutos.
  • Horários: de quarta a sexta-feira, às 21 horas; sábado, às 17 e 21 horas; domingo, às 16 e 20 horas.
  • Preço: 65 a 150 reais (entrada inteira)

Informações retiradas do site Ticketmaster Brasil, que traz mais detalhes.

Closer

5 estrelas

Closer Essa, eu não podia deixar de ver. O filme, um dos meus Top 5, é uma adaptação da peça homônima do escritor inglês Patrick Marber. Em entrevista dada a Rachel Ripani (que faz Alice e também é produtora do espetáculo), Marber garante que se trata de uma comédia. O público ri, de fato, mas é aquele riso nervoso de quem se identifica com uma situação difícil. A comédia é irônica, como cabe ao humor inglês.

O sofrimento causado por paixões frustradas está presente o tempo todo na história dos dois casais que se misturam e confundem a si e ao outro. Uma dança de verdades e mentiras, ao som de sentimentos variados e contraditórios como carinho, necessidade, piedade, dor, dependência. Em outras palavras, uma síntese precisa desse tal de amor, tão falado, superestimado, romantizado. Em Closer, a visão do amor é pra lá de realista e choca quem insiste em acreditar em contos-de-fadas.

No palco, o quarteto interage com um cenário simples, sombrio, complementado pela bela trilha sonora original da peça. Uma boa sacada foi aproveitar a vista que se tem dos prédios de São Paulo para compor o plano de fundo em algumas seqüências, suspendendo-se o painel negro do cenário.

Encantou-me João Carlos Andreazza que, além de desempenhar com excelência o papel do dr. Larry, transborda charme. Rachel Ripani foi a que menos me cativou; não consegui me desvencilhar da interpretação de Natalie Portman, insistindo nas comparações. Em todo caso, é inegável Rachel estava excelente nas cenas fortes que cabem à sua personagem.

O texto original traz um desfecho mais dramático que a versão para o cinema (roteirizada pelo próprio Patrick Marber) e algumas cenas extras, que acrescentam ainda mais intensidade à história.

Comprei o ingresso meia hora antes da sessão e consegui um bom lugar (embora muito à frente). Aqui em Brasília, quem duvida que as filas seriam enormes e as entradas se esgotariam dias antes?

Serviço

Se você acredita em amor à primeira vista…Olhe mais perto. Uma espirituosa, romântica e perigosa história de amor sobre encontros coincidentes, atrações instantâneas e traições casuais. Closer é uma espiadela na vida de quatro estranhos com uma coisa em comum: o outro. (Sinopse extraída do texto oficial.)

Recomendado para maiores de 15 anos.

  • Local: Teatro Augusta – Rua Augusta, 943, Cerqueira César, São Paulo, SP.
  • Duração: 90 minutos.
  • Horários: sexta-feira, às 21:30 horas; sábado, às 21 horas; domingo, às 19 horas.
  • Preço: 30 a 40 reais (entrada inteira)

Site da sala: Teatro Augusta.

Site da peça: Closer.

O elenco montou um blog para compartilhar sua experiência.

Terra em Trânsito/Rainha Mentira

2 estrelas

Pague 1, leve 2: duas peças de Geald Thomas na seqüência. O cara é incensado pela crítica. A montagem em questão recebeu 4 estrelas no Guia da Folha. Eu não podia perder a chance. Então, fui conferir.

Ainda estou tentando entender o motivo de toda a badalação em torno do Gerald Thomas. É chique dizer que gosta de algo que não foi feito para o público, mas apenas e tão-somente para o próprio dramaturgo? Dá ibope ver uma maluquice no palco e fazer cara de quem tem conteúdo?

Alguém aí se lembra daquela propaganda da coca light que sacaneava quem fica olhando para uma tela pintada de azul com cara de inteligente e concluía com algo como “ah, é só um quadrado”?

A primeira peça, Terra em Trânsito, é interessante de verdade. Não é todo dia que ouvimos a voz do Paulo Francis direto “do aquém do além adonde que veve os mortos”, ou vemos uma atriz contracenar com um cisne. Toda a situação é comicamente surrealista. O texto traz uma série de críticas ao passado (como ao nazismo) e ao presente (à podre política brasileira, por exemplo). O desfecho é surpreendente.

Aí, veio a segunda peça, Rainha Mentira.

Um texto autobiográfico e pretensioso, com falas arrogantes pseudomodestas como “Mamãe, você já dizia, até com algum exagero, que carregava no ventre um gênio.”

Um longo, constrangedor e despropositado nu frontal envolvendo os cinco atores. Entenda, não sou puritana. Em Closer, Alice tem uma cena de strip muito picante e sensual (embora não envolva nu frontal), mas totalmente contextualizada. Não é o caso aqui.

Um embaraçoso réquiem para a mãe do autor encerra o texto. Finalmente.

Não tenho nada contra experimentalismo, mas Gerald Thomas exagera. Sua peça não é para o público, senão para si mesmo, e não entendo isso como qualidade. A arte pode ser hermética e desafiadora, mas não é arte se coloca-se dissociada do outro; pode massagear o ego e render loas da tal crítica especializada, mas não fica para a posteridade. Thomas jamais será um Nelson Rodrigues, porque é incapaz de conversar com o público. Prefere o monólogo.

Indico as duas estrelas pelas boas tiradas da primeira peça, apenas.

Não tem “Serviço”, e não é birra minha – a peça já saiu de cartaz.

Uma coisa, eu tenho que admitir: valeu o que custou – exatos sete reais e cinqüenta centavos.