
Romance é um desses grandes filmes que, por razões que a própria razão desconhece, passou batido pelo grande público.
A história acontece em dois tempos: o primeiro começa no teatro e marca o encontro e a paixão de Pedro e Ana enquanto ensaiam a clássica montagem Tristão e Isolda. É Pedro quem discorre sobre a importância dessa trama do século XII para a literatura mundial, pois a partir dela tornou-se frequente o tema do amor impossível. Esse primeiro arco rende belas homenagens à literatura e ao teatro. Embora haja a marca de Guel Arraes nessa primeira etapa, com os duelos de palavras por exemplo, ela é suave, com espaço para pausas, olhares e simbolismos
No segundo tempo da história, tem-se nítida a verve de Guel Arraes. Os diálogos se aceleram e as piadas são mais frequentes. Nesse segundo momento o filme faz referência à televisão – chamar de "homenagem" seria exagero, já que há uma boa dose de ironia, não faltando críticas à pasteurização das produções televisivas e ao culto à celebridade. Estão presentes nessa segunda metade a ambientação no Nordeste (traço frequente em Guel Arraes) e o indefectível Marco Nanini (excelente, como sempre).
O roteiro passeia por outras histórias de amor consagradas, como a de Otelo e Cyrano de Bergerac – todas inspiradas no mito de Tristão e Isolda, na infelicidade dos amantes. O amor nunca realizado ou efêmero, esse amor que tanto inspira os artistas, é o grande reverenciado em Romance.
O elenco é de tirar o chapéu. Wagner Moura está particularmente fantástico, destacando-se pela extrema versatilidade – não só comparando-se este trabalho aos anteriores, mas também dentro do próprio filme, conduzindo as idas e vindas de seu personagem com maestria. O restante do elenco, maravilhoso, e a direção musical de Caetano Veloso fazem deste um dos melhores filmes brasileiros dos últimos tempos.
Cotação: ![]()
Imagem: divulgação.
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