Se eu soubesse que Cisne Negro é do mesmo diretor de Réquiem para um Sonho, não teria ido ao cinema. Felizmente, não sabia. Se por um lado Cisne Negro tem a mesma tratativa psicológica de Réquiem, a coisa vertiginosa de entrar na mente da protagonista, por outro é um filme menos angustiante que seu antecessor, e nada depressivo.
Provavelmente o que torna Cisne Negro mais ameno que Réquiem é sua obviedade. O tema central é clichê (como é clichê o próprio Lago dos Cisnes): a dicotomia em várias formas, bem/mal, claro/escuro, infantilidade/amadurecimento. O diretor recheia o filme de metáforas, mas faz questão de explicá-las todas; com isso, não chega a entediar (aliás, o filme não entedia em momento algum), mas subestima o expectador. Se bem que, ainda assim, vi gente sair do cinema dizendo que não tinha entendido o filme.
Essa tendência a explicar tudo nos míííínimos detalhes dá uma folga quando o assunto é o mundo interior de Nina, a protagonista. Os conflitos diários da moça acabam se convertendo em violentas alucinações e, em alguns momentos, fica difícil para a platéia distinguir delírio de realidade, como é difícil para a própria Nina. Ainda agora, pergunto-me se algumas cenas (e até personagens) realmente existiram (dentro do universo do filme, é claro) ou se não passaram da imaginação de Nina.
Sim, há cenas de sexo e masturbação no filme, como já foi comentado ad nauseam pela imprensa. Todas, contudo, servem a um propósito. Nada está deslocado, nada é “nojento” ou “sujo”, como li em uma crítica tão virulenta que me faz pensar que o tal crítico tem sérios problemas para lidar com a sexualidade feminina.
Um dos grandes méritos do filme é a edição envolvente, com um movimento das câmeras que faz um excelente trabalho em capturar as sensações da dança. Boa parte do ambiente tenso, perturbador mesmo, é criada pela excelente montagem. Outro ponto forte são as interpretações, todas ótimas – a de Natalie Portman, irretocável (ou “perfeita”, como diria sua personagem). Talvez, ainda assim, não seja filme para Oscar. A uma, pelas obviedades já mencionadas. A duas (e, de certa forma, numa crítica correlacionada), pelo mau uso de computação gráfica em diversos momentos, chegando a “quebrar o clima” do filme e desviar a atenção do trabalho magistral de Natalie Portman.
Aliás, se pode haver dúvidas quanto ao merecimento do Oscar de melhor filme, tem-se a certeza absoluta de que Natalie Portman merece o Oscar de melhor atriz principal. A moça faz um papel excepcional após o outro desde os onze anos, já foi indicada por Closer e dessa vez excede qualquer expectativa. Se não levar a estatueta, será pura injustiça.
Cotação: ![]()
Imagem: divulgação.
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Lu Monte,
Saudações de Belo Horizonte!!
Só para constar: também fiz uma análise do “Cisne Negro” em meu Blog, contudo, minha pretensão não foi criticá-lo como você (muito bem) fez. Ative-me mais ao roteiro e como o interpretei. Enfim, ao que a história falou a mim…
Detalhe: Nina é esquizofrênica e esse “diagnóstico” ajuda a compreender a história (e apreciá-la ainda mais). Se quiser dar uma olhada no que escrevi, o Link é este: http://www.acatolica.com/2011/02/o-filme-cisne-negro-luta-pela-perfeicao.html (Sua opinião me daria imensa alegria.)
Um abraço e Fique com Deus!
Saúde e Paz a você e a Todos os Internautas do Dia de Folga!!
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Lu, que puta crítica! Parabéns.
Não sabia que tinham sido 10 quilos. Na verdade, achei que eram bem mais..hehehe
Eu gostei bastante do filme e tb me agoniei MUITO com a magreza da Natalie Portman
Beijocas.
@Vanessa, obrigada!
Acho que parecem mais de 10 quilos porque ela simplesmente não tinha “sobras” pra perder…