
Capa antiga.
Anne Rice já foi melhor. Muito melhor.
Numa época de Diários De Vampiro, Crepúsculo e sei lá o que mais, dá uma certa vergonha admitir que sou fã de histórias de vampiros. Não gosto nada desses vampiros galãs e bonzinhos interpretados por e para adolescentes, mas curto Anne Rice desde que vi Entrevista com o Vampiro (no cinema), não dispenso contos vampirescos sangrentos, já joguei muito Vampire (tanto o rpg quanto o jogo pra PC) e True Blood está na fila, esperando uma brecha na longa lista de seriados que tento acompanhar.
Li praticamente todas as Crônicas Vampirescas. Comecei por Entrevista com o Vampiro, pouco após o filme. Fiquei encantada. Devorei O Vampiro Lestat, A Rainha dos Condenados e A história do ladrão de corpos. Memnoch fisga pelo inusitado da história. O Vampiro Armand e Sangue e Ouro têm o mérito de aprofundar personagens pouco conhecidos, mas algumas passagens resvalam no tédio. Os outros livros… bem, simplesmente não valem a pena. A impressão que tenho é que, quando o negócio começou a dar dinheiro, Anne Rice começou a escrever qualquer coisa. O nível das histórias despencou.
Pandora e Vittorio são esquecíveis (o primeiro ao menos tem um pano de fundo histórico bacana). Cântico de Sangue, sua mais recente história vampiresca, não tem nenhum atributo. Seu único “mérito” é fundir as Crônicas Vampirescas à saga das bruxas Mayfair (composta de quatro livros que, a tomar pelo que vi em Cântico, prefiro continuar sem conhecer). Mistura que acabou virando um samba do crioulo doido.
Vampiros, bruxas, taltos (uma espécie não-humana bem parecida conosco, que teria se desenvolvido paralelamente), traficantes e não sei mais o quê compõem uma história forçada, previsível e monótona. Lestat é o narrador – mas cadê o Lestat carismático de outros tempos? Aqui, ele é apenas um vampiro resmungão, egocêntrico e com complexo de santo. Se essas características são interessantes quando aparecem pontualmente em outras histórias, tornam-se tediosas quando repetidas página após página. Aturar um vampiro com crise de consciência por quase trezentas páginas não é tarefa agradável.
No fim das contas, parece que Anne Rice foi a precursora dos vampirinhos bobos que povoam a ficção atualmente, com esse Lestat pós-adolescente-apaixonado-reclamão-em-crise de Cântico de Sangue.
Estou aqui pensando, folheando o livro, tentando encontrar pontos positivos, mas realmente está difícil. Talvez o problema seja perceber o quanto as histórias de Anne Rice decaíram. Se você não leu nenhuma das crônicas vampirescas, talvez não ache Cântico de Sangue tão ruim. Por outro lado, é bem provável que perca o interesse em ler os outros livros da autora se começar por esse…
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Você foi bondosa, eu não daria nem meia estrêla. Em compensação aguardo sua resenha para Tropa de Elite 2: filmaço…rs..e ainda paguei ingresso com desconto.
Preciso de um dia de folga urgentemente pra ver Tropa de Elite 2…
Ok, apesar de concordar bastante com a sua opinião de Cantico de Sangue me vi obrigada a tentar defender e explicar a Anne Rice.
Eu li todos eles. Todas as crônicas vampirescas, todos os das bruxas Mayfair e até alguns outros que não fazem parte de nenhuma saga. As crônicas começam muito bem e desandam depois do sangue e ouro mesmo. Mas a saga das bruxas, os três primeiros principalmente, são excelentes. São tão bons quanto A Rainha dos Condenados. O último nem tanto.
Mas escrever livros chatos é uma característa recente da Anne Rice. Depois que o marido dela, Stan Rice, morreu ela se converteu e se tornou uma pessoa religiosa. Por isso a saga mais recente dela é sobre Cristo. E por isso o Lestat, adorável como personagem perturbado por dúvidas sobre a religiosidade e fundamentalmente existencialista, passa a ser meio crente e, como você mesmo diz, com complexo de santo.
Anne Rice deixou uma legião de fãs (eu inclusive) chateados com essa mudança de um estilo gótico, sombrio e sensual pra uma coisa sem graça e fora de lugar.
Mas isso não invalida os primeiros livros. Pelo contrário. Eu adoro todos eles e releio com frenquência! Não tem nada – NADA – a ver com os mais recentes vampiros vegetarianos e virgens, que são detestáveis.
Bom, com essa explicação a queda de qualidade faz mais sentido, mesmo. De repente, até me animo a ler a saga das bruxas qualquer hora dessas. Fiquei cismada justamente porque meu primeiro contato com os Mayfair foi no “Cântico de Sangue”.
Quero reler as primeiras crônicas vampirescas faz tempo, mas a pilha de livros não lidos não diminui nunca!
Tenho todos eles, quando quiser pode pedir =) Mas a Rocco está relançando as crônicas com umas capas novas, bem mais legais. Toda hora tem promoção no submarino.
E tenho todos da Charlaine Harris (que deram origem ao True Blood) também. Os livros são beeeem mais legais que a série, pra variar.
só falta pôr de quem é a tradução. beijinhos