O Júri

Ficha técnica

Runaway Jury. EUA, 2003. Suspense. 127 min. Direção: Gary Fleder. Com John Cusack, Gene Hackman e Dustin Hoffman.

Homem misterioso começa a manipular um julgamento envolvendo uma indústria de tabaco e uma viúva. Do mesmo diretor de Refém do Silêncio. Fonte: Guia da Folha de São Paulo.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

4 estrelas

É a segunda sinopse que leio que afirma que a trama se refere a uma indústria de tabaco. Na verdade, trata-se de uma indústria de armas.

Sou um tanto suspeita para comentar esse filme. Adoro “filmes de tribunal”. Sempre gostei deles, mesmo antes de estudar Direito (não, não foi por isso que resolvi fazer esse curso).

Em O Júri, somos forçados a refletir sobre a credibilidade dos julgamentos realizados por leigos. É uma questão bastante delicada. A idéia por trás de um julgamento realizado por populares é permitir que os indivíduos sejam julgados por seus pares, afastando-se o legalismo, a frieza das normas e privilegiando-se o clamor das multidões. Supõe-se que, em determinadas matérias, é mais importante atender às aspirações sociais de justiça do que às normas postas em caráter abstrato, freqüentemente inadequadas ao mundo real.

Os críticos do julgamento pelo júri defendem que a emoção trazida ao tribunal por leigos é, muitas vezes, exacerbada, o que pode levar a injustiças. Argumentam que o juiz togado , que estudou por anos o Direito, está mais habilitado a dizer o justo e a dar a medida adequada da pena. Acrescentam que é muito fácil manipular as emoções dos leigos para absolver ou condenar os réus, sendo a decisão final tomada não com base em fatos, mas em prol do advogado/promotor com melhor poder de argumentação ou encenação. Por fim, há o problema dos quesitos, por meio dos quais chega-se ao veredicto, freqüentemente mal formulados.

No Brasil, o Tribunal do Júri tem competência para julgar os réus acusados de crimes dolosos contra a vida: homicídio, induzimento, auxílio ou instigação ao suicídio, aborto e infanticídio. Não sei qual é a lei dos Estados Unidos, mas certamente atribui mais competências ao Júri do que a nossa.

O filme, baseado em livro de John Grisham, é instigante. Faz-nos questionar sobre a real capacidade dos jurados em decidir imparcialmente uma causa. Mostra como pode ser fácil, para alguém competente, manipular o júri a ponto de fazê-lo tomar essa ou aquela decisão. Não se trata, apenas, da manipulação feita pelos operadores da lei, mas principalmente daquela que pode correr nos bastidores, organizada por um dos jurados. Além de tudo isso, esclarece que existe toda uma técnica na escolha das pessoas que farão parte de cada júri – técnica com a qual é fácil vencer, mesmo quando não se tem razão.

Gene Hackman rouba a cena no papel do consultor de júri contratado pela indústria de armas. John Cusack está ótimo. Dustin Hoffman está um tanto apagado, em uma posição de mero coadjuvante, sem grande expressividade.

A Folha de São Paulo deu apenas uma estrela para o filme. Nada poderia ser mais… injusto, na minha modesta opinião. O filme é excelente, o roteiro é ágil e prende a atenção do público, as reviravoltas surpreendem. Como disse no início, sou suspeita por gostar do gênero, mas dou quatro estrelas.

Saí do cinema com vontade de ler o livro. Já está na minha listinha.

Atualização: lendo uma crítica ao filme, finalmente descobri o motivo de as críticas sempre se referirem a uma indústria tabagista – no livro, a guerra é contra uma delas. Fica a pergunta: será que nenhum dos críticos realmente viu o filme?! Como levar a sério a nota baixa dada pela Folha depois de um “fora” tão grande??

Matrix Revolutions

Ficha técnica

The Matrix Revolutions. EUA, 2003. Ficção Científica. 129 min. Direção: Andy e Larry Wachowski. Com Keanu Reeves, Carrie-Anne Moss, Laurence Fishburne e Hugo Weaving.

A última parte da trilogia continua no momento em que parou Matrix Reloaded, quando as sentinelas tinham conseguido invadir Sião, a única cidade dominada pelos humanos.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

3 estrelas

Tudo que envolve muita expectativa também envolve um grande risco de decepção. Assim foi com Matrix Revolutions. A trilogia, que começou brilhantemente e teve uma boa continuação, terminou de modo frustrante.

Não digo que joguei dinheiro fora, ou que o filme não presta. Presta, sim. Recomendo. Assista, como uma boa forma de lazer. Só não espere grandes questões filosóficas, muito menos a resposta para todas as que foram levantadas nas duas primeiras partes. Não há respostas. É justamente nesse aspecto que o filme decepciona.

Os efeitos especiais são fantásticos. O filme é recheado de ação. Não entedia, não dá sono. Mantém a atenção do público.

O problema é a falta de argumentação, de explicações convincentes ou, simplesmente, de explicações, ponto. Quando Matrix Revolutions termina, você se pergunta: “Já acabou? Era só isso?”. Primeiro, pensei que não tinha entendido nada. Depois, percebi que não havia mesmo nada para entender. Então, senti-me lograda.

A conclusão a que se chega é que 90% de toda a filosofia que foi vista em Matrix estava apenas na cabeça dos fãs. Os irmãos Wachowski não tinham tantas intenções quanto procurávamos ver nos filmes. Não eram tão profundos. Não estavam deixando pistas. Simplesmente, criaram uma trama interessante e fizeram um excelente filme de ação. Isso é meritório, mas pára por aí. Debater as grandes questões da humanidade não estava nos planos dos Wachowski. Nós, os fãs, é que pensamos que estava.

Acontece. É comum uma manifestação artística ou cultural tomar dimensões maiores do que as desejadas ou esperadas pelos próprios criadores. Sou fã de Star Trek e, às vezes, surpreendia-me com a quantidade de significados que os trekkers conseguiam tirar de uma simples frase. Em outras ocasiões, eu mesma pegava-me divagando profundamente sobre alguma passagem que, provavelmente, foi escrita sem maiores pretensões.

Após Matrix Reloaded, circularam inúmeros textos filosóficos sobre a trilogia, com as mais diversas e ricas interpretações. Tudo coisa da cabeça dos admiradores da série. Apenas isso. E sobre os diversos finais? Li alguns infinitamente mais interessantes do que o final de Revolutions. Parece que faltou imaginação aos Wachowski. Faltou saber como acabar a história. Daí, fizeram qualquer coisa.

A Folha de São Paulo deu uma estrela. Eu daria três. Repito: o filme vale a pena. Não me arrependo de ter visto no cinema e certamente vou revê-lo na TV, futuramente. É um excelente filme de ação. Não espere mais que isso, e gostará bastante.

O Amor Custa Caro

Ficha técnica

Intolerable Cruelty. EUA, 2003. Comédia Romântica. 100 min. Direção: Joel Coen. Com George Clooney, Catherine Zeta-Jones, Geoffrey Rush e Billy Bob Thornton.

Advogado especialista em divórcios se envolve com a mulher do seu novo cliente. Do mesmo diretor de E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

4 estrelas

Fui assistir a O Amor Custa Caro sem esperar grande coisa, apenas por pura compulsão cinéfila e completa falta de outras opções minimamente interessantes. O filme surpreendeu-me com uma história divertida, num ritmo rápido, cheio de diálogos ágeis.

Pontos fortes: a cena de tribunal em que Miles defende Rex, desde o seu início, quando Miles e o assistente “argumentam” com ele sobre a juíza; a camisa do assistente de Miles no treino de tênis: “Objection!”; o George Clooney, lindo-maravilhoso-vitaminado!

Ponto fraco: a pouca criatividade da tradutora, incapaz de adaptar piadas e trocadilhos.

A Folha de São Paulo deu três estrelas. Fico indecisa, novamente, entre três e quatro. Considerando, porém, que é um filme “de advogado”, vou puxar a brasa pra minha sardinha e dar nota 4.

Comentário extra: foi exibido o trailer de um filme a ser lançado em breve, com o Harrison Ford, o eterno “Indiana Jones”. Não pude deixar de notar como ele está velho!

Uma Saída de Mestre

Ficha técnica

The Italian Job. EUA, 2003. Ação. 110 min. Direção: F. Gary Gray. Com: Mark Wahlberg, Charlize Theron e Edward Norton.

Equipe de ladrões rouba grande quantidade de ouro em Veneza, mas um deles trai o grupo. Para se vingar, o líder faz um novo plano. Refilmagem de Um Golpe à Italiana (1969).

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

3 estrelas

A Folha de São Paulo deu duas estrelas, somente. Eu ficaria indecisa entre três ou quatro estrelas. Opto por três, mas simplesmente porque o gênero “ação” não é o meu preferido. No entanto, tenho de admitir que Uma Saída de Mestre tem um enredo interessante, que garante duas horas de diversão.

Ponto forte: boa junção entre trama e cenas de ação, com direito a doses de humor graças ao “Napster”.

Ponto fraco: como, em toda as perseguições (exceto na primeira, em Veneza), não apareceu sequer uma viatura policial?? Será que todos estavam comendo rosquinhas com café?!