Pequena Miss Sunshine

Ficha técnica

Little Miss Sunshine. Estados Unidos, 2006. Comédia. 101 min. Direção: Jonathan Dayton e Valerie Faris. Com Abigail Breslin, Greg Kinnear, Paul Dano, Alan Arkin, Toni Collette, Steve Carell.

Nenhuma família é verdadeiramente normal, mas a família Hoover extrapola. O pai desenvolveu um método de auto-ajuda que é um fracasso, o filho mais velho fez voto de silêncio, o cunhado é um professor suicida e o avô foi expulso de uma casa de repouso por usar heroína. Nada funciona para o clã, até que a filha caçula, a desajeitada Olive (Abigail Breslin), é convidada para participar de um concurso de beleza para meninas pré-adolescentes. Durante três dias eles deixam todas as suas diferenças de lado e se unem para atravessar o país numa kombi amarela enferrujada.

Mais informações: Adoro Cinema.

Cometários

4 estrelas

Esse roadie movie muito diferente leva ao pé da letra o ditado “de perto, ninguém é normal”. Os seis membros da família Hoover vivem um tanto fora da realidade, envolvidos em suas idiossincrasias. A matriarca, sem dúvida a mais normal da família, luta para evitar que os mundinhos privados (e pirados) de cada um entrem em rota de colisão. Essa dinâmica provoca boas risadas no público e culmina em situações tensas e freqüentemente tragicômicas.

Little Miss Sunshine não é uma típica comédia americana. O tom do filme é inteligente, com pitadas de humor negro e pastelão em doses certas. Embora seja distribuído pela Fox Searchlight, empresa da 20th Century Fox, trata-se de um filme alternativo, indie.

A estréia dos diretores de videoclipes de bandas como Red Hot Chili Peppers e R.E.M. na telona foi feita em meio a dificuldades financeiras que transformaram a produção de oito milhões de dólares (barata para o padrão hollywoodiano) em uma odisséia de cinco anos. O filme caiu nas graças do público do Festival de Cinema de Sundance de 2006, o maior evento de cinema independente norte-americano e internacional. Os executivos da Fox perceberam o seu potencial e compraram os direitos de distribuição pela bagatela de dez milhões de dólares.

Sucesso pelo mundo afora, não será surpresa se Little Miss Sunshine figurar entre os indicados ao Globo de Ouro e ao Oscar 2007.

Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá!

Não existe nada mais sinistro que o Happy Tree Friends. Aquelas criaturinhas tão fofas, tão meigas, tão cute-cute sendo massacradas, esquartejadas, esfareladas. Bichinhos adoráveis esvaindo-se em sangue.

Um episódio por semana deve causar mais danos psico-emocionais que qualquer filme do Tarantino. Clube da Luta parece filminho infantil perto das animações do HTF.

O vídeo mais recente está bem levinho, é verdade. Quase ingênuo. Nem tem muitos miolos esparramados pelos quatro cantos.

Adorável Julia

Ficha técnica

Being Julia. Inglaterra, 2004. Comédia. 105 minutos. Direção: István Szabó. Com Annette Bening, Jeremy Irons, Bruce Greenwood, Miriam Margolyes.

Refilmagem de filme homônimo de 1962, baseado em peça teatral de W. Somerset Maugham. Julia Lambert (Annette Bening) é uma atriz que trabalha no teatro de Londres em 1938. Após ser humilhada por seu jovem amante e traída pelo marido, ela dá a volta por cima usando os palcos para tramar sua vingança. O filme rendeu a Annette Bening a indicação ao Oscar de melhor atriz.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

4 estrelas

Comédia, sim. Só que inglesa, com aquele senso de humor refinado e cruel que os moradores daquele país cinzento fazem questão de desenvolver tão bem.

Sob certos aspectos, Adorável Julia poderia até ser classificado como drama. Na verdade, é uma farsa, um jogo – o que faz todo sentido com o tema do filme e a vida da protagonista, atriz de teatro. Entre idas e vindas, tem-se um casamento pouco convencional, especialmente para o padrão dos anos 30; um romance entre uma mulher de meia idade e um rapazola, com todos os clichês pertinentes ao caso; a velha e preconceituosa analogia entre atrizes e prostitutas, tão comum ao longo dos tempos.

O que poderia ser uma trama repleta de clichês e completamente previsível torna-se, ao contrário, tremendamente interessante, prendendo a atenção da platéia, levando-a ao riso facilmente e despertando a admiração do público tanto pelo trabalho de Annette Bening (mais que merecida a sua indicação ao Oscar) quanto pela personagem que interpreta, Julia Lambert. Julia encarna um pouco do que há de melhor e de pior na alma feminina: a o amor, a abnegação, a insegurança quanto à própria aparência, a vingança com requinte de crueldade, a perversidade feminina, a capacidade de dar a volta por cima. Nós, mulheres, rimos muito com o filme, mas é um riso ambíguo, misto de respeito e vergonha por entendermos tão bem as atitudes de Julia.

O conselheiro de Julia, interpretado por Bruce Greenwood e responsável por alguns dos melhores textos do filme, funciona como uma espécie de “grilo falante” e, ao mesmo tempo, de ponto de apoio.

Destaque para a beleza da atriz, que lembra muito a Nicole Kidman (mais velha, evidentemente).