Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá!

Não existe nada mais sinistro que o Happy Tree Friends. Aquelas criaturinhas tão fofas, tão meigas, tão cute-cute sendo massacradas, esquartejadas, esfareladas. Bichinhos adoráveis esvaindo-se em sangue.

Um episódio por semana deve causar mais danos psico-emocionais que qualquer filme do Tarantino. Clube da Luta parece filminho infantil perto das animações do HTF.

O vídeo mais recente está bem levinho, é verdade. Quase ingênuo. Nem tem muitos miolos esparramados pelos quatro cantos.

Sem-jeito manda lembranças

Eu sou desastrada, todo mundo sabe. Desastrada, desengonçada, apressada, estabanada. Lógico que isso me gera muitos machucados, manchas roxas e esfolados pelo corpo.

O acidente mais recente, no entanto, foi demais até para os meus padrões. Um exagero do mau jeito e da desatenção. Faz dez minutos que sou a infeliz proprietária de um talho de mais de cinco centímetros logo acima do joelho. Está doendo pra diabo e não pára de sangrar. Está inchando. Está ardendo.

Não, não caí, nem me cortei com faca ou tesoura. Náh. Isso seria trivial.

Eu fiz o talho na bandeja da gravadora de cedê. Bem aqui, sentadinha em frente ao computador. Num lugar aparentemente inofensivo. Sozinha. Não posso pôr a culpa em ninguém.

Pelo menos a bendita gravadora continua funcionando.

Casas mal-assombradas

Antigamente, as histórias de terror contadas em noites escuras preocupavam-se em assustar usando o próprio imaginário do ouvinte, pouco importando-se em descrever monstros repugnantes e tripas ensangüentadas.

Contando com efeitos especiais cada vez melhores, o cinema encarregou-se de inverter as prioridades, dando mais destaque à imagem do que à ambientação psicológica. Nessa linha surgiram, nos anos 80, as duas séries de terror mais famosas de todos os tempos: Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, protagonizadas pelos horrendos Jason Voorheess e Freddy Krueger, respectivamente.

Nos últimos anos, os produtores de filmes de terror parecem ter percebido a saturação da fórmula monstro-assustador-ataca-novamente-e-mata-mocinha e voltaram a se preocupar com o suspense, o horror que nasce na cabeça do espectador, a tensão psicológica. Essa tática é muito mais eficiente em causar sustos do que a anterior. O cinema de terror japonês já sabe disso há tempos e a utiliza largamente – não é por acaso que Hollywood tem visitado a Terra do Sol Nascente para garimpar seus filmes e fazer remakes.

Três lançamentos seguem a linha o-perigo-está-na-sua-cabeça. Coincidentemente, vi os três trailers na seqüência, antes de Sin City. Mais coincidência ainda, todos trazem o lar-doce-lar como vilão.

Faz sentido. É possível evitar uma pessoa que pareça má e feia e, assim, escapar do perigo. É mais difícil quando ele está dentro do próprio lar, no recinto que deveria ser sinônimo de segurança e aconchego, entre as paredes que abrigam tudo que temos de mais querido, material e emocionalmente falando.

As três produções em questão são Água Negra, A Chave Mestra e Horror em Amityville.

Água Negra (Dark Water) é refilmagem do japonês Honogurai Mizu No Soko Kara (de Hideo Nakata, o mesmo diretor dos também japoneses O Chamado e O Chamado 2) e traz a inusitada direção do brasileiro Walter Salles. A tensão não se passa numa casa propriamente dita, mas em um apartamento. Dos três filmes, é o único que já está em cartaz. Tem recebido algumas críticas ruins. Provavelmente porque, acostumada ao susto fácil de caras feias, a platéia americanizada não está habituada a deixar-se envolver pela história dos personagens e, conseqüentemente, não tira proveito do suspense psicológico típico do horror japonês. Até pode ser que o remake seja mesmo uma grande porcaria, mas quero dar-lhe o benefício da dúvida.

A Chave Mestra se passa numa mansão e envolve magia negra. Com estréia prevista para 26 próximo, tem cara de clichê e foi o trailer que menos me chamou a atenção.

Horror em Amityville também é refilmagem. A produção original, A Cidade do Horror (de 1979), é norte-americana e rendeu quatro seqüências. A história inspira-se em fatos reais, ocorridos por volta de 1974: a casa foi palco do assassinato da família DeFeo e de eventos sobrenaturais que atormentaram seus moradores seguintes, a família Lutz. Os eventos macabros tornaram-se livro em 1977, pelas mãos de Jay Anson. Um dos produtores dessa nova versão Michael Bay, também co-produziu a refilmagem de 2003 do cult O Massacre da Serra Elétrica.

Três películas a conferir. Resta saber se terei coragem. Morro de medo de ver filme de terror. Sério.