Na geladeira

Coisinhas que habitam minha geladeira:

1. Uma garrafa de vinho branco aberta há meeeeses – estou guardando o vinho pra fazer conserva, oras.

2. Pão-de-forma. Guardado na gaveta de legumes. Na qual não existe nenhum legume, a propósito.

3. Garrafinha d’água para a prática de esportes – que nunca lembro de levar.

4. Tubo de super-bonder (aposto que não sou a única!).

5. Iogurte vencido há três meses e meio.

E na sua, o que existe de esquisito?

Sempre mais do mesmo

Metal contra as nuvens, a mais longa música da Legião Urbana (álbum V, dezembro de 1991) fala de decepção, traição, abandono. Dá a impressão de ter sido composta após alguma profunda desilusão amorosa.

Os legionários, no entanto, já sabem: Metal contra as nuvens foi feita por Renato Russo como um desabafo diante do descalabro trazido por Fernando Collor. A desilusão que a música irradia é em relação à política.

Quem já passou dos 25, lembra bem: Collor apareceu na campanha presidencial de 1989 como um Salvador da Pátria, prometendo liquidar o “tigre da inflação com uma só bala” e iniciar uma “caça aos marajás”. Seu concorrente era o matalúrgico Lula – esquerdista, despreparado e inculto. Os debates foram verdadeiros massacres. Collor ganhou as primeiras eleições diretas para a presidência do país em 30 anos.

Sua primeira medida foi confiscar contas correntes e poupanças, levando ao desespero milhões de pessoas que dependiam do dinheiro para saldar compromissos. Muitos empresários foram à falência, outros tantos suicidaram-se. A hiperinflação não foi contida e o país mergulhou numa profunda recessão.

Em 1992, depois de mais um plano fracassado para deter a inflação, surgiram as primeiras denúncias de corrupção, associando o então presidente a acusações de “Caixa 2” e outras maracutaias promovidas por P. C. Farias, tesoureiro da campanha de Collor. Foi instaurada uma CPI que culminou na sua renúncia, em dezembro de 1992, para escapar ao processo de impeachment. A manobra não deu certo e Collor foi declarado inelegível pelos oito anos subseqüentes.

Renato Russo tinha a qualidade de compor letras atemporais. Assim, Metal contra as Nuvens, embora se refira a um momento político determinado, é carregada de outros sentidos, possuindo a capacidade de produzir reações diversas em que escuta a música. Eu, por exemplo, embora conheça o real significado da letra há tempos, continuo associando-a à força que é necessária para seguir em frente quando as pessoas mais queridas dão as costas, traem, mentem, desaparecem. O bom poeta induz sentimentos e impressões além das meras palavras.

O que ninguém poderia prever, nem o próprio Renato, é que, catorze anos depois, Metal contra as Nuvens serviria sob medida para descrever outra realidade política, tão parecida à criada por Collor. Desta vez, o protagonista é Lula, aquele metalúrgico inculto e despreparado que, finalmente, foi capaz de conquistar a confiança de mais da metade dos eleitores brasileiros. Tudo para, depois, jogar essa confiança na lama, exatamente como Collor fez.

A história se repete, como um disco arranhado.

Notinhas

  • Quem duvida que o real significado de Metal contra as Nuvens seja político pode tirar a prova dos nove lendo a entrevista dada por Renato Russo em 1994 e publicada na Folha de São Paulo em 2001.
  • A letra e o áudio de Metal contra as Nuvens podem ser encontrados aqui.

Meninos, eu vi…

…uma cidadã achando-se fashion com o seguinte modelito: mini-saia de “oncinha”, botas de cano alto e casaco de “pele”. Pra completar o visual, não podia faltar a meia-arrastão, claro.

Não, a dita-cuja não estava passeando pelo Setor de Prostituição de Brasília. Nem foi fotografada saindo de uma das festinhas produzidas por Geane Mary Corner para os políticos petistas.

A cidadã estava no Café do Teatro Nacional, aguardando o início de uma badalada peça.

O espelho da casa dela deve estar quebrado. Ou será que o que falta é semancol?