And the Oscar went to…

A relação dos ganhadores do Oscar 2006 pode ser vista aqui.

A grande injustiça deste ano foi cometida contra Boa noite e boa sorte que, concorrendo a seis estatuetas, não levou nenhuma, apesar da altíssima qualidade. Seu diretor e roteirista, George Clooney, ganhou uma espécie de prêmio de consolação ao ser agraciado com o Oscar de melhor ator coadjuvante por seu desempenho em Syriana, em que também participou como co-produtor.

Outra injustiçada foi Felicity Huffman que, por seu papel em Transamerica, interpretando um transsexual, merecia o Oscar de melhor atriz – quem acabou levando o prêmio foi Reese Whiterspoon, por um trabalho apenas comum em Johnny e June.

A surpresa da noite foi a dispersão dos dois maiores prêmios, o de melhor diretor e o de melhor filme que, geralmente, vão para a mesma produção. Ang Lee ganhou o primeiro por O segredo de Brokeback Mountain (o grande favorito do ano, indicado a oito estatuetas, recebeu apenas três) e Crash arrebatou o Oscar de melhor filme.

Très vite

Os seres humanos se dividem entre os que gostam de Toddy e os que preferem Nescau.

A preguiça é a mãe de todos os vícios – mas mãe é mãe, e devemos respeitá-la (“sabedoria” popular).

O mundo é mesmo tão complicado quanto parece? Ou somos nós que complicamos tudo?

É mais fácil mimeografar o passado que imprimir o futuro (essa é do Zeca).

Se nos é dada a benção de ignorar o futuro, por que não temos a graça de esquecer o passado?

Solidão é o que você sente depois de passar uma semana cercada de gente. Quase uma síndrome de abstinência.

Mais recentes

Breves comentários sobre os filmes que andei vendo na última semana, todos concorrentes ao Oscar 2006.

Munique: quase três horas de filme, que você nem vai sentir passar. Muita, muita ação mesmo. Bons atores. Um pouco de drama de consciência, mas nada de longos discursos moralistas. Uma crítica à cadeia de mortes que o terrorismo causa, à insaciedade do monstro da vingança, ao círculo vicioso que se cria. Tio Spielberg fez um bom trabalho, como quase sempre. Mas não é filme pra Oscar, não.

Orgulho e Preconceito: alguém me explica como é possível que esse filme não esteja concorrendo ao Oscar de melhor fotografia? Visualmente belíssimo, muito mais que seu concorrente da montanha. Excelente elenco – mas também não é caso de dar o Oscar de melhor atriz a Keira Knightley. Ela está bem no papel, sim, mas nada de estupendo. O figurino também é de tirar o chapéu. A história é clássica, um romance impossível. Quando o filme acabou, o sentimento de “Já?!” foi unânime. O site Adoro Cinema informa que as versões norte-americana e inglesa têm finais diferentes.

Paradise Now: parece que esse é o ano do terrorismo na telona. Quase cinco anos após o impacto devastador do atentado ao WTC (sem trocadilhos, por favor), o cinema aborda o tema com força total. Se Munique puxa a brasa para os israelenses, Paradise Now olha a coisa sob o ângulo dos palestinos. Tenta catequizar, é verdade, mas faz o necessário contraponto, mostrando a insanidade toda da situação. Bons atores, bom roteiro, boa direção. Não vi os outros concorrentes ao Oscar de melhor filme estrangeiro mas, se Paradise Now ganhar, certamente não será injustiça.