Lembra?

Você se lembra? Existiu um tempo em que tudo era simples.

Quando você caía, sempre havia um adulto amoroso por perto. O carinho acalmava o choro e o mercúrio-cromo curava o esfolado. Hoje, você ainda cai e chora, só que não há mais colo e as feridas não cicatrizam.

Você se lembra? Antigamente, partilhava os brinquedos por duas horas com o vizinho e ele se tornava seu melhor amigo. Hoje, partilha anos de convivência antes de atribuir a alguém esse título; às vezes, nem assim.

Lembra quando contava os seus segredos para a coleguinha da escola? Você foi aprendendo, à custa de muitas decepções, que as pessoas não são confiáveis. Descobriu que elas exploram as suas fraquezas e traem os seus segredos. Dissimulam. Trapaceiam. Mentem.

Você também descobriu que ninguém gosta dos fracos. E isso lhe deu força. Descobriu que os outros se aproveitam de quem fala o que sente. Isso incentivou-lhe a frieza.

Lembra quando você corria para o telefone e desabafava com uma amiga querida? Hoje, você pega o telefone e não disca, porque sabe que ela também tem problemas e não quer aborrecê-la com os seus. Ou, simplesmente, porque as crianças estão dormindo e o barulho da ligação as acordaria.

Lembra quando chorava no primeiro ombro que se oferecia? Hoje, é difícil chorar até quando ninguém está vendo.

Lembra que costumava achar que as suas aflições eram as maiores do mundo? Hoje, você racionaliza: tem família, amigos, casa, emprego, dinheiro. Seus dramas são tão insignificantes. Na verdade, são mesmo inexistentes. Tudo não passa de bobagem. Você só quer chamar a atenção.

Você se lembra de quando não se sentia tão só no mundo?

Conversa alheia

Ela: Ai, mas o meu buraco é tão pequenininho…

Ele: Que é isso… meu pino não é assim tão grande.

Ela: E se não entrar?…

Ele: Não custa nada tentar…

Ela: É, tem razão… vamos lá na minha sala.

Pensou bobagem?

Esqueceu que isso aqui é um blog de família?

Eram simplesmente dois amigos conversando sobre seus celulares e respectivos carregadores, oras.

Que mente poluída… tsc, tsc…

Cinema, séries e mais

Não, não desisti do blog. E também não é falta de assunto. Está mais pra falta de tempo.

Como boa viciada em seriados, acompanhei 24 horas[bb] na Globo (quarta temporada, que começou fraquinha mas engrenou na metade do caminho e tirou o fôlego), estou assistindo a Lost[bb] (e eu que achei que não ia gostar da série) e ainda peguei emprestada a primeira temporada de Desperate Housewives[bb] (aprox. 993 minutos, como a caixa do dvd informa). Vai daí que o tempo anda escasso.

E ainda tem um maldito jogo que está roubando quase todo o meu dia. Se eu fosse você, nem passaria perto dele. Vicia. Muito. Sério mesmo.

E cinema, claro. Começou a maratona para assistir ao maior número possível de filmes concorrentes ao Oscar antes da premiação.

Vale a pena, sem dúvida alguma, assistir:

O Segredo de Brokeback Mountain[bb]: o queridinho do Oscar 2006 faz jus ao posto. A história de amor entre dois cowboys é contada de forma sensível e profundamente emocionante. Jake Gyllenhaal (no papel de Jack Twist) impressiona não só pela inegável beleza, mas também pela boa atuação. Outra grande interpretação fica por conta de Michelle Williams (Alma). A fotografia é belíssima e o Globo de Ouro de melhor canção coube a A Love That Will Never Grow Old, que não concorre ao Oscar por detalhes técnicos.

Boa noite e boa sorte: concorre ao Oscar com seis indicações. David Strathairn interpreta o jornalista Edward R. Murrow com um carisma realmente impressionante e merece levar pra casa a estatueta. O filme é de baixo orçamento, em preto e branco e conta a briga de Murrow contra McCarthy e sua caça aos “comunistas”. Embora se refira a um episódio dos anos 50, encaixa-se perfeitamente na realidade pós-2001, caracterizada por uma perseguição sem critérios atrás de supostos terroristas, acompanhada de um incentivo à cultura do medo. Interessante saber que o senador McCarthy não foi interpretado por um ator – todas as imagens em que ele aparece foram retiradas dos arquivos da época.

Fora do circuito da Academia, mais dois filmes merecem ser vistos:

Flores Partidas[bb]: embora tenha o consagrado Bill Murray como ator principal, não é um filme hollywoodiano. Jim Jarmusch dirige-o sem a preocupação de corresponder aos estereótipos do cine-pipoca – aliás, diverte-se em quebrá-los ao longo do filme. Murray interpreta um solteirão convicto que sai à procura de um filho de 19 anos, cuja existência lhe era desconhecida até receber uma carta anônima. Flores Partidas ganhou o Grande Prêmio do Júri, no Festival de Cannes.

Rainhas: comédia espanhola absolutamente deliciosa. Conta com a excelente Carmen Maura e outras atrizes maravilhosas. O filme acompanha as peripécias de três dos vinte casais gays que irão oficializar sua união na primeira cerimônia de casamento gay da Espanha. Em meio a mães, pais, sogras e cachorros, muita coisa acontece. Risadas garantidas.

Como a vida não é feita só de bons filmes, assisti também a Tudo em família, comédia fraquinha com Sarah Jessica Parker, a Carrie do seriado Sex and the city[bb]. Se você quer mesmo vê-la, espere o lançamento em dvd.