Sinais de fumaça

O blog agoniza, mas não morre.

E nem sei direito o que estou fazendo tanto que não consigo atualizar isso aqui. Talvez falta de empolgação com o Dia de Folga. Talvez falta de empolgação comigo.

Essa mania de ver tudo pelo lado sombrio. Esse estado de espírito blasé.

Não é que a vida esteja ruim. Mas também não está assim, uma brastemp.

Copo sempre meio-vazio, sabe?

Enfim.

Enfins.

Tem projeto novo na área. Já ouviu falar de 101 Things in 1001 Days? Pois então. Vi no blog de um amigo, descobri que a idéia é de um neo-zelandês e, como prefiro o bom e velho português para tudo, pesquisei por páginas brasileiras sobre o tema. E não é que já existe mesmo uma versão do projeto em português, muito caprichada, feita pela talentosa Patricia, do Sinestesia?! O projeto 101 Coisas em 1001 Dias já conta com várias adesões e tem até comunidade no orkut.

Se vou participar? Pretendo, de verdade, desde que consiga acabar minha lista que, em três dias de árduo esforço, não está nem na metade ainda.

E um dos projetos é melhorar o layout desse blog, que esse aqui já deu. As ruivas continuarão, provavelmente, mas o visual berrante-anos-oitenta deve dar lugar a algo mais leve. Veremos. E haja estudo de css pra fazer as alterações que estou pretendendo.

Ponto Final – Match Point

Ficha técnica

Match Point. Inglaterra/EUA/Luxemburgo, 2005. Drama. 124 minutos. Direção: Woody Allen. Com Jonathan Rhys-Meyers, Scarlett Johansson, Alexander Armstrong, Matthew Goode, Brian Cox, Penelope Wilton.
Chris (Jonathan Rhys-Meyers) é um ex-jogador de tênis que se apaixona por Nola Rice (Scarlett Johansson), a namorada de seu amigo Tom (Matthew Goode), que será também seu cunhado em breve.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

5 estrelas

Um filme do Woody Allen em que ele não atua e que não é comédia – ao invés disso, muita tensão e suspense. Outras coisas que o destacam na filmografia de Allen é que se trata do filme mais extenso que ele já fez, e é o primeiro rodado na Inglaterra.

A teoria do caos é o foco de Match Point. A primeira frase resume a idéia de todo o enredo: “O homem que afirmou que é mais importante ter sorte que trabalhar duro entendeu o sentido da vida”. Toda a história gira em torno dessa premissa. O personagem principal é um sujeito esforçado, mas acima de tudo sortudo – o que fica ainda mais evidente quando comparado a Nola Rice, personagem interpretada pela atual queridinha de Allen, Scarlett Johansson.

Mesmo nas situações em que se acredita que Chris está no controle da sua própria vida, logo depois percebe-se a intervenção do acaso (ou da sorte, como queira). A vida é uma sucessão de fatos aleatórios que nos conduzem a um ou outro resultado, quase sem querer. Não que não tenhamos controle algum – o controle existe, mas as coisas dificilmente ocorrem como o planejado. Para que dêem realmente certo, o componente sorte é essencial. Se você é uma pessoa genial, dedicada, competente, mas não encontra alguém no caminho pra dar aquele empurrão, ou não topa com uma boa proposta de emprego antes do seu concorrente, de nada adianta todo o talento.

Eu poderia falar muito mais sobre o tema, mas a idéia aqui é comentar o filme, não entrar numa discussão filosófica. E, sim, o filme é excelente, um dos melhores de Woody Allen.

E é melhor nem comentar a tradução de “match point”, expressão esportiva sem correspondente no português, como “ponto final”, que tem um sentido absolutamente diferente na nossa linguagem coloquial.

Capote

Ficha técnica

Capote. Estados Unidos, 2005. Drama. 98 minutos. Direção: Bennett Miller. Com Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins Jr, Chris Cooper, Bruce Greenwood.

Em novembro de 1959, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) lê um artigo no jornal New York Times sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros em Holcomb, no Kansas. O assunto chama a atenção de Capote, que estava em ascensão nos Estados Unidos. Capote acredita ser esta a oportunidade perfeita de provar sua teoria de que, nas mãos do escritor certo, histórias de não-ficção podem ser tão emocionantes quanto as de ficção. Usando como argumento o impacto que o assassinato teve na pequena cidade, Capote convence a revista The New Yorker a lhe dar uma matéria sobre o assunto e, com isso, parte para o Kansas. Acompanhado por Harper Lee (Catherine Keener), sua amiga de infância, Capote surpreende a sociedade local com sua voz infantil, seus maneirismos femininos e roupas não-convencionais. Logo ele ganha a confiança de Alvin Dewey (Chris Cooper), o agente que lidera a investigação pelo assassinato. Pouco depois os assassinos, Perry Smith (Clifton Collins Jr.) e Dick Hickock (Mark Pellegrino), são capturados em Las Vegas e devolvidos ao Kansas, onde são julgados e condenados à morte. Capote os visita na prisão e logo nota que o artigo de revista que havia imaginado rendia material suficiente para um livro, que poderia revolucionar a literatura moderna.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

2 estrelas

Admito que fui ver o filme de má vontade, convencida de que não ia gostar. Tinha visto o trailer umas três vezes, sem a menor empolgação. Confirmei minha idéia prévia: o filme é chato. uma hora e meia que parecem três.

Truman Capote é autocentrado, egoísta, cínico, egocêntrico, arrogante, antipático. O roteiro é bem conduzido, mas a proposital falta de carisma do personagem-título torna a fita arrastadíssima. Capote é para ser visto em dvd, com pausas quando o tédio imperar.

Philip Seymour Hoffman ganhou merecidamente o Oscar 2006 de melhor ator.

Restou a curiosidade de ler o livro A Sangue Frio, o resultado da investigação de Capote sobre o crime ocorrido em Holcomb. Acredito que seja, realmente, um bom livro.