Começou com um twitt da Carol Linden, que levou-me ao paper toy fofíssimo do Haroldo, aí do lado. Dali, fui direto para a galeria do Lyrin-83, depois para os pokémons de papel. De link em link, passei horas navegando por brinquedos de papel incríveis, criativos e bonitos. Lembraram-me daquelas bonequinhas de cartolina que vinham com roupinhas (também de papel) e rendiam muitas brincadeiras.
Os paper toys de hoje são mais sofisticados e requerem um pouco de habilidade da montagem, mas não são nada impossíveis. Basta o modelo impresso, tesoura, fita dupla-face (a cola não é recomendada porque pode manchar a tinta) e uma dose de paciência.
Busque o Caminho e encontrará muitos sites sobre o assunto, como o Paper Toy Art (que não tem modelos para impressão, mas aceita encomendas – você pode virar um paper toy, olha só), o Toy-a-Day (com vários modelos para download), e o Cubeecraft (meio confuso, mas cheio de modelos e links).
Os encontros e reencontros com muita gente querida.
Tem muito mais aqui. E, se você ainda não conhece, descubra o LuluzinhaCamp. Ano que vem, tem outro encontro nacional. Até lá, a gente vai se divertindo nos regionais.
Esse Folgando é extraordinário por sair durante e semana e porque só traz três notícias – mas você pode considerá-lo extraordinário porque são notícias imperdíveis, maravilhosas e vitaminadas. 😉
A primeira delas é que no próximo dia 30 de agosto acontece o Segundo LuluzinhaCamp Nacional. Será novamente em São Paulo, na Oca Tupiniquim (facinho de chegar), das 11h às 18h. Para participar, você, mulher interneteira e antenada, precisa fazer sua inscrição e pagar uma taxa de 15 reais.
Quem já foi a um LuluzinhaCamp, seja nacional ou regional, pode atestar como ele é bacana. Quem nunca foi, pode tratar de ir chegando: deixe de lado a timidez, traga sua caneca, sua comidinha para compartilhar e sua vontade de conhecer gente e trocar idéias. Mais detalhes (inclusive link para o formulário de inscrição) na chamada da Lu Freitas.
A segunda notícia é que já está no ar mais um exemplar da Revista Deusas. Nesta Edição de Inverno, afinamos o modelo colaborativo que rendeu ótimos frutos na Edição Especial – Dia Internacional da Mulher. A revista traz dicas para aquecer a casa no inverno, dicas de sopas rápidas, crônicas, comentários de filmes “invernais” etc. e tal. Está realmente recheada de textos fantásticos escritos por mulheres maravilhosas – e pelo Tucori, bendito fruto. Baixe agora mesmo!
Para fecharcom chave de ouro, um livro pra lá de especial: A Casa das Fadas, de Danilo Donzelli, padrasto da querida Lu Freitas. Danilo conta a história de Dudu, uma criança vítima do abandono, como tantas por aí. O sofrimento, o medo, a vida no abrigo, o sonho de uma família de verdade – está tudo lá, narrado com muita sensibilidade. O lançamento foi ontem. A Lu sorteia um exemplar HOJE e, se você correr, ainda consegue participar. Se não der mais tempo, pode comprar o seu no site do autor (com direito a trilha sonora) ou direto na editora. Vale a pena!
No colégio, História era minha matéria favorita. No dia-a-dia, o interesse por comida (e por comer, obviamente) é constante. Claro que um livro juntando essas duas delícias chamaria minha atenção. Apesar disso, Brasil 1500/2000: 500 Anos de Sabor mofou na minha estante por anos (talvez desde 2000, de fato). Eu não sabia o que estava perdendo.
O livro é um verdadeiro passeio pela história gastronômica do Brasil. Da Colônia até os dias atuais, passando pelas contribuições dos índios, dos negros e das várias correntes migratórias, 500 Anos de Sabor é uma leitura fascinante, nada diet e capaz de agradar até quem não curte esquentar a barriga no fogão ou ler sobre batalhas, datas e figuras históricas. Afinal, todo mundo gosta de uma boa mesa (aliás, eis aí um bom jeito de motivar o estudo da História).
Conta-se, por exemplo, que a onipresente mandioca veio dos índios (ao passo que sua bebida preferida, o cauim, não caiu nas graças dos europeus – felizmente); que a mesa portuguesa só ganhou sabor de verdade com os temperos trazidos pelos negros em honra aos seus orixás; que entradas e bandeiras enriqueceram a culinária nacional com pratos rápidos e de fácil conservação, como a paçoca de carne-seca; que as Grandes Guerras, assolando a Europa, fizeram os olhos e o paladar brasileiros voltarem-se para os vizinhos norte-americanos.
A discussão sobre a origem da feijoada também está presente, claro:
Como toda paixão, a feijoada costuma gerar acaloradas polêmicas. Teria mesmo nascido na senzala? Não teria muito mais a ver com receitas portuguesas mesmo, das regiões da Estremadura, do Alto Douro e Trás-os-Montes, que misturam feijão de vários tipos, menos o feijão preto, a linguiças, orelhas e pés de porco, e que se recomenda comer com arroz, especialmente na terça-feira de carnaval? Não seria uma receita muito mais moderna, surgida ali pelo final do século passado [XIX], a partir de informações culinárias de outros países, já então mais frequentes no Brasil, inspiradas por outros cozidos, como o cassoulet francês, que também leva feijão – branco – no seu preparo?
(…)
O que se pode fazer com segurança, para chegar mais perto da verdade, é relembrar um pouco os hábitos alimentares da senzala brasileira, nos dois primeiros séculos de colonização. (…)
Quando a escassez de comida não era tanta, suas refeições básicas juntavam a onipresente farinha de mandioca à carne ou peixe, além dos vegetais que estivessem à mão. E quando podiam, os escravos procuravam manter sua alimentação de origem, que não prescindia do feijão preto, trazido por eles da África, mais muita pimenta-malagueta como tempero. Dos senhores de engenho recebiam às vezes restos de carnes, mais a permissão para entrar nos pomares, servindo-se das frutas disponíveis, entre elas a laranja. E a aguardente costumava ser distribuída até com fartura, menos por generosidade e mais para estimular a alegria, aumentando assim, quem sabe, o empenho na lida dos canaviais.
Feijão preto, restos de carnes, farinha de mandioca, pimenta, laranja, até a bebida – não é difícil reconhecer na união desses elementos um parentesco bem próximo com a nossa feijoada contemporânea. (…) Não deve ser mera coincidência.
Às margens do texto, poesia, prosa, ditos populares e canções ilustram a fusão entre culinária e cultura.
500 Anos de Sabor foi patrocinado pelo Pão de Açúcar em 2000 e não é mais vendido; quase nem escrevo sobre ele. O Neto Cury (que me lembrou dos sebos), a Cynthia Semíramis (que falou sobre a preservação da memória do livro) e a Júlia Reis (que nem sabia que o livro tinha a ver com a praia dela) disseram que isso não é razão suficiente pra não falar dele. Estão certos. O texto é bacana, as receitas (mais de duzentas) vão da maniçoba à charlotte russe e, veja só, dá pra comprá-lo na Estante Virtual, meu sebo favorito.