Saiu por todos os shoppings.
Entrou em todas as lojas.
Olhou roupas, livros, discos, chocolates.
Não conseguiu comprar coisa alguma
porque, afinal, tudo aquilo já possuía.
Só o que não tinha
não se achava à venda.
E, na falta do que desejava,
possuída pelo que não lhe pertencia,
fugiu, desnorteada.
De Olhos Bem Fechados
Não acha que um dos encantos do casamento é tornar
o fingimento uma necessidade para ambas as partes?
(Para Alice, no baile do início do filme.)
Ficha técnica
Eyes Wide Shut. EUA, 1999. Drama. 159 minutos. Direção: Stanley Kubrick. Com Tom Cruise, Nicole Kidman, Madison Eginton, Jackie Sawris, Sydney Pollack, Leslie Lowe.
Bill Harford (Tom Cruise) é casado com a curadora de arte Alice (Nicole Kidman). Ambos vivem o casamento perfeito até que, logo após uma festa, Alice confessa que sentiu atração por outro homem no passado e que seria capaz de largar Bill e sua filha por ele. A confissão desnorteia Bill, que sai pelas ruas de Nova York assombrado com a imagem da mulher nos braços de outro.
Mais informações: Adoro Cinema.
Comentários
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O que você vê é o que é real? O que é real é visto por você? São essas as perguntas que Kubrick faz ecoar durante toda a narrativa. Ao mesmo tempo, questiona-nos sobre se a sinceridade total e irrestrita é uma boa coisa. Talvez a omissão seja a melhor saída, em certos casos, para não ferir sentimentos. Ou não.
De olhos bem fechados é inquietante e perturbador, e isso não se deve às suas tão comentadas cenas de sexo. O filme prende pelo aspecto psicológico, mesmo. Kubrick criou uma trama densa, um enredo em que é impossível dar sequer um suspiro de alívio. São pontos determinantes para gerar toda essa tensão a trilha sonora (indicada ao Oscar), com um tema principal conduzindo todo o filme, e a iluminação, habilmente manejada.
Numa história que acontece muito mais dentro da imaginação dos personagens do que no ambiente exterior a eles, o espectador é levado a refletir sobre ciúmes, vingança, lealdade, desejo e confiança. Acima de tudo, depara-se com a velha máxima “nem tudo é o que parece ser”, num alerta sobre o perigo do julgamento precipitado.
O filme é baseado no romance Traumnovelle, de Arthur Schnitzler.
Devedeclube
– Já que ando mesmo sem tempo para ir ao cinema, resolvi aderir à locadora. Provavelmente, vão começar a aparecer comentários de devedês por aqui, além de filmes em cartaz. Já até mudei o nome da categoria correspondente.
– Quase todas as locadoras do Sudoeste são um lixo. Depois, ninguém entende por que ainda tenho minha vida centrada na Asa Sul.
– Felizmente, graças a uma amiga (obrigada, Vanessa!), descobri uma locadora baratinha (R$3,50 por dois dias) que, pasme, tem filmes de catálogo. Nas outras da região, só lançamento.
– E me diz: quem é o louco que pega Clube da Luta, Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, Cães de Aluguel e Pulp Fiction ao mesmo tempo?! Por via das dúvidas, vou manter-me longe das salas de cinema pelos próximos dias.
– Como disse um colega, quando comentei, só faltou mesmo Um dia de fúria para fechar o pacote do cidadão insano acima.
– Acabei alugando De olhos bem fechados e Mulheres à beira de um ataque de nervos.
A vida é bela!
O findi, que começou turbulento, acabou sendo uma delícia! E como poderia ser diferente, se tenho amigos…
… que me telefonam só para saber como estou – e, por pior que eu estivesse, a simples ligação me alegra?
…que conhecem rigorosamente todos os meus defeitos e, ainda assim, gostam de mim?
…que sabem das minhas burradas e deslizes dos últimos oito anos, e continuam por perto?
…que falam “Que saudade!”, quando tinham me visto dois dias antes?
…com quem posso conversar sobre absolutamente tudo?
…que passo seis anos sem ver e, quando nos reencontramos, não sobra tempo para um instante sequer de silêncio constrangedor?
Enfim, a vida pode não ser perfeita, mas que é bela, é.