Fantasias e Fantasias

Recebi em uma lista de discussão sobre Ficção Científica: as 50 garotas mais sexy da Ficção Científica. A eleita Número Um foi a Princesa Leia.

Entre as citadas, algumas são tão previsíveis quanto a Princesa Leia, como a Sete de Nove e a Trinity. Outras, como a Dana Scully, me surpreenderam.

A escolha de vulcanas foi inusitada: homens, vocês se esquecem que T’Pol e Saavik só estão, digamos, aptas a cada sete anos?

Incluir Jadzia Dax na lista também é, no mínimo, esquisito. Jadzia é um simbionte: por fora, bela viola; por dentro, verme bolorento.

Mas o Troféu Bizarrice vai pra quem citou Diana, da minissérie V. Pra quem não se lembra (ou não era nascido), V mostrava um grupo de alienígenas muito maus e muito feios travestidos como humanos. Um vislumbre da verdadeira aparência de Diana (via pwiPOP):

Diana (Jane Badler) - V

Voltando ao início, uma das moças da lista de discussão ficou indignada: “Princesa Leia? Tá de sacanagem? Nem de biquíni ela merece o título!”.

Olha, não sou uma profunda conhecedora da alma masculina, mas de nerd até que entendo um pouquinho. Minha hipótese é de que a fantasia preferida de 9,5 entre 10 nerds (porque sempre há exceções) é exatamente a Princesa Leia de biquíni dourado com os fones de ouvido, digo, cabelos trançados.

Para confirmar a hipótese, perguntei no twitter: “ok, nerds twitteiros. confirmem (ou não) minha teoria: qual a fantasia clássica dos nerds?”.

A resposta não tardou e foi quase unânime: Princesa Leia de biquíni. Claro! Não me pergunte por que, não faço a menor idéia, simplesmente é assim que as coisas são.

Mas o pensamento nerd sempre nos surpreende, e o marcamaria não perdoa:

Nerd com tempo: vai de personagem preferido. Nerd sem tempo: vai fantasiado de pessoa normal. (olha aí a dica nerds!)

Ôpa! A resposta foi de primeira, marcamaria (“pessoa normal” foi ótima), mas eu estava falando de fantasia sexual…

Ah! Explica direito. Pergunta errada no dia das bruxas.

Ok, ok, falha minha. 😉

Agora, se eu estivesse falando de fantasia, fantasia mesmo, a resposta para o traje preferido dos nerds é fácil (via CBS):

Flash - The Big Bang Theory

Aproveite para visitar o Blog de Brinquedo, que entrou no clima do Halloween recomendando fantasias de Star Wars (pôxa, não tem de Star Trek?) e ainda achou uma figura em tamanho real da Bruxa do Oeste.

Em tempo: quais seriam os 50 rapazes mais sexy da Ficção Científica? Já estou montando minha lista…

E não venham me falar em “Dia do Saci”, pelamor. O Dia do Folclore Brasileiro existe sim, é 22 de agosto. E Halloween não tem nada a ver com “enaltecimento da cultura americana” ou sei-lá-o-quê.

Sentindo o aquecimento global na pele

Alguém desliga o aquecimento? Ontem foi o dia mais quente em Brasília desde que… bem, desde que Brasília existe. Em 48 anos, nunca havia sido registrada a temperatura de 35,8ºC que o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) marcou ontem (embora alguns relógios pela cidade registrassem mais que isso).

Para completar, a seca continua por aqui: a umidade relativa do ar estava em 13% ontem, agravando o calor. Clima desértico mesmo e nem uma brisa para amenizar. Ficar na rua era impossível e o ar condicionado de todos os cantos lutava para dar conta. Hoje a coisa não está muito diferente disso como, aliás, não estava na segunda-feira. No domingo, o asfalto de algumas ruas estava mole e na bancada de granito em que fazíamos um churrasquinho dava pra fritar um ovo. Literalmente.

Um efeito colateral dessa onda de calor é a sobrecarga da rede elétrica da cidade. Ontem foi dia de picos de luz e apagões em diversas áreas de Brasília. A CEB diz que a culpa é nossa, claro, já que aparelhos de ar condicionado estão no limite – mas a CEB é aquela empresa que nem nas CNTP consegue atender a demanda e deleita-nos com quedas de luz frequentes, chova ou faça sol.

De quebra, o número de focos de incêndio está mais elevado que nunca, especialmente levando-se em conta a época do ano – novembro já é temporada chuvosa na Capital Federal.

As explicações passam pela ocupação excessiva (embora não desordenada) da cidade, pelo uso exagerado de concreto, pelos prédios de vidro sem isolamento térmico adequado e pelo número de veículos nas ruas. Cada comentarista, especialista ou cidadão comum apresenta a sua hipótese.

A minha é bem simples: o aquecimento global chegou. Fujam para as montanhas.

Imagem: runrunrun.

Atualização: alguns termômetros pela cidade ontem marcavam 40ºC e a umidade “extraoficial”, dizem, foi de 8%.

Outubro Rosa: lembranças

Eu tinha uns 12 ou 13 anos e morava no Rio de Janeiro. Foi justamente numa metrópole que eu e minha mãe encontramos com uma profissional cada vez mais escassa: uma costureira de mão cheia, dessas que fazem de bermudinha a vestidos de baile com o mesmo primor – e do lado de casa. Íamos a pé encontrar a Dona Rosinha e na casa dela passávamos a tarde, folheando revistas de moda, tirando medidas, provando os esboços e batendo papo.

Havia três gerações ali – Dona Rosinha tinha idade para ser minha avó – e eu mais escutava que falava. Às vezes, desligava-me da conversa enquanto via as revistas e imaginava as roupas novas. Também olhava bastante ao redor, vasculhando sem tocar as grandes cestas de retalhos (eu sabia que sairia de lá com alguns), o enorme espaço que servia de sala de costura e prova e, logo ali ao lado, a sala de visitas que fazia parte do lar da Dona Rosinha. Na estante escura, uma televisão grande e bichinhos de porcelana sobre toalhas de crochê. Um daqueles retratos clássicos pendurado na parede: várias fotos pequenas de um bebê, formando um círculo sépia, com uma imagem do mesmo menino ao centro, maior e posada.

Nesse ambiente de casa de vó do interior é que a expressão “câncer de mama” tomou forma pela primeira vez. Dona Rosinha tivera câncer de mama muitos anos antes, quando era uma jovem mãe. Quando falei “mas você está curada, né?”, ela explicou que o câncer sumira há tempos, mas de vez em quando ela dava uma conferida. Nos primeiros anos, todo mês precisava checar se estava mesmo bem. Depois, a visita ao médico era a cada seis meses e, finalmente, tornou-se uma rotina anual. “Pra sempre?”. Sim, pra sempre.

Era difícil imaginar que aquela mulher forte, trabalhadeira, criativa e caprichosa tivesse algum dia ficado tão seriamente doente, mas era a mais pura verdade. Dona Rosinha podia mostrar a prova concreta em seu corpo, ou melhor, podia mostrar o que não estava lá: seus seios haviam sido totalmente removidos em função do câncer.

Aquela imagem, que até hoje está bem clara na memória, não me causou piedade – e talvez isso soe extremamente insensível, mas foi assim mesmo. Não me recordo de ter olhado para a Dona Rosinha com pena. Esse o sentimento simplesmente não era compatível com minha costureira preferida com cara de avó. Dona Rosinha era uma mulher talentosa, cheia de energia e que transbordava vitalidade. Se havia algo a sentir por aquela fortaleza de um metro e meio de altura, era admiração. Pura e simples admiração.

Hoje as coisas são muito diferentes do que eram na época em que a Dona Rosinha teve câncer. As mulheres têm mais informações, a medicina evoluiu, há o diagnóstico precoce e a cirurgia reconstrutora faz do tratamento. O trauma físico e psicológico é menor, as taxas de sobrevivência são maiores.

Ainda assim, se eu me tornar parte das estatísticas do câncer de mama, na sua forma mais branda ou não, desejo que possa lembrar-me da Dona Rosinha, cujo nome não poderia ser mais apropriado como símbolo de vitória sobre o tumor. Que eu me lembre da volta por cima apesar da violência do câncer. Que eu lembre que uma doença, qualquer que seja, não me define como ser humano ou como mulher. Que eu lembre que minha feminilidade não se resume a uma parte do meu corpo, mas permeia cada célula, cada sopro de vontade, espírito e alma.

Que eu me lembre, que você se lembre e que sigamos em frente com garra, amor e vontade, mesmo que a vida não seja cor-de-rosa.

BlogLista, uma boa idéia

BlogLista Com pouco mais de um mês de vida, a lista de discussão BlogLista vai de vento em popa, confirmando que havia um público carente de um espaço saudável para discussões sobre blogs. A lista foi uma grande sacada do Daniel Becher, que conta com a ajuda e os pitacos de um time de moderadores dedicados: Janio Sarmento, Lucia Freitas, Noronha, Nospheratt, Ricardo Cobra e eu.

Embora nem tudo sejam flores o tempo todo, a lista tem sido bastante proveitosa. Acredito que o simples fato de existirem regras é o suficiente para que os participantes se sintam num ambiente produtivo e passem a zelar para que ele continue assim, num ciclo virtuoso.

É como o péssimo hábito de jogar lixo na rua: se você anda por ruas imundas, sente-se encorajado a aumentar o lixo; se as ruas estão limpas e bem-cuidadas, você fica motivado a conservá-las desta forma (sim, eu sei, há exceções nos dois exemplos, mas funciona assim para a maioria).

A BlogLista conta com um blog próprio como ferramenta complementar. Nele, você encontra links diretamente para os melhores tópicos da semana, a fim de facilitar posteriores consultas. Além disso, já está no ar a página Tudo Sobre Blogs, que reúne material de primeira qualidade sobre o tema. Mais conteúdo será adicionado no futuro – fique de olho!