Lei de Murphy aplicada à Fotografia

Murphy, amigo inseparável de todos os mortais, aprontou mais um neste fim-de-semana.

Depois de um mês de céu de brigadeiro, mandou para Brasília um sábado muito nublado. Só porque era o dia da saída fotográfica de encerramento do curso de leitura crítica da imagem que fiz durante a semana. A primeira saída fotográfica minha em anos, e o tempo fecha.

Pra completar, em pleno junho esturricante, quando a seca deveria ser a certeza mais certa de todas, Murphy providenciou chuva para hoje, domingo. Além do céu absolutamente nublado. Só porque era o único dia em que eu poderia sair para fotografar com uma câmera analógica manual – emprestada, que será devolvida amanhã.

Saí, mesmo assim. Com o filme ASA 100 mesmo, fazer o quê.

Eu fiz faxina com o Santo Sudário, tô dizendo.

Já vai tarde

A escolha dos ministros por parte de um príncipe não é coisa de pouca importância:
os ministros serão bons ou maus, de acordo com a prudência que o príncipe demonstrar.
A primeira impressão que se tem de um governante e da sua inteligência
é dada pelos homens que o cercam. Quando estes são eficientes e fiéis,
pode-se sempre considerar o príncipe sábio, pois foi capaz de
reconhecer a capacidade e de manter a fidelidade.
Mas quando a situação é oposta, pode-se sempre fazer dele mau juízo,
porque seu primeiro erro terá sido cometido ao escolher os assessores.

(O Príncipe, Maquiavel – início do Capítulo XXII.)

José Dirceu saiu do governo, enfim. Com mais de um ano de atraso. Quando estourou o caso Waldomiro, até hoje muito mal contado, deveria ter se mandado. Aliás, pensando bem, Dirceu nunca deveria ter feito parte do governo, porque nunca foi flor que se cheirasse.

“Antes tarde do que nunca”, é o que dizem. Só que as coisas não costumam ser tão fáceis assim na política. Seqüelas ficam, inevitavelmente.

Resta aguardar as cenas dos próximos capítulos de uma novela que promete arrastar-se até as eleições do ano que vem.

Corrente musical

A Mônica me passou dever-de-casa. Amando música como amo, não hesitei em responder.

a) Quantos gigabytes usados com música:

Nenhum. O que tenho em MP3 está em quatro cedês (dois deles comprados prontinhos, um dos Beatles e um – claro! – da Legião). Não sou fã de MP3, provavelmente porque meu ex-cd-palyer (buáááááá!) não tocava.

b) Último CD que comprei:

Giramundo, da Fernanda Porto. Esperava mais dele.

c) Música tocando no momento:

Na minha cabeça toca Homem com H, do Ney Matogrosso, que foi a última que ouvi antes de vir pro trabalho.

d) Cinco músicas que tenho escutado bastante:

e) 5 pessoas pra passar a batata quente:

Escolhi cinco do Planalto Central:

Obrigada, seu ladrão.

Passei o fim-de-semana envolvida com a festa junina da Igreja de Santo Antônio. Foi meu oitavo ano de trabalho lá. Há dois, digo que não quero mais trabalhar. Só que amo muito tudo aquilo e não consigo mesmo ficar afastada. Mas não é disso que quero falar agora. É de algo muito, muito chato.

Segunda-feira foi o encerramento da festa. Trabalhando na tesouraria, só podemos ir embora depois de tudo devidamente contado, conferido e anotado. O fim do serviço foi lá pela uma e meia da madrugada.

Como tinha parado o carro meio longe, meu pai foi me acompanhar. Quando chegamos, comecei a reparar em coisas estranhas. Porta-luvas aberto, credencial de estacionamento no chão… demorei alguns segundos (que pareceram minutos inteiros) para registrar o que tinha acontecido.

Entraram no meu carro e levaram meu cd-player.

Não vou soltar aqui um fieiro de palavrões, embora esta seja a minha vontade. É a segunda vez que levam meu som. O atual era bem baratinho e pulava mais que canguru. Como já tinha sofrido um furto, instalei-o “embutido” – retira-se a moldura do cd-player, corta-se o fundo do painel do carro e coloca-se o aparelho recuado, de forma que, encaixando a tampa na frente do som, parece que não há nada instalado.

E, mesmo assim, o cara levou. Teve todo o tempo do mundo.Nem estragou as conexões. Trabalhou com calma e sossego.

Dadas as circunstâncias, tenho até que agradecer:

– No mesmo dia, tinha ficado com uma câmera fotográfica emprestada. Felizmente, tive a presença de espírito de não deixá-la no carro (o equipamento deve custar uns mil reais).

– O sujeito não achou meu palm e o respectivo teclado. Também não abriu o porta-malas, onde guardo meu kit de sobrevivência.

– Não uso porta-cds. No carro, só o que está no cd-player – que, pra variar, era o Legião Urbana Acústico. Como já andei falando aqui, a mídia dele é tão ruim que “gasta”. Por isso, tinha feito uma cópia na semana passada. Era essa cópia que estava no cd-player.

– Seu Ladrão teve a gentileza de, além de não arrebentar a fiação, não estragar vidros, fechadura ou lataria. Realmente, um profissional de primeira qualidade.

Eu, como fico estressada quando tenho que dirigir sem som (sabe aquele desenho animado em que o Pateta se transforma numa fera quando senta ao volante?, pois é, sou eu), vou comprar outro cd-player na semana que vem, quando sai meu pagamento. Vagabundo como o que me levaram, claro, já que serei furtada novamente daqui a dois ou três anos. Porque, nesse país, bandido pede pizza na cadeia e usa celular, enquanto nós, pobres e honestos mortais, não temos direito a gozar do dinheiro que recebemos como fruto do trabalho.

E ainda me falam em direitos humanos dos presos.