Aprendizado

É interessante o processo de avaliação sobre a qualidade de uma foto. Não estou falando de elementos técnicos (foco, abertura, velocidade), mas de elementos de composição mesmo, que se traduzem na chamada “força” da imagem.

Interessante e um tanto frustrante, às vezes. Porque, da saída fotográfica de sábado, as fotos de que mais gostei não funcionaram. As fotos que funcionaram, não gostei.

Questão de treinar mais o olhar, o enquadramento, a composição, a capacidade de avaliar, na hora do clique, se a foto obtida será forte ou não. Para isso, não basta a visualização imediata da imagem, permitida pela câmera digital. É necessária a capacidade de ver além daquele quadradinho.

Enfim. Segue uma imagem, tirada no domingo, com uma Pentax P30N (emprestada – obrigada, Fábio!), filme Fuji Color ASA 100. A abertura estava em 5.6 e a velocidade em 1/125 (mas posso estar ligeiramente enganada quanto a este último valor).

Dica: o canto superior direito deve estar vermelho escuro. Se estiver alaranjado, significa que seu monitor não está calibrado.

Pôr-do-sol em Brasília.

Manda quem pode.

Hoje, nada de política. O assunto do dia é o vexame da Fórmula 1 no GP dos Estados Unidos, ontem.

O resumo da ópera: das dez escuderias, sete utilizam pneus Michelin, que se revelaram inapropriados para a corrida. A alta velocidade do autódromo de Indianápolis fazia os pneus desmancharem em menos de 10 voltas. As equipes, em nome da segurança, pediram a modificação do traçado, de modo a forçar a redução da velocidade.

Das três escuderias que usam outra marca de pneus, Jordan e Minardi concordaram. Só a Ferrari bateu o pé e foi do contra.

Pensa que a maioria prevaleceu? Que nada. Manda quem tem mais dinheiro.

As sete equipes que usam Michelin retornaram aos boxes após a volta de apresentação. A corrida contou com apenas seis carros. Uma cena ridícula. Vaias dos torcedores nas arquibancadas acompanharam toda a prova, até o pódio.

Nessa, só quem se deu bem foi Michael Schumacher, que agora entrou na briga pelo título de 2005, já que sua diferença para Raikkonen caiu para apenas três pontos.

Ainda caberia uma piadinha sobre o Barrichello, que nem com tão poucos carros conseguiu o primeiro lugar. Acontece que a escuderia italiana, pra variar, pediu para o Rubinho desacelerar e dar passagem ao alemão.

Enquanto isso, o Papa Bento XVI (para mim, continua sendo Joseph Ratzinger e ponto) abençoava cerca de 20 carros Ferrari estacionados na Praça São Pedro. Eu, hein.

Alemães e Ferrari – um caso de amor.

Notinha

A matéria lincada informa que o Papa falou, sobre os carros da Ferrari, “Nós os vemos e os sentimos”. Na verdade, o que ele disse foi “Nós os vemos e os ouvimos” – uma piadinha infame. Ouvir, em italiano, é sentire – daí a confusão de muitos jornalistas.

Lei de Murphy aplicada à Fotografia

Murphy, amigo inseparável de todos os mortais, aprontou mais um neste fim-de-semana.

Depois de um mês de céu de brigadeiro, mandou para Brasília um sábado muito nublado. Só porque era o dia da saída fotográfica de encerramento do curso de leitura crítica da imagem que fiz durante a semana. A primeira saída fotográfica minha em anos, e o tempo fecha.

Pra completar, em pleno junho esturricante, quando a seca deveria ser a certeza mais certa de todas, Murphy providenciou chuva para hoje, domingo. Além do céu absolutamente nublado. Só porque era o único dia em que eu poderia sair para fotografar com uma câmera analógica manual – emprestada, que será devolvida amanhã.

Saí, mesmo assim. Com o filme ASA 100 mesmo, fazer o quê.

Eu fiz faxina com o Santo Sudário, tô dizendo.

Já vai tarde

A escolha dos ministros por parte de um príncipe não é coisa de pouca importância:
os ministros serão bons ou maus, de acordo com a prudência que o príncipe demonstrar.
A primeira impressão que se tem de um governante e da sua inteligência
é dada pelos homens que o cercam. Quando estes são eficientes e fiéis,
pode-se sempre considerar o príncipe sábio, pois foi capaz de
reconhecer a capacidade e de manter a fidelidade.
Mas quando a situação é oposta, pode-se sempre fazer dele mau juízo,
porque seu primeiro erro terá sido cometido ao escolher os assessores.

(O Príncipe, Maquiavel – início do Capítulo XXII.)

José Dirceu saiu do governo, enfim. Com mais de um ano de atraso. Quando estourou o caso Waldomiro, até hoje muito mal contado, deveria ter se mandado. Aliás, pensando bem, Dirceu nunca deveria ter feito parte do governo, porque nunca foi flor que se cheirasse.

“Antes tarde do que nunca”, é o que dizem. Só que as coisas não costumam ser tão fáceis assim na política. Seqüelas ficam, inevitavelmente.

Resta aguardar as cenas dos próximos capítulos de uma novela que promete arrastar-se até as eleições do ano que vem.