Vá pentear macaco-aranha, Obama!
Ter, 27.05.2008 | Tema: ecologia
Tags: ecologia, meio ambiente, política
Não bastassem os ecochatos, que prestam um desserviço ao debate ambiental há décadas, destaca-se atualmente uma outra espécie irritante: os ecodemagogos. Semana passada foi a vez do quase-candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama proclamar que a Amazônia é um "recurso global". O recado, pra lá de óbvio, não passou batido ao jornal The New York Times, que publicou em 18 de maio a matéria De quem é a Amazônia, afinal? (em inglês - no Último Segundo há uma tradução), destacando opiniões favoráveis à internacionalização da floresta - da nossa floresta.
Soberania nacional? Integridade territorial? Pelo visto, Obama e outros formadores de opinião por aí desconhecem esses conceitos - quando se referem ao país alheio, claro. Quer apostar que a reação seria bem diferente se alguém sugerisse a internacionalização da Floresta Boreal do Alasca, por exemplo?
Que se fale em proteção da Amazônia, em responsabilidade do Brasil por cuidar dela, em estipulação de padrões mínimos de conduta, até aí, tudo bem. Não defendo a falácia "ah, eles destruíram o que é deles, logo podemos destruir o que é nosso" - embora a premissa seja verdadeira, um erro não justifica o outro.
Mecanismos de controle do desmatamento, aliás, existem. Na verdade, o simples boicote do comércio internacional a produtos oriundos da exploração predatória da Amazônia já faria um belo trabalho, sensibilizando os produtores onde realmente dói - mas ninguém quer isso, não é? Todos lucram com a devastação da floresta. A diferença é que uns são mais demagogos que outros.
Enfim. É justo e necessário que haja uma preocupação com a preservação e que se discutam regras de exploração racional dos recursos florestais. Agora, dizer que a Amazônia é "do mundo", que se trata de um "recurso global", um "patrimônio natural" ou o que quer que seja já é passar dos limites do discurso sensato. Brasília, a cidade em que moro, é patrimônio cultural da humanidade e nem por isso está aberta ao domínio estrangeiro.
Do jeito que a coisa vai, acabo virando republicana.
Foto: Sir. Keko (link para a imagem).









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