Eu voto NÃO!

“Um homem não pode abandonar o direito de resistir
àqueles que o atacam com força, para lhe retirar a vida…”
(“Leviatã” Thomas Hobbes)

Em 23 de outubro, os eleitores brasileiros responderão ao referendo sobre a comercialização de armas de fogo e munição. O Estatuto do Desarmamento, em vigor desde 2003, estipulou o referendo no parágrafo primeiro do artigo 35.

Convictamente, sou contra o desarmamento da população civil. Sou mais contrária ainda à forma como esse referendo foi organizado.

Para começar, a pergunta a que vamos responder no dia 23 de outubro próximo é fortemente tendenciosa: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. A questão é tortuosa, longa, feita para confundir. Acreditando-se na boa-fé de quem a redigiu, pode-se dizer que é, no mínimo, mal formulada. Com uma palavra negativa na sentença – “proibido” -, o eleitor é obrigado a escolher SIM para dizer NÃO ao comércio de armas de fogo; e deve dizer NÃO para responder SIM.

Ressalte-se que a “Campanha do Desarmamento”, feita ao longo dos últimos meses (com aquela história de entregar sua arma de fogo e patati-patatá) desequilibrou a balança em desfavor dos que apóiam o direito de ter armas em casa, já que durante longo tempo não tiveram na mídia o mesmo destaque. Além disso, a Campanha leva o cidadão a crer que a proibição do comércio de armas e munição contribuirá para a redução da violência.Grande falácia. Veja:

1. Quem vai ser desarmada é a população honesta. Bandido vai continuar tendo arma. Marginal não compra arma em lojas. Traficante não registra arma.

2. Os bandidos vão votar “SIM”, sabia? É claro. Uma população indefesa é tudo que eles mais querem. Na Austrália, o índice de invasões a residências aumentou drasticamente após a proibição do comércio de armas. Na Inglaterra, onde as armas foram banidas em 1997, o índice de homicídios aumentou 25%; o número de roubos cresceu 36%.

3. Você pode contar com a polícia brasileira? Acredita que ela chegará a tempo numa situação de emergência?

4. No Canadá e nos Estados Unidos, o acesso a armas de fogo é igualmente fácil. Entretanto, o índice de mortes por arma de fogo no Canadá é tremendamente menor que nos EUA. O problema não está na arma, mas em quem a utiliza – clichê, sim, mas verdadeiro. A grande questão que diferencia os EUA do Canadá é a cultura da violência e do medo que, por sinal, predomina no nosso país também. No Brasil, gostamos de atacar as conseqüências sem tratar as causas. É exatamente o que se está tentando fazer com o desarmamento da população.

5. A legítima defesa é um direito natural. Matar em legítima defesa é autorizado pelo Código Penal. Ninguém é preso por reagir e matar um assaltante, estuprador ou assassino.

6. Eu jamais teria uma arma de fogo em casa. É a minha opção, é meu direito não ter armas. Da mesma forma, é direito do meu vizinho ter uma arma, se ele assim quiser. Não tiremos de ninguém o livre arbítrio.

7. Como bem lembrou a Bel, d’O Pásssaro Raro, Hitler desarmou a população antes de iniciar sua perseguição aos judeus.

Reflita: quem ganha com o desarmamento? Quem ganha com a certeza de que você não tem uma arma em casa? Hoje em dia, um assaltante pensa duas vezes antes de entrar numa casa ocupada, porque sabe que pode encontrar resistência. Ele gostaria muito de ter a certeza da desproteção de sua vítima.

É fácil defender o desarmamento quando se vive em condomínio fechado e anda-se com seguranças pra cima e pra baixo, como os artistas globais que apóiam o “sim”.

Existem dois grandes grupos que sairão lucrando com o desarmamento da população civil: os criminosos e os detentores de firmas de segurança privada.

Pense, analise, discuta. O Dia de Folga está aberto à polêmica. Tenho certeza de que os argumentos prós e contras serão postos com o máximo respeito.

Não deixe de responder a enquete ao lado: você acredita que a proibição do comércio de armas e munição, caso aprovada, contribuirá para a redução da violência no Brasil?

Filme recomendado: Tiros em Columbine, de Michael Moore.
Site recomendado: Eu voto NÃO; Desarmamento Civil? Não caia nessa armadilha.
Atualização em 10 de outubro:

– Alguns amigos questionam o próprio referendo em si. Serão gastos, na consulta popular, 600 milhões de reais. O mesmo governo que está fazendo a pergunta gastou apenas 180 milhões de reais com segurança pública no último ano. Concordo com quem diz que o referendo é inadequado e dispendioso demais e que há coisas muito mais importantes a serem resolvidas no país. Ocorre que essa discussão é inócua: o referendo vai acontecer, e ponto. A questão, agora é quanto aos seus resultados. Isso ainda vale a pena discutir.

– Uma das frases de efeito da campanha pelo SIM é mais ou menos esta: “O referendo é a forma mais democrática de você decidir se quer ou não ter armas”. Agora, diga-me: democrática para quem? Democracia é o que se tem hoje: eu posso decidir por ter uma arma ou por não tê-la – em termos, claro, já que as condições impostas pelo Estatuto do Desarmamento já são extremamente restritivas, com o que concordo. A prevalecer o SIM, entretanto, não teremos mais essa liberdade de escolha. Não haverá democracia, mas a ditadura da maioria – que, afinal, é uma boa definição para o termo “democracia” (pelamordedeus, que ninguém pense que sou favorável ao totalitarismo ou coisa do gênero!).

– Por sugestão da Luma, estou participando da iniciativa do Nós na Rede que, nesta segunda, 10 de outubro, voltou-se para a discussão sobre a proibição da venda de armas e munição no Brasil. Lá, você poderá ler ótimos textos contrários e favoráveis à proibição. Vale a pena conferir, informar-se e colher subsídios para um voto consciente, seja em que sentido for.

29 thoughts on “Eu voto NÃO!

  1. Olá!!!
    Lú, também voto não. Justamente pelos mesmos motivos que você. É muita inocência acreditar que bandido registra arma… E esses artistas da Globo estão me irritando. Toda vez que aparece a propaganda eu mudo de canal.

    Imagina, aquele Dj Malboro, que faz baile funk em favela (e, sejamos honestas, deve ter o rabo bem preso) aparecer falando que isso vai evitar que crianças andem armadas pelas ruas é muito para a minha cabeça!!! Até parece que eles foram na loja e registraram a arma…

    Beijos

  2. EU TB VOTO NAUM!!! 😀

    Imagina, se ja esta critico com arma, quando o bandido tiver certeza q vc naum tem como se defender, isso vai virar um caos.

    O q mais me deixa indignado eh no comercial do SIM apareec varios artistas e talz… no do NAUM eh soh um negocinho sem sal…

    VAMOS VOTAR NAUM!!! O CIDADAO TEM DIREITO DE DEFESA SIM!!!

    []s.. ateh a proxima… 😀

  3. Issae! Todo mundo votando 1 no dia do referendo! Antes de começarem com as propagandas na TV eu já tinha essa idéia, veio a ser reforçada com os ótimos argumentos do pessoal do NÃO, principalmente depois de desmascarar o pessoal do SIM.

    O SIM pode ter vários votos e pode até ganhar por ter apenas artistas da Globo apoiando, nesse caso o carisma irá falar mais alto.

    Espero que o NÂO ganhe 🙂

  4. [-x
    Pelo NÃO, ainda mais quando você inicia o texto com HOBBES (très chic!) e continua com argumentos sólidos. Vou ler isso para minha mãe, quem sabe? risos
    [-x

  5. Esse assunto é realmente mais delicado do que se pensa. A questão não é assim tão simples. Na verdade, acho que o discurso, ou até mesmo a própria pergunta do referendo é uma pegadinha.

    tiros em columbine é exatamente contra a comercialização de armas e munições, pelo menos daquela maneira tão fácil e confortável de se comprar. Veja também o filme ELEFANTE, que também fala do massacre na escola de Columbine.

  6. Complicado. Não vou expor meu voto, por enquanto. O problema continua. “O problema é o seguinte: não há problema”. Logo, não há solução.

  7. Eu ainda não formulei meu voto, mas tenho escutado com atenção e o devido respeito às duas vertentes… Até o dia 23 quero ter bastante certeza do que vou fazer…

  8. Acho que votando sim ou não isso não dará em nada e no final tudo vira bosta.

    Lu, fiquei um tempo sem a parecer, mas meu navegador no trampo tá uma bosta.

  9. Lu, muito inteligentes teus argumentos. É pura hipocrisia, utopia e inocência achar que o “desarmamento” vai adiantar agulma coisa. Por mim deveriam fechar as fábricas de armas e ponto final. Basta de tanta violência.
    O homem é o lobo do próprio homem.:((

  10. Sabe da minha opinião, voto Não! Quero ter o direito de optar! Não a ditadura, por melhor dizer. Beijus

  11. Eu sou contra o desarmamento.
    Eu sou contra um louco ter arma na rua e um cidadao tranquilo nao ter como se defender.

    Se eu estivesse no Brasil, iria querer uma arma!

  12. Eu ainda não decidi, muito embora esteja tentada a votar a favor do desarmamento. Acho que os teus argumentos são plausíveis. Mas, será que eles têm fundamento na realidade, na vida como ela é?

    Não acho que os ladrões deixam de invadir casas ou pautam suas ações criminosas de modo geral pelo medo de serem recepcionados pelos proprietários de arma em punho. Quem se dispõe a seguir uma vida de crime está disposto a tudo, inclusive a arriscar a própria vida em algumas situações.

    Tem mais: jamais ouvi uma única história em que alguém tenha conseguido se defender de um assalto utilizando a própria arma. Aliás, é justamente o contrário. Quem está desarmado, nessas horas, geralmente tem mais chances de sobreviver, ao contrário de quem tenta reagir.

    Por outro lado, parece-me, são inúmeras e lamentáveis as histórias de má utilização de armas de fogo. Quantos acidentes já houve? Quantas crianças inocentes já perderam suas vidas ao explorarem esse “brinquedinho”? Sinceramente, essas histórias parecem-me muito mais freqüentes do que as de defesa bem sucedidas em momentos de violência.

    Outra aspecto que acho relevante ressaltar é o seguinte: salvo engano, até hoje o porte de armas somente foi autorizado para pessoas que exercem algumas profissões específicas com maior risco. Essa não é uma possibilidade que existe para qualquer um. Ou seja, a maioria de nós que protestamos tão veementemente contra o desarmamento não conseguiríamos, de qualquer modo, usar uma arma de fogo de acordo com a lei.

    Somente posso terminar dizendo que eu jamais teria uma arma. E não me sinto indiferente ao fato de o meu vizinho ter uma.

  13. Manda outro mail informando o permlink da postagem para colocarem você na lista! É hoje o dia! Beijus

  14. O referendo é sobre o comércio de armas. Não é sobre o desarmamento. Nós precisamos de conscientização, fiscalização das leis existentes e medidas eficazes contra o crime.

  15. Luzinha querida,

    Eu consegui fazer o Brian’s Threaded Comments funcionar no meu layout novo, e ja to respondendo geral. Mas como eu faco pra aqueles comentarios irem pra caixa de email da pessoa?!! Lembra como voce fazia? Eu nao sei programar aquilo. Eu tentei deixar uma resposta pra mim mesma, mas nao foi nada pro meu email 🙁 Beijos

  16. Obrigada pela menção! :”>
    Sabe o q andeipensando?
    Eu moro noRio…
    Fiquei imaginandouma “galerinha” descendoomorortodaaramadae gritando” UHU! Vamu invadir”

  17. Lu, gostei de ler os seus argumentos sobre o assunto. 🙂 Não concordo com alguns deles, mas tudo bem. O que vejo na blogosfera é que a maior parte das pessoas é contra a proibição do comércio de armas no Brasil. Isso me entristece, porque sou a favor da proibição. Já conversei com pessoas contra e a favor, e entendo a preocupação de quem é contra. O debate é saudável, mas fico chateado de ver pessoas julgando umas às outras por sua posição em relação a esta e aquela questão. Acho que vou escrever sobre isso também. 🙂 Não vou cometer a imprudência de simplificar meu pensamento aqui no seu sistema de comentários, nem a arrogância de escrever um comentário-post como se este blog fosse meu, então não vou detalhar minhas razões. Mas espero escrever sobre elas depois. 😉

    Beijoca! 🙂

  18. Também voto não…

    Gostei muito da sua argumentação Lu. Espalha isso pela net, pelamordedeus, pois esse povo vai acabar votando SIM porque os “artistas da novela” disseram que é bom para o país.

    Alguém já atentou para o volume de divisas que o país vai perder? Se a comercialização interna é proibida, também é proibido exportar.
    E os empregos envolvidos na fabricação e etc?

    E desde quando proibir resolve alguma coisa nesse país?

  19. Nossa, não tenho nem o que completar.
    Você disse tudo, expressou bem a idéia que vem confundindo todo mundo, inclusive eu que andava super na dúvida, mas que já tenho certeza de voto.
    Tá apoiada!
    E beijo!

  20. No começo andava indecisa…não sabia ao certo, mas hoje, depois de ler muito e ouvir muito, tomei minha decisão, eu voto NÃO!!!

    O direito é meu de saber se quero ou não ter uma arma ( que não quero).

    Beijocas e Bom Final de Semana!!!

  21. eu voto NÂO…sempre tive essa certeza q a cada dia se confirma mais ainda ao ler argumentos como os seus…grande beijo e boa semana

  22. Eu também voto NÃO!
    Acidentes com armas de fogo dentro de casa acontecem bastante, e acredito que em sua maioria, com pessoas que não possuem autorização para ter uma arma, pois saberiam usá-la e guardá-la muito bem. Contudo, as pessoas que possuem porte de arma assumem a responsabilidade por cada bala usada.
    O governo não nos protege e ainda quer nos tirar a legítima defesa!
    Gostei de seus comentários, Lu.
    Um abraço!

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