Adote uma Cartinha
Qui, 22.11.2007 | Tema: cidadania e política
Tags: campanhas, datas comemorativas
Lá vem mais um Natal. Consumismo, correria, dinheiro gasto a rodo, dívidas que adentram o ano seguinte (belo jeito de começar 2008, hein?)… todo ano é a mesma história.
Não quero fazer um discurso espiritualista por aqui, mas… você já pensou em deixar a gastança de lado aproveitar o Natal para exercitar sua solidariedade?
Ateu, cristão, judeu, whatever. Que tal aproveitar essa data tão badalada (e uma parte do seu 13º salário) para fazer uma boa ação? Sim, eu sei, todo dia é dia de ser solidário, mas quem se lembra disso na correria cotidiana? E não estou falando de dar esmola, que isso não leva a nada, a não ser à perpetuação da miséria e, pior, da exploração infantil. Estou sugerindo que você aproveite a data para ter um gesto de carinho pelo próximo.
Como?
Sugiro a campanha Papai Noel dos Correios.
O Ian Black aproveitou o BlogCamp MG para divulgar a campanha (não, não falamos só de monetização por lá, felizmente) e informar, em primeira mão, que tem promoção saindo do forno a fim de incentivar a participação da blogosfera (assim que estiver no ar, atualizo o texto com o link).
De toda forma, eu já ia adotar uma carta. É até de tarefa da minha lista de 101 Coisas em 1001 Dias. Ano passado, lembrei tarde, a campanha tinha acabado. Esse ano, a deixa do Ian me fez agir mais rápido. Fui à agência do correio perto de casa na segunda-feira e adotei algumas cartinhas. Aproveitei pra ler todas as que estavam por lá.
Uma das coisas legais é que há presentes para todo tamanho de bolso. A maioria das crianças pede bicicleta - grande surpresa - e algumas, um pouco mais velhas, querem um computador. Se você não tem tanta verba assim (peraí, será que aquele computador abandonado no canto do escritório não está pronto pra ser doado?), pode adotar um pedido de boneca, mochila, roupas.
Algumas situações são tocantes. Li a cartinha de uma menina de 12 anos que queria "começar o próprio negócio" para ajudar a família e, para isso, pedia um kit de miçangas. Outra, no nome de um garoto de 4 anos e, obviamente, escrita pela mãe, explicava que o ano tinha sido difícil, os pais tinham se separado e a mãe não tinha dinheiro para comprar a pista do Hot Wheels que ele queria.
Várias cartas refletem a ingenuidade infantil, a crença em magia e milagre e um pouco da carência afetiva. Muitas terminam "Se o senhor não puder trazer o que pedi, Papai Noel, não tem problema. Só responde a cartinha pra eu saber que o senhor leu". Difícil não se comover. Ia pegar uma carta, saí da agência com quatro.
Não tem dinheiro esse ano? Nem para comprar um carrinho, ou um caderno? Faça o seguinte: ano que vem, a cada esmola que você pensar em dar, guarde as moedas. Junte-as até dezembro. Tenho certeza de que será o suficiente para fazer uma criança manter as esperanças nesse mundo cinza por mais um ano.
Atualização em 04 de dezembro de 2007: já levei os presentes, com as respectivas cartinhas, à agência dos Correios em que as retirei. Todas as cartas já foram adotadas e espero que essa adesão tenha se repetido Brasil afora. Se você queria adotar uma cartinha e não conseguiu, que tal participar da Blogagem Social Natal 2007? Proposta pelo GraveHeart, já conta com uma boa adesão da blogosfera.









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