Fui convidada pelo Norberto Kawakami para responder à pergunta acima, inicialmente sugerida pelo Carlos Carvalho.
De que tipo de concorrência estamos falando aqui? Da concorrência pelos cliques dos “paraquedistas” (visitantes vindos do Google que mal lêem os textos e já saem clicando em propagandas)? Ou da concorrência por leitores fiéis, atentos, participativos? Dependendo do enfoque, a resposta muda.
Como leiga em economia, arrisco dizer que a concorrência existe quando produtos semelhantes disputam espaço dentro de um determinado mercado consumidor. A equação produtos similares/número de consumidores indica o tamanho da concorrência.
Uma companhia de distribuição de energia elétrica, por exemplo, detém o monopólio do fornecimento de eletricidade e conta com um mercado consumidor igual à sua área de cobertura. A concorrência que ela enfrenta é próxima de zero – sempre pode haver uma ou outra casa que se valha de lampiões a gás e geradores, mas, convenhamos, é uma parcela insignificante.
Já uma fabricante de telefones celulares tem que disputar um lugar ao sol no meio de outras tantas: Nokia, LG, Samsung, Motorola, Sony Ericsson, para citar apenas algumas. Por outro lado, o mercado consumidor não é tão grande assim: muitas pessoas demoram anos e anos antes de trocarem de aparelho, bem de consumo durável; nem todas querem ou podem ter um celular; celulares não são um produto de primeira necessidade, como é a energia elétrica. Nesse exemplo, a relação produtos/consumidores é bem maior e a concorrência é acirrada.
Voltando aos blogs.
Se você espera ganhar dinheiro com blog, não se preocupe com a concorrência. Aplique as técnicas conhecidas de SEO (Search Engine Optimization, ou otimização para motores de busca, a fim de aparecer entre os primeiros resultados do Google e ter mais chances de atrair visitantes), use os programas de monetização (Google AdSense, JáCotei, Buscapé, Submarino, HotWords…), escreva sobre assuntos da moda… e sempre, sempre haverá paraquedistas entrando no seu blog, clicando nos anúncios e pingando caraminguás na sua conta corrente.
Claro que alguns são mais bem-sucedidos que outros na arte de ganhar dinheiro com blogs: escrevem mais e melhor, têm intuição para saber sobre o que escrever e dedicam várias horas do dia à atividade de blogar, seja redigindo, seja pesquisando temas ou otimizando seus blogs – eu não disse que é fácil. Não existe almoço grátis: se você quer lucrar, deve se esforçar na medida correspondente à sua ambição.
O consolo é que você não concorre com os outros blogs. Todos os dias, milhões de pesquisas são feitas pelo Google e milhares de pessoas dão seus primeiros passos na internet. E daí que surgem dezenas de blogs por minuto? O público consumidor de informações, futilidades, entretenimento e propagandas é virtualmente infinito.
Agora, se você escreve para atrair leitores, conquistar reconhecimento e fama (nem que seja por 15 minutos), ser citado pela grande mídia e por blogueiros conceituados, formar opinião… bom, aí você tem que rebolar.
Tem muitos blogs excelentes por aí, de gente talentosa, inteligente, que domina em profundidade os assuntos sobre os quais escreve (bem). A maior parte é conhecida apenas por uma dúzia de colegas blogueiros e referenciada entre eles. Uma minoria consegue, realmente brilhar, aparecer na mídia tradicional, ter várias centenas ou milhares de leitores fiéis pelos feeds, e outros tantos que sempre recorrem ao seu blog na hora de tirar dúvidas ou buscar opiniões.
Por outro lado, a base de consumidores de bons blogs é estreita. A web brasileira está povoada de seres semi-alfabetizados, incapazes de ler um texto como “Vovô viu a uva” e , em seguida, responder “Quem viu a uva?” (acredite, há vereadores e deputados que não passariam neste teste). Essas pessoas querem informação mastigada e comprimida em duas linhas escritas com palavras curtas.
A parcela de leitores reais já tem seus blogueiros preferidos. Para ser incluído no leitor de feeds de alguém que já acompanha 200 blogs, você tem de ser bom, agregar valor e, além de tudo, contar com a sorte de ser descoberto por esses leitores – que não trazem dinheiro, é verdade, mas massageiam o ego dos blogueiros como nem mil paraquedistas podem fazer.
Assim, lamento informar que se o seu foco é conquistar leitores e influenciar pessoas (parafraseando aquele livro), a concorrência existe, sim.
A péssima notícia é que você não está concorrendo apenas com outros blogueiros, mas com todos os interesses que preenchem o tempo do leitor: livros, filmes, namoros, amigos, jogos, bares, horas de sono e, eventualmente, os outros 200 blogs que ele acompanha. Blogs, como aparelhos celulares e locações de dvds, são “mercadorias” supérfluas, não de necessidade básica, e disputam com todos os outros supérfluos relacionados a lazer, informação e internet. Seu blog concorre por cada minuto da atenção dos potenciais leitores.
E aí, o que você faz para se destacar em meio à concorrência? Persegue blogueiros, envia spams, dispara ameaças de morte? De quebra, aproveita para incendiar cinemas e livrarias?
Não, criatura. Aprenda com os blogueiros que têm mais estrada e leitores que você. Leia os seus artigos, veja como se comportam na blogosfera, estude, pesquise, treine a escrita, devore pilhas de livros. Peça ajuda, de vez em quando. Se você chegar para um blogueiro do primeiro time e pedir uma ajuda, sugestão ou opinião, pode estar certo de que conseguirá. Faz parte da egotrip bloguística saber que foi útil a um novato. Claro, se você escreve em miguxês, chama o blogueiro de “véi” e faz uma pergunta ridícula ou cuja resposta está na primeira indicação de uma simples pesquisa no Google, será solenemente ignorado. Na melhor das hipóteses, renderá um ótimo post.
A concorrência é amigável, solícita e simpática. Não raro, rende boas amizades. Nada de “blogosfera selvagem, psicopata, homicida”, disputando sanguinariamente a cada minuto de atenção do internauta; o que existe é um ambiente saudável de crescimento mútuo e aprendizagem contínua. Nem mesmo o mais blogueiro renomado pode dizer que já sabe de tudo e não precisa de ninguém.
Depois de tudo isso, você me diz: “mas eu não escrevo pelo dinheiro nem pelo reconhecimento; escrevo só por prazer” e eu respondo: pense seriamente em apagar seu blog e comprar um bonito caderno.
Faz parte da tag convidar três blogueiros com conteúdo semelhante (concorrentes, portanto) para responder à pergunta. No caso do Dia de Folga, tenho que convocar blogueiros que escrevem sobre… nada. Ou melhor, sobre cotidianidades. Chamo, então:
- Groselha News, da Srta. Bia. Textos leves recheados de referências a notícias e cultura pop que só ela poderia descobrir.
- Futilidade Pública, do Rafael Silva. Temas cotidianos, permeados por dicas de tecnologia e internet.
- Pirão Sem Dono, do MarcosVP. Música, crônicas, atualidades e outros assuntos, com muito humor.