Folgando na Rede # 7

Rede arco-írisDa época do guaraná de rolha

Alguns links que há séculos estão na pasta Favoritos e merecem ser compartilhados:

Descobertas um pouco menos pré-históricas

Recentes

O Folgando na Rede deveria ser uma série de fim-de-semana, mas a esperta aqui iniciou a compilação, parou no meio do caminho e esqueceu-se totalmente de concluir e agendar a publicação. Ao menos a leseira serviu para ampliar a lista de links recentes.

Blogs versus Mídia Tradicional: a guerra começou?

Studio 60 on the Sunset StripAlguém aí tem assistido a Studio 60 on the Sunset Strip? Trata-se de uma excelente série que mostra os bastidores de um programa (fictício) concorrente do famoso (e real) Saturday Night Live. O seriado foi cancelada após uma única temporada (não dá pra entender o gosto do público norte-americano). Basicamente, girava em torno da tentativa de reerger o show, depois de um período de vacas magras.

O segundo episódio da série traz um diálogo muito interessante sobre a dimensão atual dos blogs. Na cena, dois personagens, Simon Stiles e Tom Jeter, conversam. Tommy está preocupado com a crítica negativa de uma blogueira a Studio 60 e com sua descrença quanto à possibilidade de o novo time aumentar a audiência do programa. Simon tenta tranqüilizá-lo:

Simon: Pare de considerar a internet. A tal Bernadette escreveu isso de pijamas, tem um freezer cheio de comida dietética e está rodeada de cinco gatos!
Tommy: O New York Times vai citar Bernadette para mostrar que ouve o público e que não é uma mídia elitista. Eu preferia quando ele era uma mídia elitista – sou fã das credenciais! Parece que vivi os últimos cinco anos num filme de Roger Corman chamado “A Vingança do Escritor Medíocre”. Eu tenho que me levar em conta a internet porque o resto do mundo leva!

Esta é a visão de boa parte da mídia norte-americana sobre os blogs: embora não morra de amores pela concorrência sem “credenciais”, ela precisa se preocupar com o que dizem os blogueiros, já que cada vez mais eles têm se firmado como formadores de opinião.

Para recuperar terreno, há uma tentativa de aproximação entre o mainstream e os blogs. Na cobertura das eleições presidenciais francesas deste ano, por exemplo, a CNN valeu-se da opinião de blogueiros, promovendo, inclusive, uma mesa redonda com alguns deles para comentar o resultado do primeiro turno.

No mesmo sentido, a revista Time elegeu Você como personalidade do ano de 2006, referindo-se à importância crescente dos meios online como geradores de conteúdo. A revista considerou que o poder de informação deixou de ser privilégio de uma meia dúzia de jornalistas e passou às mãos das milhões de pessoas que alimentam diariamente a internet com vídeos no youtube, textos em blogs, artigos na Wikipédia, agregando conteúdo e formando opinião:

Por apoderar-se dos reinos da mídia global, por fundar e desenvolver a nova democracia digital, por trabalhar em troca de nada e superar os profissionais em seu próprio jogo, a Personalidade do Ano de 2006 para a Time é você.

Por outro lado, na terra brasilis a mídia tradicional corre na contramão. Aproveitando-se do slogan “Pense ÃO”, usado em campanhas publicitárias desde março, o jornal Estado de São Paulo deu início a uma campanha contra os blogs, sob o lema “Clique ÃO”. Segundo o Gabriel Tonobohn (não tive a chance de ver a peça publicitária), a propaganda mostra duas adolescentes suspirando por ruivos de aparelho só porque leram num blog (escrito por um ruivo de aparelho) sobre uma pesquisa comprovou que eles são mais bem-sucedidos. O comercial termina proclamando “Você já pensou por onde anda clicando? Estadão, clique ÃO”, numa clara indicação de que blogs não mereceriam a confiança dos internautas.

O Gabriel postou sobre isso na lista de discussão da blogosfera e o assunto foi a sensação da semana passada. Houve quem enxergasse o início de uma guerra pelos leitores, foram aventadas estratégias de revide e alguns simplesmente acharam graça na coisa toda.

Na minha opinião, realmente não faz diferença se este é o início de uma guerra ou não. A campanha do Estadão não passa de um tiro no pé.

Em primeiro lugar, blogueiros ocupando o papel de formadores de opinião são um fato, independentemente do esforço do Estadão em desacreditá-los. A própria mídia estabelecida contribui, ainda que indiretamente, para aumentar o prestígio dos blogs. Jornais e revistas têm perdido credibilidade na medida em que fica cada vez mais nítido o seu comprometimento com interesses políticos e de mercado.

Blogs, por sua vez, são em sua maioria livres. Em regra, o blogueiro escreve sobre o que tem vontade. Blogueiros não obedecem a um editor-chefe, não têm pauta predeterminada e seus artigos não sofrem sucessivos cortes para se ajustarem à linha editorial do veículo que paga o seu salário. Mesmo os caçadores de paraquedistas, que escrevem sobre assuntos da moda para lucrar com o AdSense, têm uma liberdade editorial muito maior que as revistas de fofocas, seu equivalente na mídia tradicional.

Na maioria dos casos, o blogueiro escreve sobre o que gosta. Geralmente, por ter interesse no tema, pesquisa a respeito e produz bons textos, mesmo sem formação técnica (que também falta a muitos jornalistas, aliás). Ele não é obrigado a escrever qualquer coisa para preencher uma página na última hora, nem será demitido se atrasar em um ou dois dias a publicação de um artigo a fim de torná-lo mais completo.

Se um assunto surge de uma hora para a outra, o blogueiro não precisa aguardar a edição do dia seguinte, ou da próxima semana, para falar a respeito. Basta conectar-se e escrever. A versatilidade dos blogs lhes confere uma agilidade maior que a da mídia tradicional.

É por essas e outras que blogs se tornam uma referência cada vez mais importante. Se eu quiser ler sobre as últimas novidades da tecnologia móvel, você acha que vou abrir um jornal – ou, que seja, o site de um jornal – ou vou gastar dinheiro numa revista que mofa nas bancas há duas semanas? De jeito nenhum. Minha primeira consulta será ao blog da Bia Kunze, porque sei que encontrarei por lá informação em primeira mão e, acima de tudo, sincera. A Bia não fará uma resenha favorável a um celular para agradar um fabricante – pode até escrever um texto parcial, mas fornecerá argumentos para justificar suas impressões e, mais importante, não fingirá isenção. O mesmo vale para outros tantos blogs de nicho, como o Meio Bit e o Gui Leite.

Mesmo os blogueiros que fazem resenhas pagas avisam seus leitores quando esse é o caso e, afinal de contas, não estão obrigados a fazer elogios ao produto – sequer são obrigados a escrever a resenha. Blogueiros têm total liberdade para escolher sobre o que falar, que mercadorias avaliar, quais pontos destacar. A mídia clássica fornece uma visão tendenciosa sobre produtos, fatos e notícias, escondendo-se atrás de uma pseudo-isenção; os blogueiros assumem suas posições pessoais, tornando-as claras aos seus leitores.

Outra evidência de que a campanha do Estadão como um erro é que ele mesmo, o Estadão, mantém uma série de blogs em seu portal – alguns muito sem graça, é verdade, mas outros interessantes. O que a campanha do Estadão quer dizer? Que só os blogs sob suas asas prestam? Que raio de julgamento faccioso é este?

De qualquer forma, não acredito que haja uma guerra entre a mídia tradicional e os blogs. Vejo ambos os veículos como complementares. Se quero conhecer a lista dos 10 livros mais vendidos, vou à revista; se desejo uma opinião sobre cada um deles, uma pesquisa pela blogosfera será mais produtiva. Para saber quem é o novo ministro da Defesa, abro o jornal; para ler opiniões honestas sobre a nomeação, consulto blogs.

Agora, se existe mesmo essa tal guerra, a mídia tradicional tupiniquim está perdendo. Na mesma proporção em que cresce o acesso do brasileiro à internet – especialmente à conexão de banda larga – aumenta a importância dos blogs como rede de entretenimento e formação de opinião. Os veículos que não entenderem essa transformação vão se fossilizar. É uma questão de tempo – pouco tempo.

No mundo da informação, ter “credenciais” conta cada vez menos.

P.S.: você sabia que a expressão “a mídia” está errada? Ela deriva de media (“meios”, em latim), pronunciada “mídia” pelos norte-americanos. Herdamos deles a pronúncia anglicizada e acrescentamos o artigo definido feminino, quando o certo seria nos referirmos aos meios de comunicação como “os media”.

Morre Ingmar Bergman

Ingmar BergmanO cinema perdeu hoje, 30 de julho de 2007, um de seus maiores expoentes: Ingmar Bergman morreu aos 89 anos, em seu país, a Suécia. Não vou me preocupar em traçar a biografia dele – você pode saber mais sobre o diretor na Folha de São Paulo.

Bergman faz parte de um estilo cinematográfico que está praticamente extinto: filmes de arte, contemplativos, com longos silêncios forçando à introspecção, carregados de referências filosóficas e psicanalíticas. Em tempos de superproduções hollywoodianas, com seus megafilmes arrasa-quarteirão, lotados de estrelas e efeitos especiais, quem tem tempo e paciência para a assistir a duas horas de filosofia em forma de filme?

Os cineastas populares atuais que chegam mais perto do cinema de arte são Woody Allen e Pedro Almodóvar. Nem sempre pela contemplação, mas pelos múltiplos sentidos que se pode enxergar na maioria de suas produções. Como são queridinhos da mídia (e é chique dizer que se gosta deles), conseguem altas bilheterias, mas nem tanto quanto o cinema-pipoca.

Dos mais de 50 filmes de Bergman, assisti a Gritos e Sussurros (Viskningar Och Rop) e O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet).

O jogo de xadrez com a Morte O Sétimo Selo (1957), filmado em preto e branco, se passa na Idade Média, numa região dizimada pela peste. Sua cena emblemática é o jogo de xadrez entre a Morte e o protagonista (um cavaleiro das Cruzadas), que tenta dar significado à vida.

Gritos e Sussurros (1972) traz uma fotografia marcante (que, inclusive, levou o Oscar em 1974) e carrega nos tons fortes, como o vermelho (Almodóvar também usa e abusa de cores vivas). O forte impacto visual é contraposto ao silêncio das personagens.

Se você gosta mesmo de cinema, vale a pena procurar uma locadora que conte com filmes de arte. Inicialmente, pode ser difícil adaptar-se à linguagem que ultrapassa as fronteiras de Hollywood, mas com o tempo perceberá como é gratificante e informativo ampliar o leque – além de divertido, é claro.

Michelangelo AntonioniAtualização: como se não bastasse, horas depois morreu Michelangelo Antonioni, outro monstro do cinema, como lembrou o Dudu Tomaselli. De Antonioni, vi L’Avventura (1960) e Blow-Up (1966). L’Avventura não me envolveu, ao contrário de Depois Daquele Beijo (título que Blow-Up recebeu no Brasil).

Blow-Up captura a atenção da primeira à última cena. Ousado e transgressor para os anos 60, o filme merece ser visto e revisto, já que novos significados são apreendidos pelo espectador a cada exibição. Blow-Up é ainda mais interessante para o cinéfilo que aprecia fotografia – não só pelas suas belas tomadas, mas especialmente porque o protagonista é um fotógrafo e em torno de uma imagem fotografada por ele se desenrola a trama (“blow-up” é a ampliação de um detalhe de uma fotografia). Sem exagero, um dos filmes mais interessantes que já vi, obra obrigatória para os fãs da sétima arte.Cena de Blow-Up (Depois Daquele Beijo)

A cena ao lado, logo do início do filme, foi copiada em alguma produção recente… só não me lembro em qual!

As 10 Melhores Séries de Todos os Tempos

O Anderssauro me convidou para a melhor tag do mundo – ao menos para mim. Enquanto eu ainda preparava o texto, a Josluza também me fez o convite. A missão: escolher as 10 melhores séries de todos os tempos, em minha humilde opinião, claro.

Sou absolutamente viciada em seriados (meu perfil no orangotag não me deixa mentir). Se tivesse que escolher um único tipo de programação para assistir até o fim dos meus dias, escolheria os seriados sem pensar duas vezes. Eleger apenas 10 deles foi um desafio e tanto.

Desenhos animados e reality shows não fazem parte do meu conceito de seriado e, portanto, não entraram nessa lista.

Ao escolher cenas inesquecíveis, propositadamente desconsiderei finais de séries porque já são, em regra, impactantes. Aliás, alguns seriados são, rigorosamente, feitos de cenas que marcam, seja pelo drama, seja pela comédia. Minha escolha é parcial e pode não refletir minha própria opinião daqui a um mês ou dois.

Importante: pode haver spoilers nas Cenas Inesquecíveis.

A Lista

  1. House M.D.
  2. Star Trek: The Original Series (Jornada nas Estrelas: Série Clássica)
  3. Friends
  4. Sex And The City
  5. E.R. (Plantão Médico)
  6. Gilmore Girls (Tal Mãe, Tal Filha)
  7. Seinfeld
  8. Will & Grace
  9. Highway to Heaven (O Homem Que Veio do Céu)
  10. Heroes

Menções honrosas

Law & Order, Law & Order: Special Victims Unit e Monk: adoro as três, mas acompanho-as há a apenas três meses – pouco tempo para substituir minhas paixões.

Barrados no Baile, Dawson’s Creek, Anos Incríveis, Everwood e The O.C.: sim, eu me amarro num drama adolescente. Se a última temporada de The O.C. não tivesse existido, talvez a série entrasse na lista das 10 Mais.

Star Trek: The Next Generation, Star Trek: Deep Space Nine, Six Feet Under e The West Wing: o problema é que nunca consegui acompanhá-las sistematicamente. Sem contar que agüentar a versão dublada de Six Feet Under é dose pra leão.

Justice: série excelente que teve uma única temporada.

Acabou?

É oficial: nunca antes na história deste país um texto tão longo foi publicado num blog. Bom, pelo menos para o DF a afirmativa é verdadeira. O artigo original ficou com a bagatela de 6.607 palavras, em 678 sentenças. Dada essa enormidade, dividi-o em 10 partes. Para ler sobre uma das 10 séries que elegi, basta clicar no link respectivo, na lista acima.

Eu deveria convidar blogueiros pra dar seguimento a essa tag. Como, porém, ela já rodou a blogosfera, prefiro não indicar ninguém – se você ainda não está participando e quer entrar na roda, sinta-se convidado(a).

Depois dessa trabalheira toda, quem merece um dia de folga sou eu. 😉