As melhores trilhas sonoras de séries

Já ouvi gente (que alegadamente “entende de cinema”) dizer que trilha sonora boa é aquela que passa despercebida. Suponho que essas pessoas são as mesmas que odeiam musicais.

Uma boa trilha sonora não é necessariamente a que passa despercebida (embora isso possa fazer sentido em filmes de ação, por exemplo), mas a que compõe com o filme, com o enredo, com o cenário. Uma trilha sonora realmente bem feita ajuda a contar a história. Em alguns casos, torna-se até um personagem da própria história.

Embora desde sempre eu repare em trilhas de filmes, só mais recentemente comecei a me ligar em trilhas de seriados – e meu, algumas são absolutamente maravilhosas. Estava pensando em fazer uma lista das melhores trilhas de séries, mas alguém já fez antes, e muito bem: As 10 melhores séries por suas trilhas sonoras. Eu acrescentaria, ou melhor, faria uma menção honrosa a E.R. (Plantão Médico), que fez um excelente uso de Chasing Cars numa das últimas temporadas e que narrou a morte do querido Dr. Greene, na oitava temporada, numa sequência que me emociona até hoje.

Se eu tivesse que fazer um Top 3, as melhores trilhas sonoras de seriados seriam:

3. The O.C.: muito rock, muito pop e músicas que marcaram cenas decisivas, como a morte de MarissaOriginalmente, nem considero Hallelujah uma música tão triste, mas depois desse episódio… bem, ela entraria facilmente num Top 5 de músicas mais melancólicas da história.

2. House: you can’t always get what you want deixou de ser “apenas” um trecho de letra para tornar-se uma das frases marcantes do personagem-título. As boas escolhas começaram na música de abertura e não pararam mais. É a série com trilha mais eclética, indo do clássico ao techno, com direito a solos de piano do multi-instrumentista Hugh Laurie.

Supernatural - Sexta Temporada

1. Supernatural: minha trilha favorita no momento. Os irmãos Winchester percorrem infindáveis quilômetros na caçada a monstros e demônios, e é claro que música é fundamental na estrada. Dean Winchester dá o tom – quem manda no som do seu Impala é ele, claro – e o rock impera. Carry On My Wayward Son é umas das mais perfeitas escolhas de todos os tempos em termos de trilha sonora.

Você costuma reparar nas trilhas sonoras dos seriados que acompanha? Quais as suas favoritas?

Meu Top 5 de Músicas Bregas

Inspirado pelos comentários recentes sobre Michel Teló (vamos combinar que já apareceu coisa muito pior que ele), o Janio fez uma coletânea de músicas bregas dos anos 70 e 80. Já eu, inspirada pelo meu amigo, fiz minha própria seleção, meu Top 5 de músicas bregas dos anos 80 e 90. Duvido que você não cante junto com a maioria desses vídeos!

1. O Amor e o Poder (“Como uma deusaaaaaa…”)

A primeira música brega que grudou na minha memória – e na de muita gente que nasceu no fim dos anos 70 e acompanhou a novela Mandala. O clipe é brega, a dancinha é brega, mas a Rosana fazia um sucesso monumental e era considerada uma “cantora romântica”. Afinal, qual é a linha que separa o romântico do brega?

 2. Volta Pra Mim (“Amanheci sozinho… na cama, um vaziiio…”)

Adooooro Roupa Nova até hoje, mas admito que de vez em quando (sim, só de vez em quando) eles são bregas até a medula. Essa música marcou meus 8 anos. Eu costumava cantar a plenos pulmões no quintal de casa, enquanto brincava no balanço.

3. Desculpe, Mas Eu Vou Chorar (“As luzes da cidade acesas, clareando a foto sobre a mesa…”)

Grandes Leandro e Leonardo! O sr. e a sra. Monte estavam retidos em algum lugar de Salvador devido a uma chuvarada típica de verão e eu estava no apartamento, vendo algum programa de auditório, quando começou essa música. Decorei a letra quase imediatamente.

4. Evidências (“Eu sei que te amo!”)

Essa a gente praticamente gritava o refrão no ônibus escolar, tentando imitar o timbre do Chitãozinho e Xororó, pra desespero do motorista.

5. Se Você Quer (“Mas eu sempre fui assim, um boêmio um sonhador, pela vida apaixonado.”)

O sr. Monte ia me pegar na escola em 1992 e duas músicas sempre tocavam durante o trajeto de volta: Listen to yout heart (Roxette) e esse dueto da Fafã de Belém com o Roberto Carlos. Alguém aí lembra de um sujeito que ia num programa de auditório (Domingão do Faustão?) e fazia as duas metades do dueto, inclusive com roupas, cabelo e maquiagem?

Faixa-Bônus: O Grande Amor da Minha Vida (“O tempo passou e eu sofri calado…”)

A Nova Brasil FM insistia em tocar essa música do Gian e Giovani insistia em tocar enquanto eu ia pra faculdade. Nunca esqueci o finzinho da música:

Eu ia dizer que estava apaixonado
Recebi o convite do seu casamento
Com letras douradas num papel bonito
Chorei de emoção quando acabei de ler
Num cantinho rabiscado do verso
Ela disse meu amor eu confesso
To casando mais o grande amor da minha vida é você

Aposto que você também tem sua seleção pessoal de músicas bregas. Compartilhe!

Mariana Aydar arrasa no palco.

Eu já tinha ouvido um cd dela, há algum tempo. Achei bacana, resolvi ir ao show. Não me arrependi: o espetáculo é sensacional.

Mariana Aydar é uma cantora de primeira. Sua voz é grave, às vezes ligeiramente rouca, muito agradável. A presença de palco é contagiante, tornando  quase impossível não mexer o corpo na cadeira ao ritmo da música. Além de talentosíssima, Mariana é uma simpatia, cativando com o sorriso, conversando com o público e fisgando a atenção.

A apresentação dura cerca de uma hora e meia. O ponto forte é o samba em suas várias roupagens: do samba-canção à batida de samba-enredo, de músicas novas a consagradas, de Baden Powell a Zeca Pagodinho. Ainda tem espaço pro xote – a cantora faz questão de lembrar que começou a carreira cantando forró. O clima é bem-humorado, com boas doses de sensualidade e espaço para a crítica social, como na interpretação emocionante de Zé do Caroço – ouça um trecho, com Leci Brandão:

É usual comprar cantoras à incomparável Elis Regina, tanto para elogiá-las quanto para sentar o sarrafo. Mariana Aydar tem expressão e interpretação muito próprias e comparações são desnecessárias. É natural, por outro lado, que uma sambista de mão cheia como ela inclua no repertório Menino das Laranjas, canção que Elis consagrou. Mariana a conduz com primor e, em dado momento, lembra o mito de uma forma muito autêntica.

O show é daqueles que alegram a alma. Diverte mesmo que você não conheça nenhuma música – e deixa com vontade de comprar o cd para ouvi-las todas de novo.

separador

O show da Mariana Aydar abriu o projeto Pode Apostar! no CCBB de Brasília.  Hoje é dia do compositor e cantor Rodrigo Campos. A programação continua até 15 de novembro, assim:

  • Nina Becker – 1º de novembro
  • Fino Coeltivo – 6/11
  • Rodrigo Maranhão – 7/11
  • Marina de La Riva – 8/11
  • Marcelo Jeneci – 13/11
  • Curumin – 14/11
  • Silvia Machete – 15/11

São apresentações únicas, a 15 reais (entrada inteira). Sextas e sábados às 21 horas, domingos às 20 horas. O projeto quer divulgar cantores ainda em início de carreira mas já premiados, mostrando que, ao contrário do senso comum, a música popular brasileira tem, sim, renovação de qualidade.

O Pode Apostar! também acontece no CCBB do Rio de Janeiro e de São Paulo.

separador

Show em Brasília é uma coisa complicada. Há poucos espaços bons, é comum ver ingressos a preços irreais e, pra completar, atrasos enormes são frequentes. Na última vez em que me arrisquei, tive de suportar duas horas de espera num local com pouca infraestrutura. Não é culpa dos artistas, mas da organização(?) dos eventos. Depois dessa experiência, só vou a shows em teatros, tanto pelo conforto quanto pela certeza de que a apresentação começará na hora marcada.

O teatro do CCBB é muito bom, mas pequeno – menos de 400 lugares – e os ingressos costumam esgotar-se rapidamente. São postos à venda sempre no domingo que antecede o espetáculo. Procure adquirir o seu no domingo mesmo. A dica vale tanto para espetáculos de música quanto para peças teatrais.

Cláudio Santoro, parte integrante da história de Brasília

Teatro Nacional
Teatro Nacional Claudio Santoro

Quem mora em Brasília já ouviu o nome Claudio Santoro, ainda que nada saiba sobre ele. Afinal, é ele quem dá nome ao principal teatro da cidade.

Santoro nasceu em Manaus em 1919, começou a estudar violino e piano na infância, aperfeiçoou-se no Conservatório de Música do Distrito Federal (então no Rio de Janeiro) aos 14 anos e tornou-se professor assistente da instituição aos 18, tamanhos eram seu talento e dedicação.

Além de executar peças com perfeição, Santoro também foi compositor premiado e regente de destaque. Foi professor fundador do Departamento de Música da Universidade de Brasília, em 1962. Poucos anos depois, mudou-se para a Alemanha, onde foi professor titular de regência na Escola Estatal Superior de Música de Mannheim.

Em 1979, fundou a Orquestra do Teatro Nacional de Brasília. Um ano depois, sem esquecer da sua terra natal, compôs o hino oficial do estado do Amazonas.

Claudio Santoro
Claudio Santoro

Em 27 de março de 1989, após uma temporada de férias na Alemanha, Santoro morreu em Brasília. Em 1º de setembro do mesmo ano, o Teatro Nacional de Brasília passou a denominar-se Teatro Nacional Claudio Santoro.

No ano em que o compositor completaria 90 anos, o Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília presta-lhe homenagem com uma série de concertos apresentados pela orquestra Camerata Brasil, formada por músicos brasilienses (coincidência: 20 anos de morte de Santoro, 20 anos de nascimento do CCBB). O próximo concerto será dia 28 de outubro, com duas apresentações: 13 horas (entrada franca) e 21 horas (15 reais, inteira). Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do CCBB (das 9h às 21h, de terça a domingo).

No site dedicado a Claudio Santoro, você lê mais sobre ele e pode ouvir (e baixar em mp3) trechos de suas composições. Também há uma galeria de imagens, à qual pertence a foto ao lado.