Reitor da UnB pede afastamento

Data Qui, 10.04.2008 | Tema: Atualidades
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Educação É Progresso O reitor da Universidade de Brasília, Timothy Mulholland, pediu afastamento do cargo hoje, por 60 dias. Já se vão dois meses desde as primeiras denúncias contra Mulholland, que envolviam o uso de verbas da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos) para mobiliar luxuosamente o apartamento funcional que ocupa.

Acampamento O que pesou na decisão do reitor foi, sem dúvida, a ocupação do prédio da reitoria pelos estudantes há uma semana. O protesto estudantil deu visibilidade nacional a um caso que ameaçava juntar-se a outros tantos desmandos nunca apurados.

A ocupação teve início na quinta-feira passada. Desde segunda-feira, estendeu-se para todos os andares do prédio, apesar da resistência dos seguranças e do corte de água e luz (já restabelecidas). As atividades administrativas da reitoria foram suspensas e o prédio de concreto foi transformado em um ambiente de protesto agitado e colorido.

O afastamento de Mulholland na manhã de hoje, 10 de abril, deu novo gás aos manifestantes para que continuem pedindo a renúncia do reitor. Até lá, os estudantes dizem que tudo fica como está - a ocupação continua, mais forte que nunca.

Cadê o orçamento? Até porque não seria mesmo possível contentar-se com o novo estado de coisas: com Mulholland afastado, assume o vice-reitor, Edgar Mamiya, contra o qual também pairam denúncias de mau uso dos recursos da Finatec e da Funsaúde (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico na Área da Saúde). Sua renúncia, e a dos decanos da universidade, também têm sido pedidas pelo movimento de ocupação.

Como ex-aluna da UnB, estou muito orgulhosa da manifestação estudantil. Sim, eu a achava improvável. Que bom que estava enganada, que bom que os estudantes estão se fazendo ouvir em âmbito nacional, que bom que mesmo a decisão judicial de reintegração de posse não foi capaz de abalá-los, que bom que resistiram aos seguranças, à manifestação de apoio ao reitor (que contou com poucas dezenas de servidores), ao corte de água e de luz, às condições precárias das "acomodações".

A praça de alimentação montada pelo C.A. de Agronomia A ocupação prossegue pacífica e bem-humorada. Cartazes provocativos decoram a reitoria. Barracas de acampamento foram armadas. O Centro Acadêmico de Agronomia (tradicionalmente, um dos mais divertidos da Universidade) improvisou um quiosque com comida e refrigerante. Músicas conhecidas são cantadas com letras adaptadas para refletir as motivações da ocupação. Aulas de ioga fazem parte do cronograma, para revitalizar os manifestantes.

Pauta de reivindicações Com tanta disposição, organização e bom-humor, dá pra acreditar que a ocupação pode durar o tempo que for necessário para alcançar seus propósitos. Aliás, a pauta não se restringe à renúncia dos chefões da Universidade: entre as reivindicações, estão as eleições paritárias e a abertura de concurso público para professores.

Enquanto isso, o Ministério Público impetrou ação de improbidade administrativa contra o reitor que, hipocritamente, diz-se "aliviado", já que poderá "conhecer as acusações" e se defender. É isso aí, Vossa Excelência. Sustente a infâmia, a corrupção e a indignidade até quando lhe for possível. A lei lhe garante esse direito.

As fotos e o vídeo foram feitos por mim. Há outras imagens no meu Flickr.
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