Decepção

Data Seg, 03.07.2006 | Tema: cidadania e política
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Com o quê? Com a seleção brasileira, claro.

Não sei quanto a você, mas eu acreditava, apesar do pífio futebol apresentado em vários momentos da Copa, que o Brasil chegaria à final. Não via nenhuma seleção melhor que a nossa. Ninguém tinha tantos craques em campo.

Ficou mais do que óbvio que o que importa não é a quantidade de craques, mas a disposição de cada jogador.

O time entrou como favoritíssimo, e perdeu assim que esbarrou na primeira seleção decente. Passar por Austrália, Croácia, Japão, Gana? E daí? Times sem qualquer tradição futebolística - e ainda assim, tomamos um gol da seleção japonesa que, segundo seu próprio técnico, o Zico, não sabe fazer gols.

Aí, no primeiro obstáculo mais ou menos difícil, voltamos pra casa. Mal tivemos tempo para debochar dos argentinos.

Vão dizer que a matemática conspira contra nós. Que temos já uma tradição em perder para a França: Copa de 86, final da Copa de 98, e essa agora. Falarão que o Brasil é incapaz de ganhar duas copas consecutivas (com a goriosa exceção de 1958 e 1962, mas os jogadores naquela época eram excepcionais, o estilo era outro e havia humildade) e que o grande problema da seleção canarinho é entrar "de salto alto".

Para mim, o grande problema, de verdade mesmo, é o técnico.

Parreira não tem sangue quente. Não sabe liderar. Não sabe transmitir garra, vitalidade, amor à camisa. Se ele fosse o técnico em 1970, por exemplo, teríamos perdido a Copa apesar da constelação que tínhamos.

Se você tem um chefe apático, a sua tendência será desinteressar-se do trabalho. Se o professor não consegue transmitir a matéria com entusiasmo, você estudará de má vontade. Existem pessoas que conseguem superar as limitações do líder mas, convenhamos, são pessoas raras - se a maioria fosse assim, líderes não seriam necessários, para início de conversa.

Resta-nos torcer para Portugal, agora. Primeiro, porque seria fantástico ver a França eliminada (não sou daquelas pessoas que preferem perder para o futuro campeão, decididamente). Segundo, porque seria a consagração do Felipão, com toda a sua energia, sobre o morto-vivo Parreira. Felipe Scolari já foi mais longe que o Brasil, tendo um time meia-boca nas mãos - imagine o que ele faria se estivesse à frente da seleção canarinho? Bom, você nem precisa imaginar, basta lembrar da Copa de 2002.

Em tempo: Zidane mostrou que é possível jogar bonito (e como!) e, ainda assim, ganhar um jogo. Um cala-boca pra quem acha que Copa do Mundo não é lugar para lances de arte.

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