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Breves comentários sobre os filmes que andei vendo na última semana, todos concorrentes ao Oscar 2006.

Munique: quase três horas de filme, que você nem vai sentir passar. Muita, muita ação mesmo. Bons atores. Um pouco de drama de consciência, mas nada de longos discursos moralistas. Uma crítica à cadeia de mortes que o terrorismo causa, à insaciedade do monstro da vingança, ao círculo vicioso que se cria. Tio Spielberg fez um bom trabalho, como quase sempre. Mas não é filme pra Oscar, não.

Orgulho e Preconceito: alguém me explica como é possível que esse filme não esteja concorrendo ao Oscar de melhor fotografia? Visualmente belíssimo, muito mais que seu concorrente da montanha. Excelente elenco – mas também não é caso de dar o Oscar de melhor atriz a Keira Knightley. Ela está bem no papel, sim, mas nada de estupendo. O figurino também é de tirar o chapéu. A história é clássica, um romance impossível. Quando o filme acabou, o sentimento de “Já?!” foi unânime. O site Adoro Cinema informa que as versões norte-americana e inglesa têm finais diferentes.

Paradise Now: parece que esse é o ano do terrorismo na telona. Quase cinco anos após o impacto devastador do atentado ao WTC (sem trocadilhos, por favor), o cinema aborda o tema com força total. Se Munique puxa a brasa para os israelenses, Paradise Now olha a coisa sob o ângulo dos palestinos. Tenta catequizar, é verdade, mas faz o necessário contraponto, mostrando a insanidade toda da situação. Bons atores, bom roteiro, boa direção. Não vi os outros concorrentes ao Oscar de melhor filme estrangeiro mas, se Paradise Now ganhar, certamente não será injustiça.

Lembra?

Você se lembra? Existiu um tempo em que tudo era simples.

Quando você caía, sempre havia um adulto amoroso por perto. O carinho acalmava o choro e o mercúrio-cromo curava o esfolado. Hoje, você ainda cai e chora, só que não há mais colo e as feridas não cicatrizam.

Você se lembra? Antigamente, partilhava os brinquedos por duas horas com o vizinho e ele se tornava seu melhor amigo. Hoje, partilha anos de convivência antes de atribuir a alguém esse título; às vezes, nem assim.

Lembra quando contava os seus segredos para a coleguinha da escola? Você foi aprendendo, à custa de muitas decepções, que as pessoas não são confiáveis. Descobriu que elas exploram as suas fraquezas e traem os seus segredos. Dissimulam. Trapaceiam. Mentem.

Você também descobriu que ninguém gosta dos fracos. E isso lhe deu força. Descobriu que os outros se aproveitam de quem fala o que sente. Isso incentivou-lhe a frieza.

Lembra quando você corria para o telefone e desabafava com uma amiga querida? Hoje, você pega o telefone e não disca, porque sabe que ela também tem problemas e não quer aborrecê-la com os seus. Ou, simplesmente, porque as crianças estão dormindo e o barulho da ligação as acordaria.

Lembra quando chorava no primeiro ombro que se oferecia? Hoje, é difícil chorar até quando ninguém está vendo.

Lembra que costumava achar que as suas aflições eram as maiores do mundo? Hoje, você racionaliza: tem família, amigos, casa, emprego, dinheiro. Seus dramas são tão insignificantes. Na verdade, são mesmo inexistentes. Tudo não passa de bobagem. Você só quer chamar a atenção.

Você se lembra de quando não se sentia tão só no mundo?

Conversa alheia

Ela: Ai, mas o meu buraco é tão pequenininho…

Ele: Que é isso… meu pino não é assim tão grande.

Ela: E se não entrar?…

Ele: Não custa nada tentar…

Ela: É, tem razão… vamos lá na minha sala.

Pensou bobagem?

Esqueceu que isso aqui é um blog de família?

Eram simplesmente dois amigos conversando sobre seus celulares e respectivos carregadores, oras.

Que mente poluída… tsc, tsc…

Cinema, séries e mais

Não, não desisti do blog. E também não é falta de assunto. Está mais pra falta de tempo.

Como boa viciada em seriados, acompanhei 24 horas[bb] na Globo (quarta temporada, que começou fraquinha mas engrenou na metade do caminho e tirou o fôlego), estou assistindo a Lost[bb] (e eu que achei que não ia gostar da série) e ainda peguei emprestada a primeira temporada de Desperate Housewives[bb] (aprox. 993 minutos, como a caixa do dvd informa). Vai daí que o tempo anda escasso.

E ainda tem um maldito jogo que está roubando quase todo o meu dia. Se eu fosse você, nem passaria perto dele. Vicia. Muito. Sério mesmo.

E cinema, claro. Começou a maratona para assistir ao maior número possível de filmes concorrentes ao Oscar antes da premiação.

Vale a pena, sem dúvida alguma, assistir:

O Segredo de Brokeback Mountain[bb]: o queridinho do Oscar 2006 faz jus ao posto. A história de amor entre dois cowboys é contada de forma sensível e profundamente emocionante. Jake Gyllenhaal (no papel de Jack Twist) impressiona não só pela inegável beleza, mas também pela boa atuação. Outra grande interpretação fica por conta de Michelle Williams (Alma). A fotografia é belíssima e o Globo de Ouro de melhor canção coube a A Love That Will Never Grow Old, que não concorre ao Oscar por detalhes técnicos.

Boa noite e boa sorte: concorre ao Oscar com seis indicações. David Strathairn interpreta o jornalista Edward R. Murrow com um carisma realmente impressionante e merece levar pra casa a estatueta. O filme é de baixo orçamento, em preto e branco e conta a briga de Murrow contra McCarthy e sua caça aos “comunistas”. Embora se refira a um episódio dos anos 50, encaixa-se perfeitamente na realidade pós-2001, caracterizada por uma perseguição sem critérios atrás de supostos terroristas, acompanhada de um incentivo à cultura do medo. Interessante saber que o senador McCarthy não foi interpretado por um ator – todas as imagens em que ele aparece foram retiradas dos arquivos da época.

Fora do circuito da Academia, mais dois filmes merecem ser vistos:

Flores Partidas[bb]: embora tenha o consagrado Bill Murray como ator principal, não é um filme hollywoodiano. Jim Jarmusch dirige-o sem a preocupação de corresponder aos estereótipos do cine-pipoca – aliás, diverte-se em quebrá-los ao longo do filme. Murray interpreta um solteirão convicto que sai à procura de um filho de 19 anos, cuja existência lhe era desconhecida até receber uma carta anônima. Flores Partidas ganhou o Grande Prêmio do Júri, no Festival de Cannes.

Rainhas: comédia espanhola absolutamente deliciosa. Conta com a excelente Carmen Maura e outras atrizes maravilhosas. O filme acompanha as peripécias de três dos vinte casais gays que irão oficializar sua união na primeira cerimônia de casamento gay da Espanha. Em meio a mães, pais, sogras e cachorros, muita coisa acontece. Risadas garantidas.

Como a vida não é feita só de bons filmes, assisti também a Tudo em família, comédia fraquinha com Sarah Jessica Parker, a Carrie do seriado Sex and the city[bb]. Se você quer mesmo vê-la, espere o lançamento em dvd.