Sentindo o aquecimento global na pele

Alguém desliga o aquecimento? Ontem foi o dia mais quente em Brasília desde que… bem, desde que Brasília existe. Em 48 anos, nunca havia sido registrada a temperatura de 35,8ºC que o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) marcou ontem (embora alguns relógios pela cidade registrassem mais que isso).

Para completar, a seca continua por aqui: a umidade relativa do ar estava em 13% ontem, agravando o calor. Clima desértico mesmo e nem uma brisa para amenizar. Ficar na rua era impossível e o ar condicionado de todos os cantos lutava para dar conta. Hoje a coisa não está muito diferente disso como, aliás, não estava na segunda-feira. No domingo, o asfalto de algumas ruas estava mole e na bancada de granito em que fazíamos um churrasquinho dava pra fritar um ovo. Literalmente.

Um efeito colateral dessa onda de calor é a sobrecarga da rede elétrica da cidade. Ontem foi dia de picos de luz e apagões em diversas áreas de Brasília. A CEB diz que a culpa é nossa, claro, já que aparelhos de ar condicionado estão no limite – mas a CEB é aquela empresa que nem nas CNTP consegue atender a demanda e deleita-nos com quedas de luz frequentes, chova ou faça sol.

De quebra, o número de focos de incêndio está mais elevado que nunca, especialmente levando-se em conta a época do ano – novembro já é temporada chuvosa na Capital Federal.

As explicações passam pela ocupação excessiva (embora não desordenada) da cidade, pelo uso exagerado de concreto, pelos prédios de vidro sem isolamento térmico adequado e pelo número de veículos nas ruas. Cada comentarista, especialista ou cidadão comum apresenta a sua hipótese.

A minha é bem simples: o aquecimento global chegou. Fujam para as montanhas.

Imagem: runrunrun.

Atualização: alguns termômetros pela cidade ontem marcavam 40ºC e a umidade “extraoficial”, dizem, foi de 8%.

5 Razões Para Não Usar Sacolas Plásticas

Razões Ecológicas

1. Sacos plásticos tradicionais são feitos de petróleo, recurso não-renovável e cuja exploração e refino trazem danos ao meio-ambiente – às vezes, em proporções catastróficas, como os derramamentos de óleo que destróem fauna e flora em largas extensões.

2. Sacos de plástico descartados demoram cerca de 500 anos até serem decompostos pela ação da natureza. Enquanto isso, vão se acumulando em bueiros – contribuindo para as enchentes em áreas urbanas -, aterros e cursos d’água. Além disso, matam animais por sufocamento.

3. Sacolas plásticas não embalam somente suas compras. Descartadas incorretamente, embrulham lixo que poderia se decompor muito mais rapidamente em contato direto com o ambiente.

Razões Práticas

4. Sacolas grandes e resistentes agilizam a guarda da compra no mercado. Abrem rapidinho e comportam muita, muita coisa.

5. Sacolas grandes com alças confortáveis são mais fáceis de carregar. Aquele mundo de saquinhos gera um mundo dobrado de alcinhas que têm que passar pela mão e, não raro, acabam machucando – isso quando não arrebentam no meio da rua.

Sacola Retornável da Rede Ecoblogs Por que esse papo? Porque hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente; porque o blog Faça a sua parte promove, hoje, uma blogagem coletiva sobre o tema; e porque justo esta semana ganhei da querida Lu Freitas uma sacola linda, oferecida pela Rede Ecoblogs.

A sacola da Ecoblogs tem o diferencial de ser fabricada com fibra de garrafa pet (como aquelas dos refrigerante de 2 litros). A Rede Ecoblogs e a Fundação Mapfre mostram que estão sintonizadas com o pensamento 3R: Reduzir, Reutilizar, Reciclar.

Para você ter uma idéia do que cabe na sacola, olha só a compra da semana no verdurão (e ainda sobrou espaço):

Cabe a feira da semana

Aliás, o uso de super-sacolas como esta trouxe um benefício pessoal extra: descobri que elas são uma excelente medida para fazer compras de hortaliças que durem uma semana – nem mais, nem menos. Quando o conteúdo do carrinho não cabe na sacola, já sei que vou precisar inventar moda para fugir do desperdício.

As 5 desculpas mais comuns para usar sacos de plástico

“Ah, mas você coloca congelados e verduras juntos?”

Eu sei, sua mãe ensinou a separar tudinho – a minha também. Só que nenhuma hecatombe acontecerá se você misturar manteiga e frutas, ou se colocar a pasta de dentes junto do pacote de pão. Em casa, você separa.

Claro, se você vai demorar para chegar em casa e o congelado pode molhar a caixa de macarrão, use o saquinho plástico. Se o produto é muito frágil (como amoras, ou ovos), o saco de plástico também é útil. Esses, você pode reaproveitar como saco de lixo doméstico.

“Eu já reaproveito os sacos plásticos como sacos de lixo!”

Duvido que você consiga reaproveitar todos. Muitos se rasgam no caminho do mercado até sua casa. Outros são pequenos demais. Outros não cabem no puxa-saco e vão direto para dentro do lixo. E por aí afora.

Se você usa 100% dos seus sacos plásticos para acondicionar lixo, das duas uma: ou você produz lixo demais, ou faz compras de menos. 😉

“Mas não dá pra carregar essa sacola enoooorme pra cima e pra baixo!”

As sacolas são dobráveis, levinhas e ficam muito bem dentro do carro, da bolsa, da pasta ou da mochila.

“Essas sacolas são caras! Você só usa porque ganhou de presente.”

Sacolas retornáveis da rede Pão-de-Açúcar Na-na-ni-na-não. Há modelos de grife por aí, mas também existem alternativas baratinhas. A sacola da Rede Ecoblogs se junta às minhas duas do Pão-de Açúcar, de TNT, que custam 4 ou 5 reais cada e já duram cerca de um ano. Não sai caro colaborar com o meio ambiente.

“Mas é que o vendedor/empacotador/moço-da-banca-de-balinha já vai colocando as coisas no saco…”

Ele não ficará chateado em usar a sua sacola para guardar as compras, acredite. Se a mercadoria é pequena – balinhas, uma revista, um cd -, avalie se não é possível levá-la na bolsa, ou mesmo na mão, e recuse o saquinho.

Bem sei que nem sempre dá pra evitar a sacola de plástico, mas qualquer redução no consumo já é benfazeja ao meio ambiente.

Faça pequenas alterações nos seus hábitos. Repense comportamentos automáticos. Reveja seu dia-a-dia. Não espere por grandes gestos de governantes ou empresas. Faça o que você pode, hoje. São as pequenas atitudes que, somadas, fazem uma grande diferença – para bem ou para mal.

Vá pentear macaco-aranha, Obama!

Macaco-aranha Não bastassem os ecochatos, que prestam um desserviço ao debate ambiental há décadas, destaca-se atualmente uma outra espécie irritante: os ecodemagogos. Semana passada foi a vez do quase-candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama proclamar que a Amazônia é um “recurso global”. O recado, pra lá de óbvio, não passou batido ao jornal The New York Times, que publicou em 18 de maio a matéria De quem é a Amazônia, afinal? (em inglês – no Último Segundo há uma tradução), destacando opiniões favoráveis à internacionalização da floresta – da nossa floresta.

Soberania nacional? Integridade territorial? Pelo visto, Obama e outros formadores de opinião por aí desconhecem esses conceitos – quando se referem ao país alheio, claro. Quer apostar que a reação seria bem diferente se alguém sugerisse a internacionalização da Floresta Boreal do Alasca, por exemplo?

Que se fale em proteção da Amazônia, em responsabilidade do Brasil por cuidar dela, em estipulação de padrões mínimos de conduta, até aí, tudo bem. Não defendo a falácia “ah, eles destruíram o que é deles, logo podemos destruir o que é nosso” – embora a premissa seja verdadeira, um erro não justifica o outro.

Mecanismos de controle do desmatamento, aliás, existem. Na verdade, o simples boicote do comércio internacional a produtos oriundos da exploração predatória da Amazônia já faria um belo trabalho, sensibilizando os produtores onde realmente dói – mas ninguém quer isso, não é? Todos lucram com a devastação da floresta. A diferença é que uns são mais demagogos que outros.

Enfim. É justo e necessário que haja uma preocupação com a preservação e que se discutam regras de exploração racional dos recursos florestais. Agora, dizer que a Amazônia é “do mundo”, que se trata de um “recurso global”, um “patrimônio natural” ou o que quer que seja já é passar dos limites do discurso sensato. Brasília, a cidade em que moro, é patrimônio cultural da humanidade e nem por isso está aberta ao domínio estrangeiro.

Do jeito que a coisa vai, acabo virando republicana.

Foto: Sir. Keko (link para a imagem).

Marina Silva pediu demissão do MMA

Marina Silva Lembrei-me do texto Um passo à frente, dois atrás, que publiquei aqui no DF no fim de 2007. A saída de Marina Silva do comando do Ministério do Meio Ambiente representa exatamente isso: um retrocesso, um atraso tremendo na política ambiental brasileira – provavelmente, o seu fim. Isso menos de uma semana depois da notícia de que a cana-de-açúcar já ocupa o segundo lugar na nossa matriz energética. Como eu disse: um passo à frente, dois – ou dez – atrás.

Com a partida de Marina Silva, cai um dos pouquíssimos bastiões de integridade do governo Lula. No que tange ao meio ambiente, descem por água abaixo quaisquer esperanças de um desenvolvimento sustentável, em que o interesse coletivo seja colocado em primeiro lugar.

Marina lutou bravamente enquanto esteve à frente do MMA, com uma determinação que contraria sua imagem frágil de quem já sofreu muito. Perdeu quase todas as lutas para interesses financeiros, corporativos e imediatistas. Percebeu a iminência da sua última derrota ontem, quando era claro que seria aprovava a medida provisória que amplia a extensão das áreas da União que podem ser exploradas e desmatadas na Amazônia sem a necessidade de licitação, medida provisória esta que veio para legalizar a situação de criminosos.

Hoje deveria ser um dia triste para todos que se preocupam com o meio ambiente e com o Brasil.

Serviço

Foto: Agência Brasil, encontrada na Wikipédia.