Sob as Escadas de Paris

Filme da vez: “Sob as Escadas de Paris”.

Saudade de uma cabine, né, minha filha? Mas não, ainda não tenho coragem de ir ao cinema. A @a2filmesoficial tem feito cabines virtuais e eu não podia resistir ao convite para ver o novo filme da Catherine Frot, que me ganhou em “Quem me ama, me segue” (um dos últimos filmes que vi no cinema pré-pandemia).

A história começa previsível: uma idosa sozinha tem sua rotina perturbada por uma criança sozinha, tenta se livrar dela, mas acaba se afeiçoando. O que não é tão comum é o background dos protagonistas: a idosa (Christine) é moradora de rua, o menino (Suli) é refugiado e não fala francês.

O filme passeia pela Paris turística, mas se detém na cidade invisível sob escadas e viadutos, repletas de pessoas que tentam sobreviver e manter a humanidade em condições desumanas. Pessoas invisíveis, que ora são escorraçadas, ora encontram alento na bondade que ainda sobrevive.

A trajetória de Christine e Suli me deixou com o coração na mão e lágrimas nos olhos.

Se você já está indo ao cinema, anote a dica: o filme estréia dia 14/10. Se, como eu, ainda não está, em breve estará em um serviço de streaming perto de você.

Estrelinhas no caderno: 5 estrelas

Instinto

Nicoline, psicoterapeuta experiente, deve tratar e avaliar Idris, um perigoso criminoso sexual. Os colegas de Nicoline acreditam que Idris já não representa perigo e pode ser reintegrado à sociedade. Ela discorda. Apesar de reconhecer o perigo em seu paciente e de toda a sua experiência profissional, vê-se enredada por Idris.

É um filme incômodo. Nicoline carrega algum trauma e tem claros problemas de intimidade. Há momentos em que o espectador chega a pensar se Idris não estaria, realmente, recuperado, e se a rigidez de Nicoline não partiria de suas próprias experiências anteriores, numa avaliação parcial do criminoso.

O desfecho me levou a questionar todo o arco dramático e terminei com a impressão de que Nicoline é tão capaz e forte quanto parece ser na cena inicial.

O elenco é famoso: Idris é interpretado por Marwan Kenzari (o Jafar de Aladdin) e Carice van Houten (a Melisandre de Game of Thrones) faz Nicoline.

Divulgação: @a2filmesoficial

Estrelinhas no caderno: 4 estrelas

Branca como a Neve

Filme: Branca como a Neve.

Claire desperta ciúmes em sua madrasta, Maud, a ponto de fazê-la querer dar fim na enteada. Ela foge e começa a desabrochar ao encontrar sete homens, cada um especial à sua maneira.

A produção francesa brinca com o conto de fadas mais conhecido, ora adaptando-o, ora subvertendo-o. As referências estão lá: a maçã, os animais da floresta, os sete anões e outras brincadeiras, como a Brasserie Chapeau Rouge. Encontrar semelhanças e diferenças entre o filme e o conto é um jogo divertido.

A protagonista está excelente. O padre e o músico – dois dos “anões” – são cativantes. A edição poderia ser mais ágil.

Em cartaz a partir da próxima quinta-feira.

Estrelinhas no caderno: 3 estrelas

A Tabacaria

Dica de filme: “A Tabacaria”.

Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, na Viena recém-ocupada pelos nazistas, um rapaz de 17 anos começa a deixar de ser um garoto para tornar-se um adulto. O crescimento vem com aprendizados sobre amor, perda, morte, traição e amizade, contando com a ajuda inusitada de Sigmund Freud.

O filme, coprodução Áustria/Alemanha, é baseado em romance homônimo. As ótimas atuações são complementadas por uma edição precisa e pela bela fotografia. A história é sensível e provoca reflexões… afinal, pessoas comuns acreditaram na barbárie nazista e na propaganda do partido. Se você era antinazista, era automaticamente comunista, uma falsa polarização que gerou uma cegueira coletiva. Dito isso, não é uma história ostensivamente política, mas sim de formação.

Em exibição nos cinemas a partir de amanhã.

Estrelinhas no caderno: 5 estrelas

Ps.: tenho ouvido tanto falar de Freud nos últimos dias, por caminhos tão variáveis, que é impossível não pensar no conceito de sincronicidade de Jung – oh, the irony!