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O Marido Humilhado

Publicado em 30/07/2012, em livros. Tags: , , ,

O Marido Humilhado - capaVocê pode odiar Nelson Rodrigues, mas o fato é que o cara tinha uma habilidade impressionante para contar histórias em poucas páginas. Seus contos são curtíssimos, ele não precisava de mais de três ou quatro páginas para criar personagens marcantes e tramas sórdidas.

Outra coisa que impressiona é a atualidade dos seus textos. É verdade que por um lado são datados quando falam de futebol ou usam gírias (ninguém fala “Fulano é um broto” há mais de 40 anos); mas, por outro lado,  o espírito e as motivações dos seus personagens sobreviveram à passagem das décadas. Talvez porque a sordidez humana seja uma característica atemporal.

Os personagens rodriguianos são reféns de seus próprios sentimentos, dos julgamentos alheios, das aparências e, principalmente, dos ciúmes. Não espere sentimentos nobres – os protagonistas são essencialmente mesquinhos. Tenho a impressão que os programas sensacionalistas e os jornais que espirram sangue devem a Rodrigues sua maior inspiração na hora de narrar com tintas fortes a miséria da vida real.

Nos contos de O Marido Humilhado, você encontrará um homem que mutila outro por ciúmes, uma garota de 17 anos que chega ao extremo para castigar sua paixão platônica, uma mulher que se aproveita cinicamente do desespero de uma colega de trabalho, uma esposa que adora apanhar (afinal, essa é a obsessão de Nelson Rodrigues), um garoto que se apaixona pela madrasta e muitas outras perversões, bizarrices e taras – mas, olhando à distância, todos os personagens rodriguianos parecem normais, cotidianos. Poderiam ser nossos colegas.

Eu, hein.

Ficha

  • Título: O Marido Humilhado – Histórias Inéditas da Vida Como Ela É
  • Autor: Nelson Rodrigues
  • Editora: Agir
  • Páginas: 171
  • Cotação: 3 estrelas
  • Encontre O Marido Humilhado.

4 comentários para “O Marido Humilhado”

  1. Christopher Moura disse:

    Ótimo texto Lu! Parabéns!

    Acho fantástico o talento do Nelson Rodrigues para as tragédias do cotidiano, que soube descrever como poucos o que há por trás da “máscara da moral” que pessoas aparentemente normais usam frente à sociedade.
    Um autor que se aproxima um pouco mais deste coeficiente de tragédia do Nelson Rodrigues é o Tennessee Wiliams que escreveu “Um bonde chamado desejo”, “Gata em teto de zinco quente” e a “Noite da Iguana” que tiveram que ser MUITO adaptados para suas versões no cinema e no teatro.

    Mudando um pouco de assunto, tenho um tio que ainda fala “Broto” e variações… ;-)

  2. Marina disse:

    Lu, tem muito tempo que não leio Nelson Rodrigues. Tenho um trauma pessoal ligado a teatro então li poucas peças nos últimos anos. Por mais que ele tenha contos, sempre associo Nelson Rodrigues com teatro, não tem jeito! Li há uns 10 anos a biografia dele, que é excelente e fala sobre a vida sofrida que ele teve (passou fome, teve que cuidar de todo mundo, um caos generalizado). Fiquei curiosa com o livro e vou acabar comprando assim que tiver tempo, porque adoro contos curtos e seu post me deu uma saudade dos textos dele… Confesso, no entanto, que tenho sentido falta de livros mais positivos, relaxantes, tranquilos, mas que ainda assim sejam muito bem escritos. Você conhece algum desses pra me indicar?

    Abraço!

  3. malu disse:

    Leia o teatro do NR! É fantástico, tem uma edição linda da Nova Aguilar. Sou super mega fã dele. Beijinhos

  4. Lu Monte disse:

    @Christopher, agora fiquei a fim de ler “Gata em teto de zinco quente”. Não sabia que o filme era baseado em livro! Hehehe, esse seu tio precisa rever seus conceitos…

    @Marina, tenho a maior curiosidade em ler a biografia dele, está na lista há tempos! Hum… não tenho lido nada muito positivo, acho. Ah, tem o Nick Hornby, qualquer livro dele é sempre uma boa pedida (tem um que fala de suicídio e talvez não seja, não li ainda). Tem “Clube dos Anjos”, do Veríssimo, que li recentemente e gostei muito. :)

    @Malu, obrigada pela dica.

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Lu MonteA autora mora em Brasília e atende por Lu (de Luciana). Ou Lu Monte, já que há um monte de Lus. Mais?

No Dia de Folga, fala sobre entretenimento de qualidade, minimalismo, receitas e interesses variados. Também tem outros blogs.

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